Pesquisa: ClaudiaC e Elio Mollo
Estudo com base no cap. XIII, da parte II de O Livro dos Médiuns
(Allan Kardec).
A Ciência Espírita em suas
atividades iniciais fez uso daquelas que foram as primeiras manifestações
inteligentes, mesas que se moviam e 'batiam' o pé, respondendo
conforme convencionado por "sim" ou "não"
às perguntas feitas, estas foram conhecidas como as mesas falantes,
utilizadas para se comunicar com os Espíritos. (1)
Eis os termos em que foi dado em Paris, a 10 de julho de 1853, a um
dos mais fervorosos adeptos da doutrina, que há muitos anos,
desde 1849, se ocupava com a evocação dos Espíritos:
"Vá buscar no quarto ao lado a cestinha; prenda nela um
lápis, coloque sobre o papel e ponha-lhe os dedos na borda".
Feito isso, depois de alguns instantes a cesta se pôs em movimento
e o lápis escreveu legivelmente esta frase:
"Isto que eu vos disse, proíbo-vos expressamente de dizer
a alguém; da primeira vez que escrever, escreverei melhor".
(2)
O objeto que se adapta ao lápis
por ser apenas um instrumento não requer a necessidade de uma
natureza ou forma específica, desta forma pouco a pouco, meios
melhores para estas comunicações foram surgindo, mais
cômodos, em especial para a escrita.
PSICOGRAFIA (do gr. psyché, borboleta,
alma, e graphô, eu escrevo) – transmissão
do pensamento dos Espíritos por meio da escrita, pela mão
de um médium. No médium escrevente a mão é
o instrumento, mas sua alma, ou o espírito nele encarnado é
o intermediário ou o intérprete do Espírito estranho
que se comunica.
Psicografia mediata ou indireta – quando o
lápis é adaptado a um objeto qualquer que serve, de
certo modo, de apêndice à mão, como uma cesta,
uma prancheta, etc..
Psicografia imediata ou direta – quando o próprio
médium escreve pegando o lápis como para a escrita ordinária.
Tomemos, por exemplo, uma cestinha de
15 a 20 centímetros de diâmetro que pode ser de madeira
ou de junco, a substância é indiferente (ver figura 3).
Então, através do fundo dessa cesta se faz passar um
lápis fixado solidamente, com a ponta para fora e para baixo,
mantendo-se o todo em equilíbrio sobre a ponta do lápis
colocado sobre uma folha de papel, aplicando-se os dedos sobre a cesta,
se os Espíritos desejarem comunicar-se, esta se moverá
naturalmente, formando traços, desenhando ou escrevendo, palavras,
frases ou mensagens completas. Porém, a escrita assim obtida
nem sempre é legível.
Nesta fase usou-se, também, a ardósia com um lápis
apropriado, também, designada cesta pião. Depois, várias
outras disposições foram imaginadas para atingir o mesmo
fim. A mais cômoda é a denominada de cesta de bico, e
que consistia em adaptar sobre a cesta uma haste de madeira inclinada,
fazendo saliência de 10 a 15 centímetros de lado, como
se fosse na posição do mastro de gurupés ou de
um navio.
Exemplos de psicografia indireta:
Inúmeros dispositivos foram imaginados
para atingir o mesmo fim. Algumas pessoas substituíram a cesta
por uma espécie de mesa em miniatura, feita especialmente,
de doze a quinze centímetros de comprimento por cinco a seis
de altura, e três pés a um dos quais adaptou um lápis.
Os outros dois são arredondados ou munidos de uma bolinha de
marfim, para deslizarem facilmente sobre o papel. Outras pessoas se
servem de uma tabuinha de quinze a vinte centímetros quadrados,
em forma triangular, oval ou retangular, tendo nadas bordas um furo
oblíquo para se enfiar o lápis. Colocando-se um papel
para escrever, ela fica apoiada num dos lados. O lado que pousa no
papel é às vezes guarnecido de duas bolinhas rolantes
para facilitar o movimento.
Outros ao invés da cesta-pião usaram um funil
com um lápis no gargalo. O que importa conhecer não
é o instrumento, mas a maneira de obtenção das
comunicações. Se as obtemos pela escrita, seja qual
for o suporte do lápis, trata-se de psicografia.
