
Modelo Teórico de Motivação:
Sampaio, 2004 e 2010
Uma leitora do blog pediu
que eu explicasse melhor o modelo de motivação e cultura
utilizado para o estudo do terceiro setor. Começo o trabalho,
portanto, com o conceito de Schemata.
David McClelland, professor de Harvard,
desenvolveu um modelo teórico que articula o indivíduo
à sociedade. O comportamento, portanto, não se reduz
à personalidade (indivíduo) nem à sociedade
ou grupo social. Ele é uma articulação interna
de instâncias externas.
Schemata ou mapas cognitivos, são
valores, crenças e papéis atualizados pelo indivíduo
por assimilação ativa. Uma vez em contato com uma
cultura, seja de uma sociedade, organização ou grupo
social, o indivíduo irá assimilar seus elementos e
reconstruí-los internamente.
Em nossa pesquisa, observamos durante
a análise das entrevistas que há frases ou sentenças
que são utilizadas pelo sujeito como se fossem citações
ou provérbios, e que têm a função de
justificar uma atitude, comportamento ou valor. Geralmente são
orações de sujeito externo ao indivíduo que
fala, que o indivíduo utiliza como uma espécie de
organizador, uma frase que dá suporte a seu comportamento
ou atitude expressos.
Essas frases originam-se de contextos
culturais já elaborados, não são criações
singulares, embora possam ser aplicadas de forma estranha ao seu
significado original.
Os schemata são importantes
na constituição da visão de mundo das pessoas.
Eles estão ligados a um importante fator motivacional proposto
por Joseph Nuttin que é a tendência à consistência
interna.
Eles não são permanentes
na personalidade, posto que são continuamente confrontados
com a realidade externa, e podem ser preteridos, abandonados ou
revistos.
Na pesquisa dos voluntários
espíritas consegui mapear mais de dez schemata no discurso
gravado deles, alguns dos quais presentes na fala de mais da metade
dos participantes, e grande número deles coerente com a filosofia
espírita.
"O principal beneficiado pelo
trabalho é o próprio trabalhador", "O trabalho
é uma terapia" e "É necessário fazer
algum trabalho em favor do próximo" foram as três
schemata que encontrei faladas por interlocutores diversos, ligadas
à sua origem cultural e empregadas justificando o ato de
voluntariar-se, sem que sejam necessariamente verdadeiras em todos
os contextos.
Assim, propusemos um conceito e
uma metodologia de identificação deste elo de ligação
entre o individual e o coletivo.