As relações
humanas indicam a evidência do aspecto gregário e imprescindível
para que os espíritos, encarnados ou não, se desenvolvam
individual e coletivamente, obedecendo aos ditames da lei de sociedade;
lei natural fundamental para a troca, apoio e superação
dos desafios impostos pela convivência. Saber conviver demanda
um bom nível de consciência, ou seja, depende da nossa
capacidade de ir além do trivial, olhar as pessoas com mais
profundidade, como espíritos que estão tentando, acertando,
errando como todos nós. Segundo o raciocínio de Hammed
(1999), um baixo nível de consciência faz com que a pessoa
veja tudo de forma primária, rudimentar, superficialmente,
em suma, apresente uma visão acanhada e simplista das coisas.
Certamente, a redução da visão sobre nós,
os outros e sobre as coisas que nos acontecem, restritos, pois, ao
nosso acanhado ponto de vista dificulta a saída dos becos emperrados
nos quais nos atrelamos, há muitas encarnações
pregressas, presos, portanto, às nossas crenças e padrões
limitadores de julgamento precipitado e não lúcido.
Sabemos, porém, que estar em grupo não é algo
fácil para muitos, isto pelos diversos motivos dos quais não
trataremos, propriamente aqui, no entanto, um deles seria pela dificuldade
de deparar-se com a diferença, de ser confrontado com o desconhecido
que vem do outro, gerando insegurança para sustentar a própria
autenticidade.
O medo de ficar sozinho é algo que parece representar diversas
necessidades psicológicas, no entanto, considerando a análise
de contínuos e variados problemas humanos, acredito que a principal
justificativa de muitos, que dizem temer a solidão, está
num evidente, porém nem sempre claro, processo de autossabotagem,
oriundo de crenças limitadoras que foram armazenadas ao longo
das inúmeras existências.
Sabotar-se é um movimento patológico que está
presente na esmagadora maioria dos dilemas existenciais que afetam
a todos nós, espíritos encarnados num planeta-escola,
numa contínua convivência reformadora de nossos valores
e melhoria de nossa percepção da vida e de nós
mesmos. O que isso significa? Sabotar a própria vida significa
agir, muitas vezes, de forma inconsciente, como sendo seu próprio
opositor, ou seja, fazer o contrário do que traria a felicidade
e a realização pessoais. Há pessoas, por exemplo,
que estão quase sempre sentindo culpa porque estão gozando
de algum benefício e por isso, cessam a fonte de acesso a este
benefício, fazendo de tudo para que aquela satisfação
acabe e assim, se sentindo mais “confortável” (no
sentido doentio da coisa) porque, desta maneira, continua sofrendo
como acha que merece.
A solidão acaba sendo uma grande vilã, ainda, pela dificuldade
que o ser humano possui de lidar consigo mesmo, devido a processos
educativos equivocados que ensinaram, erroneamente, que ser feliz
só é possível apenas quando se é amado
por alguém. Evidentemente, precisamos, sim, ser amados, se
não seremos infelizes, mas, em concomitância, amar-se
é uma condição precípua para que o espírito
se torne autônomo e responsável pelas suas próprias
escolhas, aprendendo a discernir o que lhe faz bem e o que lhe compromete
o avanço evolutivo. A regra do Cristo é clara sobre
o amar e amar a si mesmo, não admite qualquer tipo de dúvida,
logo, estamos vivendo um momento evolutivo desafiador para efetivamente
aprendermos a ciência do amar-se e em decorrência amar
o próximo.
Sendo assim, precisamos ensinar nossas crianças a, desde a
tenra idade, desenvolver tanto o espírito cooperativo quanto
a capacidade de estar consigo, pois, há momentos que precisamos
estar com os outros e há momentos que podemos apenas contar
com a própria iniciativa, pois trata-se da responsabilidade
pessoal que todos temos, isto é, aquilo que Jesus nos ensinou
sobre “a cada um segundo as suas obras.”
O espírito que sabe compreender o exposto acima terá
mais possibilidade de melhor lidar com a presença e a ausência
do outro. A solidão passará à ter outro significado
mais voltado à ideia de momento em que o indivíduo está
consigo, contando com seu próprio empenho e dedicação
a si, logo, vivenciando o aspecto intransferível da sua vida.
Porém, para que isso se dê torna-se necessário
o cultivo da fé raciocinada como bússola infalível
para construção paulatina da felicidade interior. A
fé em Deus, como certeza absoluta de que não estamos
à deriva no mar da vida, é âncora segura do espírito
para que ele dê sentido a sua jornada, confiando tranquilamente
nos desígnios das leis divinas e no poder transformador de
cenários tanto internos quanto externos das situações
que chegam até nós.
O medo da solidão expressão à dificuldade que
o espírito ainda nutre quanto aos recursos que nosso Pai Maior
nos envia dentro e fora de nós. Muitas vezes, o hábito
de pensar e viver fora dos parâmetros das Leis de Deus cria
em nós uma crença equivocada de que não merecemos
o amor, a paz e as harmonias decorrentes de quem decide sempre pelo
esforço de praticar o Bem e as leis benditas e libertadoras
inscritas na consciência de cada um de nós.