A respiração restauradora
Nossa sugestão é que
fenômenos desse tipo sejam rotulados de “fenômenos
espírito-somáticos” . Seu estudo abrange
uma grade de fenômenos que pode nos levar conhecer leis gerais
da fisiologia que integra o corpo à alma.
A fixação do pensamento
A neurofisiologia sugere que o pensamento é
um processo contínuo que se expressa na atividade dos neurônios
do cérebro. Nossas idéias nascem a partir de estímulos
externos que atingem os órgãos dos sentidos ou por
mecanismos internos de percepção e memórias
acumuladas no decorrer da vida.
O neurônio
foi identificado como célula fundamental a partir do momento
que técnicas de coloração permitiram o reconhecimento
da sua estrutura. Quando Camillo Golgi em 1873
usou uma tintura de prata para corar o cérebro, foi possível
perceber que alguns neurônios se impregnavam com essa coloração
revelando o corpo celular e seus prolongamentos, inaugurando, a
partir daí, uma revolução extraordinária
no conhecimento do cérebro.
Nessa mesma época (final
do século XIX), Franz Nissl, consegui corar
os neurônios com o violeta de cresil, descobrindo no citoplasma
o amontoado de uma substância de aparência “tigróide”
que ficou conhecida como “corpúsculos de Nissl”.
Os estudos atuais revelaram que esses corpúsculos correspondem
a uma estrutura membranosa denominada Retículo Endoplasmático
Rugoso que tem a função de construir proteínas
dentro dos neurônios. Algumas dessas proteínas farão
parte das membranas celulares e outras participarão de enzimas
que atuam na produção de nurotransmissores.
A membrana que reveste os neurônios
é formada por duas camadas de uma substância gordurosa
fosfolipídica. Essa camada é impermeável, isolando
o conteúdo interno dos neurônios dos fluidos extracelulares.
Ela é, porém, interrompida por “portões”
de proteínas que constroem os canais que permeabilizam as
membranas. É através desses canais de constituição
protéica que entram ou saem íons e substâncias
que afetam a atividade dos neurônios (sódio, potássio,
cálcio, neurotransmissores, tranqüilizantes, antidepressivos
e drogas como a cocaína, para citar exemplos mais conhecidos)
.
Por outro lado, as enzimas são
indispensáveis para a produção dos neurotransmissores
que realizam toda transmissão da informação
entre os neurônios.
Pode-se depreender que os corpúsculos
de Nissl, estando diretamente ligados a produção de
proteínas, exercem um papel fundamental na fisiologia cerebral.
André Luiz,
em psicografia de 1958 (Evolução em dois Mundos),
destacou a importância dos corpúsculos de Nissl ensinando
que aí a mente fixa seus propósitos transmitindo pelo
pensamento as idéias que o Espírito projeta no cérebro.
A partir das percepções dos sentidos, o Espírito
renova suas idéias, projeta na rede de neurônios sua
energia que resulta em pensamentos capazes de se adequarem no cérebro,
produzindo nossos atos.
Um neurônio, em constante
atividade, vai expandindo suas sinapses fixando o aprendizado que
a experiência vai lhe fornecendo. Em cada sinapse se ajustam
os canais de transporte químico fundamentais a troca de informações
entre os neurônios. Tanto esses canais, como os neurotransmissores,
são construídos a partir de proteínas montadas,
principalmente, dentro dos corpúsculos de Nissl. Portanto,
afirmar que o Espírito exerce atuação direta
nos corpúsculos de Nissl, como ensinou André Luiz,
nos permite supor que é o Espírito que em última
análise constrói o tipo de neurônios que estrutura
o cérebro de cada um de nós.
A coesão da população celular
O organismo humano é formado por mais de 300 trilhões
de células em constante renovação. Os diversos
órgãos que o compõem, se estruturam em diferentes
camadas de tecidos que reúnem células típicas
e variadas. Temos em nosso corpo para mais de 250 tipos diferentes
de células, incluindo os neurônios, as células
da glia que sustentam o cérebro, os hepatócitos, as
células musculares, as gordurosas, as epiteliais que revestem
a pele e assim por diante.
A Ciência atribui ao programa
impresso no genoma todo esse projeto de distribuição
e organização do gigantesco universo celular que constrói
nosso corpo. Falta-nos, entretanto, uma teoria adequada ao gigantismo
dessa tarefa, já que, só de neurônios temos
dezenas de tipos morfológicos, num total de 100 bilhões
de células, exigindo conexões sinápticas que
ultrapassam a trilhões de ligações absolutamente
precisas. Precisamos lembrar que no útero materno o embrião
constrói 250 mil neurônios por minuto. Torna-se uma
tarefa espantosa para os poucos 33 mil genes que trazemos como patrimônio
genético.
