• Introdução
• O perispírito
e suas propriedades
• Perispírito é
o corpo semi-material que serve de envoltório para o Espírito
propriamente dito. Também chamado corpo espiritual, psicossoma,
modelo organizador biológico (MOB), corpo astral, entre várias
outras denominações, dependendo da proposta ou tradição
filosófico-religiosa do proponente no nome ou autor espiritualista,
consiste em uma realidade profundamente relacionada a diversos fenômenos
naturais, corriqueiros uns, mais raros outros, os quais ainda são
pobremente compreendidos pela esmagadora maioria dos indivíduos.
• Mediunidade; “curas
espirituais” (que seriam melhor descritas como “curas
perispirituais”, uma vez que a verdadeira “cura espiritual”
é evolução intelecto-moral do Espírito
imortal); fenômenos de emancipação da alma;
mecanismos da Lei de Causa e Efeito, envolvendo a atual existência
física (inclusive “marcas de nascença”,
desenvolvidas durante o processo biológico, no qual o perispírito
“transmitiria” suas “marcas” para a nova
organização física) ou abrangendo múltiplas
experiências reencarnatórias; e fenômenos de
inspiração/intuição tanto em termos
de intelectualidade como em se tratando de aspectos morais da personalidade
são apenas alguns dos diversos processos, que envolvem uma
significativa interação Espírito-matéria,
nos quais o perispírito tem papel decisivo.
• Uma das questões na quais o perispírito tem
uma atuação decisiva é na definição
de “fronteiras vibratórias” ou “barreiras
vibratórias”. Seja exclusivamente no mundo espiritual
ou na constituição de “barreiras vibratórias",
de caráter semi-material no próprio mundo físico,
o perispírito ou corpo espiritual, e suas respectivas propriedades,
constituem fator preponderante em uma série de fenômenos
que nos atingem diariamente, mesmo que, frequentemente, não
nos atentemos para isso.
• A maleabilidade e a expansibilidade, entre outras propriedades
do perispírito, operam de diferentes maneiras dependendo
de seu nível de “densidade fluídica”.
Quando o Espírito é mais atrasado intelectual, e,
sobretudo, moralmente, seu perispírito tende a ser mais “denso”,
ou seja, mais “grosseiro”, mais materializado, o que
o faz constituir uma realidade mais próxima das manifestações
típicas do corpo físico propriamente dito. Por outro
lado, quanto mais evoluído intelecto-moralmente for o Espírito,
menos identificado com as manifestações do corpo físico
será o seu perispírito, pois este último (o
organismo semi-material interfacial entre Espírito e corpo
físico) apresentará baixa “densidade”,
isto é, será muito mais quintessenciado, em correlação
direta com o nível evolutivo do Espírito que o utiliza.
De fato, dentro da atmosfera de um determinado planeta, é
o Espírito que definirá as diferenças fluídicas
entre os envoltórios perispirituais dos indivíduos.
• Assim sendo, dependendo da evolução espiritual
do grupo de Espíritos que frequentam com assiduidade determinado
ambiente, esse referido local adquirirá o chamado “nível
vibratório” correspondente à evolução
espiritual e às características fluídicas inerentes
a esses Espíritos frequentadores do respectivo ambiente.
Portanto, grupos constituem um “todo coletivo”, em termos
de vibração (também chamada “sintonia
espiritual”), sendo que cada indivíduo do grupo contribui
para a vibração de todo o respectivo ambiente, em
função de seus pensamentos, sentimentos, intenções,
impulsos, ideais, esforços, entre outros, os quais geram
repercussões fluídicas em torno de cada ser espiritual,
já que o Espírito comanda o perispírito, inclusive
definindo seu nível fluídico.
O Perispírito e as barreiras vibratórias
• As barreiras vibratórias
estão relacionadas às propriedades do perispírito,
sendo que a chamada “densidade vibratória” do
perispírito” é fator decisivo para que o Espírito
sinta efetivamente ou não as restrições fluídicas
à sua ambientação em determinados locais. Como
o nível de densidade fluídica do perispírito
tem relação com a evolução do Espirito
propriamente dito, quanto mais evoluído o Espírito,
menos grosseiro é o perispírito. Assim, a similaridade
fluídica entre o Espírito e o ambiente é decisiva
para uma boa adaptação do Espírito a determinado
local.
