Introdução
O conhecimento e a prática médica na
atualidade estão fundamentados em postulados típicos
daquilo que costuma ser chamado nos dias de hoje de conhecimento
científico. Com este “Status” de Ciência,
a medicina usufrui das vantagens de um atributo metodológico
para confirmação das suas hipóteses e formulação
das suas teorias. Esta mesma base exclusivamente científica,
restringe, no entanto, sua capacidade de responder questões
vitais para o ser humano, além de a tornar, tão vulnerável
e transitória, como tem sido todo conhecimento científico
na história da humanidade.
Enquanto corre atrás de respostas complexas usando equipamentos
sofisticados para desvendar a intimidade da biologia molecular, a
Medicina de hoje deixa ainda sem respostas questões básicas
como a natureza e o sentido da vida.
Inúmeras vezes na história da medicina a explicação
racional para determinadas situações de doença
só puderam ser compreendidas quando se estabeleceram novos
paradigmas para sua interpretação. Enquanto
não foi descoberto a existência das células, não
compreendemos o funcionamento dos órgãos, enquanto não
identificamos o inconsciente, não reconhecemos os mecanismos
que operam a mente.
No que se refere ao ser humano integral, o Espiritismo tem condições
de revelar paradigmas fundamentais para uma revolução
no conhecimento médico.
Esta doutrina deixa claro que a origem e a justiça do sofrimento
humano só serão reconhecidos, por inteiro, quando aceitarmos
nossa natureza espiritual como a única forma possível
de dar sentido a vida e justificar nosso destino.
OS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS
Codificada por ALLAN KARDEC na segunda metade do século passado,
a Doutrina Espírita expõe uma série de postulados
não dogmáticos ditados por espíritos evoluídos
que se utilizaram de médiuns de diversas partes da Europa,
principalmente da França. Allan Kardec organizou de forma didática
e sistemática estes ditados mediúnicos formando um conjunto
de obras tidas como básicas para o estudo da Doutrina Espírita.
Dentre elas, a primeira e mais destacada é O Livro
dos Espíritos que, na forma de perguntas e respostas,
expõe toda sua base doutrinária. Considerando a área
médica em particular, a literatura espírita, posterior
a Allan Kardec, foi enriquecida de forma extraordinária com
as publicações mediúnicas do espírito
André Luiz através da psicografia de Francisco Candido
Xavier.
Focalizando as obras de Kardec e André Luiz podemos anotar
que a doutrina espírita estabelece postulados fundamentais
cuja orientação doutrinária tem repercussões
significativas na área médica.
Ensinam os espíritos que somos seres imortais, criados por
Deus, sujeitos, como todos os seres da natureza, a um processo evolutivo
que visa o progresso incessante de todas as criaturas, sem exceção
e sem retrocesso, que se fundamenta nas leis de reencarnação.
A reencarnação, no estágio evolutivo em que nos
encontramos, ocorre sempre na espécie humana, em qualquer sexo
ou raça.
O nascimento não representa o início da vida, nem a
morte o seu fim.
Tanto o nascimento como a morte física obedecem a desígnios
de objetivos superiores visando o aprimoramento contínuo, segundo
critérios da mais absoluta justiça.
Prevalece para todos a lei universal de ação e reação
de modo inflexível e infalível.
A natureza física do corpo é para o ser humano apenas
uma de suas expressões. O corpo físico nos permite interagir
no ambiente material onde estamos inseridos. Cada um de nós,
no entanto, é uma entidade espiritual organizada e independente,
que sobrevive a morte e que se aperfeiçoa nos diversos corpos
físicos que vai tendo oportunidade de utilizar com as reencarnações.
A união do corpo físico, carnal, com o espírito,
que é sempre o senhor de nossas ações, se processa
através de um organismo intermediário de constituição
“semimaterial” chamado perispírito ou corpo espiritual.
Nas propriedades deste corpo intermediário ( perispírito
) se justifica toda uma série de fenômenos de intercâmbio
entre nós e o mundo espiritual e nos apontam para uma linha
de pesquisa fundamental para o esclarecimento das doenças humanas.
São chamados de fenômenos mediúnicos certas manifestação
de efeitos físicos ou intelectuais que os espíritos
desencarnados provocam através de pessoas dotadas de condições
especiais, por isto denominados de médiuns. O corpo espiritual
destes médiuns ampliam sensibilidades específicas para
possibilitar este tipo de manifestação.
