“A felicidade depende das qualidades
próprias do indivíduo e não da situação
material em que ele vive”. Allan Kardec
Foi na Sede Social do Clube da Saudade
na cidade de Araras – SP, que o Presidente Voluntário
da Clínica Sayão, Sr. Ismael Biaggi, escolheu para receber
Divaldo Franco e a um público de 1.400 pessoas para participar
do seminário de quase 3 (três) horas sobre o tema “A
Felicidade é Possível”.
Assumindo a tribuna Divaldo cita o
pensamento humanista: “As pessoas foram criadas para serem amadas
e as coisas foram feitas para serem usadas. A razão pela qual
o mundo está um caos é porque as coisas estão
sendo amadas e pessoas estão sendo usadas”.
Em seguida Divaldo Franco cita o pensamento do psicólogo existencialista
norte americano Rollo Reece May, (1909 —1994)
que afirma ter a sociedade elegida como parâmetros para a felicidade:
Individualismo: Doutrina
moral e social cujo conceito é o de valoriza a autonomia individual
na busca da liberdade e satisfação das inclinações
naturais e que se traduz na liberdade do indivíduo frente a
um grupo, à sociedade ou às pessoas.
Sexualismo: Comportamento
ligado à sociedade mercantilista e consumista, na qual o ato
sexual é priorizado e banalizado, desvirtuando sua razão
natural.
Consumismo. Compulsão
e modo de vida que leva o indivíduo a consumir de forma ilimitada
bens, mercadorias e/ou serviços, em geral supérfluos,
em razão do seu significado simbólico (prazer, sucesso,
felicidade).
O Individualismo produz como uma das
consequências o medo de amar uma vez que AMAR significa “aprisionar-se”
conflitando com o conceito individualista de liberdade, mas que na
realidade não passa de libertinagem.
Para melhor ilustrar o pensamento Divaldo Franco recorre à
obra do escritor norte-americano Arthur Miller chamada “A
Morte do Caixeiro Viajante”.
Nessa obra – uma crítica aos valores
materialistas - o autor narra a história de Willy Loman um
caixeiro-viajante, pai de família, que busca realizar o caminho
percorrido por várias pessoas que, começando do nada,
lograram obter riqueza, destaque social, fama, poder.
O sonho (ilusão) do personagem
transforma-se em pesadelo, quando sua estratégia falha –
após anos de muito sucesso – e ele se vê (na meia
idade) fracassado e desempregado. Outro fator a angustiar o protagonista
da história é o fato de que seu fracasso não
mais lhe permitirá dar aos seus filhos um futuro promissor
como ele havia planejado.
Com sentimento de culpa, pelo destino
de seus filhos e pela situação econômica em que
vive, Willy busca o suicídio como meio de sua “purificação”.
Dando uma ligeira pausa para que os presentes assimilassem o impacto
da narrativa, Divaldo retorna resumindo as conclusões.
O individualismo e seus comparsas – o egoísmo, a indiferença,
a ausência dos sentimentos nobres da amizade e do amor –
geram as tragédias humanas e sociais dos dias atuais.
Em seguida Divaldo formula uma questão: Quando foi que a criatura
humana começou a pensar? E para respondê-la Divaldo recorre
ao psicólogo norte-americano John Broadus Watson
(1878 —1958) pesquisador do comportamento humano com ênfase
nos fatos objetivos (estímulos e reações) que
apresenta o processo antropo-psicológico da criatura humana
que inicia sua viagem com a manifestação do Instinto
desdobrado em suas 3(três) abrangências: O Instinto
de Reprodução; O instinto de Alimentação
e o instinto de Repouso.
Logo mais o homem primitivo passa a observar as forças da Natureza
agindo à sua volta, e desenvolve sua primeira emoção:
O Medo que o capacita fisiologicamente para enfrentar ou fugir das
situações perigosas.
A partir do medo surgem, então, a ira, a cólera, o ódio
e o desejo de vingança.
