Há bilhões de anos,
foi dada a Jesus a missão de organizar uma nova morada do Pai,
a Terra. E a tarefa tem sido cumprida a contento, não só
considerando o planeta, no que tange ao seu aspecto material, bem
como dos seus inúmeros moradores, nos dois planos da vida:
o material e o imaterial, ou seja, dos Espíritos encarnados
- as almas -, e dos Espíritos desencarnados.
Em reunião com seus pares, Espíritos como Ele, responsáveis
pelos astros compondo o nosso sistema planetário, decidiu vir
pessoalmente à Terra, conforme mencionado por Emmanuel na obra
A caminho da luz (1). Certamente, houve
um conjunto de justificativas, debatidas e selecionadas por todos
os envolvidos nesta magna reunião.
Allan Kardec resumiu a motivação sobre a vinda de Jesus
desta forma(2):
Tendo por missão transmitir
aos homens o pensamento de Deus, somente a sua doutrina, em toda
a pureza, pode exprimir esse pensamento.
Um dos primeiros objetivos a ser atendido
foi a confirmação das profecias registradas no Antigo
Testamento sobre a sua vinda (3):
Eis que a jovem concebeu e dará
à luz um filho e pôr-lhe-á o nome Emanuel. [...]
Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e recebeu o
poder sobre seus ombros, e lhe foi dado este nome: Conselheiro,
Maravilhoso, Príncipe da paz.(4)
Além deste, cumpriu-lhe ratificar
a transitoriedade da vida na Terra, orientando os homens a voltarem
sua atenção em direção à vida futura,
um dos princípios basilares de Sua Doutrina. Sem esperança
na continuidade da vida, a mensagem do Cristo ficaria sem sentido,
pois Ele sempre prometeu benesses e recompensas para o futuro, jamais
para o presente. Por isso, o Reino dos céus foi localizado
nos tempos vindouros.
E, para atestar esta imortalidade, oferecendo à Humanidade
um testemunho definitivo sobre essa realidade, reaparece após
a crucificação àqueles que possuíam olhos
de ver, em um atestado inequívoco sobre a existência
de vida após a morte, informando ainda sobre a existência
de incontáveis moradas na Casa do Pai.
Descortinando, mais uma vez, a realidade futura, ensinou como acessar
o Reino Celestial, orientando os homens a se fazerem misericordiosos,
humildes, mansos e pacificadores, em resumo, puros de coração.
Prometeu ainda - uma mensagem alentadora -, àqueles sofrendo
perseguição por causa da justiça, chorando, famintos
de sede e justiça e, finalmente, a todos os injuriados, perseguidos
e sobre quem são ditas mentiras por causa Dele, que todos receberiam
no futuro a graça de Deus.
Quando o Celeste Instrutor assegurou não ter vindo para destruir
a lei, esta afirmação poderia ser enquadrada como parte
de Sua missão, pois os Dez Mandamentos de Moisés permanecem
úteis até os dias de hoje, considerando que representam
imutáveis leis divinas. Isto é, Jesus também
veio relembrar certos ensinos já esquecidos, caracterizando
outro aspecto de sua missão.
Contudo, conforme asseverou o mestre lionês
(5):
A parte mais importante da revelação
do Cristo, no sentido de fonte primária, de pedra angular
de toda a sua doutrina é o ponto de vista inteiramente novo
sob que considera ele a Divindade. Esta já não é
o Deus terrível, ciumento, vingativo, de Moisés; o
Deus cruel e implacável, que rega a terra com o sangue humano,
que ordena o massacre e o extermínio dos povos, sem excetuar
as mulheres, as crianças e os velhos, e que castiga aqueles
que poupam as vítimas; já não é o Deus
injusto, que pune um povo inteiro pela falta do seu chefe, que se
vinga do culpado na pessoa do inocente, que fere os filhos pelas
faltas dos pais; [...]
É fato, Jesus foi desconstruindo,
aos poucos, a forma como o Magnânimo era visto pelos hebreus
e apresentou novíssima visão do Supremo para a posteridade.
O Criador passou, desde as Suas palavras, a ser visto como a essência
do amor.
Esse até então desconhecido Deus passou a ser visto
como clemente, soberanamente justo, bom, manso e misericordioso. O
perdão ao pecador arrependido passou a ser Lei. Visto agora
como Pai comum, passamos a ser considerados irmãos, todos seus
filhos, não importando à qual civilização
ou cultura pertencíamos.
Embora tenha trazido ensinos e princípios tão claros,
o Cristo não disse tudo, mantendo o véu, propositalmente,
sobre muitos pontos, pois ainda não podiam ser bem compreendidos
pela Humanidade. Contudo, prometeu o advento de outro Consolador:
a Terceira Revelação.
A propósito, ao afirmar que enviaria outro Consolador, o Governador
Terrestre fez uma profecia, podendo ser vista também como parte
de sua magna tarefa.
Diante de todas as benesses recebidas, empenhemo-nos ao máximo
em viver na plenitude seus incontáveis e dignos exemplos. Esses,
de igual modo, podem ser vistos como componentes de Sua missão
de amor, ou seja, Ele veio para nos deixar um padrão de condutas
de modo que, nelas nos espelhando, buscássemos repeti-las,
pela eternidade afora.