Espiritualidade e Sociedade





Bianca Cirilo

>   Resiliência, a arte de ressignificar problemas Uma função do Espiritismo

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Bianca Cirilo
>   Resiliência, a arte de ressignificar problemas Uma função do Espiritismo

 

 

O contato com as ideias espíritas, necessariamente, produz mudanças no campo psicológico, cognitivo, afetivo e social na vida de um indivíduo. Isso não quer dizer que tais ideias apenas produzam impacto nestes campos, contudo, tais pontos costumam ser os mais trabalhados na direção do crescimento espiritual.

Quando o conceito de reencarnação, por exemplo, diretamente ligado à compreensão da lei de Progresso, é estudado por nós, há, neste ato reflexivo, uma ação que impacta gradativamente nosso sistema de crenças e valores, ou seja, uma vez que somos estimulados a raciocinar sobre a pluralidade das existências somos levados a confrontar a lógica deste conceito com o que até então pensávamos, antes de conhecê-lo, e com isso, vamos encontrando apoio para melhoria íntima.

Na verdade, o que acontece é uma tomada de consciência paulatina, variando de pessoa para pessoa, sobre o que a revelação deste conceito espírita (reencarnação) produz na nossa vida, analisando, pois, qual a diferença que ele fará daqui para frente, quais serão, portanto, os benefícios trazidos assim como os desafios a serem enfrentados diante da realidade factual das vidas sucessivas.

Seguindo nesta linha de raciocínio, a cada novo conceito doutrinário conhecido pelo espírito, ocorre dentro dele um acionamento, no tempo próprio de cada um, uma espécie de choque de valores e de realidade que vai produzir algum tipo de “pressão” interior na direção da mudança, contribuindo para uma nova acomodação das ideias, a fim de dar sentido a este novo que se apresenta.

Os conceitos espíritas ao fazerem isso, assim como qualquer conteúdo novo que confronte o espírito com sua realidade interna e com sua forma de agir e perceber o mundo, produzem a necessidade de revisão de posturas, comportamentos e sentimentos, estimulando o crescimento interior e a busca de novos patamares da consciência. Isso quer dizer que, o estudo doutrinário, principalmente, cria condições psicológicas tais que permitem a expansão da sede das Leis Divinas, fazendo com que o espírito vá vencendo suas limitações perceptivas e com isso, vá criando para si mesmo uma nova vida, mais equilibrada e mais de acordo com a proposta trazida pelas Leis de Deus.

No entanto, para que isso se dê, torna-se necessário compreender como as mudanças acontecem em nossa vida. Toda transformação incentivada pelo contato do indivíduo com os conceitos espíritas não se dá de maneira tranquila e fácil, comumente; na verdade, exige esforço. Todo empreendimento na direção da superação de si mesmo impõe, de início, o desenvolvimento da capacidade de enfrentar problemas, aprendendo a transformá-los em pontes resolutivas, ou seja, em experiências de autodescobrimento.

A resiliência é um dos principais conceitos despertado pelo Espiritismo, pois alude exatamente à capacidade do indivíduo de gerenciar problemas. Ela permite que façamos reenquadramentos, isto é, que detenhamos nosso foco no que conseguimos fazer e não no que não conseguimos e daí, a superação vai sendo gradativa. Sobre a resiliência sabemos que ela seria a “capacidade da dar a volta por cima”. Sendo isso, desenvolvido desde a infância, criar-se-ia assim a base para um adulto saudável e produtivo, prevenindo contra ansiedade e depressão. (ALEXANDER, E SANDAHL, 2017)

O trecho acima se refere à análise da realidade dinamarquesa pelas autoras acima citadas acerca da importância de se desenvolver a resiliência desde a infância, através de processos educativos específicos e avançados do ponto de vista da preocupação com o desenvolvimento integral da criança, visando a perspectiva futura quanto ao adulto que se deseja que ela seja, ou seja, alguém capaz de ser autônomo, íntegro e consciente da realidade interna e externa, aprendendo a lidar com suas emoções, com as situações em geral e com seus afetos e sentimentos frente às dores e dificuldades comuns à existência.

Qual a relevância, portanto, desta discussão pareada ao aspecto doutrinário? Sabemos que o Espiritismo é uma Doutrina que, didaticamente, nos ensina a traduzir as Leis Divinas tais como são, ou seja, ele nos leva a reflexões profundas sobre quem nós somos e qual a nossa destinação, mas essencialmente, nos direciona à prática consciente destas leis, isto é, ele se propõe a incentivar que aprendamos a agir conforme a nossa consciência e entender qual o sentido disso em nossa vida. Para conseguirmos harmonizar nossa vida a tal proposta, é preciso, evidentemente aprender a classificar nossos problemas de outra forma, senão aquela que geralmente fazemos, caindo no lugar comum da dor e da sensação de não resolução. O Espiritismo traz a racionalidade imprescindível para não entrarmos em desespero e isso já é fundamental. Desta forma, aprendemos com ele a ser e, assim, perceber de outra maneira as situações, dando novos significados a tudo que nos acontece.

Considerando o exposto acima, podemos concluir, sem risco de errar, que o Espiritismo promove as condições seguras e indiscutíveis para o desenvolvimento da resiliência, na medida em que, ele nos convida a “dar a volta por cima”, sem “colocar panos quentes”, ou seja, ele apresenta, em seu corpo de ideias e conceitos elevados do saber filosófico, científico e religioso, a fé raciocinada como lógica consoladora e inteligente para que resolvamos nossos conflitos, um dia, definitivamente.

 

 

 

Referências Bibliográficas:

ALEXANDER, J. J e SANDAHL, I. D. Crianças Dinamarquesas. São Paulo: Fontanar, 2017.

KARDEC, A. Considerações sobre a Pluralidade das Existências. Pergunta 222. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: CELD, 2004

 

 

Fonte: https://celd.xyz/wp-content/uploads/08-Revista_CELD_Agosto-2018.pdf

 

 

 

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