Espiritualidade e Sociedade





Rodrigo Farias de Sousa

>   O Espiritualismo moderno nos Estados Unidos: contexto, surgimento e cosmologia

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Rodrigo Farias de Sousa
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INTRODUÇÃO

No começo de abril de 1848, John C. Bell, residente em Lyons, no estado americano de Nova York, se viu em apuros. Circulava o boato de que ele teria cometido um assassinato e enterrado o cadáver no porão da casa onde residira, cinco anos antes, na cidade vizinha de Arcadia. Em sua defesa, ele fez circular um abaixo-assinado de vizinhos e conhecidos, que declaravam considerá-lo “um homem de honra e bom caráter, incapaz de cometer um crime”, de quem nunca se ouvira nenhuma queixa enquanto residira em Arcadia. Os quarenta e quatro signatários diziam repudiar os “relatos tolos e supersticiosos” contra ele, e atestavam sua honradez.

A menção à “superstição” numa situação dessas pode soar estranha ao leitor desavisado, mas neste caso fazia sentido. Porque a acusação contra Bell não vinha de uma testemunha ou de um investigador do crime, mas da vítima. Segundo os rumores, Bell teria cortado a garganta de um caixeiro-viajante para roubar a pequena fortuna de 500 dólares que ele carregava — mas o “morto” voltara do além para denunciá-lo, por meio de pancadas inexplicáveis, diante de dezenas de testemunhas. No vilarejo rural de Hydesville, onde ficava a antiga casa de Bell, não se falava de outra coisa há dias. Uma multidão de centenas de pessoas cercava a casa onde o fantasma concedia entrevistas a quem quer que lhe dirigisse perguntas, sempre reiterando a mesma história.

Os registros infelizmente não relatam o que passou pela cabeça do Sr. Bell naquele começo de primavera, mas é plausível que a declaração de seus conhecidos não tenha sido muito eficaz em proteger sua reputação. Afinal, em poucos anos a história do caixeiro (não tão) morto ultrapassou os limites de Arcadia, e mesmo de Nova York, para ganhar o mundo. Culpado ou inocente, Bell entrou para a história a reboque de um novo movimento religioso do qual sua velha casa se tornara um marco fundador, e que transformaria a ideia de comunicação provocada entre os vivos e os mortos num elemento cultural permanente do imaginário ocidental. E é desta história que trataremos aqui.

1 – O CONTEXTO RELIGIOSO NOS EUA

Embora o nome só viesse a ser cunhado em 1852 pelo jornalista Horace Greeley, o movimento conhecido como Espiritualismo Moderno consagrou o episódio de Hydesville, em 31 de março de 1848, como seu nascimento. Não era a única opção possível: já havia registros de manifestações espirituais antes, e histórias de fantasmas e entidades sobrenaturais eram comuns nas diversas culturas que compuseram o país. Já no século XVII, por exemplo, livros como Saducismus Triumphatus, do inglês Joseph Glanvill (1668), membro da Academia Real, mostravam que o assunto ultrapassava as lendas populares europeias e também interessava à classe erudita. Entre os povos indígenas da América do Norte, a crença em fantasmas, especialmente os de caráter maligno, eram comuns (Mark, 2023), e seres espirituais variados, entre jinns e humanos desencarnados, também podiam ser encontrados nas culturas dos africanos levados em cativeiro para as colônias britânicas. Mas por que foi só no século XIX que um movimento fundado na ideia de contato com os mortos prosperou na sociedade americana e daí para outras partes do Ocidente?(1)

1- Falamos aqui em “Ocidente” como um identificador cultural, mais que geográfico. O diálogo com espíritos é encontrado em várias culturas mundo afora, porém, historicamente, nas culturas de matriz europeia cristã ele costuma ser estigmatizado e/ou reprimido.

Observemos o contexto. O Espiritualismo não nasce, afinal, em um vácuo. Muito pelo contrário, ele dialoga intensamente não apenas com outras expressões religiosas e culturais já em circulação pelo país, como também surge e se difunde em um momento particular da história americana. Os Estados Unidos da primeira metade do século XIX, ainda que esmagadoramente protestantes, foram pródigos em novidades no terreno da fé, ao mesmo tempo que mantinham um certo entusiasmo iluminista pelos avanços da ciência e da tecnologia. Tudo isso contribuirá para um caldo cultural que influenciaria profundamente a visão de mundo espiritualista (Braude, 2001).