A doutrina espírita ensina
que o molde que nos estrutura o corpo físico é função
do perispírito que nos ajusta ao mundo espiritual.
Estão nesse perispírito todos os traços que
identificam nosso mundo mental. Entretanto, a feição
física que aparentamos e os estigmas de doenças nos
marcam não se reproduzem como uma cópia fotográfica
fiel do nosso perispírito. As pessoas de aparência
simples mas de Espírito nobre irradiam uma tessitura espiritual
que se sobressai diante das imagens de beleza que a mídia
costuma dar destaque, especialmente para o corpo feminino. A presença
de deformidades físicas está ligada aos nossos méritos
e necessidades, adequadas aos débitos pretéritos que
acumulamos, mais do que a aparência do perispírito.
Nem sempre os aleijões acompanharão o Espírito
após a desencarnação.
Allan Kardec sugere
que o conhecimento do perispírito tem muito a colaborar com
a Medicina para esclarecimento de nossas doenças. Mas recorremos
de novo a André Luiz para nos surpreender com suas revelações.
Ele ensina que pela atuação de nossa mente, mantemos
coesas as trilhões de células que compõem o
nosso corpo. Essa atividade dá às nossas atitudes
uma responsabilidade enorme no compromisso que temos em zelar pelo
nosso equilíbrio físico. Porém, as surpresas
não param por aqui. André Luiz afirma que cada uma
dessas células é um universo microscópico onde
estagia o princípio inteligente, constituindo cada célula
que abrigamos em nosso corpo uma unidade com individualidade própria,
sobre as quais temos imensa responsabilidade de sustentar e conservar.
São “almas” irmãs, que em estágio
primitivo, percorrem conosco as lutas da vida física, emprestando
ao Espírito humano a dádiva do seu metabolismo.
Os centros de força
A cultura milenar do oriente registra em seus livros sagrados a
existência de centros de força, ou chacras,
de localização constante no corpo espiritual de todos
nós. Eles se localizam no cérebro e em plexos distribuídos
pelo nosso corpo nas regiões da laringe, do estômago,
do baço, do plexo celíaco relacionado com o trato
digestivo e região genital.
São em número de dois
no cérebro, o chacra cerebral localizado na região
frontal e o chacra coronário nas regiões centrais
do cérebro.
Os lobos frontais passaram por um
processo extraordinário de expansão quando se iniciou
a evolução do ser humano na Terra. O lobo frontal
é a região que mais nos distingue do cérebro
de um chimpanzé. Estão relacionados com nossos pensamentos
abstratos, com nossa capacidade de classificar os objetos, de organizar
nossos atos e programar nosso futuro. Sem o lobo frontal o homem
se torna irresponsável, perde a capacidade de organizar as
coisas num ambiente, deixa de se preocupar com os outros, pode se
tornar jocoso e não percebe a gravidade da situação
em que vive. É o lobo frontal o que mais nos torna humanos.
André Luiz
nos diz que o chacra cerebral, de localização frontal,
nos permite estar em união com as esferas mais altas que
direcionam nossos destinos na Terra. Através da oração,
projetando a súplica piedosa ou o agradecimento sincero,
mantemos contato com os seres sublimes que nos orientam e protegem.
Na região coronária
podemos apontar três níveis estratificados anatomicamente.
O córtex, os núcleos da base e o diencéfalo.
O córtex cerebral da região coronária se relaciona
com a atividade motora que nos facilita os movimentos voluntários.
Nos núcleos basais (tálamo, putamem, globo pálido
e caudado) são organizados nossos movimentos automáticos,
que nos permitem realizar a respiração, a deglutição,
a mastigação e a marcha, para citar exemplos fáceis
de compreendermos. E, finalmente, o diencéfalo reúne
um agrupamento de células que desempenham papel importantíssimo
no controle de nossas funções metabólicas,
intimamente associadas a nossa sobrevivência. No hipotálamo,
que compõe parte importante do diencéfalo, são
produzidas dezenas de substâncias que controlam a atividade
das nossas glândulas, funcionando como estimuladores da produção
de hormônios na hipófise, na tireóide, na supra-renal,
nos ovários e nos testículos entre tantas outras glândulas.