Os espíritos desencarnados habitam o mundo espiritual que,
de certa forma, nos envolve, expandindo porém em dimensões
inacessíveis as nossas limitações materiais.
No mundo espiritual, conservamos o perispírito que, na dependência
da nossa conveniência, repete a aparência do corpo físico
que possuímos quando encarnados.
Os espíritos convivem constantemente conosco, atuando sobre
nossos procedimentos, tanto física como moralmente, através
de sugestões. Eles mantém uma atuação
direta sobre nós, na dependência da nossa aceitação
e assimilação, conforme princípios de sintonia
e afinidade. No mundo espiritual prevalece também, para a afinidade
e a convivência entre os espíritos, os mesmos princípios
segundo o qual, o que aproxima ou afasta os espíritos entre
si, é o padrão vibratório (mental) que depende
do grau de evolução espiritual de cada um. Para cada
estágio evolutivo corresponde determinado padrão de
vibração mental que, por sintonia, aproxima espíritos
de padrão vibratório semelhante.
Há em todo Universo um elemento fundamental denominado de Fluído
Cósmico Universal de onde se originam todos os elementos tanto
do mundo material como do mundo espiritual. Uma vez criadas as condições
físicas adequadas, a matéria orgânica preparada
na Terra, recebeu o Princípio Vital que possibilitou o desenvolvimento
da vida no planeta. O Principio Vital foi se expandindo em cada ser
vivo à medida em que os organismos iam se aprimorando sob os
efeitos de seleção que a evolução exigia.
Ao mesmo tempo, o elemento espiritual primordial, foi adquirindo complexidade
até o desabrochar da consciência e da inteligência
que permitiram a incursão da espécie humana na Terra.
A energia emanante do espírito é o pensamento. Como
fonte plasmadoura de idéias, o pensamento, é capaz de
agregar elementos do Fluído Cósmico, construindo um
material “idealizado” que constroe o ambiente espiritual
em torno de nós.
As imagens mentais produzidas pelo pensamento de toda humanidade cria,
em torno do planeta, uma atmosfera espiritual condizente com o teor
destes pensamentos.
DISCUSSÃO
Sem a pretensão de ter esgotado os enunciados da doutrina espírita,
podemos nos ater apenas aos que enumeramos para deduzir uma seqüência
extensa de informações inovadoras para a ciência
médica. Paradigmas fundamentais como a descoberta do mundo
microbiano, (Pasteur) da circulação do sangue, (Harvey),
da homeostase, (Claude Bernard), da psicodinâmica do inconsciente,
(Freud), da seleção natural (Darwim), promovendo as
transformações evolutivas dos organismos, trouxeram
com suas teorias mudanças na interpretação dos
fatos. A cada nova ordem de conhecimento que cada um destes paradigmas
introduzia, ocorreram mudanças de atitudes nos procedimentos
médicos.
Nenhum destes paradigmas, nem qualquer outro que possamos citar, teve
a pretensão de revelar uma verdade acabada e sem contestações.
Os paradigmas espíritas estão dentro desta mesma ordem
de propósitos. Trata-se de um conhecimento inovador, que esclarece
razões fundamentais para a doença e o sofrimento e vai
modificar substancialmente nossas atitudes diante dos doentes. Entretanto,
esta nova interpretação para os acontecimentos, não
suprime o esforço da pesquisa nem a experiência que se
conquista com o trabalho perseverante. Os postulados espíritas
não se propõem, por exemplo, para a busca de um suposto
agente etiológico para uma moléstia cuja causa atual
é desconhecida. O que o conhecimento espírita introduz,
de forma racional e passível de comprovação experimental,
é o elemento espiritual na essência fundamental de todo
acontecimento relacionado com a vida na Terra.
CORPO ESPIRITUAL OU PERISPÍRITO
A literatura espírita registra três elementos fundamentais
na constituição do ser humano. O espírito, nosso
eu inteligente, dotado de competência para criar as idéias
e manter a unidade do organismo. O corpo físico, estruturado
a partir do aglomerado celular que o compõe e que sustenta
seu estado de vitalidade às custas do Princípio Vital
que emana do Criador. O perispírito, um organismo intermediário
que possibilita a atuação no corpo físico, da
energia que emana do espírito.