O primeiro ponto de destaque é que essa é a época do chamado Segundo Grande Despertar. Definido geralmente como um período de reavivamento protestante que vai de fins do século XVIII até por volta de 1840 (2), particularmente impulsionado pela expansão da fronteira americana rumo ao Oeste, o Segundo Grande Despertar é rico de novos movimentos religiosos. Mórmons, transcendentalistas, unitários, universalistas passam a povoar o panorama religioso do país, enquanto denominações mais antigas e menos elitizadas, como batistas e metodistas, se veem em ascensão. Porém, diferente do seu antecessor setecentista, que se tornou a matriz do evangelicalismo americano, esse Grande Despertar tinha uma outra característica distintiva: o direcionamento do entusiasmo religioso também para reformas sociais. O cristão, aqui, não era exortado a buscar apenas a salvação no além-túmulo, mas também a tentar fazer deste mundo um lugar mais conforme os ensinos cristãos. Desta forma, começa a surgir uma pletora de movimentos reformistas, nos quais a linguagem religiosa era o combustível para objetivos muito práticos: o fim da escravidão; o combate ao consumo de álcool (“temperança”); e, mais adiante, causas tão diversas quanto os direitos femininos, o pacifismo, o vegetarianismo, entre outras.

2- A periodização pode variar conforme o autor

Esse interesse pela melhoria da sociedade terrena não era casual, mas se relacionava com a interpretação teológica trazida pelas novas denominações cristãs. Uma delas era a adoção do arminianismo, doutrina segundo a qual a salvação humana não era fruto apenas da graça dada unilateralmente por Deus, mas um processo que exigia também a participação dos indivíduos. Na prática, isso significava a possibilidade de conquistar a própria redenção, em oposição à crença na predestinação pregada pelas igrejas calvinistas. Em regiões como a Nova Inglaterra, por exemplo, desde o século XVIII o pensamento arminiano constituiria uma das bases do chamado Cristianismo liberal, mais otimista quanto às possibilidades humanas e simpático às visões iluministas de racionalidade, crítica histórica da Escrituras e ética humanitária (Holifield, 2003). Para além disso, a própria escatologia dominante na América desde o Primeiro Grande Despertar, chamada de pós-milenarismo, encorajava um engajamento com a sociedade.

Os pós-milenaristas geralmente eram otimistas sobre o progresso espiritual da cultura. Eles viam a história humana como refletindo uma luta contínua entre as forças cósmicas de Deus e Satanás, cada uma bem representada por vários poderes terrenos, mas com a vitória da retidão assegurada. [...] De qualquer forma, os pós-milenaristas evangélicos americanos viam sinais da aproximação da era milenar não apenas no sucesso de avivamentos e missões, mas também no progresso cultural geral. A era dourada veria a culminação dos esforços de reforma atuais para acabar com a escravidão, opressão e guerra. Além disso, nessa era maravilhosa, ciência, tecnologia e aprendizado avançariam para realizações inimagináveis. (Marsden, 2006, p. 49.)

Contribuir para fazer da Terra um lugar melhor era também contribuir com a obra divina. De certa forma, era como se o progressismo iluminista ganhasse a chancela da revelação cristã, ainda que dentro de uma tradição cujos elementos mais sombrios — a existência do pecado, do demônio e das penas eternas — ainda fossem preservados.

Mais na periferia da arena religiosa, é preciso citar a presença da Nova Igreja, dos adeptos de Swedenborg (1688-1772). Autor de uma obra extensa e considerado um precursor pelos próprios espiritualistas (Doyle, 2013, cap. 1), o visionário sueco antecipou muitas das revelações pregadas por estes últimos — e talvez tenha representado, em sua própria trajetória como cientista, místico e teólogo, o ideal a que o movimento aspiraria de uma “ciência da espiritualidade”.

Por fim, havia os mesmeristas ou magnetizadores. Na época da chamada medicina “heroica”, baseada em sangrias, purgantes e outros tratamentos desconfortáveis e até perigosos, a ideia de uma terapia baseada em passes e fluidos invisíveis podia ser atraente. Entre os seus seguidores, havia aqueles que recorriam às revelações dos chamados sonâmbulos (3). Tratava-se de pessoas que, quando postas em transe por um magnetizador, demonstravam capacidades extraordinárias, como a de “enxergar” os males de um paciente e até darem diagnósticos e receitas. Experiências notáveis a respeito deles, envolvendo inclusive o suposto contato com espíritos, já eram relatadas antes do Espiritualismo surgir, como no caso do livro A vidente de Prevorst, de Justinus Kerner, publicado na Alemanha em 1830 e traduzido para o inglês por volta de 1845. Na América, o jovem Andrew Jackson Davis (1826-1910) começou a fazer fama pela mesma década, indo além do atendimento “clínico” alternativo e compilando tomos volumosos com uma filosofia — batizada de harmonial — tirada de suas observações do mundo espiritual feitas em estado de transe. Era significativo que Jackson dissesse ter sido orientado pelo espírito do próprio Swedenborg.

