Não é moderna
a crença sobre a existência de uma entidade que nos acompanha
pela vida afora com a missão de nos proteger. Segundo afirmam,
todos os homens possuem um Espírito protetor. Acredita-se também
que estes chamados anjos são relacionados a cada signo, existindo
um para cada dia do ano.
A Humanidade costuma rezar por esses entes há muito tempo,
existindo mesmo aqueles que creem que o seu anjo protetor é
mais evoluído do que o do seu amigo, ou vice-versa. Outros
aconselham, diante de situações contundentes ao longo
da própria vida, acender uma vela para o seu anjo da guarda.
Esse ser é tão importante que existe uma data no calendário
para festejar a sua existência: 2 de outubro!
Como se conclui, há muita incompreensão sobre este tema,
como com tantos outros, mas, particularmente, no século XIX,
um novo patamar de conhecimentos sobre os anjos da guarda foi revelado,
abordando não somente esse, mas tantos outros assuntos relevantes.
Foi a Doutrina Espírita ou Espiritismo que trouxe luz a esta
crença, e muita luz, sem que seja preciso acender qualquer
vela.
Os esclarecimentos fornecidos sobre os anjos da guarda foram completos,
lógicos, racionais, desmistificando práticas, algumas
infantis, de se manter uma imagem de um anjo com suas duas asas abertas
ao pé da cabeceira, às vezes na entrada da residência,
visando à proteção da família.
Os Imortais informaram a Allan Kardec que todos possuem um particular
Espírito, indicado por Deus, para acompanhar cada ser humano,
em qualquer época, desde o seu nascimento até a sua
morte e, mesmo após a grande transição entre
os mundos material e espiritual, ele estará a postos para nos
receber e ajudar a desvencilharmo-nos do corpo biológico, evidentemente,
dentro do merecimento de cada um.
O anjo guardião sempre é um Espírito bem mais
evoluído do que seu protegido, sendo a sua própria evolução
proporcional à evolução do protegido, ou seja,
quanto mais evoluído é o encarnado, mais preparado é
o anjo guardião, caso contrário, não há
proteção alguma. Essa rotina se repete até o
momento em que o protegido assume a condição de caminhar
com segurança usando o seu próprio livre-arbítrio.
Assim, ninguém precisa se preocupar se o seu anjo da guarda
é mais ou menos adiantado do que o do seu vizinho; não
faz o menor sentido. Quem designa o anjo guardião é
Deus, e Ele sabe perfeitamente qual o nível evolutivo do Espírito
– candidato a anjo da guarda –, adequado para tal ou qual
encarnado.
Além disso, é preciso entender que o guardião
não se distrai, não perde a sintonia com o protegido,
aliás, nós é que não sintonizamos com
ele, em função do estilo de vida escolhido: quanto mais
materialista for a nossa existência, mais difícil se
torna a conexão mental com o guardião.
Ele sempre tentará nos influenciar a trilhar o caminho do bem,
as práticas moralizantes e éticas; contudo, se nós
estamos mais motivados pelos apelos mundanos do cotidiano, a sua influência
pode se tornar ineficaz. Veja-se que, nesses casos, ele não
responde por nenhuma penalidade, uma vez que quem não se interessou
pelos seus conselhos fomos nós mesmos. A tarefa dele foi plenamente
cumprida e ele poderá até se entristecer diante de nossas
condutas equivocadas, ao vislumbrar consequências, algumas trágicas,
outras nem tanto, em futuro próximo.
Oportuno esclarecer que, se nós não criamos ouvidos
mentais às sugestões do bom gênio, outros Espíritos
levianos, alguns vingativos, outros viciosos, podem estabelecer esta
sintonia, nos levando, pouco a pouco, à perdição
moral.
Falando especificamente em relação ao local onde se
encontra o guardião, como Espírito desencarnado, pode
até se encontrar em outros mundos; mesmo assim, está
nos observando, continuamente, sem prejuízo algum em função
da distância separando a dupla protegido-protetor. Ele jamais
perde o protegido de vista e, se eventualmente ele precisar se ausentar,
outro Espírito com as mesmas características de evolução
o substitui, ou seja, nenhum homem fica sem receber auxílio
por parte dos protetores. É uma lei divina.
Em face de tal revelação, não creiamos que apenas
os cultivadores da virtude sejam beneficiados por este acompanhamento
espiritual. Até o maior criminoso recebe esse amparo divino.
É possível fazer uma analogia a esse mecanismo usando
o astro Rei: o Sol. Essa fonte de calor e luz tanto aquece e ilumina
o cientista quanto o mais reles verme que ainda rasteja pelas entranhas
da terra.
Entretanto, qual seria o benefício obtido pelo anjo da guarda
no desempenho de sua tarefa?
Os Espíritos que assumem esta missão, por livre vontade,
pois Deus não os obriga a tanto, avançam com o aprendizado
proporcionado pelo acompanhamento de outros Espíritos ainda
indecisos e vacilantes no caminho a seguir, obtém experiência,
evoluindo no desenrolar da missão.
Conveniente observar que, de acordo com informações
obtidas pelos Espíritos superiores, que apoiaram Allan Kardec
na elaboração das obras espíritas, a palavra
anjo, propriamente dita, só se aplica aos Espíritos
puros, tais quais Jesus, isto é, aos que alcançaram
a perfeição relativa.
Sendo assim, não nos preocupemos com o local onde se encontra
o nosso anjo guardião; se dele precisarmos, basta pensar. É
suficiente estabelecer sintonia pelo pensamento, com o sincero desejo
de escutá-lo, ou seja, pela prece podemos estabelecer este
contato.
Não imaginemos que o estamos fatigando. Ele está plenamente
ciente de que nesta vida será nosso dedicado acompanhante e
amigo.