Após a morte, o espírito desencarnado continua dispondo
do perispírito para sua apresentação. Embora
tenha fundamentalmente a mesma natureza, há diferenças
na disposição orgânica do perispírito do
homem enquanto encarnado e do espírito no mundo espiritual.
O perispírito tem natureza coloidal que lhe faculta propriedades
eletromagnéticas sutilmente sensíveis à energia
mental emitida pelo espírito que o controla. A ligação
entre o perispírito e o corpo físico se processa na
intimidade das ligações de partículas subatômicas
ao nível das quais não se distingue os limites precisos
onde termina o corpo físico e onde se inicia o corpo espiritual.
A natureza do perispírito é dita “semimaterial”,
pela falta de terminologia mais adequada e não difere dos mesmos
elementos fundamentais que organizam nosso mundo físico. A
diferença em comprimentos de ondas em que se expressa a “matéria
física” e a “matéria espiritual” é
que as expõe em “realidades” diferentes. O corpo
espiritual exerce um papel plasmador e estruturador da forma física
que o corpo humano assume durante a vida. Pelo conhecimento espírita
sabemos que as mudanças evolutivas que foram transformando
os organismos vivos na Terra, foram programadas e articuladas primordialmente,
nos corpos espirituais, antes de se processarem por conseqüência
inevitável, nos organismos que a biologia terrena desenvolveu.
Através da força que a vibração mental
impõe ao perispírito, este pode sofrer modificações
quanto à forma e a aparência. Espíritos elevados
tem o mais amplo domínio sobre seus perispíritos, enobrecendo
sua aparência e, irradiando através deles, uma luminosidade
extraordinária.
Por outro lado, tanto o homem comum, como os espíritos de mediana
evolução, mostram em seus corpos espirituais, expressões
e formas que denunciam sua pobreza de pensamentos. Quase sempre, por
persistirmos em vibrações mentais de conteúdo
vulgar e de franca animosidade, estamos todos enegrecidos por irradiações
de baixo nível espiritual.
Prevalece no perispírito do homem encarnado a mesma composição
celular e disposição dos órgãos físicos.
Enquanto o corpo humano atua como um fator limitante da expressão
plena do potencial espiritual de cada um, o perispírito, registra
e acumula toda experiência de nossas múltiplas encarnações,
além de dispor de forma expandida, de todas as percepções
da alma. Sabemos que o espírito, através do corpo espiritual,
pode ver, sentir ou ouvir com as mãos ou com qualquer outra
parte do corpo.
Outra propriedade fundamental do corpo espiritual se relaciona com
os fenômenos mediúnicos.
A atuação da entidade comunicante através do
médium exige uma combinação dos fluídos
do perispírito de ambos.
A maior fidelidade das mensagens está ligada com a maior afinidade
entre os fluídos do médium e do espírito comunicante.
Sendo o perispírito constituído de “matéria”
radiante, extremamente sensível às vibrações
mentais, o processo de comunicação entre os médiuns
e os espíritos que com eles se familiarizam , depende muito
desta sintonia em comprimento de ondas, que se ajustam entre os dois
corpos espirituais que se aproximam.
Nos fenômenos de efeitos físicos em que ocorre o transporte
de objetos materiais de um ambiente para outro, dizem os espíritos,
que, o objeto transportado, fica como que, “animado” de
vida, por efeito do seu envolvimento com os fluídos do perispírito
do médium e do espírito que se presta a fazer este tipo
de fenômeno.
Pode-se concluir que, a combinação dos fluídos
do corpo espiritual é capaz de mudar a natureza dos elementos
que compõe a matéria física que conhecemos. É
bem provável que este processo também ocorra por modificações
no comprimento de onda pelos quais se expressam os átomos que
conhecemos.
MATÉRIA MENTAL E AS LEIS DE SINTONIA
A vida é a expressão de um fenômeno espiritual.
Enquanto a mente, é o espírito que interpretando sensações
cria as idéias e as emoções que através
do pensamento exteriorizam nossos desejos.