3- Um exemplo de como esse tema instigou o imaginário da época pode ser encontrado em Edgar Allan Poe, autor do célebre conto O caso do Sr. Valdemar (1845)

Os swedenborguianos seriam precursores importantes do que a historiadora Catherine Albanese viria a chamar de movimentos metafísicos no panorama religioso americano, dos quais o Espiritualismo também faria parte. Dito de maneira simples, trata-se de visões em que o universo é regido por algum grande princípio ou força (“Mente”, “Razão”, “Verdade” etc.) e há uma espécie de “teoria de correspondência” entre os elementos da realidade física e os da não física. Dito de outra forma, “o microcosmo da vida e da sociedade humanas refletia e até continha, em menor escala, a realidade maior e mais grandiosa do macrocosmo — o mundo da Natureza, do Cosmo, de Deus, dos Deuses”. O macro e o micro mantinham uma “relação dinâmica”, com o primeiro constantemente alimentando o segundo, sem o que a realidade não poderia se manter. “A Salvação se tornava, neste mundo mágico, um poder que eles controlavam, e cada vez mais eles pensavam nela como uma forma de cura”, aplicável a qualquer coisa: o corpo, a mente, a alma. As forças cósmicas podiam ser usadas para moldar a realidade (Albanese, 2012, pp. 435-436). Ao longo do século XIX, grupos diversos como transcendentalistas, espiritualistas, teosofistas e cientistas cristãos partiriam dessa premissa inicial para conceber um universo muito diferente da concepção cristã tradicional, no qual, especialmente nos três últimos casos, a mente humana era capaz de moldar a realidade de formas extraordinárias, não fazendo milagres, mas pela aplicação de potências naturais até então ignoradas. Em vez do deus pessoal e os sistemas de pecado e salvação do Cristianismo, tem-se algo mais próximo de uma religião natural, com o ser humano num papel ativo e dinâmico na ordem cósmica.

2 – O SURGIMENTO: HYDESVILLE E AS IRMÃS FOX

O caixeiro e John Bell são, na verdade, coadjuvantes de uma história mais ampla. As pessoas que efetivamente ganharam fama com o episódio foram duas meninas que no início pareciam ter pouca participação no caso. Catherine (“Kate”) e Margaretta (“Maggie”) formariam com sua irmã Leah o trio que entraria para os anais da história como as “Irmãs Fox”. Capitalizando em cima da repercussão de Hydesville, elas passariam a ganhar a vida oferecendo “sessões” (séances) em que, mediante remuneração, consulentes podiam tentar contato com seus entes queridos falecidos e outros habitantes do mundo dos espíritos.

Uma breve síntese do caso de Hydesville e de certos primeiros desdobramentos será útil aqui. Para a primeira parte, a fonte primordial é o relato do jornalista Ebenezer E. Lewis, que compilou depoimentos de várias testemunhas e os fez publicar ainda em abril de 1848. Apesar da história ter ganho novos acréscimos e detalhes ao longo dos anos, seguiremos a obra de Lewis pela sua proximidade com o evento.

A família Fox foi morar na residência que fora do Sr. Bell em 11 de dezembro de 1847. De fé metodista, ela era composta, naquele momento, pelo pai, John David Fox; a mãe, Margaret Fox; e as duas filhas mais novas, Margaretta e Kate, com 14 e 10 anos, respectivamente (4). Os dois filhos mais velhos, já casados, eram Anna Leah (agora com o sobrenome do marido, Underhill), de 34, e David, de 27. Este último morava numa fazenda próxima, enquanto a primeira morava em Rochester, uma cidade bem maior a cerca de 60 km de Arcadia, o município onde ficava Hydesville.

4- Há muitas divergências quanto à verdadeira idade das meninas. Weisberg (2011, p. 30) opta por usar as datas de nascimento que constam em suas lápides, no cemitério Cypress Hill, em Nova York. Seguiremos a autora nesse critério.

