| Elio
Mollo
> Livre-Arbítrio e Fatalidade
LIVRE-ARBÍTRIO (1)
Uma vez que se tem a liberdade de pensar, se tem
a de agir. Sem o livre-arbítrio o homem seria como uma máquina
(2).
Há liberdade de agir desde que haja a liberdade de fazer.
Nos primeiros tempos da vida a liberdade é quase nula; A
criança vai evoluindo e seus objetivos mudam de acordo com
o desenvolvimento das faculdades. A criança, tendo pensamentos
relacionados com as necessidades de sua idade, aplica seu livre-arbítrio
às escolhas que lhe são necessárias.
As predisposições instintivas são do Espírito
antes de sua encarnação (3); conforme é mais
ou menos adiantado, podem levá-lo a praticar atos condenáveis,
e ele será auxiliado nisso pelos Espíritos com essas
mesmas tendências, mas não há arrebatamento
irresistível quando se tem a vontade de resistir. Neste caso
podemos dizer que querer é poder.
As qualidades morais, boas ou más de um Espirito encarnado
provêm de que; quanto mais o Espírito for puro, mais
o homem é levado ao bem (4).
O Espírito está certamente influenciado pela matéria,
ou seja, pelo seu organismo que o pode entravar em suas manifestações
(5); eis por que, nos mundos onde os corpos são menos materiais,
as faculdades se desenvolvem com mais liberdade. Porém, não
é o instrumento que dá as faculdades. Além
disso, é preciso separar aqui as faculdades morais das intelectuais;
se um homem tem o instinto assassino, é seguramente seu próprio
Espírito que o possui e o transmite, e não seus órgãos
(6). Aquele que canaliza o pensamento para a vida da matéria
torna-se semelhante ao irracional e, pior ainda, porque não
pensa mais em se prevenir contra o mal, e é nisso que é
culpado, uma vez que age assim por sua vontade.
Aquele cuja inteligência é perturbada por uma causa
qualquer não é mais senhor de seu pensamento e assim
não tem mais liberdade. Essa anormalidade é, muitas
vezes, uma punição para o Espírito que, numa
outra encarnação, pode ter sido fútil e orgulhoso
e ter feito mau uso de suas faculdades. Ele pode renascer no corpo
de um deficiente mental, como o escravizador no corpo de um escravo
e o mau rico no de um mendigo. Porém, o Espírito sofreu
esse constrangimento com perfeita consciência. Está
aí a ação da matéria. (7)
Os desatinos das faculdades intelectuais causadas pela embriaguez
não é desculpa para atos condenáveis, porque
o bêbado voluntariamente se privou de sua razão para
satisfazer paixões brutais; em vez de uma falta, comete duas.
No homem primitivo, a faculdade dominante é o instinto (8),
o que não o impede de agir com total liberdade em certas
circunstâncias; como a criança, ele aplica essa liberdade
às suas necessidades e ela se desenvolve com a inteligência.
Porém, como vós, sois mais esclarecidos do que um
selvagem e também mais responsáveis pelo que fazeis.
A posição social é, algumas vezes, um obstáculo
à total liberdade dos atos. O mundo tem, sem dúvida,
suas exigências. Deus é justo e tudo leva em conta,
mas nos deixa a responsabilidade do pouco esforço que fazemos
para superar os obstáculos.
FATALIDADE (9)
A fatalidade existe apenas na escolha que o Espírito
fez ao encarnar e suportar esta ou aquela prova. E da escolha resulta
uma espécie de destino, que é a própria consequência
da posição que ele próprio escolheu e em que
se acha. Falo das provas de natureza física, porque, quanto
às de natureza moral e às tentações,
o Espírito, ao conservar seu livre-arbítrio quanto
ao bem e ao mal, é sempre senhor para ceder ou resistir.
Um bom Espírito, ao vê-lo fraquejar, pode vir em sua
ajuda, mas não pode influir de modo a dominar sua vontade
(10). Um Espírito mau, ao lhe
mostrar de forma exagerada um perigo físico, pode abalá-lo
e assustá-lo. Porém, a vontade do Espírito
encarnado está constantemente livre para decidir.
Há pessoas que parecem ser perseguidas por uma fatalidade,
independentemente de seu modo de agir; são, talvez, provas
que devem suportar e que escolheram. Mas definitivamente não
devemos acusar o destino pelo que, frequentemente, é apenas
a consequência de nossas próprias faltas. Nos males
que nos afligem, esforcemo-nos para que nossa consciência
esteja pura, e já nos sentiremos bastante consolados.
