Marcelo Henrique Pereira

>    Um manual de leitura espírita?

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Marcelo Henrique Pereira
>    Um manual de leitura espírita?


 

O trabalho (de análise, seleção, aceitação e divulgação das mensagens, mesmo as que sejam “referendadas” por “médiuns famosos” ou “instituições de destaque”) é PESSOAL e INTRANSFERÍVEL. Cada leitor – como estudioso espírita – deve ler, analisar, refutar, comparar, aprovar (ou desaprovar) textos ou obras, de acordo com sua bagagem de conhecimentos, estudo e prática.

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Muitos dos estudiosos espíritas conhecem os fundamentos, a metodologia, os critérios e a sistemática do trabalho de Allan Kardec na seleção das mensagens ditadas pelos Espíritos: o Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos (CUEE). Se QUALQUER ESPÍRITO (desencarnado) pode se manifestar por meio de um médium, a variedade dos níveis evolutivos do comunicante é tão vasta quanto o próprio Universo: Espíritos esclarecidos, sábios, bons, zombeteiros e pseudossábios.

A ida para o “lado de lá” não produz significativas alterações no “estado íntimo”, nas crenças, na intelectualidade nem na moralidade de quem retorna ao Plano Espiritual, mantendo gostos, afeições, pendores e interesses da vida (física). E, portanto, não raro, grande parte das comunicações mediúnicas estará “contaminada” pela visão pessoal do comunicante, inclusive com os atavismos, gostos, preferências e “verdades” pessoais. Daí porque Kardec não validou as comunicações nem pela assinatura nem pelo conteúdo, numa primeira leitura, comparando os textos e adotando para a construção das Obras Fundamentais, elementos que eram confirmados na generalidade das comunicações.

A MEDIUNIDADE necessita do veículo (meio) que é o MÉDIUM e este “atrai” ou se “vincula” a muitas personalidades invisíveis por afinidade vibratória e similaridade entre opiniões e comportamentos. Numa sessão espírita comparecem inúmeros espíritos, muitos deles bastante imperfeitos, “necessitados” de consolo e orientação, outros “obsessores”, “curiosos”, “brincalhões”, etc. Recomendamos a leitura da ESCALA ESPÍRITA, contida nos itens 100 e seguintes de “O livro dos Espíritos” para relembrar as características dos Espíritos.

Como, então, distinguir uns dos outros? Como saber se “os Espíritos são de Deus”? Como separar orientações oportunas de mensagens inverídicas? Quem deverá fazer a “seleção” das mensagens? Kardec estabelece os critérios: a) Escolha de colaboradores mediúnicos insuspeitos; b) Análise rigorosa das comunicações; c) Controle dos Espíritos comunicantes; e, d) Consenso universal.

A partir destes critérios, caberiam as seguintes perguntas:

- No dia a dia das instituições espíritas, qual material humano que está disponível, interessado e motivado para as tarefas? Quem faz a triagem dos médiuns e sob quais elementos avaliativos? Até que ponto se conhece a MORALIDADE dos médiuns? Conseguimos penetrar em seus pensamentos e intenções? O que é mediunidade real e o que é fantasia? E os que simulam mediunidades, sobretudo para obter prestígio e poder?

- O que dizer da assistência espiritual? Quem são os Espíritos que “nomeamos” como guias e mentores? Eles são, realmente, de espiritualidade superior? Quem afere a autoria da comunicação? Há espíritos que se passam por outros? As mensagens contêm elementos absurdos ou questionáveis, segundo a ética, a moral ou o bom senso comum? São contrárias às “verdades científicas demonstradas” e aos princípios espiritistas?

- A linguagem do Espírito guarda relação com a forma usual de manifestação daquela personalidade quando estava “vivo” (encarnado)? Há, durante a comunicação, médiuns de “suporte”, videntes ou clarividentes capazes de atestar a real presença espiritual dos que assinam mensagens? São, tais médiuns, experientes e com estudo e discernimento para não se deixarem iludir pela “aparência” ou “parecença”, já que os desencarnados podem assumir formas que desejem, segundo os parâmetros da Filosofia Espírita?

- Há nos grupos mediúnicos “experts”, que conhecem a fundo a Doutrina dos Espíritos, para apreciar as comunicações? Quem as compara? Quem tem tempo e entusiasmo para ler, reler, dissecar, estudar e comparar as mensagens? 

O que tenho visto, por aí, é desanimador. O usual é o “maravilhamento” e a “estupefação” diante das mensagens e dos livros, como se todos eles proviessem de fontes genuinamente confiáveis. São muitos os dirigentes que “reclamam” de obras “não-espíritas”, “pseudo-espíritas”, “espiritualistas” ou “das enxertias e adulterações”.

Dadas tais premissas, perguntaríamos: - Devemos ter um manual orientativo, a ser lido e consultado pelas instituições, seus dirigentes e pelos leitores espíritas, a fim de melhor selecionar textos e livros “espíritas”?

Por isso, devermos resgatar que não é necessário qualquer “manual” produzido por instituições ou federações acerca da Mediunidade. As orientações para esta atividade já constam dos livros de Allan Kardec, em especial “O livro dos Médiuns”. A partir de tais premissas, o trabalho (de análise, seleção, aceitação e divulgação das mensagens, mesmo as que sejam “referendadas” por “médiuns famosos” ou “instituições de destaque”) é PESSOAL e INTRANSFERÍVEL. Portanto, cada leitor – como estudioso espírita – deve ler, analisar, refutar, comparar, aprovar (ou desaprovar) textos ou obras, de acordo com sua bagagem de conhecimentos, estudo e prática. Nossa natureza espiritual atesta a sobrevivência do espírito e a individualidade da alma, o protagonista da vida individual de cada ser com sua inteligência e a LIBERDADE DE PENSAMENTO, CONVICÇÃO e EXPRESSÃO, o elemento essencial e característico do ESPÍRITO.

A você, que lê o meu texto e que costuma acessar textos e livros tidos como espíritas, mediúnicos ou não, fazemos uma recomendação: - Leia, leia sempre, leia tudo o que estiver ao seu alcance. É o que faço, é o que tenho feito. Não é necessário nenhum manual nem guia de seleção de obras espíritas!

Sim, portanto, à liberdade de pensar e de se expressar e à liberdade – individual e intransferível – de tudo ler, analisar e aceitar. Livremente! Eis, aí, a LÓGICA GENUINAMENTE ESPÍRITA! Então, para parafrasear uma importante mensagem contida em “O evangelho segundo o Espiritismo”, “fora da lógica espírita não há salvação”.

 

 

 

Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=316505127565197&set=a.203335645548813

 

 



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