Segundo o testemunho de Margaret, colhido a 11 de abril de 1848,

nós ouvimos os ruídos pela primeira vez uma quinzena atrás. Soava como alguém batendo no quarto leste, no piso; às vezes soava como se a cadeira se movesse sobre o piso; nós dificilmente podíamos dizer onde era. Isto foi à noite, logo depois que fomos para a cama. [...] Na primeira noite que ouvimos a batida, todos levantamos e acendemos uma vela; e procuramos pela casa toda. O barulho continuou enquanto buscávamos, e foi ouvido perto do mesmo lugar o tempo todo. Não era muito alto, mas produzia um tremor nos postes da cama e nas cadeiras, que podia ser sentido [pondo as mãos sobre eles]. Era uma sensação de movimento trêmulo, mais que um tremor súbito. Parecia que podíamos senti-los estremecer enquanto estávamos de pé sobre o piso. [O ruído] continuou a noite toda até irmos dormir. Eu não fui dormir até a meia-noite. O barulho continuou a ser ouvido todas as noites (Lewis, 1848, p. 5-7.).

Na noite de 31 de março, mais uma vez o som foi ouvido. A família tinha se recolhido cedo, cansada pela sucessão de noites maldormidas. Mas, desta vez, em vez de buscas infrutíferas, a reação foi outra. “As meninas, que dormiam na outra cama do quarto, ouviram o barulho e tentaram fazer outro similar estalando os dedos”, e a mais nova começou. Os sons passaram a seguir cada estalo. Quando a menina parava, os sons também paravam. Depois, foi a vez da irmã, Margaret, que disse, “Agora faça como eu faço! Conte um, dois, três, quatro...”, e batia palmas. Os sons também a imitaram. Logo depois, a mãe entrou no jogo. Pediu que as pancadas contassem até dez, e assim foi. Depois, ela propôs perguntas. Primeiro, as idades dos filhos, em sucessão, o que foi respondido com números equivalentes (e corretos) de pancadas. Em seguida, se era um ser humano que estava fazendo o barulho. Nenhuma resposta. “Eu então perguntei se era um espírito e, se fosse, para se manifestar por dois sons. Eu ouvi dois sons assim que as palavras foram faladas” (Lewis, 1848, p. 5-7.).

Logo vizinhos foram chamados, e começou um diálogo que, entre perguntas repetidas, adivinhações diversas sobre os moradores de Hydesville e até questões de natureza religiosa, se estendeu até o domingo, 2 de abril. Dezenas de pessoas se revezavam no quarto dos Fox, fosse fazendo perguntas ao autor das pancadas, fosse apenas assistindo. Frequentemente as mesmas questões eram feitas por pessoas diferentes em momentos diferentes. Segundo Lewis, o suposto espírito, identificado apenas pelas iniciais C. B. (5), manteve-se consistente nas respostas que dava sobre sua própria história: o assassinato, a quantia roubada (equivalente a mais que um ano de ganhos de um trabalhador rural), o sepultamento no porão, sua idade (31 anos), o número de filhos que deixara (cinco, sendo três meninas e dois meninos), a morte da esposa há dois anos (quando ele mesmo já estava morto). Quanto à possibilidade de punição do assassino neste mundo, mostrava-se cético, embora confirmasse que ela viria no além.

5- O nome Charles B. Rosma, ou Rosna, só seria mencionado em versões posteriores. A informação, segundo Weisberg (2011, p 77), teria sido obtida por David Fox. Porém, há unanimidade entre os autores consultados em que nunca se encontrou registro de alguém com esse nome.

A comoção na casa dos Fox durou tanto tempo e teve tal intensidade, que a família a abandonou. Leah, a filha mais velha, veio de Rochester e levou Kate e Maggie consigo. Porém, em suas memórias, publicadas em 1885, a própria Leah informa que os sons não só as acompanharam até a cidade grande, como somaram-se a uma série de outros fenômenos que pareciam saídos de uma história de horror, como tapas por mãos invisíveis, objetos se mexendo e aparições espectrais (Underhill, 2009). Apesar disso, as irmãs de alguma forma aprenderam a conviver com os “visitantes” e passaram a atender curiosos que queriam presenciar os fenômenos e contactar os espíritos (a repercussão nem sempre positiva dos fenômenos sobre a clientela de Leah, professora de piano, também pode ter contribuído). O formato clássico da “sessão” mediúnica, com as pessoas sentadas em torno de uma mesa tentando contato por meio de um intermediário humano — o médium — começava a se delinear ali.