As ideias justas ou falsas que fazemos das coisas nos fazem vencer
ou fracassar de acordo com nosso caráter e posição
social. Achamos mais simples e menos humilhante para o nosso amor-próprio
atribuir nossos fracassos à sorte ou ao destino, e não
à nossa própria falta. Se a influência dos Espíritos
(11) contribui para isso algumas vezes,
podemos sempre nos defender dessa influência afastando as
ideias que nos sugerem, quando são más.
Algumas pessoas mal escapam de um perigo mortal para logo cair em
outro; parece que não teriam como escapar à morte,
contudo e bom sempre lembrar disto: A fatalidade só
existe, no verdadeiro sentido da palavra, apenas no instante da
morte (12). Quando esse momento
chega seja por um meio ou por outro, não o podemos evitar.
Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, não morreremos
se a hora não é chegada, e sobre isso há milhares
de exemplos; mas quando a hora chegar, nada poderá impedir.
Deus sabe por antecipação qual o gênero de morte
que teremos na Terra e, muitas vezes, nosso Espírito também
sabe, porque isso foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela
existência.
Por causa da inevitável hora da morte, as precauções
que se tomam para evitá-la não são inúteis.
As precauções que tomamos nos são sugeridas
para evitar a morte que nos ameaça, são meios para
que ela não ocorra.
Quando nossa vida é colocada em perigo, é uma advertência
que nós mesmo desejamos, a fim de nos desviarmos do mal e
nos tornarmos melhor. Quando escapamos desse perigo, ainda sob a
influência do risco que passamos, refletimos seriamente, conforme
a ação mais ou menos forte dos bons Espíritos
sobre nós para nos melhorarmos. O mau Espírito, voltando
a tentação (digo mau subentendendo o mal que ainda
existe nele), pensa que escapará do mesmo modo a outros perigos
e novamente deixa se dominar pelas paixões. Pelos perigos
que corremos, Deus nos lembra de nossa fraqueza e a fragilidade
de nossa existência. Se examinarmos a causa e a natureza do
perigo, veremos que, muitas vezes, as consequências são
a punição de uma falta cometida ou de um dever não
cumprido. Deus nos adverte assim para nos recolhermos em nós
mesmos e nos corrigirmos. (13)
O Espírito sabe que o gênero de vida escolhido o expõe
a desencarnar mais de uma maneira do que de outra. Sabe igualmente
quais as lutas que terá de enfrentar para evitá-la
e, se Deus o permitir, não fracassará.
Há homens que enfrentam os perigos dos combates com a convicção
de que sua hora não chegou. Frequentemente, o homem tem o
pressentimento de seu fim, como pode ter o de que não morrerá
ainda. Esse pressentimento vem por meio dos seus protetores, que
querem adverti-lo para estar pronto para partir, ou estimulam sua
coragem nos momentos em que é mais necessária. Pode
vir ainda pela intuição que tem da existência
escolhida, ou da missão que aceitou e sabe que deve cumprir.
(14)
É o homem que teme a morte e não o Espírito;
aquele que a pressente pensa mais como Espírito do que como
homem: ele a compreende como sua libertação e a espera.
Por isto tem menos medo da morte que outros.
Frequentemente os acidentes que nos atingem no decorrer da vida
são pequenas coisas para as quais Deus nos previne e, algumas
vezes, faz com que as evitemos, dirigindo nosso pensamento, porque
não gosta de nos ver sofrer; mas isso é de pouca importância
para a vida que escolhemos. A fatalidade, verdadeiramente, consiste
apenas na hora em que devemos nascer e morrer.
Há fatos que, forçosamente, devam acontecer e que
a vontade dos Espíritos não podem afastar, mas nós,
antes de encarnar, vimos e pressentimos quando fizemos nossa escolha.
Entretanto, não devemos acreditar que tudo o que acontece
está escrito, como se diz. Um acontecimento é, muitas
vezes, a consequência de um ato que praticamos por livre vontade,
caso contrário o acontecimento não teria ocorrido.
Se queimamos o dedo, é consequência de nossa imprudência
e ação sobre a matéria. Apenas as grandes dores,
os acontecimentos importantes que podem influir na evolução
moral, são previstos por Deus, já que são úteis
para a nossa depuração e instrução.