André Luiz ensina que no
chacra coronário estão situadas as forças que
mantém em equilíbrio a atividade dos trilhões
de células que obedecem nosso comando mental, mantendo a
forma e as funções do nosso corpo físico.
Os milhares de anos que nos separam
do espiritualismo oriental não trouxeram maiores esclarecimentos
à ciência médica, que não consegue identificar
em seus fundamentos qualquer sinal da existência dos chacras.
Mesmo assim, convém considerarmos alguma hipótese
para tentarmos relacionar os chacras com a atividade cerebral. É
clássico estudarmos o cérebro em seu aspectos modulares
destacando as funções motoras, sensoriais, linguagem,
memória, calculo, emoções entre tantos outros.
Essas atividades são processadas por circuitos limitados
a uma determinada área cerebral. Existe, porém, um
outro arranjo funcional que a neurologia destaca como um conjunto
de agrupamentos neurais que exercem sua ação de modo
difuso, incluindo múltiplas vias neurais e suas áreas
de repercussão. É o caso, por exemplo, dos sistemas
de ativação ascendente que tem a propriedade de nos
manter alertas ou em pleno sono.
De maneira simplificada, podemos
considerar pelo menos três sistemas de atuação
global, habitualmente rotulados de “sistemas modulatórios
de projeção difusa”. O sistema hipotálamo-secretor,
o sistema neurovegetativo e, o sistema de relação
com neurotransmissores como o dopaminérgico, o seratoninérgico
e o noradrenérgico, estando os três fortemente relacionados
com transtornos mentais diversos. São eles que, nesse artigo,
queremos sugerir, com hipótese, estarem relacionados com
os chacras cerebral e coronário.
Considerando os chacras que se expressam
no cérebro, podemos notar sua coincidência com os “sistemas
de atuação difusa”. No chacra frontal,
predomina o sistema dopaminérgico responsável pela
expressão do pensamento abstrato e insersão na realidade
física. Doenças como a epilepsia e as demências
frontais levam a uma deteriorização da mente desses
pacientes que se tornam completamente dissociados do mundo físico
em que vivemos. Na região do chacra coronário, vimos
o significado do controle endócrino realizado pelo eixo diencéfalo-hipofisário.
Essa atividade glandular orquestrada é indispensável
para a manutenção do nosso metabolismo, sem o qual
a vida nos seria impossível.
A corrente sanguínea
e a energia vital
É muito fácil de se aceitar a idéia de que
nossa vida está intimamente ligada ao coração.
Aristóteles afirmava que a Alma aí se localiza porque
qualquer ferimento nele leva imediatamente à morte.
Nos dias de hoje, alunos do primário
já aprendem que os batimentos do coração impulsionam
o sangue pelas aterias, que depois se difundem pelos capilares e
retorna pelas veias. Nesse retorno o sangue passa pelos pulmões
de onde retira o oxigênio que a respiração fornece.
Temos cerca de seis litros de sangue circulando pelo nosso corpo
e mais ou menos vinte por cento dele vai para o cérebro.
Enquanto entra pelas artérias e sai pelas veias, o sangue
circula dentro do cérebro em exatos seis segundos.
Assim que ocorre a morte, as artérias
do cadáver estão vazias, já que a última
batida impulsiona todo sangue para as veias. Essa observação
levou Galeno a sugerir que as artérias estariam
sempre cheias de ar. Ele propunha, também, que circula junto
com o sangue um elemento imaterial que denominou pneuma vital. Esse
fluido nasce no coração, distribui-se pelo corpo e,
se transforma no pneuma animal ao atingir o cérebro, nos
permitindo perceber o mundo pelos sentidos e a reagir com os nossos
movimentos aos seus estímulos. A idéia de um “espírito
animal” produzindo nossos reflexos, foi também adotada
por René Descartes e por Thomas
Willians, tendo aceitação médica por
muitos séculos. Para Willians, os corpúsculos do “espírito
animal”, percorreriam os nervos para pôr em ação
os nossos movimentos.
Nos dias de hoje, sabemos da importância
da circulação sanguínea distribuindo por todo
organismo não só o oxigênio que nos sustenta
a vida mas um número insuspeitável de substâncias
ligadas à manutenção do metabolismo celular
e de todo sistema imunológico.