• De fato, um determinado ambiente tem nível
vibratório correspondente à “sintonia”
dos Espíritos mais frequentes no referido local. Assim sendo,
quanto mais próximo for o nível vibratório
de um determinado Espírito em relação à
vibração ambiente, maior deve ser sua facilidade de
adaptação a esse ambiente e de intercâmbio fluídico
entre a respectiva entidade e o meio. Em adição, maior
também será a probabilidade de telepatia entre todos
os Espíritos em questão, e, por consequência,
maior a probabilidade de uma eficiente “influência espiritual”
entre os Espíritos que frequentam determinado sítio.
• Ademais, quanto maior a “sintonia
espiritual”, maior tende a ser o “intercâmbio
espiritual” e, eventualmente, a “ascendência espiritual”
de um obsessor sobre seu respectivo “obsediado” (assim
como a ação de um mentor espiritual sobre seu “pupilo”).
Na linguagem de Manoel Philomeno de Miranda (psicografia de Divaldo
P. Franco), poderíamos afirmar que quanto maior for a sintonia
espiritual/perispiritual entre obsessor-obsediado, maior deve ser
a efetividade da “conexão plug-tomada”.
• Por outro lado, quanto maior for a distância
intelecto-moral entre os Espíritos e, por consequência,
a diferença de densidade fluídica entre os perispíritos,
maior vai ser a dificuldade de intercâmbio de ideias e fluidos
entre os respectivos Espíritos. Em uma primeira análise,
estamos admitindo que tal interação ocorreria entre
um Espírito desencarnado e um Espírito encarnado,
mas, obviamente, tal processo ocorre entre todos os Espíritos,
independentemente do fato de estarem encarnados ou desencarnados.
• A questão sintonia/vibração,
portanto, envolve o Espírito individualmente, mas também
abrange os ambientes, os quais adquirem a vibração,
digamos, “média” das sintonias/vibrações
dos Espíritos que são mais frequentes em cada respectivo
ambiente, dependendo de suas áreas de interesse, emoções,
sentimentos e aspirações.
• Essa análise indica que, apesar de
obviamente o Espírito, individualmente, ter o seu livre-arbítrio
e ser totalmente responsável por suas obras, ele não
é isento de sofrer influências do ambiente, as quais
podem ser mais ou menos efetivas nos seus impactos mental e comportamental,
dependendo da elevação e da afinidade espiritual dos
seres envolvidos na respectiva interação.
• Como não somos ainda, na maioria
de nós, Espíritos de elevada condição
espiritual, temos que desenvolver, constantemente, grande “vigilância”
(para utilizarmos uma palavra evangélica), tendo cuidado
redobrado quando nos submetemos a influências espirituais
negativas, considerando ambientes, conversas, leituras, filmes,
trabalhos, entretenimentos etc.
• Isso ocorre porque ainda somos significativamente
susceptíveis de sofrer tais influências negativas.
De fato, quanto mais evoluído for o Espírito, menos
acessível ele será em relação às
influências de ambientes negativos. Todavia, como ainda temos
fragilidades morais (algumas delas desconhecidas, ou pelo menos
pouco conhecidas, por nós mesmos), devemos ter elevado cuidado
em relação às influências a que nos submetemos
voluntariamente.
• O ditado latino diz:
“Diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és”
e Allan Kardec, Divaldo P. Franco, entre outros, fazem uma paráfrase
aprofundando a questão espiritual intrínseca nesse
adágio, afirmando: “Diga-me o que pensas e eu te direi
qual é o conteúdo moral das tuas companhias espirituais”.
• Portanto, se eu gosto muito de frequentar
bares, boates, bailes, entre outras casas noturnas, naturalmente
estou submetendo-me às influências inerentes a esses
locais. E, se, por outro lado, prefiro outros tipos de ambientes,
submeto-me, de acordo com o meu livre-arbítrio às
influências características desses outros ambientes.
