EC: Rejane, como
nasceu o grupo espírita que você freqüenta na Áustria?
Como ele se chama?
Rejane: As sementes da nossa casa - Sociedade para
Estudos Espiritas Allan Kardec (VAK) - foram plantadas por Divaldo
Franco em 1988, quando pela primeira vez proferiu uma palestra em
Viena, capital da Áustria. Um ano após, Raul Teixeira
aqui esteve, e desde então, ambos vem apoiando o desenvolvimento
deste núcleo espírita através de palestras e
seminários, e orientando o grupo com sua sabedoria e vivência
espírita.
A semente germinou sob a liderança de Josef Jackulak, tcheco
de nascimento, que aos poucos foi reunindo os companheiros espíritas
de Viena. A princípio, um pequeno grupo reunia-se em sua casa
semanalmente para estudo e orações, depois devido ao
crescente número de interessados, em local mais apropriado
à rua Spengergasse 10/3, onde ainda hoje é a sede do
VAK. No ano de 2000, a Sociedade para Estudos Espíritas Allan
Kardec foi registrada oficialmente e legalizada na cidade de Viena.
Desde então, Josef Jackulak é seu presidente e eu, apoio
os trabalhos como vice-presidente.
Foto: À frente e à esquerda,
Rejane, Divaldo Franco, atrás Josef Jackulak e Nilson.
Os demais são membros do VAK.
EC: Rejane, que atividades vocês fazem em sua
casa espírita?
Rejane: Temos várias atividades por semana,
concentradas em 3 dias: segunda, terça e sábado. São
2 palestras semanais às terças-feiras e aos sábados.
Nestes dias realizamos estudos especializados e oferecemos evangelização
infantil (aos sábados). É rotina da casa o estudo para
médiuns, pois acreditamos que o estudo faz parte do dia a dia
do médium, ajudando no equilíbrio mental e emocional,
mas atualmente também conduzimos um estudo especial para passistas.
Na segunda-feira reunimos o grupo mediúnico e o grupo de orações
e irradiações.
Além destas atividades na sede do VAK em Viena, há 5
anos também atuamos junto a 2 países vizinhos –
a Republica Tcheca e a Eslováquia, onde também sob a
liderança de Josef Jackulak organizamos 2 grupos espíritas
locais. Estes grupos de cidadãos tchecos e eslovacos, reúnem-se
uma vez por mês para palestras e estudos espíritas nas
cidades de Brno (Republica Tcheca) e Bratislava (capital da Eslováquia).
As palestras são proferidas em português com tradução
consecutiva para o idioma tcheco, ou diretamente em tcheco, uma vez
que os participantes não falam português.
EC: Há quanto tempo vocês se organizaram?
Rejane: O grupo que originou a nossa Sociedade para Estudos
Espíritas Allan Kardec, reúne-se desde 1988, portanto
há quase 20 anos. No entanto, o VAK foi legalizado no ano de
2000, portanto há seis anos.
O grupo de Bratislava iniciou-se em 2002 e o grupo de Brno em 2005,
um trabalho que vem amadurecendo aos poucos.
EC: Os trabalhadores do grupo são predominantemente
brasileiros residentes na Áustria ou austríacos? As
reuniões em seu grupo são realizadas em que idioma?
Rejane: Em Viena, o grupo é internacional.
São brasileiros, portugueses, espanhóis, tchecos, austríacos,
japoneses, todos residentes em Viena. Os trabalhadores da sociedade
ainda são predominantemente brasileiros, mas esperamos e trabalhamos
para aos poucos formar um grupo firme de trabalhadores austríacos,
atendendo assim, a comunidade local e não somente a comunidade
flutuante internacional ou de brasileiros residentes em Viena.
Deste modo, as reuniões da Sociedade para Estudos Espíritas
Allan Kardec de Viena são realizadas em português ou
alemão, dependendo dos participantes. Já fizemos experiências
de conduzir as palestras também em inglês, mas o número
de interessados não justificou a iniciativa, e optamos por
manter o alemão e o português.