O Doutor e professor Emilio Mira y Lopez (1896-1964)
apresenta-nos o desenvolvimento do pensamento humano:
Pensamento Arcaico Fase
na qual a criatura foca suas prioridades nas suas necessidades básicas
(alimento, abrigo e reprodução).
Pensamento Egocêntrico
Onde prevalece a individualização e onde tudo é
meu e tudo que me pertence é melhor mais bonito, mais importante.
Pensamento Racional
Fase na qual se busca o apoio da convivência gregária
(em grupo)
Pensamento Cósmico
Fase na qual prevalecem os sentimentos nobres que culminaram no desenvolvimento
do sentimento sublime do amor.
Amar, então, é uma meta que devemos perseguir em nossa
existência.
Com o objetivo de ilustrar a solidariedade como caminho que nos leva
ao amor, Divaldo nos narra a história do médico e escritor
escocês Archibald Joseph Cronin (1896 —1981)
conhecida como o Anjo da Noite.
Vítima do cansaço e esgotamento
físico uma jovem enfermeira acaba dormindo no seu posto e em
decorrência uma criança sob seus cuidados acaba morrendo.
O médico expulsa-a do hospital
e ameaça denunciá-la, o que acaba não fazendo.
Anos mais tarde, agora, lendo o jornal
londrino ele toma conhecimento de uma senhora conhecida pela abnegação
e sacrifício que dedica aos órfãos da guerra
de uma pequena cidade. Seu empenho é tão grande que
ela jamais dormia cuidando das crianças traumatizadas e doentes.
Ela dedica ao médico que lhe
havia perdoado a negligência do passado todo reconhecimento
e amor pela nova oportunidade.
Após o intervalo Divaldo retoma ao tema
do seminário, abordando as narrativas da escritora norte-americana
Ruth Stout (1884 – 1980) que relata suas próprias
experiências existenciais buscando auxiliar os jovens na busca
de um propósito na vida e aborda a lição inesquecível
que recebeu na infância sobre as 2 (duas) janelas existentes
na vida de todos nós, aquela que se abre para a tristeza e
o sofrimento e uma outra que nos permite identificar a alegria e a
beleza da vida.
Com essa história tocante Divaldo
deixa claro que diante das experiências de aflição,
dor e sofrimento devemos nos lembrar de que há uma outra janela
– a da alegria – que devemos buscar.
Mas a recíproca é também
verdadeira e assim, todas as vezes que estivermos debruçados
sobre a janela da alegria, devemos nos recordar que muitos de nossos
irmãos encontram-se no sofrimento e tristeza e nos cabendo
o dever de nos deslocar na direção deles para lhes oferecer
a nossa solidariedade e o nosso carinho.
Com a emoção dominando os corações dos
atentos ouvintes, Divaldo inicia a abordagem sobre o real sentido
da vida enfatizando a felicidade citando o pensamento de Vicente de
Carvalho: “A felicidade está onde nós
a pomos, mas nós nunca a pomos onde nós estamos”.
A psicóloga e antropóloga norte-americana Susan
Andrews em o livro “A Ciência de Ser Feliz”
define a felicidade como sendo a combinação
entre o grau e a frequência das emoções
positivas, o nível médio de satisfação
que a criatura obtém durante um longo período e a ausência
de sentimentos negativos (tristeza, mágoa, ressentimento
e raiva).
A tristeza somatiza-se em Angústia. A angústia
leva à Perda do Sentido existencial, que por sua vez
gera a Perda de Afetividade que vai levar à Depressão.
A depressão gera o Vazio Existencial que leva, por
final, ao desejo de morrer.
Não se trata de que desejamos a morte. Na realidade aspiramos
a “libertação” da terrível Angústia
e do Nada Interior.
Os modernos psiquiatras e psicólogos indicam
a AÇÃO para evitar a tristeza e a angústia, evitando
a mente vazia, mediante atividade física.
Evite o ressentimento mediante a aplicação
do perdão àqueles que nos infelicitaram.
