José Reis Chaves

>   A graça divina é nula enquanto nós não nos dispusermos a recebê-la

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José Reis Chaves
>   A graça divina é nula enquanto nós não nos dispusermos a recebê-la


Publicado em 20 de abril de 2015

 

São Paulo diz que a salvação é pela graça, Jesus ensina que a cada um será dado segundo suas obras.

Santo Agostinho e Lutero são os teólogos da graça. E os católicos, reagindo contra Lutero, passaram a defender mais a teologia tradicional de Pelágio, contrária à da graça. Mas, por influência dos protestantes e evangélicos, a Igreja vem atualmente inclinando-se para a teologia da graça.

Deus não faz acepção de ninguém. “Então falou Pedro, dizendo: ‘Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável’” (Atos 10: 34 e 35). Aliás, Jesus ensinou que nos céus, ou seja, entre os espíritos já salvos, há mais alegria pela conversão de um só indivíduo do que a causada por 99 que já são convertidos (Lucas 15: 7).

Deus não impõe a graça goela abaixo de ninguém, pois Ele respeita o nosso livre-arbítrio. Com a aceitação da doutrina bíblica da reencarnação, essa questão é esclarecida. Mas os líderes religiosos (hoje, não tanto os padres) repudiam-na de modo doentio, pois ela diminui a importância deles, além de prejudicar seus interesses materiais.

Porque Deus cria tudo com perfeição, Ele não volta atrás no que é criado por Ele. Assim, a graça e o nosso livre-arbítrio não têm fim. Mas enquanto o indivíduo não passar a vivenciar realmente o evangelho, o que equivale a aceitar a graça, ele não a recebe. E como o essencial duma pessoa é o seu espírito imortal, nós, com uma fé raciocinada, chegamos inevitavelmente à conclusão de que o espírito tem que voltar a viver novamente aqui, neste mundo, a fim de que ele, um dia, possa receber a graça.

É, pois, somente com a graça da reencarnação dada por Deus, que a sua graça e a sua misericórdia infinitas podem ser alcançadas por nós. Sem a doutrina bíblica da reencarnação, pois, a graça e a misericórdia divinas infinitas deixariam de ser infinitas. E isso seria um absurdo para o nosso conceito de Deus infinitamente Todo-poderoso! Mas não é que Deus esteja se subordinando ao nosso livre-arbítrio, não. É que Ele, por ser perfeitíssimo, jamais passaria por cima de nosso livre-arbítrio criado por Ele mesmo! Ademais, o espírito tem todas as eternidades pela frente, para que ele possa receber, um dia, a graça da salvação. E por que, então, nós não poderíamos aproveitar as vidas sucessivas para conseguir a graça da salvação? As reencarnações são justamente para que o espírito, um dia, consiga pela vivência do evangelho a graça da salvação. Ou será que Jesus veio nos trazer o evangelho “só pra inglês ver”?

A passagem evangélica pela porta estreita, por ser difícil, representa também, figuradamente, a conquista da graça por meio da prática do evangelho. E ela demonstra-nos, ainda, que não entra nos céus quem ainda está impuro. Também a parábola do filho pródigo traz-nos uma ideia semelhante à da conquista da graça. O pai do filho pródigo representa Deus. E só quando o filho pródigo, “entrando em si” (Luca 15: 17) e descobrindo seu erro, ele pôde voltar para a sua casa paterna.

A salvação ou libertação depende da graça de Deus, sim, pois é Ele que no-la concede. Mas ela depende também de nós, pois Deus não nos impõe a graça automaticamente e pela força!

Para que, pois, o indivíduo se preocupar tanto com a graça, se, pela imortalidade de seu espírito, ele tem todas as eternidades para, um dia, recebê-la?

 

Recomendo: www.reencarnacaonoevangelho.blogspot.com

 

José Reis Chaves é teósofo e biblista

 

 

 

Fonte: https://www.otempo.com.br/opiniao/jose-reis-chaves/a-graca-divina-e-nula-enquanto-nos-nao-nos-dispusermos-a-recebe-la-1.1026918

 

 


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