Uma instituição espírita
regional fez uma pesquisa com 264 participantes de reuniões
mediúnicas, cujo tema central era “O Livro dos Médiuns”.
O subtítulo do livro é
“Guia dos médiuns e dos evocadores”, e foi escrito
por Allan Kardec porque muitas pessoas o procuraram após
a publicação de “O Livro dos Espíritos”,
perguntando sobre a parte prática, sobre o exercício
da mediunidade. Kardec, então, publicou um primeiro livro
chamado “Instruções práticas sobre
as manifestações espíritas” (1858),
cujo desenvolvimento gerou “O Livro dos Médiuns”
(1861).
O Livro dos Médiuns
está para a prática da mediunidade assim como as leis
de Newton estão para a física. Ninguém pode
dizer-se físico ou estudante de física e ignorar essa
formulação do pesquisador inglês, publicada
em 1687. Mesmo com todo o desenvolvimento e pesquisa investidos
nessa disciplina, o conhecimento considerado básico é
fundamental para que se possa ser capaz de entender seus avanços.
O resultado da pesquisa foi que
67% dos membros de reuniões mediúnicas responderam
ter lido todo o livro. Quando se perguntava se o livro foi estudado
em grupo, o número cai para 28%. Na terceira pergunta, ou
seja, se o livro foi estudado mais de uma vez em grupo, o número
cai para 7%.
Não se trata de frequentadores
de centros espíritas em geral, mas membros de reuniões
mediúnicas, que, segundo Kardec, deveriam se instruir antes
de procurar a prática.
Essa pesquisa merece ser ampliada.
Se você participa de um grupo de prática mediúnica,
levante os números. Se eles forem como os da pesquisa, está
na hora de estudar “O Livro dos Médiuns”.
O QUE FOI CONSIDERADO DIFÍCIL
EM O LIVRO DOS MÉDIUNS?
Na última publicação do Espiritismo Comentado
(ver texto acima), analisamos uma pesquisa realizada com participantes
de reuniões mediúnicas em sociedades espíritas.
Outra questão que foi levantada aos participantes: “Que
assunto você considera mais difícil a compreensão?”
Cerca de 9% dos respondentes disseram
que não têm dificuldade na leitura de O Livro dos Médiuns
por causa, principalmente, da participação em grupos
de estudo e dedicação.
Cerca de 12% disseram que todos
os temas do livro são difíceis, devido à sua
complexidade e por serem iniciantes.
Dos 264 participantes da pesquisa,
249 respondentes identificaram alguma parte de O Livro dos Médiuns
que consideram difícil.
Vou apresentar em ordem decrescente
de indicações de dificuldade:
O capítulo “Dos Médiuns”
foi considerado o mais difícil por cerca de 16% dos participantes
da pesquisa. Os respondentes disseram achar difícil identificar
e classificar os médiuns. Allan Kardec estabeleceu diversos
critérios de classificação, o que significa
que um médium pode corresponder a diversas das categorias
apresentadas. Outro problema que podemos levantar, é a adoção
de nomes criados pelo movimento espírita, diferentes dos
adotados por Kardec, com o passar do tempo, em função
das influências de autores não espíritas. Médium
de desdobramento, por exemplo, é uma classificação
que Kardec não utilizou, mas que é amplamente empregada
no meio espírita brasileiro. Kardec utilizou para esse fenômeno
médium sonambúlico, quando atua como médium
de um Espírito estranho, e sonâmbulo, um fenômeno
de emancipação da alma, no qual a pessoa tem percepções
da realidade sem o uso dos cinco sentidos.
O segundo assunto mais difícil
foi “O papel dos médiuns nas comunicações
espíritas”. Os respondentes que identificaram motivos,
referiram-se principalmente à questão do animismo,
que também é um termo não empregado por Allan
Kardec om o sentido contemporâneo. Alguns levantaram a questão
da distinção entre animismo e mistificação.
O próximo assunto menos compreendido foi o capítulo
“Das contradições e mistificações”.
O capítulo “Dos sistemas”,
que trata das explicações possíveis a fenômenos
mediúnicos e similares, é o próximo em grau
de dificuldade e foi considerado complexo.
O capítulo “Da obsessão”
o próximo a receber queixas dos participantes. Ele também
foi considerado complexo.
O outro capítulo pouco entendido
por cerca de 6% dos respondentes foi “Da bicorporeidade e
da transfiguração”.
Segue o assunto “Da identidade
dos espíritos”. Os participantes consideraram difícil
identificar mistificadores, o que talvez não seja bem uma
questão de entendimento do conteúdo do capítulo,
mas da prática mediúnica.
Por fim, 4% dos respondentes consideraram
complexo o capítulo “Do laboratório do mundo
invisível”.
Com base nos resultados, algumas
ações podem ser pensadas. Alguns desses deveriam ser
de conhecimento geral por parte dos espíritas, como os tipos
de médiuns, a questão das mistificações,
as diversas explicações possíveis para fenômenos
aparentemente mediúnicos, os tipos e mecanismos das obsessões,
a identificação dos espíritos e como os espíritos
realizam fenômenos de efeitos físicos. Os temas em
questão merecem um estudo cuidadoso e uma apresentação
clara por parte dos expositores e dos participantes de grupos de
estudo das casas espíritas.
Os grupos mediúnicos em atividade
e as casas espíritas poderiam avaliar entre os participantes
de reuniões mediúnicas que assuntos são considerados
difíceis e promover leituras, estudos e eventos para torna-los
mais acessíveis a todos.