| Sérgio
Biagi Gregório
> Conhecimento de si Mesmo
SUMÁRIO:
1. Introdução. 2. Conhecimento:
2.1. Pensamento e Verdade; 2.2. Estoque de Conhecimento; 2.3.Aquisição,
Retenção e Utilização. 3. Sócrates
e o Conhece-te a Ti Mesmo; 3.1. Filosofia e História da
Filosofia; 3.2. Maiêutica; 3.3. Reflexão.3.4. Herança
e Automatismo. 4. Como Conhecer-se: 4.1. Pela Dor; 4.2. Convívio
com o Próximo; 4.3. Auto-Análise. 5. Conclusão.
6. Bibliografia Consultada.
1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é dar
ênfase à tomada de consciência de nossas potencialidades
e de nossos limites, no sentido de fazermos uma avaliação
mais serena e mais tranqüila de nós mesmos. Os tópicos
a serem abordados são: conceito de conhecimento, Sócrates
e o Conhece-te a ti mesmo, Senso Crítico e Como Conhecer-se.
2. CONHECIMENTO
2.1. PENSAMENTO E VERDADE
Conhecer é reproduzir em nosso
pensamento a realidade. Damos o nome de conhecimento à posse
deste pensamento que concorda com a realidade. À concordância
do pensamento com a realidade chamamos verdade.
Que é pensar bem? André Maurois, em A Arte de Viver,
diz-nos que é chegar a fazer, de nosso pequeno modelo interior
de mundo, uma imagem tão exata quanto somos capazes, do grande
mundo real.
Que é verdade? Pauli, em Que é pensar, entende por
verdade, no mais amplo sentido, a autenticidade que o conhecimento
deve oferecer. Os dados são verdadeiros se são o que
anunciam. Se os dados, na hipótese do psicologismo, se comportam
como dados puros, a autenticidade se encontra nesta pureza. Se os
dados, na hipótese do intencionalismo, anunciam objetos,
a autenticidade se encontra em efetivamente noticiá-los,
não dizendo que noticiam (quando de fato não noticiam
e enganam), nem dizendo que noticiam tal espécie de objetos
(quando de fato noticiam outra espécie). (1964, p. 88 e 89)
2.2. ESTOQUE DE CONHECIMENTO
O conhecimento acumulado pela humanidade
está registrado nos arquivos das bibliotecas espalhadas pelo
mundo inteiro. Compõe-se de livros, revistas, jornais, periódicos
etc. A invenção da imprensa por Johann Guttenberg
(1398-1468) é responsável por esse fato, pois a nova
técnica de produção literária propiciou
a veiculação de uma grande quantidade de conhecimentos
que até então estava adormecida. É que os trabalhos
dos grandes pensadores, podendo ser duplicados com mais facilidade,
aumentou sobremaneira o número de obras à disposição
da população.
2.3. AQUISIÇÃO, RETENÇÃO
E UTILIZAÇÃO
O conhecimento pode ser adquirido de
forma empírica, vulgar, intelectual, científica e
intuitiva. Porém, a freqüência em cursos, a pesquisa
em livros e os diversos tipos de conversações fazem-nos
penetrar objetivamente no estoque de conhecimento acumulado pela
humanidade. Além do mais, a associação de idéias
que dessas pesquisas advém, aumenta ainda mais esse estoque.
A retenção do conhecimento envolve não só
o interesse acerca de um assunto como também a apreensão
de técnicas de memorização das informações.
Lembremo-nos de que nem sempre uma boa memória é sinal
de grande inteligência. É o caso do médico,
de excelente memória, que tinha dificuldade em prescrever
uma receita médica.
A utilização do conhecimento deve ser sempre para
o bem, procurando-se não colocar a candeia debaixo do alqueire.
(Lessa, 1960, p. 240 a 246)
3. SÓCRATES E O CONHECE-TE A TI MESMO
3.1. FILOSOFIA E HISTÓRIA DA FILOSOFIA
Enquanto a Ciência tenta explicar
como se dão os fatos, construindo a partir de um objeto e
do saber que num momento se possui acerca dele, medindo-os, comparando-os
e classificando-os, a Filosofia, que trata dela mesma, quer saber
porque se deram desta forma e não de outra. Assim, para que
possamos penetrar no "conhece-te a ti mesmo" de Sócrates,
temos de colocá-lo dentro de um contexto geral, pois a Filosofia
parte de coisas já conhecidas, e segue pelas descobertas
de outros filósofos como que acrescentando algo ao já
existente.
Os pensadores que precederam Sócrates queriam descobrir o
princípio das coisas. Este princípio é expresso,
para cada um deles, nos seguintes termos: para Tales de Mileto,
o princípio de tudo era a água; para Anaximandro,
o infinito, o ilimitado; para Anaxímenes, o ar, o fogo, as
nuvens e a rocha; para Pitágoras, o número; para Parmênides,
o ente, o ser; para Heráclito, o ser dinâmico; para
Empédocles, o ar, o fogo, a terra e a água; para Anaxágoras,
tudo em todas as coisas; para Demócrito, o átomo -
última divisão do ser.