O Fluído Cósmico serve de substrato ao pensamento que
se projeta como energia expressa em partículas de comprimentos
de ondas variados. Nossos pensamentos criam em torno de nós
um ambiente psíquico onde estão “esculpidas”
as imagens mentais que idealizamos com mais persistência. Portanto,
cada um de nós convive “materialmente” com suas
próprias idéias. Somos de certa forma “escravos”
de nossos próprios desejos. Cultivar ódio ou amor por
alguém significa também conviver psiquicamente com o
personagem que construímos em nossa psicosfera para odiar ou
amar.
As projeções das nossas vibrações mentais
estão sintonizadas em pelo menos três níveis de
emissão mais ou menos hierarquizados conforme o cumprimento
de onda em que ressoa nossos pensamentos. Por processos de automatismos
e condicionamentos herdados, temos aptidão para emissão
de pensamentos controladores das funções básicas
do organismo, responsáveis pela nossa sobrevivência.
Numa outra hierarquia de fenômenos, nossas emissões mentais
mantém nossa consciência desperta e interagindo com o
ambiente exterior em que estamos inseridos.
E, finalmente em condições especiais podemos emitir
pensamentos com comprimento de ondas ultracurtas, expandindo nossa
capacidade de comunicação mental, atingido as dimensões
espirituais mais nobres.
A afinidade que atrai ou repele qualquer criatura que se aproxime
de nós vai depender essencialmente do teor das vibrações
mentais que emitimos. Os comprimentos de ondas mentais se ajustam
ou criam ressonância conforme a sintonia que se estabelece entre
elas. Ao criarmos uma idéia e projetarmos as ondas mentais
pertinentes a um determinado tema, estamos estabelecendo sintonia
com todos os indivíduos, encarnados ou não, que mentalizarem
conosco o mesmo assunto. A convivência entre as pessoas tende
as induzir a pensarem e aceitarem os mesmos princípios.
Freqüentemente somos vítimas de sugestões mentalizadas
por nós ou induzidas pelos outros que produzem figuras mentais
que se organizam em torno de nossa psicosfera. A imagem que passamos
a fazer do mundo fica ligada então, a estas formas-mentais
que induzem sistematicamente nossos comportamentos.
O empenho em assimilar um aprendizado novo, implica em sintonizar
e desenvolver compreensão adequada para aceitação
das sugestões propostas pela idéia nova. Por outro lado,
todos os desejos e vontades que buscamos ardentemente com insistência,
nos escravizam com imagens que podem nos condicionar a comportamentos
obsessivos.
As idéias que combatemos com veemência, por que nos incomodam
ou nos martirizam, acabam por persistirem em nós porque, de
certa forma, estamos aceitando inconscientemente o seu conteúdo
e de alguma forma nos sintonizando com seus emissores.
DILEMA CÉREBRO-MENTE
A visão materialista da Ciência de hoje não tem
alcance suficiente para explicar a origem do pensamento. Não
há como justificar através de circuitos neuronais nossa
capacidade de aprender e criar idéias novas. A partir dos estímulos
neurais como a visão ou o tato, não se compreende como
o cérebro, recebendo sensações físicas
é capaz de gerar percepções, criar interpretações
ou processar julgamentos. São funções psíquicas
extremamentes complexas para as quais a fisiologia cerebral é
insuficiente para justificar.
No processo evolutivo em que os organismos vivos foram se aprimorando
ocorreram mudanças morfológicas e funcionais que pressupunham
a sobrevivência dos mais aptos. Sem aceitarmos a existência
do espírito fica muito difícil compreender como a mente,
participando deste processo evolutivo, foi se aprimorando em todas
as criaturas até atingir o estágio de humanização
da consciência. Todo cientista, no entanto, é forçado
a acreditar que foi a partir de reflexos simples da vida unicelular
que se atingiu o discernimento e a inteligência.
Com uma visão espiritualista, a mente deixa de ser uma expressão
sintetizada pela atividade cerebral para se apresentar como uma entidade
que organiza a vida, que sobrevive à morte e que acumula conhecimento
a medida em que repete as experiências de novas vidas.
A partir dos reflexos desenvolvemos automatismos e instintos. Com
a capacidade de tomar decisões adquirimos o discernimento.
Pela experiência, selecionando caminhos, aprendemos a raciocinar.
O raciocínio e o julgamento desenvolveram a inteligência.
