O neurocirurgião Nubor Orlando Facure,
coordenador do Instituto Mente e Cérebro, em Campinas, SP,
analisou alguns termos que foram veiculados exaustivamente na mídia
em função da aprovação pelo Supremo
Tribunal Federal de lei que autoriza a mulher à interrupção
da gravidez de fetos anencéfalos.
O médico afirma que "o Supremo Tribunal
sempre esteve à margem da sociedade brasileira, atuando acobertado
pelo manto de uma magistratura tida como sábia, competente
e presunçsamente suficiente". Diante da evidência
da mídia, segundo ele, "percebemos em seus pareceres
que seus juízes utilizam de um texto rebuscado, hermético,
com palavras bem escolhidas no que há de melhor no vernáculo,
mas quando se expõem na emissão de conceitos sobre
a vida e de juízo de valores sobre a pessoa humana deixam
muito a desejar".
Vejamos o que diz o neurocirurgião
Nubor Orlando Facure:
O que é vida?
Um dos grandes gênios da física quântica, Erwin
Schrodinger, em 1943, nos deu uma definição de ordem
física sobre a vida baseada em dois princípios que
são fundamentais para se caracterizar um organismo como ser
vivo: esse organismo precisa se reproduzir, transmitindo seus atributos
aos descendentes e o desgaste do seu trabalho metabólico
não pode produzir desarranjo entrópico. Seu gasto
energético tem de ser reposto para manter o equilíbrio.
Como esses dois fundamentos são cumpridos nos organismos
vivos?
Schrodinger nos propõe:
1 – A natureza da hereditariedade – os genes seriam
um cristal aperiódico contendo um código de natureza
probabilística.
2 – A termodinâmica dos seres vivos mantém a
ordem a partir da desordem. O organismo se organiza internamente,
criando a desordem no meio externo.
Quem é a pessoa
humana?
A ciência irá aos poucos reunindo provas da necessidade
de um elemento imaterial que como uma fôrma sustenta a forma
do corpo físico. Paulo de Tarso falava de "corpo espiritual"
e Claude Bernard em "ideia diretriz" sustentando a arquitetura
material de todos os organismos. Esse "corpo mental" tem
sido objeto de experimentação neurocirúrgica
nos últimos anos e ele coincide, em parte, com os inúmeros
relatos sobre "experiências fora do corpo" que a
literatura leiga e especializada nos fornece aos milhares.
Mas isso ainda é pouco para responder por completo a extensão
da nossa identidade como pessoa. No comando de toda maquinaria orgânica,
especialmente cerebral, está atuando uma "entidade espiritual"
que representa nossa mais nobre constituição. Somos
Espíritos imortais percorrendo a fieira de vidas que se sucedem
aos milhares, aperfeiçoando o corpo e burilando o espírito
em direção à angelitude.
Espírito e matéria
Não existe a matéria isoladamente. Toda ela está
sempre sustentada por um elemento imaterial que lhe concede a forma.
E é esse "princípio imaterial", que no decorrer
de bilhões de anos, da origem ao "princípio inteligente"
de onde, outros bilhões de anos adiante, iniciam nossos espíritos
a sua jornada evolutiva.
Estamos mergulhados no pensamento de Deus e, em tudo, há
vida espiritual, estando o Universo todo em sintonia com Ele.
O cérebro e a pessoa
Inúmeras falácias modernas atribuem nossa atividade
mental exclusivamente ao nosso cérebro quando, na verdade,
é a pessoa humana quem produz a mente usando o cérebro
como instrumento.
Em primeiro lugar, todos sabemos que existe uma conectividade permanente
entre o corpo e o cérebro, tanto através de informações
conscientes como inconscientes. Num ambiente que sofre uma mudança
de temperatura o nosso corpo informa ao cérebro a sensação
sobre o calor que está ocorrendo no ambiente. De repente,
a gente tira um agasalho e levanta para abrir uma janela ou ligar
o ar condicionado. Ao nível inconsciente, sem participação
do cérebro, nossas glândulas sudoríparas liberaram
grande quantidade de suor.
O corpo mental
Nós temos um corpo de origem mental que tem pouco a ver com
a atividade do cérebro. É fácil de ser percebido
diante do espelho. A garota adolescente, ao se ver no espelho, não
se identifica com a imagem que está sendo refletida, ela
vê um corpo imaginário, quase sempre em desacordo com
o que vê. Suas medidas são perfeitas, mesmo assim,
a maioria das garotas na adolescência se sentem gordas diante
do espelho.
Malformações
fetais
As deformações congênitas do feto não
excluem a existência de uma mente, já que ela pode
expressar suas emoções pelo corpo físico, mesmo
sem um mínimo de racionalidade nos moldes que a reconhecemos.