3.2. MAIÊUTICA
Como vimos anteriormente, os ensinamentos
e reflexões dos primeiros filósofos se voltaram para
os problemas do ser, do movimento e da substância primordial
do mundo, a "physis", procurando dar-lhes uma explicação
racional. Entre tais mestres, situamos Heráclito, Pitágoras
e Demócrito. Sócrates, dizia ser boa, mas queria apresentar
algo mais substancioso, ou seja: o homem deveria voltar para si
mesmo.
Conhece-te a ti próprio é o dístico colocado
no frontispício do oráculo de Delfos. Após
a visita de Sócrates a este templo, emanam-se dois diálogos,
que podem ser encontrados em: Platão (Alcibíades,
128d-129) e Xenofontes (Memoráveis, IV, II, 26).
Sócrates procura o conceito. Este é alcançado
através de perguntas. As perguntas têm um duplo caráter:
ironia e maiêutica. Na ironia, confunde o conhecimento sensível
e dogmático. Na maiêutica, dá à luz um
novo conhecimento, um aprofundamento, sem, contudo, chegar ao conhecimento
absoluto.
3.3. REFLEXÃO
É uma volta sobre si mesmo. A
reflexão seria mais perfeita se fosse somente sobre o próprio
pensamento, sem a intervenção dos sentidos; mas, como
o pensamento e os sentidos são inseparáveis, de qualquer
forma é uma reflexão.
A reflexão faz-nos comparar e
raciocinar, a fim de chegarmos a um acordo com a nossa própria
consciência. (Pauli, 1964, p. 88)
3.4. HERANÇA E AUTOMATISMO
O princípio inteligente estagiando
no reino mineral adquiriu a atração; no reino vegetal,
a sensação; no reino animal, o instinto; no reino
hominal, o livre-arbítrio, o pensamento contínuo e
a razão. Hoje, somos o resultado de toda essa herança
cultural.
Nosso passado histórico propiciou-nos a automatização
de hábitos e atitudes. É nossa herança, que
começa desde o reino mineral. Há hábitos positivos
e negativos. Os positivos devem ser incrementados; os negativos,
extirpados. A função da reforma íntima, no
seu sentido amplo, é melhorar o reflexo condicionado, arquitetado
pelo nosso Espírito.
A lei do progresso exige que o princípio inteligente vá-se
despojando dos liames da matéria. Para que tenhamos um olhar
crítico, devemos libertar-nos da obscuridade da matéria,
consubstanciada no egoísmo, no orgulho e no interesse próprio.
(Xavier, 1977, p. 39)
4. COMO CONHECER-SE
De acordo com Peres, no capítulo
I do seu Manual Prático do Espírita, podemos nos conhecer:
4.1. PELA DOR
A dor é teleológica e leva consigo um destino. Por
ela podemos saber o que fomos e, também, o que tencionamos
ser. Ela é sempre positiva; no sofrimento, estamos purgando
algo ou preparando-nos para o futuro.
4.2. CONVÍVIO COM O PRÓXIMO
podemos avaliar-nos, observando as reações dos outros
com relação às nossas atitudes.
4.3. AUTO-ANÁLISE
A auto-análise fundamenta-se numa cosmovisão transcendental
da vida. A compreensão integral do homem se apoia em três
esteios fundamentais: filosófico: paz com a verdade; o psicológico:
paz consigo mesmo; religioso: paz com o ser transcendental. São
técnicas que permitem o homem chegar a autenticidade de sua
doença, não de tirar o homem da doença.
As questões 919 e 919A de O Livro dos Espíritos auxiliam-nos
a praticá-la. Santo Agostinho sugere que todas as noites
devíamos revisar o dia para ver como fomos em pensamentos,
palavras e atos.
5. CONCLUSÃO
Embora haja dificuldade de conhecermos a nós mesmos, uma
avaliação serena de nossa dor e do nosso relacionamento
com o próximo pode oferecer-nos uma luz no fim do túnel.
Além do mais, tomando consciência de nossa ignorância,
estaremos alicerçados para detectar a nossa verdadeira capacidade.
6. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos.
São Paulo, FEESP, 1972.
LESSA, G. Em Busca de Claridade. Rio de Janeiro, Fundo de Cultura, 1960.
PAULI, E. Que é Pensar (Teoria Fundamental do Conhecimento).
Florianópolis, Ed. Biblioteca Superior de Cultura, 1964.
PERES, N. P. Manual Prático do Espírita. São Paulo,
Pensamento, 1984.
SAUVAGE, M. Sócrates e a Consciência do Homem. São
Paulo, Agir, 1959.
XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Evolução em Dois Mundos, pelo
Espírito André Luiz, 4. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.
Fonte:
http://www.ceismael.com.br/filosofia/conhecimento-de-si-mesmo.htm
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