A Apometria, segundo seu fundador,
Dr. José Lacerda de Azevedo, é uma teoria científica
desenvolvida a partir de “normas metodológicas utilizadas
pelas ciências experimentais” [1,2]
com o objetivo de auxílio a enfermos encarnados e desencarnados.
Como ela se apresenta como uma técnica inovadora e de consequências
mais eficazes que as do Espiritismo, decidimos estudá-la e
analisá-la da mesma forma como se estuda e analisa uma teoria
nova dentro da área de Física. Pretendemos responder
a seguinte questão: seria a Apometria um avanço científico?
Teria a Apometria um status de teoria científica só
por citar e extrapolar conceitos da Física e apresentar fórmulas
matemáticas? Qual a forma correta de verificar a validade da
utilização desses conceitos?
Para responder essas questões, analisaremos a coerência
na utilização dos conceitos científicos da Física
e Matemátca e a consistência da teoria
da Apometria em si mesma, isto é, se ela apresenta contradições
com seus próprios conceitos e com os conceitos da Física.
A motivação para esse tipo de análise não
decorre somente do fato da Apometria se considerar mais eficaz que
o Espiritismo. Mas, também, do fato de que muitos espíritas,
mesmo sabendo que a Apometria é uma teoria em desacordo com
o Espiritismo [3-7], propõem-na
por acharem que ela representa um avanço científico.
Eles alegam que Kardec disse que o Espiritismo deve assimilar os progressos
da Ciência (ítem 55 do cap. I de
A Gênese [8]), mas se esquecem de que Kardec também
disse que isso só deve ocorrer “...desde que [as
doutrinas progressistas] hajam assumido o estado de verdades práticas
e abandonado o domínio da utopia, sem o que ele se suicidaria.”
Além disso, o Espiritismo é uma doutrina de fé
raciocinada [9] o que significa
que nada deve ser aceito sem a devida compreensão. No caso
de novidades, em seu discurso aos espíritas lioneses, em 19
de setembro de 1860 [10], Kardec recomenda
que é “preciso que tudo seja friamente examinado,
maduramente pesado, confrontado”, não importando
se as novidades provém “tanto da parte dos Espíritos,
quanto da dos homens”. Esse é,
portanto, o aval de Kardec para examinarmos friamente
a validade da utilização dos conceitos de Física
e Matemática na formulação da teoria da Apometria.
Ao final, concluiremos se ela pode ou não ser considerada um
avanço científico.
O artigo está divido em quatro seções: Na seção
I, descreveremos diversos conceitos e equações
da Apometria, apontando falhas na proposição dos mesmos
e mostrando que eles são, na verdade, incoerentes
com os conceitos da Física e da Matemática. Na seção
II, mostraremos algumas contradições
internas, isto é, entre conceitos diferentes da própria
teoria da Apometria. As análises apresentadas nas seções
I e II serão feitas de modo similar ao que se faz
no trabalho de pesquisa científica profissional, com relação
a teorias novas. Na seção III, analisaremos
a validade relativa de argumentos não-científicos em
favor da Apometria. Ao final, as conclusões serão apresentadas
na seção IV. Este artigo apresenta
análises adicionais dos conceitos da Apometria, em complemento
àquelas já realizadas e publicadas na literatura espírita
[11,12].