O homem, por sua vontade e ações, pode fazer com que
os acontecimentos que deveriam ocorrer não ocorram, e vice-versa,
desde que esse desvio aparente caiba na ordem geral da vida que
escolheu. Depois, para fazer o bem, como é seu dever e único
objetivo da vida, ele pode impedir o mal, especialmente aquele que
poderia contribuir para um mal maior.
O homem que comete um homicídio não sabe, ao escolher
sua existência, que se tornará um assassino. Sabe que,
escolhendo uma determinada espécie de vida, poderá
ter a possibilidade de matar um de seus semelhantes, mas não
sabe se o fará porque há nele, quase sempre, uma decisão
antes de cometer qualquer ação; portanto, aquele que
delibera sobre uma coisa é sempre livre para fazê-la
ou não. Se o Espírito soubesse antecipadamente que,
como homem, deveria cometer um assassinato, é porque isso
estava predestinado. Sabei que ninguém foi predestinado ao
crime e todo crime, como todo e qualquer ato, é sempre o
resultado da vontade e do livre-arbítrio. Além disso,
confundimos sempre duas coisas bem distintas: os acontecimentos
materiais da vida e os atos da vida moral. Se algumas vezes existe
fatalidade, é nos acontecimentos materiais cuja causa está
fora de nós e são independentes de nossa vontade.
Quanto aos atos da vida moral, esses emanam sempre do próprio
homem, que sempre tem, consequentemente, a liberdade de escolha.
Para esses atos, nunca existe fatalidade.
Existem pessoas para as quais nada sai bem e que um mau gênio
parece perseguir em todas as suas ações. É
uma fatalidade, se quisermos chamar assim, mas é decorrente
da escolha que essa pessoa fez para a presente existência,
porque há pessoas que quiseram ser provadas por uma vida
de decepção, para exercitar sua paciência e
sua resignação. Não acrediteis, entretanto,
que essa fatalidade seja absoluta; muitas vezes é o resultado
do falso caminho que tomaram e que nada têm a ver com sua
inteligência e suas aptidões. Aquele que deseja atravessar
um rio a nado sem saber nadar tem grande probabilidade de se afogar;
assim é com a maioria dos acontecimentos da vida. Se o homem
somente empreendesse coisas compatíveis e de acordo com suas
capacidades, quase sempre teria êxito. O que faz com que se
perca é seu amor-próprio e sua ambição,
que o fazem sair de seu caminho e o induzem a considerar como vocação
o desejo de satisfazer certas paixões. Ele fracassa e é
por sua culpa; mas, em vez de admiti-la espontaneamente, prefere
acusar sua estrela. Seria melhor ter sido um bom trabalhador e ganho
honestamente a vida do que ser um mau poeta e morrer de fome. Haveria
lugar para todos, se cada um soubesse se colocar em seu lugar.
São os homens que fazem os costumes sociais e não
Deus. Se a eles se submetem, é porque lhes convêm,
e isso é ainda um ato de seu livre-arbítrio, uma vez
que, se quisessem, poderiam libertar-se deles; então, por
que se lamentar? Não são os costumes sociais que devem
acusar, mas seu tolo amor-próprio, que os leva a preferir
morrer de fome a abandoná-lo. Ninguém levará
em conta esse sacrifício feito à opinião pública,
enquanto Deus levará em conta o sacrifício que fizerem
à sua vaidade. Isso não quer dizer que seja preciso
afrontar essa opinião sem necessidade, como fazem algumas
pessoas que têm mais originalidade do que verdadeira filosofia.
Há tanto desatino em alguém se fazer objeto de crítica
ou parecer um animal selvagem quanto existe sabedoria em descer
voluntariamente e sem reclamar, quando não se pode permanecer
no topo da escala.
Existem pessoas para as quais a sorte é contrária,
outras parecem favorecidas, pois tudo lhes sai bem. Frequentemente,
as que parecem favorecidas, é porque elas sabem orientar-se
melhor; mas isso pode ser também um gênero de prova.
O sucesso as embriaga; elas confiam em seu destino e frequentemente
acabam pagando mais tarde esses mesmos sucessos com cruéis
revezes, que poderiam ter evitado com a prudência.
Como explicar a sorte que favorece certas pessoas nas circunstâncias
em que nem a vontade nem a inteligência interferem? O jogo,
por exemplo? É que alguns Espíritos escolheram antecipadamente
certas espécies de prazer; a sorte que os favorece é
uma tentação. Quem ganha como homem perde como Espírito;
é uma prova para seu orgulho e sua cobiça.
