
Na matéria
anterior, mostramos, com base em Kardec, que o uso de técnicas
no passe não tem base doutrinária. Aqui, complementaremos
a questão anterior: os movimentos de braços e mãos
conhecidos como longitudinal e transversal são
necessários para infundir ou dispersar
fluidos? Há bases doutrinárias para justificar isso?
Resposta: SIM ( ) NÃO ( X
).
O princípio doutrinário
que fundamenta a resposta está no item 14 do capítulo
XIV de A Gênese:
“Os Espíritos agem
sobre os fluidos espirituais, não os manipulando
como os homens manipulam os gases, mas com a ajuda do pensamento
e da vontade. O pensamento e a vontade são para os
Espíritos o que a mão é para o homem.
Pelo pensamento, eles imprimem aos fluidos espirituais
esta ou aquela direção; eles os aglomeram,
combinam ou dispersam;” (Grifos
em negrito, meus).
Essas afirmativas são muito
claras. Os fluidos espirituais não obedecem aos movimentos
das mãos. Segundo a Doutrina Espírita (DE) são
o pensamento e a vontade que determinam “esta ou aquela
direção” que os fluidos devem seguir; como
ou quanto eles devem se “aglomerar”; como devem
se “combinar”; ou se “dispersar”.
Os cinco tipos de movimento mais
comuns que são praticados no passe são: 1) movimento
longitudinal de mãos devagar ou parando
sobre um órgão para infundir ou aglomerar
fluidos no assistido ou no órgão; 2) movimento longitudinal
rápido para remover ou dispersar maus fluidos ou em
excesso; 3) movimentos transversais rápidos para
dispersar fluidos. Acredita-se que para interromper um
transe mediúnico, a técnica do movimento transversal
rápido seria capaz de desfazer a combinação
de fluidos entre o médium e o desencarnado; 4) ao término
de um movimento longitudinal, é necessário fechar
as mãos ao reposicioná-las sobre a cabeça
do assistido para não perturbar o fluxo de fluidos;
5) ao término do passe, é necessário fechar
uma das mãos e colocá-la nas costas, e posicionar
a outra mão aberta sobre a cabeça do assistido.
Alguns dizem que seria para fechar
o campo fluídico do assistido. Há quem chega ao ponto
de dobrar o corpo para aplicar um passe longitudinal num nenê
deitado de lado no colo de outra pessoa porque pensa que a direção
e sentido do passe são relevantes.
Infelizmente, nenhuma
dessas técnicas e práticas tem base em conceitos da
DE. Cita-se, como referências, obras mediúnicas ou
de encarnados que não justificam tais práticas com
base em Kardec. Segundo a DE, não são os movimentos
longitudinal, transversal, ou de abrir ou fechar as mãos
(ou dedos) que vão movimentar, infundir (aglomerar) ou
dispersar fluidos, nem abrir ou fechar o
campo fluídico do assistido. Somente o pensamento
e a vontade agem sobre os fluidos espirituais.
Os irmãos que fazem uso dessas
técnicas, pensam que elas são efetivas e, ao acreditar
nessa efetividade, direcionam os fluidos com esse pensamento.
É como o religioso que acredita no poder de uma vela, ritual
ou talismã. Embora pensem que direcionam os fluidos com os
movimentos das mãos, é o pensamento deles que os movimentam.
Apesar do resultado final ser efetivo para o assistido, é
fundamental ensinar e esclarecer o que é doutrinariamente
correto a todos os companheiros espíritas. A fé raciocinada
assim o exige.
Alguns argumentam que se não
houver movimentos no passe, os assistidos vão pensar que
não estão recebendo ajuda espiritual e esse pensamento
atrapalharia o recebimento de bons fluidos. Realmente, o pensamento
dos assistidos é importante no recebimento da ajuda espiritual.
Mas é responsabilidade do movimento espírita, e uma
forma de caridade, educar os assistidos nesse assunto. A simples
imposição de mãos já proporciona um
sinal suficiente de que o passe está sendo aplicado. O objetivo
da DE é o esclarecimento doutrinário do Evangelho
e o incentivo à dependência dos movimentos do passe
não é caridade. A DE garante que se um assistido estiver,
realmente, necessitado do auxílio do passe, irá recebe-lo
independentemente da utilização de movimentos das
mãos. A DE garante que um nenê no colo irá receber
bons fluidos pela simples imposição de mãos
e ação do pensamento.
Dirigente espírita, se a
Casa Espírita sob sua responsabilidade ensina e pratica o
passe com a utilização de técnicas e movimentos,
está na hora de esclarecer os colaboradores. Note que não
precisa mudar a atividade de uma hora para outra. Trabalhe primeiro
o esclarecimento doutrinário dos colaboradores. Oriente-os,
por exemplo, a estudar o capítulo XIV de A Gênese.
Coloco-me à disposição para ajudar, se precisar.
O esforço nesse sentido é responsabilidade dos dirigentes
e colaboradores espíritas, além de uma forma de caridade
para com adeptos e frequentadores espíritas.