Por outro lado, mesmo que o local seja o mesmo, a diferente temática
no momento da presença do Espírito é fator
importante no tipo de influência fluídica a que esse
Espírito está se submetendo. De fato, uma mesma sala
de cinema, por exemplo, pode apresentar filmes com nível
de conteúdo espiritual completamente diferente, o que repercutirá
no nível vibratório desse Espírito bem como
na sua susceptibilidade às influências negativas.
• De qualquer maneira, para o bem ou para o mal, há
indivíduos mais impermeáveis e há indivíduos
mais susceptíveis à quaisquer ambientes. Todavia,
é importante frisar que ninguém é totalmente
impermeável (pois todos têm, pelo menos, uma “mediunidade
basal”), e é aí que está grande parte
do problema. Todos nós podemos sofrer influências “telepáticas”,
através da transmissão mental de ideias boas e ruins,
assim como influências fluídicas, sofrendo o impacto
da “vibração espiritual” do ambiente.
• De qualquer maneira, mesmo quando não
nos damos conta, através de sinais ou sintomas físicos,
psicológicos, espirituais, entre outros, não quer
dizer que a presença em determinado ambiente não tenha
gerado algum impacto sobre qualquer um de nós.
• Essa questão é discutida
em várias passagens da Codificação, tais como
o capítulo XIV, denominado “Os Fluidos”, de “A
Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o
Espiritismo”. Inclusive, esse capítulo constitui uma
das bases kardequianas para a fluidoterapia no Centro Espírita,
a qual envolve, basicamente, a utilização da terapia
dos passes e da água fluidificada e/ou magnetizada.
• A fundamentação da fluidoterapia,
baseada na ideia de “transfusão de fluidos de elevado
nível vibratório” demonstra como o ambiente
afeta a interação fluídica afeta nossas saúdes
espiritual, perispiritual e física.
• De qualquer maneira, mais eficiente do que
qualquer terapia de ação predominantemente física
e/ou perispiritual, a reforma moral do Ser Espiritual ainda é,
e sempre será, a imunidade definitiva contra influências
fluídicas e/ou ideias negativas captadas em ambientes de
baixo nível espiritual. Isso ocorre, pois, o Espírito
superior, naturalmente situa-se em nível vibratório
superior, ficando praticamente imune à influenciação
negativa, dependendo do nível de diferença evolutiva
analisado.
André Luiz e as fronteiras vibratórias
André Luiz, nas obras “Nosso Lar”
e “Os Mensageiros” relata a existência de “barreiras
e/ou fronteiras vibratórias” tanto nas colônias
espirituais de “Nosso Lar” (relatada no livro de mesmo
nome), como no posto de socorro da colônia espiritual de “Campo
da Paz” (comentada na obra “Os Mensageiros”).
Por conseguinte, o autor defende que uma série de bem definidas
“barreiras vibratórias” contribuem na “separação
do joio e do trigo” no mundo espiritual, ou seja, tais fronteiras
vibratórias são decisivas para a proteção
de colônias de trabalho no bem de ambientes de baixo teor
vibratório, nos quais tais colônias estão inseridas
(caso de “Campo da Paz”, da obra “Os Mensageiros”),
ou, pelo menos, fazem fronteira (caso da colônia espiritual
“Nosso Lar” do livro homônimo). Obviamente, em
níveis vibratórios mais elevados, as transições
tendem a ser mais sutis, pois os habitantes de níveis espirituais
menos evoluídos respeitarão naturalmente os limites
nos quais suas respectivas presenças não são
bem-vindas. Aliás, mesmo dentro da colônia “Nosso
Lar” já existem tais limitações. André
Luiz, por exemplo, quando recuperou sua condição de
saúde perispiritual, procurou atividades através da
intervenção do Ministro Clarêncio, recebendo
“autorização” para visitar e começar
estágios de estudo e trabalho nos quatro ministérios
menos elevados de Nosso Lar (Regeneração, Auxílio,
Comunicação e Esclarecimento), mas sem acesso, pelo
menos naquele primeiro momento, aos dois ministérios mais
elevados (Elevação e União Divina).