A fatalidade que parece marcar os destinos materiais de nossa vida
é que nós mesmos escolhemos nossa prova; quanto mais
for rude e melhor a suportarmos, mais nos elevaremos. Aqueles que
passam a vida na abundância e na felicidade humana são
Espíritos fracos, que permanecem estacionários. Assim,
o número de desafortunados ultrapassa em muito o dos felizes
neste mundo, já que os Espíritos procuram, na maior
parte, a prova que será mais proveitosa. Eles vêm muito
bem a futilidade de nossas grandezas e prazeres. Aliás, a
vida mais feliz é sempre agitada, sempre inquieta, apesar
da ausência da dor. (15)
A expressão nascer sob uma boa estrela é uma velha
superstição que ligava as estrelas ao destino de cada
homem. É uma simbologia que algumas pessoas fazem a tolice
de levar a sério.
NOTAS:
(1) Livre arbítrio – liberdade
moral do homem; faculdade que ele tem de se guiar pela sua vontade na
realização de seus atos. Os Espíritos nos ensinam
que a alteração das faculdades mentais, por uma causa
acidental ou natural, é o único caso em que o homem fica
privado de seu livre arbítrio. Fora disto é sempre senhor
de fazer ou de não fazer. Ele goza desta liberdade no estado
de Espírito, e é em virtude desta faculdade que escolhe
livremente a existência e as provas que julga próprias
para seu progresso; ele a conserva no estado corporal, a fim de poder
lutar contra essas mesmas provas. Os Espíritos que ensinam esta
doutrina não podem ser maus Espíritos. (Allan Kardec in
Instruções Práticas sobre as Manifestações
Espíritas, Vocabulário.)
2) As almas são criadas simples e ignorantes, tendo todas assim
um mesmo ponto de partida, o que está conforme à justiça;
o que sabemos ainda, é que o livre arbítrio não
se desenvolve senão pouco a pouco e depois de numerosas evoluções
na vida corpórea. Assim, quando a alma passa a desfrutar do seu
livre arbítrio, a responsabilidade cresce em razão do
desenvolvimento de sua inteligência. Durante longos períodos,
a alma encarnada está submetida à influência exclusiva
dos instintos de conservação; pouco a pouco esses instintos
se transformam em instintos inteligentes, ou, para melhor dizer, se
equilibram com a inteligência; mais tarde, e sempre gradualmente,
a inteligência domina os instintos; é então somente
que começa a responsabilidade séria. (Allan Kardec in
Revista Espírita, janeiro 1864, Progresso
nas primeiras encarnações.)
http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/PROGRES_NA_PRIM_ENCAR.html
(3) Tendências inatas – tendências,
ideias ou conhecimentos não adquiridos que, parece, trazemos
ao nascer. Há muito tempo discutem-se as tendências inatas,
cuja realidade é combatida por certos filósofos que pretendem
sejam todas adquiridas. Se assim fosse, como explicar certas disposições
naturais que se revelam muitas vezes desde a mais tenra idade e independentemente
de qualquer educação? Os fenômenos espíritas
lançam uma grande luz sobre esta questão. A experiência
não deixa dúvida alguma, hoje em dia, sobre estas espécies
de tendências que encontram sua explicação na sucessão
das existências. Os conhecimentos adquiridos pelo Espírito
nas existências anteriores se refletem nas existências posteriores
através do que denominamos tendências inatas. (Allan Kardec
in Instruções Práticas sobre as Manifestações
Espíritas, Vocabulário.)
(4) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos,
Livro segundo, cap. VII, Faculdades Morais e Intelectuais, questão
361.
http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L2_C7_SC3.html
(5) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos,
Livro segundo, cap. VII, Influência do Organismo, questão
368.
http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L2_C7_SC4.html
(6) O exercício das faculdades depende dos órgãos
que servem de instrumento ao Espírito encarnado; elas são
enfraquecidas pela grosseria da matéria. O envoltório
material é um obstáculo à livre manifestação
das faculdades do Espírito, assim como um vidro opaco se opõe
à livre emissão da luz. Pode-se ainda comparar a ação
da matéria grosseira do corpo sobre o Espírito à
da água lamacenta, que tira a liberdade dos movimentos aos corpos
nela mergulhados. Os órgãos são os instrumentos
de manifestação das faculdades da alma. Essas manifestações
se encontram subordinadas ao desenvolvimento e ao grau de perfeição
desses mesmos órgãos, como a boa qualidade de um trabalho,
à boa qualidade da ferramenta. O Espírito tem sempre as
faculdades que lhe são próprias; não são
os órgão que dão as faculdades, mas as faculdades
que conduzem ao desenvolvimento dos órgãos. As qualidades
do Espírito, que pode ser mais ou menos avançado, são
o princípio, mas é preciso ter em conta a influência
da matéria que entrava, mais ou menos, o exercício dessas
faculdades.
