As aventuras de Ulisses, um dos mais
conhecidos heróis gregos (também conhecido por Odisseu),
são relatadas essencialmente na Odisseia, um dos dois Poemas
Homéricos. Este herói era rei de Ítaca, uma ilha
grega do mar Jônico.
Ulisses teve papel destacado no cerco à fortaleza de Tróia,
seja lutando entre os guerreiros gregos, seja usando a sua inteligência
e ardis para ajudar na condução daquela campanha guerreira.
Contudo, talvez a mais destacada participação da famosa
personagem grega nesta épica batalha tenha sido sugerir a construção
de um cavalo de madeira, deixando-o aos troianos, de modo a fazê-los
supor que os invasores gregos haviam desistido de Troia, tudo indicando
que fosse uma cidade inexpugnável, após dez anos de
cerco à cidadela.
Os troianos recolheram com alegria o cavalo-presente deixado às
portas da cidade e o trouxeram para dentro de suas maciças
muralhas, festejaram e se embriagaram, acreditando haver se livrado
de seus odiosos inimigos. Desconheciam haver dentro dele uma guarnição
de guerreiros gregos. À noite, enquanto os troianos dormiam,
os gregos saíram das entranhas do cavalo e abriram os portões
da cidade por onde entraram milhares de soldados, que estavam escondidos
nas cercanias de Troia, conquistando e finalmente devastando-a.
Este ardil foi tão marcante que no mundo da informática
batizaram com o mesmo nome softwares maliciosos que buscam
penetrar nas defesas dos computadores e similares: Cavalos de Troia.
O objetivo destas rotinas é abrir uma porta no dispositivo,
de maneira semelhante ao feito pelo ardil do cavalo de madeira, criando
condições para uma possível invasão externa.
A imagem não poderia ser mais atual e bem aplicável
ao movimento espírita. Possuímos uma cidadela muito
bem construída de conhecimentos impecáveis sobre o funcionamento
das leis eternas, deixadas por um conjunto de elevados e abnegados
Espíritos, quando pela pena de Allan Kardec, nos esclareceram
sobre lições imortais abordando aspectos de nossa realidade
e sobre a vida espiritual.
Detemos um acervo considerável de livros, mensagens, palestras
gravadas, e toda a sorte de informações complementares
sobre a Doutrina, registradas por médiuns e escritores espíritas
equilibrados e bem orientados, muito bem assessorados pelos seus dedicados
guias protetores, fortalecendo o nosso quartel de informações.
Recebemos exemplos de vidas, notadamente a de Jesus, em que podemos
nos mirar para repetir os testemunhos deixados por este Espírito
Puro, e tantos outros, que, embora não tenham alcançado
o ápice da evolução, podem ser também
referências para todos nós, ainda inseguros e titubeantes
na jornada rumo ao Pai.
O nosso tesouro de corretos fundamentos é imenso, dentro de
nosso castelo do saber temos joias preciosas representadas pelos ensinos
imortais sendo derramados sobre a Terra há bom tempo, tudo
para nos auxiliar em nosso progresso, entretanto, alguns, de igual
modo, não se entende como, deixam de lado este conhecimento
cristalino e sem máculas, abrem as portas do Centro Espírita,
tal qual fizeram os antigos troianos, para que adentrem em seu interior
os modernos Cavalos de Troia, belos por fora, porém, escondendo
as suas torpezas e embustes, que tanto aprendemos e fomos aconselhados
a não deixar penetrar na cidadela espírita.
O efeito se faz sentir nas agremiações espíritas
acolhendo as propostas indecorosas, mas muito bem urdidas, permitindo
que se misturem ao conhecimento puro deixado há mais de um
século e meio pelo Codificador.
O resultado não se fez por esperar: discussões intérminas
sobre pseudonovidades doutrinárias que se aventuram em entrar
no movimento com ares de novas leis divinas, por exemplo, reencarnação
no plano espiritual; debates acirrados, sobre a introdução
de práticas estranhas nada possuindo sob respaldo dos princípios
doutrinários, por exemplo, uso de vestimentas brancas,
colares, utilização de luzes multicores nas
técnicas de magnetismo, benção de alianças
de casamento, batizados, correntes magnéticas de suposto elevado
poder, novas e modernas técnicas de desobsessão,
etc.; polêmicas infindáveis sobre opiniões particularíssimas
contidas em livros ditos espíritas, mas de reconhecidos propósitos
antidoutrinários.
Estes são os representantes dos atuais Cavalos de Troia, insinuando-se
no Espiritismo, belos por fora, mas cheios de podridão por
dentro, construídos em páginas de livros muito bem elaborados,
com capas chamativas, reluzentes, policromáticas, com títulos
assombrosos sobre guerras no plano espiritual, de modo a atrair e
aprisionar alguns incipientes e rebeldes aprendizes da Doutrina. Os
últimos agem tais quais insetos desavisados à noite
procurando luzes tênues e artificiais, deixando-se levar pelas
sugestões suaves, sutis, melodiosas feitas pelos conspiradores
da boa ordem do movimento espírita na Terra do Cruzeiro.
Os invasores, construtores destes softwares maliciosos, são
os médiuns sem instrução mediúnica haurida
em O Livro dos Médiuns, alguns às vezes até sinceros;
os pseudomédiuns obsidiados e seus acólitos do plano
espiritual, deixando-se entrevistar, fotografar e filmar ao vivo,
em programas de rádio e televisivos claramente desnorteados,
pois lhes abrem as portas para atacar a fortaleza espírita,
em um sinistro conluio de interesses pessoais e vaidades mil.
Até quando vamos permitir que adentrem nas organizações
espíritas estas intromissões? Até quando fecharemos
os nossos olhos à invasão metódica e sistemática
que fazem as trevas para tentar implodir o movimento, seja através
de meias verdades, seja por propostas estranhas, tudo revestido do
mais apurado caráter da fraternidade e do ecumenismo, para
bem serem aceitas por todos os imprudentes e precipitados?
Por qual razão as bases doutrinárias não os satisfazem,
para ainda incentivarem a vinda de Cavalos de Tróia, representando
o engodo e a mentira, como se não bastassem aqueles habilmente
oferecidos pelos perturbados de todos os tempos.
A transição planetária bate às portas
da Mãe Terra, soando as trombetas de novos tempos, sinalizando
que por aqui só permanecerão aqueles cumpridores de
seus deveres, fiéis depositários do conhecimento que
lhes foi legado por incontáveis entidades capacitadas e preparadas
para tanto.
Tenhamos tento, sejamos prudentes, busquemos o bom senso, imunizemo-nos
destes softwares mal-intencionados com os princípios doutrinários,
hoje e sempre, único caminho impeditivo na aceitação
dos contemporâneos Cavalos de Troia.
A melhor receita continua sendo o estudo metódico, continuado,
no silêncio de nossa casa, ou em grupos constituídos
de interessados aprendizes nas casas espíritas dos cinco melhores
antivírus conhecidos no movimento espírita: O Livro
dos Espíritos; O Livro dos Médiuns; O
Evangelho segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno
e A Gênese.
Apesar desta preocupante realidade, vale a pena a lembrança:
“Sejam quais forem as barreiras que os homens lhe oponham,
o Espiritismo cumprirá sua missão de transformação
do mundo: com os homens, sem os homens ou apesar dos homens”
(Wantuil de Freitas).(1)