Espiritualidade e Sociedade





Bianca Cirilo

>   O medo da solidão - Um debate sobre a questão da fé

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Bianca Cirilo
>   O medo da solidão - Um debate sobre a questão da fé

 

 

 

As relações humanas indicam a evidência do aspecto gregário e imprescindível para que os espíritos, encarnados ou não, se desenvolvam individual e coletivamente, obedecendo aos ditames da lei de sociedade; lei natural fundamental para a troca, apoio e superação dos desafios impostos pela convivência. Saber conviver demanda um bom nível de consciência, ou seja, depende da nossa capacidade de ir além do trivial, olhar as pessoas com mais profundidade, como espíritos que estão tentando, acertando, errando como todos nós. Segundo o raciocínio de Hammed (1999), um baixo nível de consciência faz com que a pessoa veja tudo de forma primária, rudimentar, superficialmente, em suma, apresente uma visão acanhada e simplista das coisas.

Certamente, a redução da visão sobre nós, os outros e sobre as coisas que nos acontecem, restritos, pois, ao nosso acanhado ponto de vista dificulta a saída dos becos emperrados nos quais nos atrelamos, há muitas encarnações pregressas, presos, portanto, às nossas crenças e padrões limitadores de julgamento precipitado e não lúcido.

Sabemos, porém, que estar em grupo não é algo fácil para muitos, isto pelos diversos motivos dos quais não trataremos, propriamente aqui, no entanto, um deles seria pela dificuldade de deparar-se com a diferença, de ser confrontado com o desconhecido que vem do outro, gerando insegurança para sustentar a própria autenticidade.

O medo de ficar sozinho é algo que parece representar diversas necessidades psicológicas, no entanto, considerando a análise de contínuos e variados problemas humanos, acredito que a principal justificativa de muitos, que dizem temer a solidão, está num evidente, porém nem sempre claro, processo de autossabotagem, oriundo de crenças limitadoras que foram armazenadas ao longo das inúmeras existências.

Sabotar-se é um movimento patológico que está presente na esmagadora maioria dos dilemas existenciais que afetam a todos nós, espíritos encarnados num planeta-escola, numa contínua convivência reformadora de nossos valores e melhoria de nossa percepção da vida e de nós mesmos. O que isso significa? Sabotar a própria vida significa agir, muitas vezes, de forma inconsciente, como sendo seu próprio opositor, ou seja, fazer o contrário do que traria a felicidade e a realização pessoais. Há pessoas, por exemplo, que estão quase sempre sentindo culpa porque estão gozando de algum benefício e por isso, cessam a fonte de acesso a este benefício, fazendo de tudo para que aquela satisfação acabe e assim, se sentindo mais “confortável” (no sentido doentio da coisa) porque, desta maneira, continua sofrendo como acha que merece.

A solidão acaba sendo uma grande vilã, ainda, pela dificuldade que o ser humano possui de lidar consigo mesmo, devido a processos educativos equivocados que ensinaram, erroneamente, que ser feliz só é possível apenas quando se é amado por alguém. Evidentemente, precisamos, sim, ser amados, se não seremos infelizes, mas, em concomitância, amar-se é uma condição precípua para que o espírito se torne autônomo e responsável pelas suas próprias escolhas, aprendendo a discernir o que lhe faz bem e o que lhe compromete o avanço evolutivo. A regra do Cristo é clara sobre o amar e amar a si mesmo, não admite qualquer tipo de dúvida, logo, estamos vivendo um momento evolutivo desafiador para efetivamente aprendermos a ciência do amar-se e em decorrência amar o próximo.

Sendo assim, precisamos ensinar nossas crianças a, desde a tenra idade, desenvolver tanto o espírito cooperativo quanto a capacidade de estar consigo, pois, há momentos que precisamos estar com os outros e há momentos que podemos apenas contar com a própria iniciativa, pois trata-se da responsabilidade pessoal que todos temos, isto é, aquilo que Jesus nos ensinou sobre “a cada um segundo as suas obras.”

O espírito que sabe compreender o exposto acima terá mais possibilidade de melhor lidar com a presença e a ausência do outro. A solidão passará à ter outro significado mais voltado à ideia de momento em que o indivíduo está consigo, contando com seu próprio empenho e dedicação a si, logo, vivenciando o aspecto intransferível da sua vida. Porém, para que isso se dê torna-se necessário o cultivo da fé raciocinada como bússola infalível para construção paulatina da felicidade interior. A fé em Deus, como certeza absoluta de que não estamos à deriva no mar da vida, é âncora segura do espírito para que ele dê sentido a sua jornada, confiando tranquilamente nos desígnios das leis divinas e no poder transformador de cenários tanto internos quanto externos das situações que chegam até nós.

O medo da solidão expressão à dificuldade que o espírito ainda nutre quanto aos recursos que nosso Pai Maior nos envia dentro e fora de nós. Muitas vezes, o hábito de pensar e viver fora dos parâmetros das Leis de Deus cria em nós uma crença equivocada de que não merecemos o amor, a paz e as harmonias decorrentes de quem decide sempre pelo esforço de praticar o Bem e as leis benditas e libertadoras inscritas na consciência de cada um de nós.

 

 

Referências Bibliográficas:

NETO, Francisco do Espírito Santo. “Conviver e Melhorar”, 1999.

 

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/11-Revista_CELD_Novembro-2018.pdf

 

 

 

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