EC: Suas atividades
estão articuladas com centros de outros países europeus?
Rejane: Iniciamos e continuamos dando nosso suporte
a 2 grupos: um na República Tcheca e outro na Eslováquia.
Nestes grupo, damos palestras mensais traduzidas para o tcheco e o
eslovaco.
Josef Jackulak é o pai desta iniciativa, eu o acompanho na
tarefa. Ele fala tcheco, e lidera o trabalho, e é um batalhador
e divulgador do Espiritismo. É claro que o trabalho conjunto
e o apoio mútuo é necessário, mas eu acredito,
que sem a sua força de nobre trabalhador da causa espírita,
este trabalho no leste Europeu e aqui em Viena não seria feito.

Foto: Divaldo Franco e Josef Jackulak
em Brno, na República Tcheca.
EC: Há outras atividades
de divulgação doutrinária feitas por vocês?
Rejane: Anualmente organizamos as viagens de Divaldo
Franco no leste europeu, que inclui República Tcheca, Eslováquia,
Hungria, Polônia e na ONU de Viena, e neste ano (2007), pela
primeira vez em Istambul, na Turquia onde estaremos dia 23 de maio.
Organizamos também as visitas de Raul Teixeira e Juan Durante
nestes países. São eles, na minha opinião, as
3 estrelas que apóiam o desenvolvimento da nossa sociedade
e do Espiritismo nesta região.
Além disso, atuamos junto a ONU em Viena, seja organizando
palestras destes líderes do Espiritismo atual, como participando
de eventos onde podemos divulgar o Espiritismo, ou oferecendo livros
em inglês, que é a língua de trabalho na ONU.
Os frutos deste trabalho minúsculo, vemos este ano, com a ida
de Divaldo Franco a Turquia, que é organizada por um ex-colega
da ONU, que acompanhou silenciosamente as palestras de Divaldo na
ONU, desde 1992. O trabalho da espiritualidade é discreto,
mas os frutos são colhidos na hora certa.
EC: Você tem notícias das origens do
Espiritismo Austríaco? Quando ele surgiu? Quem eram seus fundadores?
Qual foi sua trajetória?
Rejane: Morando na Áustria há 18 anos,
espírita de nascimento (minha família foi fundadora
de um dos primeiros centros espíritas em Porto Alegre, Brasil)
não poderia deixar de buscar as origens do espiritismo na Áustria.
O que sabemos no momento, é que em Viena existiu uma sociedade
espírita já na época de Kardec, pois a Revista
Espírita menciona uma troca de correspondência de Allan
Kardec com o Sr. Delhez , que foi também o tradutor de O Livro
dos Espíritos e outras obras da codificação para
o alemão. A Sociedade Espírita de Viena existiu portanto
desde a época de Kardec (1862).
No entanto, o império austro-húngaro abrangia um território
muito maior do que a Áustria dos dias de hoje. Nossas pesquisas
abrangem, portanto, a Republica Tcheca e Eslováquia, principalmente
a região da Boêmia, e a Hungria. Nestas regiões
existiram grupos espíritas até antes da segunda guerra
mundial. Uma das conhecidas médiuns espíritas da região
é a Baronesa Adelma von Vay, que também viveu no mesmo
período e que deixou vários livros psicografados, entre
eles citamos “Espírito, Forca e Matéria”
(psicografado em 36 dias em 1869), e seus belos livros de orações,
que infelizmente somente encontramos em língua tcheca. Depois
disto, como em toda a Europa, o movimento espírita foi diminuindo
até quase desaparecer. No entanto, no contato com os freqüentadores
locais, principalmente na Republica Tcheca e Eslováquia, fomos
descobrindo que alguns núcleos espíritas mantiveram-se
em atividade quase em segredo em certas famílias espíritas.
Muitos destes senhores e senhoras participam hoje de nossos estudos,
e aos poucos vão tornando-se mais ativos trabalhadores espíritas,
possibilitando assim o ressurgimento do Espiritismo em nossos dias
nestes locais.