O pensamento fragmentário dos animais deu origem ao pensamento
contínuo do ser humano. A consciência tomou conhecimento
do eu, do mundo exterior e de seu significado. Já temos a consciência
temporal que nos permite situar os acontecimentos do presente, rememorar
o passado e antever o futuro. Falta-nos conquistar a consciência
da espiritualidade que nos envolve. A percepção de espaço-tempo
registrada pelos nossos sentidos, se limita, no momento, às
três dimensões que nos cercam. O aprimoramento espiritual
deve nos reservar para o futuro a consciência contínua
e a consciência expandida a outras dimensões.
FENÔMENO FÍSICO E O FENÔMENO PSICOLÓGICO
O cérebro é capaz de registrar milhões de informações
em curtíssimo espaço de tempo. Ondas luminosas atravessam
o olho e alcançam o lobo occipital, as auditivas ativam os
lobos temporais e ao tocar um objeto registramos suas propriedades
nos lobos parietais. Cada uma destas sensações não
se limitam a provocar percepções de luz, de sons ou
de objetos. Para cada uma delas o cérebro promove interpretações
e julgamentos “criando” imagens que passam a ser representações
das sensações percebidas.
A todo instante estamos “sonhando” com imagens que tem
para cada um de nós o significado da realidade. Nossa grande
dificuldade é explicar como e quando um fenômeno físico
se processa em fenômeno psicológico.
A nível de circuitos neuronais há muito pouco que justifique
este dilema. Admitindo a existência do espírito como
fonte emissora da energia que faz fluir nossos pensamentos podemos
deduzir que todo fenômeno psicológico é de natureza
espiritual. As sensações projetadas pelo mundo físico
onde estamos inseridos devem atingir o espírito onde se processa
todo fenômeno de interpretação e reconhecimento.
A segunda questão é compreender como a energia emanada
do espírito alcança o cérebro físico constituído
de matéria densa e, como os estímulos que sensibilizam
o cérebro podem ser registrados pelo espírito que pertence
a outra dimensão.
Esclarece a doutrina espírita que, o elemento transdutor ou
transformador das sensações física é o
corpo espiritual que, como vimos, participa da nossa natureza material
em diferentes comprimentos de ondas susceptíveis a ação
direta da mente.
Allan Kardec estudando a importância do corpo espiritual, já
chamava a atenção de que o conhecimento de suas propriedades
deverá trazer esclarecimentos fundamentais para a Medicina.
Podemos conjeturar que, sendo o corpo espiritual constituído
de elementos mais sutis que o corpo físico, sua capacidade
para armazenar e transmitir informações mentais deve
estar fundamentada em redes de circuito eletromagnético, que
se espraiam por todo perispírito, sem necessidade da intermediação
química como a que se processa “morosamente” no
cérebro físico entre redes mentais e seus neurotransmissores.
DOENÇAS ESPIRITUAIS
A Medicina compreende como doença as pertubações
no bem estar físico, psíquico e social do ser humano.
A tendência atual é de se aceitar uma interação
constante entre estes três aspectos. Qualquer doença
de expressão física desencadeia repercussões
psicológicas ou psicossociais e, as perturbações
psíquicas ou sociais se consolidam em quadros psicossomáticos.
Admitindo-se porém, o pressuposto da nossa natureza espiritual
e, que todo processo psíquico em sua essência é
uma atividade da alma, pode-se conjeturar a existência das doenças
espirituais. Esta hipótese se fundamenta em postulados que
já adiantamos no início deste trabalho.
Numa tentativa de classificação, podemos separar as
doenças espirituais dentro da seguinte ordem:
Desequilíbrios vibratórios,
Lesões cármicas do corpo espiritual,
Vampirismo,
Obsessão,
Mediunismo.
Desequilíbrios vibratórios
Os desequilíbrios vibratórios consistem numa perturbação
na dinâmica da interação entre o corpo físico
e o corpo espiritual. Sabemos que o perispírito não
ocupa o nosso corpo como se vestisse uma roupa. Ele interage com o
corpo físico por ligação eletromagnética
promovendo uma transição sutil entre um corpo e o outro.
Esta junção entre os dois corpos permite variações
na “aderência” entre um corpo e o outro. Esta ligação
é mais “solta” na criança, nos idosos e
na maioria dos médiuns.
Esta possibilidade de maior “desprendimento” do corpo
espiritual é que possibilita toda a série de fenômenos
mediúnicos.