O Espírito, ao encarnar, traz certas predisposições,
admitindo-se para cada uma um órgão correspondente no
cérebro; o desenvolvimento desses órgãos será
um efeito e não uma causa. Se as faculdades tivessem seu princípio
nos órgãos, o homem seria uma máquina sem livre-arbítrio
e sem responsabilidade por seus atos. Seria preciso admitir que os maiores
gênios, os sábios, poetas, artistas, são gênios
apenas porque o acaso lhes deu órgãos especiais, e que
sem esses órgãos não seriam gênios. Assim,
o maior imbecil poderia ser um Newton, um Virgílio1 ou um Rafael
2, se tivesse possuído certos órgãos. Essa suposição
é mais absurda ainda quando aplicada às qualidades morais.
Assim, conforme esse sistema, um São Vicente de Paulo, dotado
por natureza desse ou daquele órgão, poderia ter sido
um criminoso, e faltaria ao maior criminoso apenas um órgão
para ser um São Vicente de Paulo. Admiti, ao contrário,
que os órgãos especiais, se é que existem, são
uma consequência, que se desenvolvem pelo exercício da
faculdade, assim como os músculos, pelo movimento, e não
tereis nada de irracional. Façamos uma comparação
simples, mas verdadeira: por meio de certos sinais fisionômicos,
reconheceis o homem dado à bebida; são esses sinais que
o tornam ébrio, ou é a embriaguez que faz surgirem esses
sinais? Pode-se dizer que os órgãos recebem a marca das
faculdades. (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos,
questões de 367 à 370.)
(7) Ver estudo sobre Idiotismo e Loucura:
http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/IDIOTISMO_E_LOUCURA.html
(8) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos,
Livro primeiro, cap. IV, Inteligência e Instinto, questões
71 e seguintes.
http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L1_C4.html
(9) Ver Revista Espírita, julho de
1868, no artigo A Ciência da Concordância dos Números
e a Fatalidade:
(http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/A_CIEN_CONC_NUM_FATAL.html).
(10) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos,
Livro Segundo, capítulo IX, Anjos da Guarda, Espíritos
Protetores, Familiares ou Simpáticos:
http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L2_C9_SC6.html
(11) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos,
Livro Segundo, capítulo IX:
http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L2_C9_SC8.html
(12) Todas as leis que regem o conjunto dos fenômenos da Natureza
têm consequências necessariamente fatais, quer dizer, inevitáveis,
e esta fatalidade é indispensável à manutenção
da harmonia universal. O homem, que sofre essas consequências,
está, pois, em certos aspectos, submetido à fatalidade
em tudo o que não depende de sua iniciativa; assim, por exemplo,
ele deve fatalmente morrer: é a lei comum à qual não
pode se subtrair, e, em virtude desta lei, pode morrer em toda idade,
quando sua hora é chegada; mas se ele apressa voluntariamente
a sua morte pelo suicídio ou por seus excessos, ele age em virtude
de seu livre-arbítrio, porque ninguém o pode constranger
a fazê-lo. Ele deve comer para viver: é da fatalidade;
mas se come além do necessário, pratica ato de liberdade.
– Ver Allan Kardec, Revista Espírita,
julho 1868, no artigo A Ciência da Concordância dos Números
e a Fatalidade:
(http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/A_CIEN_CONC_NUM_FATAL.html).
(13) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos,
questão 526 e 532:
(http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L2_C9_SC8.html)
(14) Allan Kardec, O Livro dos Espíritos,
questão 411 e 522:
(http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L2_C8_SC1.html)
(http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L2_C9_SC7.html)
(15) Allan Kardec, O Livro dos Espíritos,
questão 258 e seguintes:.
(http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L2_C6_SC5.html)
Fonte:
http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/LIVRE-ARBITRIO_E_FATALIDADE.html
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