Finalmente a última pergunta
do ouvinte Alberto Bibiano. É a seguinte: “Por que
o médium vidente, além de ver outros espíritos
também vê outros objetos como flores, livros, chaves.
Para finalizar o ouvinte tece elogios ao nosso programa e agradece
por sua resposta."
Herculano Pires:
– O fato de um médium vidente ver esses objetos, essas
coisas, vem comprovar simplesmente aquilo que nós encontramos
desde a Bíblia até aos livros espíritas. Nós
sabemos que, na Bíblia, já se falava das cidades celestes
e dos objetos que havia nas cidades celestes. Ora, existe portanto,
no plano espiritual, uma situação, principalmente
no plano espiritual mais próximo do nosso, uma situação
semelhante à da Terra. Há flores, há objetos,
há casas, há cidades, há tudo quanto temos
aqui, embora de uma forma mais aperfeiçoada e contendo
aspectos que, às vezes, nós não podemos compreender.
Assim, não é só o médium vidente que
vê isso, toda pessoa que tem as vezes percepções
ou visões através de sonhos ou através mesmo
de momentos de êxtase ou momentos apenas de dissociação
psíquica, como se costuma dizer, todas essas pessoas vêm
esses objetos. São objetos que existem realmente no mundo
espiritual. De fato, o sr. pode constatar isso na leitura de livros
espíritas. Hoje, diz-se muito que esses fatos estão
sendo revelados através dos livros de André Luiz,
mas a verdade não é essa. Já desde o tempo
de Kardec, a Revista Espírita aí está cheia
de fatos, de episódios mediúnicos referentes a eles,
e também nas próprias obras, nas obras da Codificação,
o sr. encontrará referências, particularmente no Livro
dos médiuns, no livro Céu e inferno, de Kardec, o
Sr. encontrará referências a essas visões de
coisas, de objetos, que exite, de fato, na vida espiritual. Para
finalizar, agradecemos os elogios que o Sr. faz, também para
finalizar, ao nosso programa. (Grifos nossos)
Julgamos sua opinião relevante,
em face de sua crescente autoridade (3)
dentro do movimento espírita e de controvérsias (ou
querelas?) recentes no movimento espírita sobre a realidade
das "colônias espirituais". Há espíritas
que afiram que ela precisa passar pela sanção do chamado
"critério da concordância universal" (4). Há
outros que erguem tais controvérsias como bandeira em um movimento
de combate a obras de determinados médiuns.
Já imaginamos aqui que não faltarão aqueles a
afirmar que Herculano Pires "mudou de opinião", o
que fica difícil aceitar já que, de acordo com a transcrição
acima, Herculano Pires afirma de forma categórica que essa
realidade não é revelação "moderna",
mas está presente na própria codificação,
ou seja, ele chega a elaborar um argumento complexo para apoiar a
tese.