Em fins de 1849, a incipiente carreira mediúnica das jovens Fox muda de magnitude com uma série de apresentações no Corinthian Hall, o maior teatro de Rochester. O organizador era Eliab Wilkinson Capron, advogado e jornalista progressista, que viria a escrever alguns dos primeiros livros sobre a difusão do Espiritualismo, primeiro no estado de Nova York (Singular Revelations, 1850) e depois no país (Modern Spiritualism: Its Facts and Fanaticisms, 1855). Diante de uma plateia pagante, durante três dias, Maggie e Kate fizeram as pancadas serem ouvidas pelo teatro, e se submeteram ao exame de diferentes comissões, inclusive uma só de mulheres que as despiu, sem que emergisse uma explicação convencional de como as batidas eram produzidas.

A esta altura, no entanto, as Fox já tinham constituído uma rede de apoiadores que inseriu a curiosidade pelas manifestações nos círculos reformistas da região, incluindo desde religiosos dissidentes (como os quacres Isaac e Amy Post, que conheciam a família desde antes de Hydesville) até militantes de reformas sociais variadas. Desta forma, o movimento já nascia imbricado com os segmentos contestadores do status quo, o que lhe deu um notório caráter progressista que perduraria até pouco depois da Guerra Civil Americana (Braude, 2001; Lause, 2016).

Após o Corinthian Hall, as Irmãs Fox — incluindo Leah, que se descobriu também dotada de dons mediúnicos — foram catapultadas para a fama nacional. A remuneração pelas sessões e a curiosidade do público pelas manifestações renderam-lhes turnês pelo país, hospedagem em hotéis caros e a convivência e atenção de membros da elite americana. Apesar disso, curiosamente, essa carreira de “estrelato paranormal” manteve-se relativamente apartada do movimento que elas, malgrado seu, ajudaram a fundar. Demonstradoras de fenômenos e das maneiras de provocá-los, elas não se tornaram profetisas de uma nova revelação, nem formuladoras de doutrina. Quando, 40 anos depois de Hydesville e após muitas tribulações pessoais, Maggie foi a público “confessar” que tudo fora uma fraude — num discurso em que errava a própria idade e a da irmã, entre outras inconsistências com os testemunhos de familiares e vizinhos à época —, seu impacto entre os espiritualistas não foi o esperado. O “golpe de morte no Espiritualismo”, então alardeado por críticos do movimento, não veio pela simples razão de que, quando as Fox se tornaram mais conhecidas, outras pessoas já estavam formando seus próprios “círculos espirituais” (spirit circles). Para tais experimentadores, a credibilidade do contato com os mortos era uma questão empírica, não dependente da autoridade de terceiros, mesmo que pioneiras como as Fox. (6)

6- Vale notar, além disso, que a própria Maggie voltou atrás um ano depois, dizendo que sua confissão fora motivada por graves problemas financeiros e que lhe haviam oferecido dinheiro em troca das declarações. Verdade ou não, sua credibilidade a esta altura estava acabada. Para uma análise detalhada do episódio, que envolvia um amargo conflito familiar, cf. Weisberg, 2011, ca. 16-18.

Quando Capron, em parceria com Henry Barron, publicou seu Singular Revelations, logo no início de 1850, já dava notícia de outros grupos praticantes da comunicação com os espíritos no estado de Nova York. Não era para menos: a imprensa estivera presente nas demonstrações no Corinthian Hall, inclusive do jornal New York Tribune, um dos mais importantes do país. Seu editor, Horace Greeley, que viria a cunhar o nome do movimento, viria a hospedar Kate Fox em sua própria casa e se tornou um dos nomes proeminentes na divulgação das manifestações. Segundo o historiador Mark Lause (2016, pp. 4-8), em 1850 já havia grupos espiritualistas se espalhando não só por Nova York, mas também na Nova Inglaterra e na Pensilvânia; em 1851, haviam chegado ao Meio-Oeste, ao Sudoeste e, por fim, à Costa Oeste do país, incluindo S. Francisco, na Califórnia. Não demoraria muito para que alcançassem até o conservador Sul, onde alguns dos aspectos reformistas caros adeptos do norte — em particular o abolicionismo — foram postos de lado (Sousa & Pimentel, 2021). E, em 1852, a médium conhecida como Sra. Hayden levou o Espiritualismo para a Grã-Bretanha, de onde se espalharia para o resto da Europa. No ano seguinte, uma das formas mais curiosas da fenomenologia propalada pelos adeptos — mesas que se moviam sozinhas e até flutuavam pelo ar — se tornaria moda na França, e abriria o caminho para que o país desenvolvesse sua própria variante do movimento, o Espiritismo (Cuchet, 2012, cap. IV).

