Concluí recentemente a leitura do livro “O
Gênio Céltico e o Mundo Invisível”,
que é o “canto do cisne” do conhecido autor espírita
francês Léon Denis. Agradeço a gentileza do
seu tradutor, o dinâmico Cícero Pimentel, que me presenteou
o seu trabalho.
Este livro ficou muitos anos sem ser traduzido para a nossa língua
por ser o mais polêmico das obras completas de Denis (por
sinal, penso que editores e tradutores precisam se entender para
publicar uma coleção com as obras completas de Léon
Denis em português). É sobre isto, e sobre algumas
questões referentes à história do Espiritismo,
que gostaria de discutir com os leitores que se interessarem em
ler este artigo.
Débora Vitorino (1997) nos explica em seu trabalho que quando
Denis concluiu o livro ele estava “quase completamente cego
e muito enfermo” e que as pessoas, sabendo de seu interesse
em escreve-la, levavam os livros para que ele pudesse escrevê-la.
A Sra. Claire Baumard o auxiliava algumas horas por dia e “Denis
parecia ter a obra pronta na cabeça, dada a rapidez com que
ditou os primeiros capítulos”, tendo sido concluída
rapidamente. Débora nos diz ainda, como fruto de sua pesquisa
em BAUMARD (1982) e LUCE (1989) que Denis levou à tipografia
pessoalmente, já cego, os originais para impressos.
As duas primeiras partes do livro apresentam uma pesquisa meticulosa
sobre as idéias celtas, com ênfase nos pontos de conexão
entre o celtismo e o pensamento espírita. Recordo-me de haver
lido algumas críticas a este tipo de trabalho, como se houvesse
alguma espécie de supervalorização da cultura
celta em detrimento das demais em Léon Denis. Apesar da expressa
admiração que ele demonstra ter pelos Celtas e pela
França, algum “bairrismo”, talvez, entendo que
a crítica é exagerada.