| Elio
Mollo
> Possessos
Estudo com base in O Livro dos
Espíritos,
Cap. IX, Intervenção dos Espíritos no Mundo
Corpóreo, questões 473 e 474,
obra codificada por Allan Kardec.
Pesquisa: Elio Mollo
Sobre a possessão respondem os
Espíritos à Allan Kardec (1)
que "O Espírito não entra num corpo como entras
numa casa; ele se assimila a um Espírito encarnado que tem
os seus mesmos defeitos e as suas mesmas qualidades, para agir conjuntamente;
mas é sempre o Espírito encarnado que age como quer
sobre a matéria de que está revestido. Um Espírito
não pode substituir-se ao que se acha encarnado, porque o Espírito
e o corpo estão ligados até o tempo marcado para o termo
da existência material."
No caso de haver uma coabitação
de dois Espíritos no mesmo corpo, a alma pode encontrar-se
na dependência de um outro Espírito, de maneira a se
ver por ele subjugada ou obsedada, ao ponto de ter a sua vontade,
de alguma forma, paralisada, e são esses os verdadeiros
possessos, mas essa dominação não se efetua jamais
sem a participação daquele que sofre, seja por fraqueza,
seja pelo seu desejo. Frequentemente se têm tomado por possessos
criaturas epilépticas ou loucas, que mais necessitavam de médico
do que de exorcismo. (2)
Em O Livro dos Médiuns, segunda parte,
cap. XXIII, Kardec assim se expressou em relação a possessão:
"não existem possessos, no sentido vulgar do termo,
mas apenas obsedados, subjugados e fascinados".
Na Revista Espirita de outubro de 1858 (3)
Allan Kardec escreveu sobre a possessão: "Para nós,
a possessão seria um sinônimo de subjugação.
Se não adotamos esse termo, foi por dois motivos: primeiro,
porque implica a crença em seres criados e votados perpetuamente
ao mal, enquanto apenas existem seres mais ou menos imperfeitos e
todos podem melhorar; segundo, porque pressupõe igualmente
a ideia de tomada de posse do corpo por um Espírito estranho,
uma espécie de coabitação, quando só há
constrangimento."
Mas não demoraria muito tempo, foi, também, na Revista
Espirita de dezembro de 1863, Um Caso de possessão
(Senhorita Julia) (4),
quando narrou o caso da sonâmbula Sra. A, que de repente mudou
de voz tomando atitudes absolutamente masculinas, isso fez com que
Kardec muda-se de opinião em relação a possessão,
levando-o, logo no primeiro parágrafo desse artigo a escrever
de maneira contundente o seguinte:
"Temos dito que não havia possessos, no sentido vulgar
do vocábulo, mas subjugados. Voltamos a esta asserção
absoluta, porque agora nos é demonstrado que pode haver verdadeira
possessão, isto é, substituição, posto
que parcial, de um Espírito errante a um encarnado."
Vale lembrar o que diz o codificador da Doutrina Espírita no
livro A Gênese conforme o Espiritismo, cap. I. item
14: "...o Espiritismo é uma Ciência de observação
e não o produto da imaginação." E ainda
nesse mesmo capítulo no item 55: "O Espiritismo, marchando
com o progresso, não será nunca extravasado, porque,
se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre
um ponto ele se reformulará sobre este ponto; se uma nova verdade
se revela, ela a aceita." (4)
Sendo assim, agora podemos continuar observando a descrição
que faz sobre o caso da Revista Espírita
tratado acima: "Apoderando-se do corpo da sra. A..., não
tinha qualquer intenção má; assim aquela senhora
nada sofria com a situação, a que se prestava de boa
vontade. É bom dizer que ela não o havia conhecido e
não podia saber de suas maneiras. É ainda de notar que
os assistentes nele não pensavam, a cena não foi provocada
e ele veio espontaneamente".
"Aqui a possessão é evidente
e ressalta ainda melhor dos detalhes, que seria longo enumerar. Mas
é uma possessão inocente e sem inconvenientes."
(O grifo é nosso.)
A partir daí, o codificador, passa a incluir a possessão
nos processos mediúnicos (no caso dos bons Espíritos)
e de curas (no caso dos Espíritos inferiores ainda voltados
ao mal): "Não vendo senão o efeito, e não
remontando à causa, eis por que todos os obsedados, subjugados
e possessos passam por loucos desta natureza e que
seriam facilmente curados se não obstinassem a neles ver apenas
uma doença orgânica." (O
grifo é nosso.)