André Luiz nos traz conhecimentos
novos nessa área também. Diz o conhecido Espírito
que junto com a circulação sanguínea circula
o “princípio vital” indispensável
à sustentação da vida. Ensina Kardec
que é o princípio vital quem dá vida
à matéria orgânica. Cada um de nós
o tem disponível enquanto encarnados, consumindo nossa cota
com o decorrer dos anos. Ele procede do “fluido cósmico
universal” que nos abastece conforme nossas atitudes nos compromissos
da vida. A meditação, a prece e o impulso que nos
predispõe a amar ao próximo, fornecem a substância
e a renovação do princípio vital. Ele nos penetra
pela respiração, o que nos faz lembrar um dos mais
belos versos da Bíblia – E Deus fez o Homem do barro
da Terra e soprou em suas narinas o sopro da vida.
Anaxágoras
considerava que o ar era a substância primitiva de onde procede
tudo que existe. A relação do ar com a vida sempre
foi aceita em muitas culturas. Nos livros de Galeno, as expressões
espíritos e pneumas (ar) são equivalentes.
Aprendemos com André Luiz
que o princípio vital é absorvido pela respiração
e percorre todo organismo acompanhando a circulação
do sangue.
A Glândula Pineal
e sua fisiologia espiritual
Essa glândula situada no meio
do cérebro já é conhecida há mais de
dois mil anos e, mesmo assim, o que sabemos sobre ela é tão
pouco que, nos tratados clássicos da neurologia, ela ainda
não despertou interesse para merecer mais que citações
curtas de algumas linhas sobre o hormônio que ela secreta
- a melatonina.
A pineal é o relógio
biológico que sinaliza um dos momentos mais importantes
da vida, o despontar da sexualidade. Por ocasião da adolescência
a pineal reduz a produção da melatonina ocorrendo,
a partir daí, o desenvolvimento dos órgãos
externos ligados a atividade sexual.
Até hoje é possível
de se perceber, em determinados animais, que a pineal pode se comportar
funcionalmente como um terceiro olho. Nesses animais a pineal está
situada acima do crânio funcionando a modo de um periscópio
que exerce um papel de vigilância para o animal. Não
se deve estranhar, portanto, a forte sensibilidade que a nossa pineal
tem para com a luz. A entrada da luz, que atinge a pineal pelas
fibras nervosas que nosso nervo óptico conduz, reduz a produção
de melatonina. No ambiente escuro, aumenta acentuadamente a produção
do hormônio. Todos sabemos que os ursos hibernam em cavernas
durante meses de escuridão e, nessa ocasião, o aumento
da melatonina produz o entorpecimento do seu interesse sexual, que
depois volta a se revelar no alvorecer da primavera.
O hormônio da pineal
tem ligação direta com o depósito de melanina
na nossa pele. Ele tem um efeito clareador diminuindo a pigmentação
da pele. Isso justifica, por exemplo, a cor esbranquiçada
dos bagres que vivem nas profundezas de águas escuras.
A melatonina tem sido utilizada
como tranqüilizante produzindo relaxamento e sonolência.
Foi experimentada também no tratamento de dores de cabeça
e de epilepsia, mas em todos esses quadros o efeito da melatonina
é muito pobre.
André Luiz, através
de Chico Xavier, trouxe-nos informações inéditas
e surpreendentes sobre o papel da pineal quando observada a partir
do plano espiritual.
Sensível às irradiações
eletromagnéticas, nossa pineal é sintonizador dos
fenômenos de comunicação mental, mantendo-nos
em permanente ligação com todos aqueles que compartilham
conosco a mesma faixa de vibração.
Nos processos mediúnicos,
a aproximação espiritual se vale da pineal para difundir
sua mensagem até as diversas áreas cerebrais que ressoam
sua transmissão.
Nas encarnações, que
a misericórdia divina nos permitiu transitar pela Terra,
nos enredamos em situações onde tivemos oportunidade
de cultivar relações afetivas profundas, ao mesmo
tempo em que fomentamos rivalidades e discórdias das mais
variadas conseqüências. Como a Lei divina não
exclui ninguém dos reajustes necessários, será
através da pineal que iremos encontrar, mais cedo ou mais
tarde, aqueles mesmos amores sinceros que nos incentivarão
a progredir e os inimigos do passado que nos exigirão saldar
as dívidas e os compromissos.
Entretanto, por mais que a anatomia
cerebral possa nos revelar, não reconhecemos nas vias que
emergem da pineal qualquer indicação dessa extraordinária
participação da glândula em nossa vida mental.
