Graduada em Jornalismo pela Faculdade
de Comunicação Social Cásper Líbero.
Mestre e doutora em História e Filosofia da Educação
pela USP.
Pós-doutora em Filosofia da Educação pela USP.
Coordenadora geral da Associação Brasileira de Pedagogia
Espírita e da Pampédia Educação. Diretora
da Editora Comenius.
Em São Paulo, coordena o Espaço Pampédia. Mais
de trinta livros publicados com os temas de educação,
espiritualidade, filosofia e espiritismo, pela Editora Comenius, Ática,
Scipione. Entre outros, Pestalozzi, Educação e Ética,
Educação e Espiritualidade – interfaces e
perspectivas, Pedagogia Espírita – um projeto
brasileiro e suas raízes, Vivências na Escola,
Todos os jeitos de crer e Jeitos de Crer (Ensino
inter-religioso).
“Eis aí a grande
tarefa social que nos espera: colocar em funcionamento o valor
potencial do homem, permitir-lhe atingir o desenvolvimento máximo
de seus dinamismos, prepará-lo verdadeiramente para mudar
a sociedade humana, fazê-la mudar para um patamar superior.”
(MONTESSORI, 2004, p. 21)
(trecho inicial)
A complexidade do mundo contemporâneo
mergulha os mais conscientes em perplexidade e empurra os mais alienados
às distrações para se esquecerem dos graves problemas
que atormentam o ser humano, nesses tempos líquidos, para usar
uma expressão cara ao sociólogo polonês Zygmunt
Bauman.
De fato, estamos desenraizados, porque massificados, perdidos em virtualidades
que nos fazem esquecer quem somos, que nos fazem duvidar de tudo,
que nos fazem solitários e esvaziados.
As crianças adentram o mundo escolar com intenso brilho nos
olhos, cheias de perguntas, curiosidades, sensíveis ao ambiente,
capazes de observar uma formiga ou admirar-se com uma estrela, capazes
de se revoltar com uma injustiça e de se interessar pela dor
do outro. E saem da escola, anos depois, esvaziadas, de olhar vago,
desinteressadas, entediadas, em sua maioria, detestando o aprender.
Sem nenhum preparo para a vida de verdade, sem nenhuma crítica
ao mundo em que vão habitar, sem nenhum ideal à vista...
Elas devem estar prontas para um mercado de trabalho desumano, em
que elas serão peças descartáveis.
A mídia entra como modeladora coadjuvante, ao lado da escola,
para formatar cabeças consumistas, precocemente erotizadas
e desejantes de toda espécie de satisfação supérflua.
E ao mesmo tempo que a escola com seu aprendizado mecânico,
uniforme e sem vida mata a vontade de aprender e a autonomia de buscar
conhecimento, a televisão e todo o cortejo de publicidade agressiva,
manipula desejos, desperta necessidades e preenche a mente de imagens,
bugigangas, bizarrices e mau gosto. Os muros cinza da escola são
pintados pelas cores berrantes da TV. Na primeira, falta vida, emoção,
alegria e prazer. Na segunda, tudo isso é oferecido de forma
fictícia, artificial, brega e esvaziante de sentido.
Como romper esse ciclo? Como reabilitar o humano em nós e na
sociedade? Como desmontar essas estruturas alienantes que já
duram séculos e que diferentes revoluções não
foram capazes de mudar?
Consideramos aqui que a solução deve estar imbricada
numa relação indissolúvel entre 1) educação,
com práticas transformadoras, 2) mudanças estruturais
na sociedade e 3) reabilitação de valores espirituais,
que sejam inclusive fonte de crítica às religiões
tradicionais, com o seu cortejo de fundamentalismo e conservadorismo.
A volta
ao ser
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