Há dois tipos de males, os
naturais e os morais. Os naturais são os provocados pela natureza.
Os morais são provenientes de nosso livre-arbítrio.
Pelos males naturais, como terremotos,
tsunamis, chuvas etc., com algumas exceções, não
cabem a nós, geralmente, responsabilidades. E é muito
comum atribuirmos à vontade de Deus esses males naturais, como
os do sofrido Haiti, o que é um grande erro.
Mas como tudo que acontece tem uma
causa, esses fenômenos naturais estão relacionados com
a chamada lei de causa e efeito. “A semeadura é livre,
mas a colheita é obrigatória”. E não importa
se a semeadura foi feita nesta vida ou noutra passada, como não
importa também o fato de, geralmente, não nos lembrarmos
do que semeamos. Aliás, se a semeadura foi numa vida passada,
é difícil lembrarmo-nos dela, a não ser que façamos
com um especialista médico ou psicólogo a tão
conhecida, hoje, regressão a vidas passadas, pois Deus quis
que assim fosse.
Assim, se ignoramos o porquê
de nosso sofrimento, resignemo-nos com ele, pois essa lei de causa
e efeito é divina, universal e está na Bíblia.
Realmente, diz o evangelho: “A cada um será dado de acordo
com suas obras” (Mateus 16: 27). E Jesus disse que os escândalos
(males, pecados) são necessários neste nosso mundo (Lucas
17: 1). De fato, como nos ensina a doutrina espírita, nosso
mundo é de provas e expiações, isto é,
de sofrimentos. E aqui é oportuno um pensamento de Kardec sobre
os males em nossas vidas: “Às vezes, é necessário
que o mal chegue ao excesso, para se tornar compreensível a
necessidade do bem e das reformas”.
E para os que desconhecem a teoria
da reencarnação, e pensam que não temos pecados
a pagar de outras vidas, eis um dos vários exemplos bíblicos
que nos demonstra a verdade da reencarnação: “Porque
nós somos de ontem, e nada sabemos” (Jó: 8: 9).
E atentemos, ainda, para duas verdades no contexto dessa citação
de Jó. A primeira é a de que ele fala de nossas gerações
passadas, ou seja, de gerações ou reencarnações
dos espíritos que somos; e a segunda é a de que Jó
nos recomenda que consultemos as gerações passadas.
E as consultas a elas só poderiam ser feitas aos espíritos
das pessoas do passado, pois eles não tinham registros escritos
sobre esse assunto que eles pudessem consultar! Logo, Jó nos
recomenda o espiritismo, uma vez que nos manda consultar os espíritos
de nossos ancestrais!
E os espíritos não são
criados no momento da concepção. “Antes que eu
te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses
da madre, te consagrei e te constituí profeta das nações”
(Jeremias 1: 5). É, pois verdadeira a doutrina da preexistência
do espírito (criação da alma antes da concepção
do corpo), o que, aliás, está de acordo com o fenômeno
da reencarnação, pois o espírito, para reencarnar,
tem que existir antes da fecundação do embrião.
E, voltando ao título desta
matéria, talvez, alguém diga que Deus é também
responsável pelos nossos males ou pecados e suas inevitáveis
consequências, pois foi Deus que criou o nosso livre-arbítrio.
Mas a justiça divina dessa lei é perfeita. Assim, ninguém
sofrerá para sempre, mas apenas o que merece, ou seja, até
a quitação do último pecado (Mateus 5: 26). E
isso anula, por completo, a ideia do inferno eterno criado por Dante
Alighiere (século XIII), na sua “Divina Comédia”,
quando o inferno na Bíblia não é real, mas apenas
figurado!