Anderson Santiago - Professor de História
formado pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências
Sociais e Humanas (UERN).
André Victor Cavalcanti Seal da Cunha - Graduado em História
pela UFPE. Mestre em Educação pela mesma instituição.
Doutor em História Social pela UFC. Doutorando em Educação
na UNICAMP. Pós-Doutorando em Educação na USP.
Pesquisador do Núcleo de Estudos de História do Espiritismo
do CNPq (NUESHE). Professor Permanente do PPGCISH/UERN e do PROFHISTORIA/UERN;
Professor Colaborador do PPGH da
UFPE.
Mairon Escorsi Valério - Graduado em História pela UNICAMP.
Possui Mestrado e Doutorado em História pela mesma Instituição.
Professor do PPGE da USP.
INTRODUÇÃO
O fenômeno da loucura, desde
os primórdios da reflexão filosófica acerca da
natureza humana, esteve associado a dimensões éticas,
morais e passionais. A partir do final do século XVIII e início
do século XIX, contudo, esse conceito foi rapidamente apropriado
para o discurso médico-psiquiátrico, tornando-se objeto
do saber científico e fundamento para o surgimento de campos
como a psicologia e a psiquiatria. Essa mudança marcou o início
de um processo de racionalização das doenças
mentais, que passariam a ser interpretadas à luz da ciência
moderna e não mais exclusivamente sob o prisma religioso ou
moral.
Dentro desses vastos campos, estão presentes também
as relações da loucura com as paixões, a ética
e a moral humana, sendo esses tidos como potenciais causadores da
enfermidade. (AMARANTE, 1996). Não obstante, longe de buscar
uma discussão acerca da epistemologia do que é compreendido
por loucura, o presente estudo focalizará sua análise
partindo da conceituação dada à mesma a partir
da virada do século XVIII para o século XIX, quando
essa é finalmente apropriada pelo discurso médico-psiquiátrico,
fazendo parte do campo das doenças mentais (AMARANTE, 1996,
p. 37). É a partir desse movimento que campos como a psicologia
e a psiquiatria emergem como as grandes áreas responsáveis
por buscar um sentido etiológico das causas das enfermidades
mentais, além de ficarem responsáveis por formular seus
possíveis tratamentos.
Ao chegar ao cenário brasileiro, essas áreas ganharam
um novo integrante na busca pelo diagnóstico e tratamento dos
casos de alienação mental: o Espiritismo. Segundo o
historiador Alexander Jabert, em sua tese intitulada De médicos e médiuns
(2008), as disputas entre psiquiatria e Espiritismo entre o final
do século XIX e o início do século XX não
devem ser compreendidas somente como uma disputa hegemônica
pelo campo de tratamento das enfermidades mentais (JABERT, 2008),
dadas as particularidades das práticas desenvolvidas pelo Espiritismo.
Torna-se mais válido pensar sobre os pontos nos quais a psiquiatria
e o Espiritismo convergem e divergem na busca pela compreensão
do que causaria as doenças mentais e como tratá-las,
sobretudo em relação à loucura.
Nesse sentido, acerca do papel do Espiritismo dentro desse contexto,
Angélica
Silva de Almeida (2007) ("Uma
fábrica de loucos": Psiquiatria x Espiritismo no Brasil
- dissertação de doutorado) destaca que o mesmo deve
ser compreendido mais como uma área complementar no tratamento
das enfermidades mentais, e não necessariamente como um campo
alternativo, visto que os espíritas em muitos casos se apropriavam
de parte do aparato médico fornecido pela medicina convencional
e o somavam ao seu próprio tratamento espiritual, o qual será
devidamente esmiuçado durante o decorrer da presente investigação.
A forma com a qual o Espiritismo abordou o fenômeno da loucura
pôde ser observada pelas representações mobilizadas
por meio de obras literárias de um dos principais atores do
movimento espírita no Brasil: Adolfo Bezerra de Menezes (1831–1900).
Médico de formação e atuante na política
durante o período imperial, sua conversão ao Espiritismo
no ano de 1886 é vista como um marco na história espírita
brasileira, por se tratar de uma figura que possuía notória
importância no meio político da capital imperial.
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