Espiritualidade e Sociedade





Rogério Miguez


>    O Cristo e a Sua missão na Terra

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Rogério Miguez
>   O Cristo e a Sua missão na Terra

 

 

Há bilhões de anos, foi dada a Jesus a missão de organizar uma nova morada do Pai, a Terra. E a tarefa tem sido cumprida a contento, não só considerando o planeta, no que tange ao seu aspecto material, bem como dos seus inúmeros moradores, nos dois planos da vida: o material e o imaterial, ou seja, dos Espíritos encarnados - as almas -, e dos Espíritos desencarnados.

Em reunião com seus pares, Espíritos como Ele, responsáveis pelos astros compondo o nosso sistema planetário, decidiu vir pessoalmente à Terra, conforme mencionado por Emmanuel na obra A caminho da luz (1). Certamente, houve um conjunto de justificativas, debatidas e selecionadas por todos os envolvidos nesta magna reunião.

Allan Kardec resumiu a motivação sobre a vinda de Jesus desta forma(2):

Tendo por missão transmitir aos homens o pensamento de Deus, somente a sua doutrina, em toda a pureza, pode exprimir esse pensamento.

Um dos primeiros objetivos a ser atendido foi a confirmação das profecias registradas no Antigo Testamento sobre a sua vinda (3):

Eis que a jovem concebeu e dará à luz um filho e pôr-lhe-á o nome Emanuel. [...]
Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e recebeu o poder sobre seus ombros, e lhe foi dado este nome: Conselheiro, Maravilhoso, Príncipe da paz.(4)

Além deste, cumpriu-lhe ratificar a transitoriedade da vida na Terra, orientando os homens a voltarem sua atenção em direção à vida futura, um dos princípios basilares de Sua Doutrina. Sem esperança na continuidade da vida, a mensagem do Cristo ficaria sem sentido, pois Ele sempre prometeu benesses e recompensas para o futuro, jamais para o presente. Por isso, o Reino dos céus foi localizado nos tempos vindouros.

E, para atestar esta imortalidade, oferecendo à Humanidade um testemunho definitivo sobre essa realidade, reaparece após a crucificação àqueles que possuíam olhos de ver, em um atestado inequívoco sobre a existência de vida após a morte, informando ainda sobre a existência de incontáveis moradas na Casa do Pai.

Descortinando, mais uma vez, a realidade futura, ensinou como acessar o Reino Celestial, orientando os homens a se fazerem misericordiosos, humildes, mansos e pacificadores, em resumo, puros de coração. Prometeu ainda - uma mensagem alentadora -, àqueles sofrendo perseguição por causa da justiça, chorando, famintos de sede e justiça e, finalmente, a todos os injuriados, perseguidos e sobre quem são ditas mentiras por causa Dele, que todos receberiam no futuro a graça de Deus.

Quando o Celeste Instrutor assegurou não ter vindo para destruir a lei, esta afirmação poderia ser enquadrada como parte de Sua missão, pois os Dez Mandamentos de Moisés permanecem úteis até os dias de hoje, considerando que representam imutáveis leis divinas. Isto é, Jesus também veio relembrar certos ensinos já esquecidos, caracterizando outro aspecto de sua missão.

Contudo, conforme asseverou o mestre lionês (5):

A parte mais importante da revelação do Cristo, no sentido de fonte primária, de pedra angular de toda a sua doutrina é o ponto de vista inteiramente novo sob que considera ele a Divindade. Esta já não é o Deus terrível, ciumento, vingativo, de Moisés; o Deus cruel e implacável, que rega a terra com o sangue humano, que ordena o massacre e o extermínio dos povos, sem excetuar as mulheres, as crianças e os velhos, e que castiga aqueles que poupam as vítimas; já não é o Deus injusto, que pune um povo inteiro pela falta do seu chefe, que se vinga do culpado na pessoa do inocente, que fere os filhos pelas faltas dos pais; [...]

É fato, Jesus foi desconstruindo, aos poucos, a forma como o Magnânimo era visto pelos hebreus e apresentou novíssima visão do Supremo para a posteridade. O Criador passou, desde as Suas palavras, a ser visto como a essência do amor.

Esse até então desconhecido Deus passou a ser visto como clemente, soberanamente justo, bom, manso e misericordioso. O perdão ao pecador arrependido passou a ser Lei. Visto agora como Pai comum, passamos a ser considerados irmãos, todos seus filhos, não importando à qual civilização ou cultura pertencíamos.

Embora tenha trazido ensinos e princípios tão claros, o Cristo não disse tudo, mantendo o véu, propositalmente, sobre muitos pontos, pois ainda não podiam ser bem compreendidos pela Humanidade. Contudo, prometeu o advento de outro Consolador: a Terceira Revelação.

A propósito, ao afirmar que enviaria outro Consolador, o Governador Terrestre fez uma profecia, podendo ser vista também como parte de sua magna tarefa.

Diante de todas as benesses recebidas, empenhemo-nos ao máximo em viver na plenitude seus incontáveis e dignos exemplos. Esses, de igual modo, podem ser vistos como componentes de Sua missão de amor, ou seja, Ele veio para nos deixar um padrão de condutas de modo que, nelas nos espelhando, buscássemos repeti-las, pela eternidade afora.



 

REFERÊNCIA:
1 XAVIER, Francisco Cândido. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB. 2002. A Gênese planetária. cap. 1.
2 KARDEC, Allan: A Gênese. Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Brasília: FEB, 2013. cap. XIV, item 26.
3 BÍBLIA. A. T. Isaías. O antigo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 7, vers. 14.
4 Op. cit. cap. 9, vers. 5.
5 KARDEC, Allan. Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos. Ano 1867, v. 9. São Paulo: Edicel, 1999. Caracteres da revelação espírita, item 23.

 

* texto completo disponível em pdf - clique aqui para acessar

 

 

Fonte: texto enviado pelo autor

 

 

 

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