Somos seres essencialmente comunicativos,
captando e expressando ininterruptamente emoções e pensamentos.
Estamos sempre irradiando e buscando assuntos de nosso interesse.
A comunicação para nós é o canal que leva
energia ao espírito e ao corpo físico.
No encontro comunicativo com os outros nós compreendemos gradativamente
mais a realidade, identificando as diferenças de perceber o
mundo, de pensar e sentir. Afetamos os outros e somos afetados, mudamos
para melhor, ajudamos a transformar o meio que vivemos.
A referência sobre o que comunicamos está em nosso interior,
resultado de tantas experiências anteriores e na realidade que
percebemos do mundo. Todavia, até que ponto é real o
que costumamos chamar realidade? Existirá só uma realidade?
A realidade apresenta um grande número de facetas, muitas que
não conseguimos nem perceber e, outras que identificamos precariamente.
Assim, a realidade é mais bem percebida pela somatória
das percepções das pessoas.
A compreensão dessa dependência salutar torna claro que
todos nós precisamos nos comunicar cada vez melhor e, para
isso, precisamos gostar de pessoas e procurar lidar bem com elas,
pois é o único caminho para o nosso desenvolvimento
e o da sociedade.
“É impossível
não se comunicar: atividade ou inatividade, palavras ou silêncio,
tudo possui um valor de mensagem. Todo o comportamento é
uma forma de comunicação.” Paul
Watzlawick (1921 —2007) teórico da Teoria da Comunicação.
Toda comunicação encerra
três componentes que atuam tanto no emissor como no receptor.
A intenção real, o conteúdo informacional e o
sentimento com significados mentais e emocionais que revelam como
as pessoas se sentem a respeito do assunto e sobre os outros envolvidos.
Dessa forma, a comunicação pode produzir coisas boas,
mas também problemas e conflitos, dependendo do modo como lidamos
com ela.
Evitamos nos comunicar quando antevemos um conflito. Pensamos em um
conflito como um problema, algo que deve sempre que possível
ser evitado. O conflito surge quando não temos a mesma compreensão,
a mesma dimensão ou a mesma emoção que o outro,
e é exatamente aí que encerra uma oportunidade de aprendizado
e crescimento. Por isso os conflitos fazem parte da convivência
humana.
Quando a concepção e a importância que damos as
pessoas, coisas e situações é imprópria,
sub ou super dimensionada, ou quando somos tomados por sentimentos
de indiferença, medo, desconfiança ou raiva, surgem
os conflitos e problemas. As coisas do mundo não são
problemas, nem dificuldades, mas carregam o significado, a importância
e os sentimentos que elegemos para elas.
Comunicamos também por sinais subordinados a nossa vontade
e outros que não estão sujeitos ao nosso controle e
costumam ser percebidos e interpretados no plano inconsciente, como
a dilatação da pupila, a alteração térmica
e a transpiração. Esses sinais correspondem à
comunicação não verbal.
“Aquilo que você é,
fala tão alto que não consigo ouvir o que você
me diz”. Ralph Waldo Emerson
(1803 - 1882), filósofo.
A comunicação não
verbal pode substituir a oral, como um meneio positivo de cabeça
que expressa nossa concordância ou até com o nosso silêncio.
Pode também complementar a comunicação verbal
quando dizemos “bom dia!” sorrindo e com os olhos brilhando.
E, pode ainda contradizer a comunicação verbal quando
dizemos “muito prazer” e mal tocamos no outro como se
tivéssemos asco.
“Existe no silêncio uma
tão profunda sabedoria que às vezes ele se transforma
na mais perfeita das respostas”.
Fernando António Nogueira Pessoa (1888 – 1935),
poeta português.
As percepções mais comuns
não verbais revelam sentimentos que experimentamos em nossas
relações, com maior ou menor intensidade:
- Falsidade – Sinceridade
- Confiança – Desconfiança
- Segurança – Insegurança
- Alegria - Tristeza
- Ansiedade - Tranquilidade
Muitas vezes comunicamos não
revelando claramente nossas intenções e sentimentos.
Isso contribui para valorizar mais os sinais não verbais, do
que a comunicação verbal. Na dúvida entre o significado
captado da comunicação verbal e não verbal, as
pessoas preferem confiar mais na mensagem silenciosa, em cuja expressão
parece expressar maior autenticidade. Quando nossa comunicação
é sincera e harmônica com os sinais não verbais,
nosso poder de persuadir e transmitir boas emoções são
significativamente ampliados.
As frases discriminatórias a seguir são
exemplos de comunicação agressiva, caracterizadas por
uma entonação e sinais não verbais próprios.