André Luiz e a programação
reencarnatória
• André Luiz, tanto em "Evolução
em Dois Mundos" como em "Missionários da Luz",
comenta que há reencarnações que são
esforços meramente evolutivos básicos, enquanto há
encarnações cuja programação é
mais elaborada, pois os Espíritos são mais preparados.
Portanto, o planejamento acaba sendo mais elaborado em função
do maior leque de possibilidades que tem que ser planejado para
cada reencarnante.
• De qualquer maneira, é necessário
que haja um automatismo da Lei, afinal, a reencarnação
é uma Lei Natural, e, em muitos casos, quando nos submetemos
a ambientes como motéis e, o que é ainda pior, meretrícios,
estamos nos submetendo à eventualidade dos processos naturais
da Lei. Além da evidente possibilidade de adquirirmos obsessores
que tenham vícios em comum conosco, e até mesmo vícios
muito piores, pela “abertura espiritual” oferecida,
podemos propiciar situações de “oportunidade
reencarnatória” para Espíritos atrasados presentes
em tais locais. De fato, no caso em tela, tais ambientes costumam
apresentar muitos Espíritos sexólatras e que, eventualmente,
podem ser "imantados" a uma eventual célula-ovo
gerada pelo ato sexual. A Lei permite tais eventualidades, pois
quando nos submetemos ao risco, estamos gerando causas, ou seja,
estamos agindo dentro da Lei de Causa e Efeito.
• Um exemplo simples: um determinado reencarnante
tem uma programação reencarnatória que, a priori,
estabelece uma significativa probabilidade de uma vida física
de aproximadamente 90 anos de idade, considerando condições
orgânicas, genéticas, espirituais, perispirituais,
socioeconômicas, entre outras. Todavia, sempre que está
no trânsito, dirigindo carros e/ou motos, age com grandíssimo
excesso de velocidade. Eventualmente, num dia de grande inconsequência
ao voltante, tal indivíduo pode sofrer uma colisão
frontal e vir a desencarnar. Trata-se, portanto, de um suicídio,
provavelmente considerado inconsciente ou indireto, mas ainda assim
um suicídio. Dessa forma, o referido indivíduo agiu,
por livre e espontânea vontade e contra toda a programação
reencarnatória, acabei propiciando uma desencarnação
antecipada.
• Outro exemplo (ainda pensando em aproximadamente
90 anos de vida física): alguém que sempre fumou dois
maços de cigarro por dia desde os 15 anos de idade e desencarnou
com 70 anos de vida, vítima de doenças causadas direta
e indiretamente pelo tabagismo. Ora, trata-se de um caso menos drástico
do que o primeiro, mas, ainda assim, nesse exemplo, houve um desperdício
de 20 anos de vida, o que, em termos de reencarnação,
pode ser decisivo em relação ao cumprimento de tarefas
reencarnatórias e à situação espirtual
consequente que o Espírito vai apresentar no mundo espiritual.
• Importante ressaltar que os Espíritos
obsessores não são necessariamente ignorantes intelectualmente.
Alguns são extremamente cultos e inteligentes, muito embora
estejam em um estado de perturbação moral/emocional
(vale analisar o capítulo 8, intitulado “Preparativos
para o Retorno”, de “Ação e Reação”).
• Os Espíritos inferiores, segundo
informações do mundo espiritual, obtidas, por exemplo,
através de Manoel Philomeno de Miranda (mediunidade de Divaldo
P. Franco), podem até planejar reencarnações,
mas não percebem que estão indiretamente agindo para
um fim maior que é a Lei de Deus. Os prepostos de Deus permitem,
até um certo ponto, que eles atuem dessa forma. Até
que chega um momento em que terão que colher concretamente
o que plantaram. Como disse Jesus, "é necessário
que haja escândalos, mas ai por quem os escândalos venham".
• Em "Os Mensageiros", de André
Luiz/Chico Xavier, um dos espíritas fracassados (já
desencarnados), teve uma programação reencarnatória
que previa determinados filhos, mas sua sensualidade, gerou obsessões
e uma companheira bem abaixo de seu nível espiritual e que,
indiretamente, trouxe para o convívio do referido companheiro
um filho que era um ser "monstruoso", o qual era fortemente
vinculado a essa mulher.
