Segundo o Espiritismo, a afinidade
é uma das condições fundamentais para a ocorrência
de fenômenos espíritas como o intercâmbio mediúnico,
a eficácia da prece e do passe, e a influência dos
Espíritos sobre os encarnados. Entretanto, a Doutrina Espírita
(DE) não descreve em detalhes o mecanismo da afinidade
entre dois ou mais Espíritos.
Diversos autores espíritas
encontraram nos conceitos simples de frequência
e sintonia da Física uma forma de descrever o
conceito de afinidade do Espiritismo. Esses conceitos
permitem compreender a afinidade entre pessoas e Espíritos
que tem os mesmos pensamentos, sentimentos e gostos. Porém,
não permitem entender o mecanismo da afinidade
em fenômenos como o intercâmbio mediúnico de
um Espírito muito endurecido através de um(a) médium
moralmente elevado(a). Analogias com fenômenos fisiológicos
foram propostos para explicar isso, mas carecem de fundamentos
na própria DE.
Neste trabalho, proponho uma nova
definição de conceito de afinidade com
base no aprofundamento dos conceitos de frequência
e sintonia da Física. Assim como um objeto físico
material não possui apenas uma única frequência
natural de vibração, mas um espectro amplo de frequências
naturais, proponho definir um conceito de espectro de vibrações
de um Espírito baseado no seu conjunto de qualidades
morais.
A partir disso, mostro que é
possível definir uma nova explicação dos
mecanismos da afinidade entre dois Espíritos que
concilia os conceitos da DE em torno do assunto com o fato de
um mau Espírito poder se comunicar através de um
médium de moral elevada.
Como consequência, mostro
que essa proposta também permite explicar a capacidade
de um médium de controlar os excessos e desequilíbrios
de um Espírito comunicante e a dificuldade de médiuns
de moral mediana receberem comunicações de Espíritos
bastante elevados.