Num mesmo indivíduo, a interação entre seu corpo
físico e o perispírito, aumenta ou diminui nas horas
de sono ou de meditação, nos momentos de tensão
ou ansiedade e sob o efeito de certos medicamentos e alimentos.
O processo de doença espiritual, que classificamos como desequilíbrio
vibratório, se estabelece, por efeito do nosso descontrole
emocional, quando damos lugar em nossos pensamentos, ao ódio,
a cólera, a agressividade, ao mau humor, ao desespero, a ociosidade,
a maledicência permitindo com isto, uma desincronização
entre o perispírito e o corpo físico. Habitualmente,
esta situação provoca em todos nós, uma sensação
de mal estar e indisposição que atribuímos freqüentemente
a insucessos ou situações de animosidade vivenciadas
no nosso dia a dia. Cabe aqui a recomendação de lembrarmos
da vigilância permanente em relação aos nossos
comportamentos e as nossas atitudes cotidianas.
Lesões cármicas do corpo espiritual
Quadros extremamente freqüentes de cardiopatias, hidrocefalia,
atrofias cerebrais, criptorquidia, deformações uterinas,
são possíveis exemplos de doenças que arrastamos
por longos anos, penosamente, resgatando e reformando estas lesões.
Antigos desvios como o aborto ou o suicídio, provocados por
nós mesmos em vidas anteriores, deixam marcas permanentes em
nosso perispírito. Estes sinais nos acompanham no mundo espiritual
e cada um de nós, com os compromissos agravados, busca uma
nova encarnação, onde num corpo lesado, conseguimos
o resgate cármico de nossas culpas.
Vampirismo
Ocorre por desvios de conduta do comportamento humano quando nos permitimos
enveredar pelo vício das drogas, dos tóxicos, do álcool,
dos desvios sexuais e de extravagâncias alimentares.
Por criação da própria mente que persistentemente
convive com o vício, criam-se, às custas da matéria
mental, os “microorganismos mentais” ou “micróbios
psíquicos” que passam a “corroer” e infestar
o corpo físico sugando suas energias a partir dos centros vitais.
Estes desvio do comportamento humano, atraem pela perversão
que promovem, grande número de espíritos que se associam
à estes procedimentos viciados, comportando-se como parasitas
ou “vampiros” do homem cujas atitudes lhes serve de gozo
ou prazer.
As formas microbianas elaboradas pela mente, são construídas
às custas da matéria fluídica perispiritual que
“vivifica” sua atuação. Mesmo sem ter vida
própria são extremamente danosas para o organismo que
“vampiriza”.
No momento em que uma decisão sincera faz o homem mudar de
conduta e modificar seu conteúdo mental, especialmente quando
ele passa a usar a oração e o trabalho como instrumentos
de cura, estas formas-imagem perdem sua “vitalidade” e
deixam de parasitá-lo.
Obsessão
Sabemos que cada ser humano, por discórdias promovidas em vidas
anteriores, pode ser perturbado por espíritos que se consideram
credores de suas vítimas. Estas entidades passam a exercer
uma perturbação obsessiva, impondo sofrimento, principalmente,
através de doenças mentais ou somatizações
as mais complexas possíveis.
Em qualquer ambiente de atendimento psiquiátrico é possível
encontrar pacientes com quadros esdrúxulos ou atípicos
que as classificações médicas da psiquiatria
de hoje se mostra incapaz de identificar. Muitos, senão a maioria
destes quadros, estão relacionados com os processos obsessivos
que a literatura espírita descreve.
Mediunismo
Na verdade, o “mediunismo” não deveria estar aqui
rotulado como doença. Porém sua apresentação,
em pessoas não esclarecidas ou não disciplinadas, pode
revelar quadros rotulados na medicina humana tradicional como crises
de epilepsia, ou crises histéricas. Uma boa orientação
num centro espírita pode fazer com segurança a triagem
destes quadro.
CONCLUSÕES
1 - Os paradigmas espíritas esclarecem de forma racional a
natureza espiritual do ser humano.
2 - Nas propriedades do perispírito se encontram os mecanismos
de interação entre o cérebro e a mente.
3 - Um grande número de doenças, se não todas,
tem seus transtornos previamente, programados no perispírito.
4 - Os paradigmas espíritas sugerem a mudança de conduta,
a reforma íntima, a espiritualização do homem
como forma de resolver o problema do sofrimento humano.