• Portanto, a programação reencarnatória
existe, mas está submetida a cada dia de escolhas em que
estamos modificando esse planejamento. Logo, é possível
a ocorrência de uma reencarnação com planejamento
mínimo, meio que improvisada pelos mentores, o que é
gerado pelo automatismo da Lei, associado usualmente
à nossa inadvertência em relação à
própria “Lei Natural do Divina”. De qualquer
maneira, o processo de “planejamento reencarnatório”
é algo do tipo “fluxo contínuo”, pois
a cada dia pode ser modificado, ajustado, incrementado, dependendo
de nosso esforço efetivo no dia-a-dia.
• Aliás, essas alterações
não ocorrem somente em função de erros, mas
também em função de superação
da expectativa inicial dos mentores, em relação a
eventual sucesso espiritual da nossa parte. Com José Raul
Teixeira, notável orador e médium de Niterói,
segundo explicação dele mesmo, aconteceu uma expansão
do tempo de vida física. Sua tarefa foi desdobrada porque
os mentores avaliaram que ele estava indo bem em suas atividades
(e por isso ele não teria morrido em um acidente de carro
em 1986). Teria acontecido algo parecido com Divaldo Franco no início
da década de 90, quando o admirável médium
e orador baiano sofreu um infarto.
• De fato, Chico Xavier dizia que “não
se pode voltar atrás e ter um novo começo, mas sempre
é possível começar agora e ter um novo fim”.
Além disso, o médium de Pedro Leopoldo teria dito
certa vez para o médico Elias Barbosa: “Meu filho,
saiba você que o dia em que o pior criminoso do mundo resolver
deixar o crime e trabalhar, sinceramente, com Jesus, a Justiça
de Deus para de atuar, e começar a agir a Misericórdia
Divina e nada lhe faltará”. Essa análise de
Chico Xavier corrobora a informação registrada na
obra de André Luiz “Ação e Reação”,
que explica que as novas causas no bem anulam as causas anteriores
no erro. Obviamente, nada mais é do que uma nova confirmação
da frase do Apóstolo Pedro: “O Amor cobre a multidão
dos pecados”, que, por sinal, é uma reiteração
do ensino de nosso Mestre Jesus de Nazaré: “Muitos
pecados lhe são perdoados porque ela muito amou”.
Os ambientes apresentam um determinado padrão
vibratório médio, em função da média
de vibrações, pensamentos, ideais e atitudes que são
mantidos no ambiente. É óbvio que a intenção
pode até ser muito pior mesmo em um ambiente melhor, mas
o ambiente sendo melhor, diminuiríamos o risco de uma série
de problemas subsequentes.
Em Nosso Lar, o Espírito pode ter uma invigilância
moral, é claro! Mas se tiver no "baixo umbral"
as repercussões em função do tipo de Espíritos
que estão ao redor podem ser mais complicadas. Na obra "Missionários
da Luz", logo em um dos primeiros capítulos um "Espírita"
que frequentava "cabarés" tinha obtido dois Espíritos
que eram obsessores sexuais! Veja bem, não era vingança
de encarnações passadas! Nada a ver! Era afinidade
espiritual (digamos "novas amizades" recentemente “conquistadas”!),
associada a vícios usuais que muitas vezes, inadvertidamente,
cultivamos na vida física. Quando ele foi em uma reunião
de desenvolvimento mediúnico no centro espírita (obviamente,
que não estava em boas condições para isso),
os obsessores ficaram do lado de fora, pois, a barreira vibratória
do centro espírita evitou que eles adentrassem o centro (se
já fosse caso de subjugação e/ou possessão,
os obsessores entrariam mesmo com as barreiras!!! Mas ainda era
obsessão simples, sem total acoplamento perispírito-a-perispírito,
e, assim sendo, os obsessores ficaram do lado de fora). Quando a
reunião terminou, ele saiu do centro, e, lenta e gradualmente,
começou a pensar negativamente. Os espíritos obsessores
que o esperavam do lado de fora do centro espírita foram
retomando a influenciação enquanto ele voltava para
casa acompanhado de sua irmã e de sua mãe. Após
despedir no meio do caminho de sua irmã e de sua mãe,
completou o percurso até sua casa. Sempre acompanhado pelos
espíritos sofredores, cada vez mais ativos na influenciação.