Como explicar, em vista disso, o que nos esclarece André
Luiz? Pressuponho que será necessário conhecermos
qual é o mecanismo de atuação do Espírito
sobre o cérebro. Daí, nosso propósito de reunirmos
esse conjunto de fenômenos que sugerimos sejam tratados de
fenômenos “espírito-somático”.
No quadro dessa notória “fisiologia
espiritual” que André Luiz dá destaque,
creio que a chave para sua compreensão está na participação
do chamado “fluido universal”, tão
conhecido no meio espírita.
Ensinam os Espíritos que
elaboraram a doutrina com Allan Kardec que os fluidos servem de
veículos para a transmissão do pensamento. Derivado
do fluido cósmico universal, ele inunda o Universo, nos envolvendo
a todos, nos permitindo compartilhar do “Hálito Divino”
que nos alimenta.
Na vida física, atuamos pelas
vias nervosas que nos estrutura os neurônios, suas imensas
redes de comunicação e sua extraordinária química
que sintetiza e conjuga os neurotransmissores. Na dimensão
espiritual estaremos usando esse elemento sutil, fluídico,
que obedece a vontade que a mente direciona, permitindo-nos criar
através da fisiologia espiritual uma dispersão muito
mais ampla nos seus efeitos fisiológicos.
Quando Louis Pasteur,
descortinou o imenso campo da microbiologia, esse conhecimento novo
nos permitiu esclarecer a dinâmica da etiologia das doenças
infecciosas. A descoberta do DNA abriu novas áreas
para esclarecimento das chamadas doenças de origem genética.
Entretanto, o estudo dos fluidos e suas propriedades poderá
nos revelar uma nova fisiologia e, como conseqüência,
as doenças que seus desvios provocam. A presença desses
fluidos, está intimamente relacionada com nosso padrão
de atividade mental. A literatura espírita é farta
em afirmar que, todos nós, somos expressão da vida
mental que nós mesmos escolhemos construir e refletimos em
nossa aparência a composição fluídica
que selecionamos.
Os desequilíbrios mentais,
que a neurobiologia de hoje entende como decorrentes
das alterações em neurotransmissores, com certeza,
iniciam sua perturbação a partir dos fluidos que permitimos
nossa mente projetar no cérebro, desviando a química
que nos preside o equilíbrio do pensamento.
A Ectoplasmia
A partir dos fenômenos das mesas girantes, a mediunidade proporcionou
aos pesquisadores do século XIX uma imensa variedade de manifestações
físicas, entre elas a materializações de entidades
espirituais. Nessa fenomenologia é mobilizada uma grande
quantidade de ectoplasma permitindo o estudo da sua elaboração
e constituição química. Todos os que estão
presentes no ambiente da experimentação estarão
doando uma cota maior ou menor de fluidos mas é do médium
que sae, por todos seus poros e orifícios de excreção,
o material mais ou menos denso que permitirá a presença
das silhuetas que se corporificarão no ambiente onde o público
aguarda.
No âmbito do estudo que estamos
abordando, interessa anotar que o conteúdo bioquímico
do ectoplasma procede na esfera física, do citoplasma das
células do aparelho mediúnico. Em conjugação
com os fluidos dos dois planos da vida é que o fenômeno
adquire as propriedades de transição que permitem
aos espíritos adentrarem a nossa dimensão.
A Respiração
restauradora
O ar, como fonte insubstituível de vida, é percepção
do senso comum a qualquer de nós. O ato de respirar está
intimamente ligado a nossa sobrevivência. Anaxágoras
atribuía ao ar a origem de tudo. A Bíblia registra
que recebemos a vida a partir do sopro de Deus. Nos textos de Galeno,
como já notamos, as expressões espírito e pneuma
(ar) eram equivalentes. Para ele o pneuma vital era absorvido pelos
pulmões e circulava do coração até ao
cérebro para nos manter vivos. Na cultura oriental os exercícios
respiratórios têm indicação mais importante
que a atividade muscular.
Um dos fundamentos da doutrina espírita
é de que a vida decorre da presença do principio vital
que vivifica a matéria orgânica dando-lhe a propriedades
de reagir.
A atividade constante dos nossos
órgãos se faz as custas desse princípio vital
e seu esgotamento leva o corpo a morte. Por outro lado, nossa atividade
mental nos permite absorver da espiritualidade os fluidos que agregam
elementos para sustentação do principio vital. Mais
atividade corresponde a mais vida, tanto do ponto de vista físico
como espiritual.
André Luiz nos aponta
em seus textos que a respiração é porta de
entrada restauradora para a realimentação de nossas
energias vitais.