A seguir Divaldo desmistifica as ilusões
daquilo que consideramos Felicidade o chamado “canto das sereias”.
A primeira grande ilusão: A felicidade é
proporcionada pela riqueza material.
Divaldo desmitifica que o dinheiro proporciona felicidade utilizando
indicadores estatísticos socioeconômicos americanos:
Entre as décadas de 1950 a 1990 o PIB – a soma de todas
as riquezas da sociedade - americano multiplicou-se três vezes,
mas ocorre um suicídio a cada 15 minutos e vem crescendo à
taxas de 2% ao ano. Sem mencionar as tentativas frustradas que ocorrem
a cada dois minutos.
A segunda grande ilusão é: A
felicidade é proporcionada pela juventude.
A felicidade é de qualquer época e não fica limitada
a uma faixa etária exclusiva e que jovem somos todos nós
quando podemos olhar para trás sem constrangimentos de nosso
passado por termos vividos retamente, pois quando temos algo de que
nos envergonhamos, perdemos a juventude.
Como a visão na juventude é, invariavelmente, desvirtuada,
pelos fatores peculiares dessa idade (a imaturidade psicológica,
a facilidade de se deslumbrar) o sentido da vida mostra-se sob a aparência
que não corresponde à realidade. Só, posteriormente,
quando a maturidade oferecida pela velhice envolvem nossas emoções
é que adquirimos o conhecimento real do sentido da vida.
Citando, ainda, a psicóloga Susan Andrews
as pessoas em torno dos 50 anos são as que se consideram mais
felizes.
A terceira ilusão: A Felicidade
é proporcionada pelo sucesso.
Fosse isso verdade os artistas, esportistas, executivos e todos aqueles
que obtiveram sucesso em suas trajetórias amados ou invejados
pelas multidões não cometeriam suicídio.
Sucesso nos dá alegria pois nos proporciona o prazer
por atender ao nosso narcisismo, mas deixa um tremendo vazio quando,
um dia, se acaba nos envolvendo na solidão e no desenvolvimento
do vazio existencial.
“O maior perigo para a maioria de nós não
está em definir o nosso objetivo muito alto e ficarmos aquém,
está na definição do nosso objetivo muito baixo,
e alcançarmos a meta.” Citou Michelangelo Buonarroti.
A quarta grande ilusão: Felicidade
é igual a prazer.
“A visão hedonista sobre a existência
humana tem levado multidões às alucinações
do prazer, numa interpretação totalmente equivocada
sobre a realidade do ser”. Ensina-nos Joanna de
Ângelis em o livro Triunfo Pessoal (LEAL)
O ser humano deve aprender a ser feliz de acordo com as circunstâncias,
incorporando e vivendo a certeza da transitoriedade do seu corpo físico
e da sua eternidade espiritual.
Concluindo o seminário Divaldo estendeu a todos o convite que
lhe foi formulado por Joanna de Ângelis de que devemos
abrir o carinho das nossas emoções e sentimentos ao
nosso próximo buscando aqueles que são “invisíveis”
na sociedade, os esquecidos e marginalizados, contribuindo para torná-los
dignos e socialmente visíveis.
Nesse sentido, Divaldo narra suas experiências pessoais quando
foi procurado por um espírito desencarnado pelo suicídio
e que teve seus sofrimentos mitigados pelas preces que Divaldo havia
feito por 10 anos em favor desse desconhecido e invisível a
todos. Narrou-no, ainda que, convidado por Joanna de Ângelis,
abraçou um simples garçom e ao estabelecer diálogo
com ele, veio a descobrir que o abraço recebido o fez abandonar
a decisão de cometer suicídio, posto que experimentava
a injunção do câncer.
Emocionados – e felizes - lentamente todos foram se retirando
com os ensinamentos de Jesus ainda repercutindo na acústica
da alma, convidando-nos a todos a sermos felizes, sendo instrumento
da felicidade.