Quando ele chegou em casa, os obsessores ficaram de novo do lado
de fora, pois ele, o marido, foi beneficiado pela alta elevação
e atitude moral e espiritual da esposa, que orava e vivia de forma
elevada espiritualmente, mantendo barreiras vibratórias que
beneficiavam toda a casa e toda a família, por consequência
(o que nos faz refletir sobre a necessidade premente do Evangelho
no Lar no mínimo uma vez por semana!). Quando ele estava
na rua, estava totalmente susceptível à influência,
mas em casa e no centro espírita era beneficiado pela vibração
média ambiente que era elevada espiritualmente em ambos os
locais. Essa realidade remete-nos, indiretamente ao próprio
mestre Jesus: "Onde houver dois ou três reunidos em meu
nome, ali eu estarei". Para a esposa era uma proteção
por mérito espiritual (Lei de causa e efeito) e para ele,
que não fazia por merecer era "acréscimo de misericórdia".
Mas, obviamente ele poderia acabar com as resistências espirituais
da mulher em função da sua inconsequência espiritual
para com a família que é um ser coletivo, do ponto
de vista vibratório. Por outro lado, se a mulher permanecesse
com uma alta resistência em seu nível vibratório,
ele continuaria sendo beneficiado pela proteção dela,
pelo menos enquanto estivesse em casa, assim como acontecia quando
ia ao centro espírita (isso também desperta-nos para
a necessidade da frequência à casa espírita!
Vide a obra “O Centro Espírita” de J. Herculano
Pires). Nesse segundo contexto, a situação pioraria
realmente se o quadro de obsessão simples fosse se agravando
até gerar um quadro de subjugação ou fascinação
(se ele achasse que estava bem e inspirado!) ou até mesmo
possesso (que consiste em um caso de subjugação mais
avançado, conforme podemos constatar em “A Gênese”.
Digamos que alguém passe a noite em um motel
e/ou hotel de baixo padrão vibratório, mas com o objetivo
único de descansar e dormir, por exemplo. Nesse caso, como
o indivíduo não está em sintonia com as entidades
que podem estar presentes no ambiente, esse indivíduo estará
menos susceptível. De fato, a pessoa está bem espiritualmente
e não tem nenhuma predisposição à conduta
moral negativa, que constitui o interesse de muitos que procuram
tal ambiente. Nesse caso, a susceptibilidade da pessoa vai ser bem
menor, mas, ainda assim, temos que admitir que vivemos em uma realidade
de intercâmbio fluídico.
Para os indivíduos que possuem uma certa
sensibilidade mediúnica um pouquinho mais ostensiva do que
a média das pessoas, muitas vezes determinados ambientes
fazem a pessoa sentir-se mal (principalmente médiuns iniciantes
que ainda não dominam o intercâmbio fluídico.
Divaldo, por exemplo, dizia que no início da sua mediunidade,
"quando ia a um casamento ficava mais feliz do que a noiva
e quando ia a um velório ficava mais triste do que a viúva
porque captava a vibração ambiente e não sabia
controlá-la" Daí, ele dizia: Meu Deus, quem sou
eu?! Porque o processo de autoconhecimento do médium é
mais complexo, pois ele tem que avaliar com muito mais cuidado para
saber se está sendo ou não influenciado negativa ou
positivamente, ou se é ele mesmo sem nenhuma influência,
pelo menos mais efetiva!). Por outro lado, podemos sentir muita
paz em determinados ambientes, como a própria casa espírita,
o que reforça essa questão de que o ambiente realmente
não o principal fator determinante, mas não significa
que não proporcione influência alguma. Sem cair no
fanatismo de excluir totalmente os ambientes negativos, o que realmente
não faz sentido, pensando no Evangelho (pois o nosso estado
consciencial é principal determinante, sem dúvida!),
também não seria totalmente seguro, principalmente
para quem tem um pouco mais de sensibilidade mediúnica, a
visita a ambientes de densidade fluídica mais pesada de uma
maneira inconsequente e sem motivo. Se o indivíduo está
bem consigo mesmo, e seguro espiritualmente, ele pode ir a qualquer
ambiente e "não se sujar". A questão é
ter essa segurança. No livro "No Mundo Maior" (já
no final do livro), Calderaro já tinha combinado que André
Luiz iria na excursão ao "baixo umbral"! A Mentora
chegou, olhou, avaliou André Luiz e não deixou que
ele fosse lá! Ela disse que ele não iria aguentar!