EC: Você tem informações sobre
os grupos na Áustria? Quantos são? Em que cidades estão
situados?
Rejane: Atualmente existem somente dois grupos espíritas
na Áustria: a nossa Sociedade para Estudos Espíritas
Allan Kardec (VAK) na capital, em Viena, e um grupo fundado em Dornbin,
Voralberg.
EC: Há alguma singularidade no Espiritismo
Europeu, quando comparado ao brasileiro?
Rejane: Sem esquecer que o Espiritismo codificado
por Allan Kardec é um só, eu diria que existem diferenças
sim, pois a cultura européia é diversa da cultura brasileira.
O Espiritismo brasileiro é de brasileiros, portanto, cresceu
em torno da cultura do povo brasileiro, e sofreu e sofre a influência
desta cultura diversificada, colorida.
O espiritismo europeu, com algumas exceções, ainda cresce
em torno dos imigrantes brasileiros, mas deve tomar um caráter
local para que não se restrinja aos brasileiros e dissemine-se
pelo povo local, atingindo o seu objetivo de educar o ser humano quanto
aos mistérios da vida, de acabar com o misticismo e colocar
o fenômeno na sua correta perspectiva, através dos aspectos
científicos do Espiritismo, e trazer ao indivíduo, as
metas primordiais, que são a auto-educação e
busca pelo autoconhecimento.
Dar espaço para o desenvolvimento de grupos locais, com participação
local, deve ser, na minha opinião a meta destes trabalhadores
do Espiritismo no solo europeu.
EC: Vocês
têm planos para o futuro? Quais são?
Rejane: Nossos planos são modestos. Seguir
a doutrina através das orientações de Allan Kardec
nas suas obras básicas, e principalmente seguir Jesus, sem
jamais nos afastarmos dos ensinamentos do Mestre. Estes dois pontos
já bastam para uma vida inteira. E a Sociedade é a nossa
vida.
Esperamos seguir em frente e um dia, ser uma semente de luz no céu
de Viena, iluminando os corações e as vidas de seus
habitantes – sejam eles austríacos de nascimento ou de
coração, ou passageiros do trem da vida, que aqui aportam
por um tempo.
EC: Que dificuldades
vocês têm enfrentado para poder estudar e praticar o Espiritismo
na Áustria?
Rejane: Nenhuma. Nossa Sociedade foi legalizada no
ano de 2000, como sociedade beneficente espírita na Áustria,
sem dificuldades.
As dificuldades que encontramos são aquelas normais de todo
agrupamento humano, seja ele um centro espírita ou não.
Como somos um grupo internacional, mas no momento predominantemente
de brasileiros, temos de enfrentar os problemas da língua –
tradução de material para a língua local, etc.
Mas, seguindo Kardec, que foi e é universal, pois segue os
ensinamentos do mestre Jesus, estamos seguros de seguir o caminho
certo.
EC: Como os espíritas
brasileiros podem auxiliar o trabalho de vocês?
Rejane: Os espíritas brasileiros vêm ajudando
nossa Sociedade de vários modos. A Editora Leal, e portanto,
Divaldo Franco e Nilson de Souza Pereira tem auxiliado e disponibilizado
literatura em alemão, tcheco, húngaro e inglês,
facilitando a divulgação do Espiritismo nas línguas
locais. Alguns grupos ou indivíduos têm ajudado mandando
DVDs, livros e material de consulta que ficam então disponíveis
na nossa biblioteca, e servem de apoio ao trabalhador e de material
de consulta e estudo.
Agradecemos a todos que procurarem ajudar através da doação
de livros e material de estudo.
Finalizando gostaria de deixar nosso endereço:
Sociedade para Estudos Espíritas Allan
Kardec
(Verein für spiritistische Studien Allan Kardec)
Spengergasse 10/3 – entrada pela Jahngasse 28
1050 Wien
email: vakardec@msn.com