O mais basilar direito de todos os
direitos é aquele a contemplar a vida. Lembremos também
de outro postulado de Deus relacionado ao primeiro, inclusive antecedendo-o,
qual seja: o dever de honrar e manter a vida por todos os meios lícitos,
o outro lado da moeda, se assim podemos nos expressar.
Nos tempos hodiernos, este dever e este direito, há bom tempo,
estão sob o fogo das argumentações falaciosas
e tendenciosas, buscando a todo o custo contestá-los, através
da legalização da opção indecorosa do
aborto, hoje prática considerada como crime em nosso país,
salvo algumas pouquíssimas exceções.
Discussões intérminas vêm ocorrendo no seio da
sociedade, com posições extremadas de defensores sinceros,
outros ignorantes e alguns com claros interesses escusos.
Independente do desfecho deste grande e importante debate, onde se
espera com fervor, tenhamos o parecer final guiado pela única
lei a nos conduzir à paz de espírito, hoje e sempre,
qual seja a Lei do Amor ao semelhante e a nós mesmos, em função
da incompreensão humana sobre o tema, contam-se aos milhões,
talvez bilhão o número de abortos praticados em nosso
planeta nestas últimas décadas.
Basta observar os dados publicados contidos no relatório da
WHO – World Health Organization (1),
apontando 73 milhões de abortos induzidos em todo o mundo a
cada ano, tanto pela prática do aborto seguro, quanto inseguro.
Não há registro de quantos foram realizados baseados
no único critério previsto na lei divina para a interrupção
da gravidez, seguramente a esmagadora minoria, estabelecido em O
Livro dos Espíritos (2):
359. No caso em que a vida da mãe
estivesse em perigo, por causa do nascimento da criança,
haveria crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?
“É preferível sacrificar o ser que não
existe ao ser que existe.”
E a razão para esta justificativa
se compreende plenamente, pois a mãe poderá ter outros
filhos e pode mesmo já contar com um ou mais filhos, que precisam
de educação e a manutenção de suas vidas.
Juntamente com o pai, ambos têm o dever de promovê-las.
Imaginemos o prejuízo moral para o nosso planeta: é
imenso, e já está devidamente consolidado. Este mal
atingiu quase a totalidade destes milhões de abortados, somado
aos participantes do delito, quais sejam: a mãe; o pai; familiares
partícipes ou incentivadores; a sociedade ao permitir por omissão,
descaso ou insensatez; os profissionais da saúde, médicos,
enfermeiros e parteiras; os “amigos e amigas” estimulando
e sugerindo a prática; e um grupo de Espíritos pouco
conhecido das massas pouco versadas nas questões espirituais,
os obsessores. Um contingente significativo de Espíritos os
quais deverão forçosamente acertar o passo com as leis
eternas, seja pelo amor ou na ausência deste, pela dor.
Diz o Criador, a cada qual segundo as suas obras, e se reconhecermos
que obramos contra a Lei de Amor, por motivações diversas,
resta-nos agora obrar intensamente a favor desta mesma lei, buscando
compensar pelo sacrifício, dedicação e altruísmo,
os malefícios oriundos de tamanha insensatez.
Mas como fazer, ou por outra, como desfazer o que se fez? Como reconstruir
a paz interior? Como reequilibrar as energias e forças internas
em frangalhos após tanta incompreensão? Como devolver
à paz do mundo, o que lhe subtraímos, perguntam atônitos,
todos os partícipes destas funestas ações?
Em resposta, buscamos aqui alinhar medidas simples, ligeiras sugestões,
despretensiosas orientações, atitudes ao alcance de
todas e todos envolvidos neste infanticídio coletivo que vem
sendo perpetrado sem qualquer pudor, de modo a poderem pelo amor reparar
os malefícios criados a tantos e a si mesmos.
A você querida irmã, a vocês estimados, envolvidos
nesta atividade indecorosa em clínicas obscuras, praticando
tal afronta ao Misericordioso, saibam que Ele não deseja a
morte do pecador, mas sim do pecado. Deseja vida plena ao pecador,
mesmo tendo este descumprido com o seu dever básico de defendê-la
quando pode, ainda mais considerando a impossibilidade de defesa dos
Espíritos vindo esperançosos, por vezes temerosos, outros
alegres e felizes por saberem que voltariam a Terra em mais um programa
de reabilitação promovido pelas provas e expiações
que aqui experimentariam tão necessárias e imprescindíveis
ao seu progresso.
Meditem com atenção nas poucas linhas a seguir e abracem-nas,
vivam-nas ardentemente. Façam as escolhas, apresentem e apresentem-se
ao Pai Amado com as suas participações, agora sob novo
entendimento, a contribuição de amor de cada um de vocês,
construindo um farol seguro a iluminar as suas próprias trajetórias
do porvir.
Honrem com a sua dedicação. Doem seu tempo. Dividam
os seus recursos. Não percam tempo se lamentando. Envolvam-se
com estes outros filhos de Deus, pois certamente assim, poderão
erguer de novo suas frontes através do serviço dedicado
ao próximo:
1. Cuidem de crianças para
que suas mães possam trabalhar, ganhando o tão precioso
pão para alimentar as pequeninas bocas;
2. Sejam voluntários em qualquer atividade de apoio às
gestantes;
3. Costurem, bordem, confeccionem roupinhas para as crianças
desnudas;
4. Participem de campanhas visando à valorização
da vida, sob qualquer bandeira;
5. Busquem nova gestação, se ainda estiverem com saúde
e idade apropriadas;
6. Apoiem ou mesmo construam um orfanato;
7. Orientem familiares de modo a não obrigarem: esposas,
filhas, netas, sobrinhas, noras a fugirem de suas responsabilidades,
abortando;
8. Levem a palavra de valorização da vida àquelas
com o coração oprimido por tantas dúvidas e
por conta disto pensam em desistir da gestação;
9. Busquem conhecer e orientem as pessoas a evitar métodos
anticoncepcionais abortivos;
10. Adotem uma criança desamparada, se ainda se sentirem
seguros e houver idade adequada para bem educá-la;
11. Mentalizem o(s) Espírito(s) que não permitiram
aportar ao cais do mundo, desculpando-se sinceramente, orando por
eles;
12. Apoiem financeiramente atividades ligadas às crianças
sem recursos ou necessitadas de apoio médico;
13. Dediquem atenção aos envolvidos em casos de aborto,
fazendo a “ouvido -terapia”, ou seja, escutem, dividam
com vocês as dores alheias dentro do possível;
14. Preparem caldos e sopas e distribuam aos pequenos famintos;
15. Busquem escolas despreparadas e carentes e ofereçam-se
para ajudar nas aulas, caso tenham condições culturais
e formação apropriada;
16. Preparem sacolas no mês de dezembro e distribuam como
sacolas de presentes a quem não as pode receber, neste mês
tão especial e tanta magia. Preencham as sacolas com um brinquedo,
algumas peças de roupa, alguns objetos de higiene pessoal
e principalmente deixem um lugar para ali colocarem uma parte dos
seus corações, e ao oferecerem às crianças,
tentem participar na distribuição, se deixando maravilhar
pelos sorrisos infantis que certamente surgirão nas pequeninas
faces.
São muitas as opções
e este é o caminho, a escolha pela retidão, trilhemos
esta estrada, amemos os desvalidos, cuidemos dos desamparados, olhemos
pelos mais fracos, protejamos os provisoriamente sem recursos mínimos
de sobrevivência, em especial aqueles ainda titubeantes em seus
pequenos e inseguros primeiros passos e repitamos com Jesus: Deixemos
que venham a nós as criancinhas.