E o Calderaro tentou interceder e ela disse que André Luiz
não tinha condições, dando a entender que ele
poderia sair muito perturbado e, na pior das hipóteses, nem
sair! Portanto, ela deixou que ele ficasse apenas no limiar do "baixo
umbral" (digamos o médio umbral). O assunto é
muito interessante realmente. Mas, você tem razão Anselmo!
Se o indivíduo tem segurança espiritual, ele não
tem nada mais significativo para temer!
Há um caso conhecido de Chico Xavier em que
o famoso médium de Pedro Leopoldo teria sido levado a um
lupanar de Pedro Leopoldo e que Chico, não só não
foi afetado pelo baixo padrão vibratório ambiente,
mas praticamente desenvolveu uma reunião de Evangelho no
Lar do local. Entretanto, é necessário frisar que
ele foi levado para lá sem ter consciência do destino
e do tipo de surpresa preparada para ele.
Entretanto, há um outro caso do Chico que
merece registro. Certa vez, Emmanuel teria dito para o Chico não
ir ao prostíbulo (obviamente, Chico estava indo para ajudar
material espiritualmente as moças). E Emmanuel teria dito:
"Ir, você poder ir, mas não sei se você
volta!". Cá para nós, é claro que Chico
não teria maiores problemas morais, mas talvez Emmanuel não
quisesse que Chico sofresse maiores desgastes fluídicos,
desprendendo muito fluido vital para ajudar ao ambiente (considerando
as tarefas que certamente vinha desenvolvendo nos livros e no Luiz
Gonzaga!). Seria uma questão de prioridades!
E, além disso, talvez Emmanuel aproveitou a situação
para dar uma informação para o Chico que fosse útil
principalmente para nós outros, os mais frágeis espiritualmente!
Temos que frisar um ponto importante do problema
do nível de percepção mediúnica do ambiente.
Para quem não é médium ostensivo e apresente
um nível de apercebimento fluídico muitíssimo
baixo, provavelmente a presença em ambientes de nível
vibratório mais grosseiro possa ser aparentemente “tranquila”,
ou seja, pode não gerar nenhum tipo de mal-estar detectável.
Mas isso não significa que a influenciação
espiritual não esteja acontecendo. É claro que o médium
ostensivo que é uma espécie de “estação
de rádio” (conforme analogia de André Luiz,
em “Mecanismos da Mediunidade”), que emite e que recebe
pensamentos e/ou fluidos com grande intensidade para sentir os impactos
dos ambientes (sejam eles ambientes de nível espiritual elevado
ou atrasado).
Nesse sentido, o indivíduo que não
é médium ostensivo teria, a priori, uma certa “vantagem”
de não sofrer usualmente os impactos negativos em “ambientes”
de nível vibratório inferior, pelo menos de maneira
que ele próprio identificasse algum tipo de mal-estar. Mas
essa aparente “vantagem” também não deixa
de ser perigosa (podendo constituir, dependendo dos hábitos
do indivíduo, em grande “desvantagem”). Realmente,
o fato de não sentir em maior grau os chamados popularmente
“ambientes carregados” fornece uma espécie de
“segurança” e uma “tranquilidade”
para o “não-médium”. No entanto, ninguém
é 100% “não-médium”, e mesmo sem
sentir implicações físicas, psicológicas
e comportamentais, ele pode adquirir “companhias espirituais”,
que se tornem verdadeiros obsessores, através, fundamentalmente,
do “fenômeno telepático”, o qual é
o fundamento da mediunidade basal, mesmo que ele não se dê
conta disso. Nesse caso, em função de uma inconsequência
e ausência de “vigilância espiritual”, ele
pode adquirir influências espirituais que podem ir crescendo
lenta e gradualmente, podendo, mais frequentemente, a médio
prazos, virem a constituir processos obsessivos complexos e de difícil
terapêutica.