- Você é mesmo difícil... Não consegue
aprender as coisas mais simples! Até uma criança faz
isso... e só você não consegue!
- É melhor você desistir!
É muito difícil e isso é pra quem tem garra!
Não é para gente como você!
- Lugar de doente é no hospital... Aqui é pra
trabalhar.
- Para que você foi a médico? Qualquer probleminha
vira uma doença para você? Acha que pode faltar com
uma desculpa dessa?
- Como você pode ter um currículo tão
extenso e não consegue fazer uma coisa tão simples?
- Vou ter de arranjar alguém que tenha uma memória
normal, pra trabalhar comigo, porque você... Esquece tudo!
- Ela faz confusão com tudo... Está sempre com
a cabeça na Lua!
A agressividade ou violência na comunicação é
quando uma pessoa impõe um poder sobre a outra. É diferente
do conflito, quando há uma interação equilibrada
de poderes. As causas de agressividade sempre passam pelas imperfeições
psicológicas e morais, gerando sentimentos fortes difíceis
de lidar.
A comunicação tem sempre uma finalidade social e deveria
ser exercida para promover a felicidade e o bem geral da sociedade,
auxiliando os indivíduos a se relacionarem melhor e a progredirem.
Seu exercício deve estar fundamentado na ética da solidariedade,
do respeito pelos outros e pela liberdade de expressão com
responsabilidade.
Uma comunicação assertiva significa emitir uma mensagem
seguindo um objetivo, com coerência entre sentimentos, pensamentos
e atitudes. A assertividade se opõe a passividade, quando a
pessoa está insegura e tem receio de se colocar. Opõe-se
também a agressividade, quando a pessoa se expressa com uma
carga emocional muito forte, igualmente não levando ao atingimento
de bons resultados. O que se obtém com a assertividade é,
principalmente, o controle das emoções negativas, sem
impedir sua expressão.
Ser solidário ou humanizar é ter vontade de contribuir
com o outro de forma ética (o sentimento e o conhecimento),
reconhecendo os interesses e limites de cada um. A solidariedade ou
a humanização é considerada como em oposição
à violência física ou psicológica, como
o assédio moral, que é a exposição a situações
humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas, ou a humilhação,
que é um sentimento negativo de ser ofendido, menosprezado,
inferiorizado, constrangido ou ultrajado.
Saber ouvir faz parte da comunicação solidária
e assertiva. O comunicador deve ouvir com respeito e interesse, prestando
atenção não só as palavras, mas no olhar,
na entonação, no ritmo e nos sinais não verbais
de forma a complementar a leitura e entendimento da comunicação.
Saber discordar com educação, defender com respeito,
mas também com firmeza quando necessário, também
faz parte de uma comunicação assertiva e solidária.
Há muitas colocações baseadas em sofismas no
Movimento Espírita que querem levar os espíritas para
uma posição de tudo permitir em nome do amor.
São muitas as vantagens de se manter uma comunicação
solidária e assertiva. O ambiente fica melhor propiciando maior
produtividade e qualidade com criatividade e inovação.
As pessoas criam laços de afeto e amizade ganhando sinergia
para enfrentar e vencer as dificuldades.
A solidariedade sozinha contribui para relações amistosas,
mas carece de objetividade, direção e segurança
que são os atributos da assertividade. A falta de assertividade
causa conflitos, mal entendidos e baixa eficácia. Considere,
por exemplo: Quantas vezes você deixou de dar sua opinião.
Quantas vezes você disse “sim” quando queria dizer
“não”. Quantas vezes você fez algo mesmo
não concordando que deveria ser feito? Quantas vezes você
deixou de pedir ajuda a alguém? Fazer uma crítica?
Você pode ser eficaz na sua comunicação sem precisar
ser agressivo, basta ser solidário e assertivo. Uma comunicação
solidária é aquela que dignifica o homem e produz resultados
mais duradouros. Podemos produzir uma comunicação solidária,
mantendo honestas e boas nossas intenções, o que certamente
implicará em emoções positivas e palavras construtivas.
Para isso, devemos buscar compreender e amar ao próximo, uma
vez que esses sentimentos produzem uma comunicação não
verbal solidária e ajudam a produzir uma comunicação
verbal igualmente humanitária.
Qual o nível de troca que conseguimos ou queremos fazer? Comunicar
com qualidade exige decidir o que queremos trocar, colocar em comum
e o nosso empenho de fazê-lo. Vamos trocar o que temos de melhor
e o benefício será geral.
Texto do livro Comunicação
& Discernimento. Ivan Franzolim. Editora EME. 2012.