Parte da Tese apresentada ao Programa
de Pós-graduação em Geografia Humana, do Departamento
de Geografia, da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas
da Universidade de São Paulo, para obtenção do
título de Doutor em Geografia Humana.
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Como entender o espiritismo a partir
da perspectiva das geopolíticas das igrejas e da anarquia religiosa
no Brasil?
Lançado o desafio científico, uma vez que essa questão
se insere como parte do escopo central desta tese, buscou-se analisar
o espiritismo a partir da opção ou fundamentação
teórica (KROPOTKIN, RECLUS, RAFFESTIN, LACOSTE, VESENTINI,
WEBER...) apontada no inicio deste trabalho, qual seja, um estudo
geográfico sobre as populações religiosas e as
igrejas no território brasileiro na perspectiva da geografia
humana com ênfase nos aspectos geopolíticos.
(...)
O fato de
lideranças defenderem e divulgarem explicitamente o senso
crítico na relação entre a teoria (doutrina
dos espíritos) e a prática do espiritismo nos centros
espíritas sugere um caráter anarquista para fora e,
especialmente, para dentro do movimento espírita na sociedade
brasileira.
Nesse sentido, os centros e federações estaduais nascem,
em certa medida, com esse senso crítico – o germe anarquista
–, com as disputas internas entre as diferentes posições
e posturas de lideranças espíritas. Como não
há clérigos na cultura espírita, e o ponto de
partida são as obras de Kardec, existe espaço para amplas
discussões nos bastidores das instituições espíritas.
(...)
Foi como
“religião dos espíritos”, uma religião
de leigos, sem clero, sem hierarquia (municipal, estadual e nacional)
que o espiritismo se popularizou e se expandiu através de centros
espíritas aleatoriamente fundados e espalhados pelo território
brasileiro.
(...)
Esta opção teórica não ignora outros aspectos,
tampouco pretende subestimar ou menosprezar qualquer outro estudo
acerca do espiritismo, apenas se constitui como uma contribuição
geográfica para análise desta religião e suas
relações com a realidade social e política brasileira.
Sabemos que há outros métodos e opções
teóricas para se compreender as religiões (ou qualquer
outro objeto de estudo) como, por exemplo, a fenomenologia, a pesquisa
participante e, também, vários autores sociólogos
antropólogos e psicólogos que estudam as religiões
a partir de outros métodos. Mas aqui nossa opção
teórica busca entender o espiritismo no contexto desta perspectiva
geopolítica das igrejas e anarquia religiosa.
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