Portanto, de forma excepcional, em função
das ocorrências naturais da vida, quando um “não-médium”
têm que ficar um determinado tempo em ambiente negativo espiritualmente,
a sua baixa sensibilidade poderia, em um primeiro momento ser considerada
vantajosa, pois ele não vai sentir tão fortemente
os impactos do ambiente, incluindo, muitas vezes, sintomas físicos.
No entanto, se o nível de risco a que ele se submete, justamente
por não sentir nada (ou quase nada) é elevado, então
essa aparente “vantagem” pode passar a constituir grande
“desvantagem”, uma vez que vários processos espirituais
negativos podem estar acontecendo com o respectivo indivíduo,
mesmo que ele não se dê conta disso.
De fato, um dos maiores e gerais problemas associados
à questão obsessiva é que a maioria dos indivíduos
ignora que ela exista. E mesmo dentre os que a admitem, muitos têm
uma compreensão extremamente superficial do fato. Assim,
o conhecimento da realidade espiritual, da realidade e intensidade
do problema obsessivo, suas causas, processos e implicações
assim como os cuidados preventivos e terapêuticos contra a
obsessão ainda são de conhecimento de uma “micro
minoria”, fazendo com que a ampla maioria dos seres encarnados
aja de maneira inconsequente e altamente arriscada
do ponto de vista espiritual, susceptível de serem vítimas
da obsessão.
Nesse contexto, quem já sente em um certo
grau mais significativo os impactos fluídicos negativos tende
a ser mais cuidadosos em suas atitudes e com relação
aos ambientes que frequenta, visando minimizar invigilâncias
que, probabilisticamente, podem gerar suas consequências negativas.
É importante frisar que durante o nosso dia-a-dia,
adquirimos algumas companhias espirituais ou recebemos impactos
fluídicos que poderíamos chamar de “influência
espiritual simples”, que já constituiria algo significativo,
mas de menor gravidade do que a obsessão propriamente considerada
(a chamada “obsessão simples”, na linguagem de
Allan Kardec. De fato, na “obsessão”, a influência
já é “persistente”, o que, em princípio,
não é o caso da influência espiritual simples).
Divaldo Pereira Franco afirma que quando adquirimos essas companhias,
“se não for caso de obsessão”, ao chegar
à Casa Espírita, normalmente, já deixamos suas
companhias do lado de fora do Centro Espírita (em função
das barreiras vibratórias do Centro), o que, segundo Divaldo,
explicaria parte do relaxamento e do bem-estar que o indivíduo
sentiria no Centro Espírita, pois, a rigor, já teria
“tomado” um “passe espiritual” na chegada
ao Centro.
Waldo Vieira afirma que raramente nossos encontros
são neutros fluidicamente (na maioria das vezes, um indivíduo
dá fluidos e o outro recebe) e que a grande maioria das pessoas
é despreparada para lidar com esses intercâmbios fluídicos.
Daí, os chamados comentários do tipo “Eu sou
um para-raios!” Ou “Eu sou uma esponja! ” Devem
ser compreendidos como indivíduos que tem maior facilidade
para trocar fluidicamente (no caso em tela a troca implicaria em
receber fluidos negativos e fornecer fluidos de melhor qualidade
para o outro, o que explicaria a sensibilização negativa
daqueles que fazem tais afirmativas). Aprender mecanismos de “autodefesa”
fluídico-espiritual e, antes disso, ter uma atitude de vigilância
preventiva em relação a determinados ambientes, consistem
em tarefas urgentes para quem busca viver melhor espiritual, perispiritual
e fisicamente.