Nesse mesmo artigo Kardec relata um outro exemplo observado pessoalmente
por ele e que foi objeto de um estudo sério na Sociedade Espírita
de Paris. Foi o caso da senhorita Julia, uma doméstica nascida
na Savole, com vinte e três anos de idade, que a seis meses
vinha tendo crises de um caráter estranho e que ocorriam sempre
no estado sonambúlico. Lutava com um espírito que acaba
sempre vencendo e que o denominava de Fredegunda: "Toma!
toma! é bastante, infame Fredegunda? Queres me sufocar, mas
não o conseguirás; queres meter-te em minha caixa, mas
eu te expulsarei."
Neste caso de possessão, porque se percebeu ter chegado o momento
necessário de lidar com o Espírito possessor, Fredegunda,
através da evocação.
Evocada, em princípio, com ideia fixa de reencarnar-se, repeliu
a solidariedade que lhe foi oferecida, recuou ante o nome de Deus,
por isso, teve dificuldade de elevar o pensamento e orar, mas no intervalo
das evocações em que foi chamada por vários dias
pelos que estavam encarregados de a instruir, houve um fato positivo,
é que conforme o Espírito Fredegunda foi sendo orientado,
a Senhorita Julia, consequentemente, foi deixando de ser molestada
até que a possessão cessou por completo.
(6)
Em se tratando da possessão escreve Kardec no livro A
Gênese (7): "Na
possessão, em lugar de agir exteriormente, o Espírito
livre se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado;
faz eleição de domicílio em seu corpo sem que,
contudo este o deixe definitivamente, o que não pode ter lugar
senão com a morte. A possessão é, pois, sempre
temporária e intermitente porque um Espírito desencarnado
não pode tomar definitivamente o lugar e dignidade de um Espírito
encarnado, ...".
Mostrando a diferença entre obsessão e possessão
ele escreve in A Gênese (8):
"A obsessão é sempre uma ocorrência de
um Espírito malfeitor. A possessão pode ser a atuação
de um bom Espírito que quer falar e, para causar maior impressão
em seu ouvinte, toma emprestado o corpo de um encarnado que este lhe
empresta voluntariamente como se emprestasse sua veste. Isso se faz
sem nenhuma perturbação nem mal estar, e durante este
tempo o Espírito se encontra em liberdade como no estado de
emancipação, e, mais frequentemente ele se coloca ao
lado de seu reintegrante para escutá-lo." Em continuação
diz ele: Quando o Espírito possessor é mau, as coisas
se passam diferentemente; ele não toma emprestado o corpo;
ele se apodera, se o titular não possuir uma força moral
para lhe resistir."
Concluindo este estudo deixamos aqui estas palavras de Kardec (9):
"O Espiritismo, fazendo conhecer esta fonte de uma parte
das misérias humanas, indica o meio de remediá-las;
este meio é o de atuar sobre o autor do mal que, sendo um ser
inteligente, deve ser tratado com inteligência."
NOTAS:
(1) Resposta à pergunta 473 de O Livro
dos Espíritos (Allan Kardec).
http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L2_C9_SC3.html
(2) Resposta à pergunta 474 de O Livro dos Espíritos (Allan
Kardec).
http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L2_C9_SC3.html
(3) Ver Allan Kardec, Revista Espírita, outubro de 1858, Obsedados
e Subjugados.
http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/OBSEDADOS_E_SUBJUGADOS.html
(4) Ver Allan Kardec, Revista Espírita, dezembro de 1863 e janeiro
de 1864, Um Caso de possessão (Senhorita Julia)
http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/UM_CASO_POSSESSAO.html
(5) Ver Allan Kardec, A Gênese, cap. I, Caracteres da Revelação
Espírita.
http://www.aeradoespirito.net/AGenese/GE_CAP_1.html
(6) Ver Allan Kardec, Revista Espírita, janeiro de 1864, Palestras
de Além-Túmulo - Fredegunda
http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/UM_CASO_POSSESSAO.html
(7) Ver Allan Kardec, A Gênese, cap. XIV, Os Fluidos, Explicação
de alguns fatos reputados como sobrenaturais, item 47.
http://www.aeradoespirito.net/AGenese/GE_CAP_14.html
(8) Ver Allan Kardec, A Gênese, cap. XIV, Os Fluidos, Explicação
de alguns fatos reputados como sobrenaturais, item 48.
http://www.aeradoespirito.net/AGenese/GE_CAP_14.html
(9) Ver Allan Kardec, A Gênese, cap. XIV, Os Fluidos, Explicação
de alguns fatos reputados como sobrenaturais, item 48.
http://www.aeradoespirito.net/AGenese/GE_CAP_14.html
Fonte: http://emollo.blogspot.com.br/2013/03/possessos.html
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