Esses dispositivos não têm nada de absoluto, eles foram
usados conforme a comodidade do médium e, quando esse processo
foi usado no tempo da codificação espírita foi
denominado de psicografia indireta. No uso
desses aparelhos eram usados dois operadores, não sendo necessário
que ambos sejam médiuns, apenas que um deles servia para ajudar
no equilíbrio do aparelho e assim diminuir a fadiga do médium.
Na psicografia indireta o Espírito
comunicante age sobre o médium; este, influenciado, move maquinalmente
o braço e a mão para escrever, onde geralmente o médium
não tem a menor consciência do que escreve. Sua mão
age sobre a cesta e esta movimenta o lápis.
Não
é a cesta que se torna inteligente, mas esta apenas
serve de instrumento a uma inteligência. A cesta nada mais é,
praticamente, do que um instrumento da mão ou um intermediário
entre a mão e o lápis. As mesas, as pranchetas e as
cestas não são instrumentos inteligentes, embora momentaneamente
animados de uma vida factícia. Estes instrumentos não
se movem nem se comunicam por si mesmos. Suprimindo-os como intermediários
e pondo o lápis diretamente na mão do médium,
temos o mesmo resultado com um mecanismo muito mais simples, e o médium
passa a escrever como se o fizesse em condições normais,
e assim temos a psicografia direta (3).
Nesta é a própria mão do médium impulsionada
de maneira involuntária que escreve sob a influência
de um Espírito. Sem o concurso da vontade ou do pensamento
do médium. Este novo processo de psicografia substituiu de
maneira definitiva todos os dispositivos, pois foram considerados
desnecessários para esta prática mediúnica.
O espírito que deseja se comunicar
atua sobre um corpo vivo com o auxílio de seu perispírito,
da mesma forma que com o mesmo fluido age sobre a matéria inerte,
movimentando mesas e objetos e fazendo ruídos. Como ele não
tem um corpo tangível para agir de forma ostensiva quando deseja,
acaba servindo-se do corpo de um médium, como que toma emprestado
os órgãos necessários a sua manifestação,
fazendo-os agir como se fossem seu próprio corpo, isto devido
à emanação fluídica que verte sobre ele.
É preciso imaginar o espírito comunicante não
no médium, mas ao lado deste, dirigindo sua mão ou lhe
transmitindo seu pensamento por uma emanação fluídica.

Muitas vezes o médium pode escrever
em outras línguas que desconhece, falar de assuntos além
de sua instrução, escreverem muitas vezes quando não
sabem escrever, outras vezes pode reproduzir a escrita e a assinatura
do espírito quando estava encarnado, embora não o conheça.
Este fenômeno é similar ao que ocorre quando vemos uma
criança escrever, guiada sua mão. Porém esta
aptidão do médium para coisas que lhe são estranhas
está sempre ligada ao conhecimento que ela já adquiriu
em outras encarnações e tendo este conhecimento sido
adquirido pelo espírito, este lhe guarda a intuição.
Dentre todas as formas de comunicação mediúnica
a psicografia é a mais simples, cômoda e a mais completa.
Kardec no O Livro dos Médiuns incentiva
que todos os esforços devem ser feitos para o seu desenvolvimento,
haja vista que é a mais fácil de se desenvolver pelo
exercício, porque com ela é possível estabelecer
relações permanentes e regulares com os espíritos,
da mesma forma que mantemos entre nós. Através dela
os espíritos revelam melhor a sua natureza e o grau de sua
perfeição ou de sua inferioridade, transmitem seus pensamentos
mais íntimos o que nos permite apreciá-los e julgá-los
em seu justo valor.
(1) O progresso acentuado por Kardec foi
realmente rápido. Mas depois verificou-se um retardamento. Na
Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, que
abre O Livro dos Espíritos, Kardec aponta "a leviandade
do Espírito humano" como causa do desinteresse e até
mesmo da reação contra os estudos espíritas. "A
dança das mesas" foi considerada indigna da atenção
dos homens que se julgam sábios, o mesmo acontecendo com a escrevente.
A tola vaidade humana e também os interesses feridos, as tradições
ameaçadas, a fascinação do imediatismo impediram
que a Ciência Espírita prosseguisse em seu desenvolvimento
rápido. Mas o próprio desenvolvimento das Ciências
materiais está hoje forçando os homens a reencontrarem
a verdade espírita. (Nota de J. Herculano Pires)