Embora não existam estatísticas sobre o número de adeptos na época, e as estimativas espiritualistas costumassem ser muito infladas, há indicações de como essa propagação era percebida por alguns contemporâneos. Um exemplo é o comentário do reverendo transcendentalista Theodore Parker: “em 1856, parece mais provável que o Espiritualismo se tornará a religião da América do que, em 156, [parecia] que o Cristianismo se tornaria a religião do Império Romano, ou, em 756, que o Maometanismo se tornaria a da população árabe” (Moore, 1977, p. 4). A lista de americanos célebres dos EUA dos anos 1850 e 60 que teriam algum envolvimento com o movimento também é significativa. De William Lloyd Garrison e Harriet Beecher Stowe ao historiador George Bancroft e a primeira-dama Mary Todd Lincoln, não há controvérsia quanto à considerável visibilidade que o Espiritualismo teve na segunda metade do século XIX (idem, p. 3), particularmente antes e durante a Guerra Civil. As razões para isso não ter durado não estão muito bem delineadas na historiografia, mas a importância religiosa do movimento nesse período da história americana é um dado consolidado nos estudos mais recentes.

Feita essa pequena síntese factual, convém dar uma olhada na visão de mundo elaborada pelos espiritualistas.

 

3 – O MUNDO SEGUNDO O ESPIRITUALISMO

Em sua história das manifestações espirituais em Nova York, Capron (1850) frequentemente se refere ao mesmerismo e relata que, em pelo menos algumas das sessões, as Irmãs Fox eram “magnetizadas”, isto é, induzidas ao transe. Ele cita o caso da vidente de Prevorst como um antecedente dos fenômenos verificados a partir de Hydesville e também transcreve passagens de Principles of Nature, de Andrew Jackson Davis, ditada pelo autor em estado “sonambúlico”. Havia, portanto, uma noção de continuidade ou complementaridade entre o Espiritualismo e as práticas do “magnetismo animal”.
(7)

7- Mais tarde, na França, a mesma relação seria afirmada em relação ao Espiritismo por Allan Kardec. Ele próprio um magnetizador, Kardec declara na Revista Espírita de 1867 que ambos, Magnetismo e Espiritismo, eram “ciências irmãs”, e que dar crédito a um abria o caminho para o outro. Cf. Kardec, 2008, p. 470.

A primeira coisa a notar é que o Espiritualismo Moderno nunca chegou a desenvolver uma autoridade central, que controlasse quais ideias seriam aceitas como doutrina. Para citar um referencial mais familiar ao leitor brasileiro, não havia um Allan Kardec espiritualista, nem textos canônicos que servissem de referência para todos. O contato com os espíritos espalhava-se por jornais, camp meetings, apresentações públicas de médiuns, congressos, conferências e, claro, pela divulgação boca-a-boca de adeptos e curiosos. Havia, claro, um núcleo elementar de crenças: a imortalidade da alma, a possibilidade da comunicação entre os vivos e os “mortos”, a continuidade do progresso humano num mundo espiritual dividido em esferas hierarquizadas conforme o nível moral de cada um. Havia também um caráter democrático no exercício da mediunidade, entendida como uma capacidade natural que não dependia de ritos iniciáticos, ordenações sacerdotais ou de qualquer conhecimento técnico — tornando-a acessível às mulheres, que podiam exercer nos círculos uma autoridade que lhes era vedada na sociedade em geral (Braude, 2001). Essa era a base comum; daí para a frente, porém, os limites não eram muito claros. Havia quem acrescentasse elementos ocultistas, como o médium Paschal Beverly Randolph, praticante da chamada magia sexual (Ferguson, 2012, cap. 4); outros faziam uma leitura mais cristã, como era o caso de muitos clérigos que mantinham suas crenças originais, apenas adicionando o Espiritualismo e até defendendo que os adeptos atuassem dentro das igrejas existentes (Braude, 2001, p. 42-43); e mais alguns fundaram seitas próprias, como o poeta e ministro universalista Thomas Lake Harris, fundador de comunidades alternativas, ou Henry Olcott, que, junto com Helena Blavatsky, fundaria em 1875 a Sociedade Teosófica. A essas diferentes combinações de crenças e práticas, vale adicionar uma peculiaridade adicional: o fato de que, nos círculos espiritualistas, muitos dos espíritos que atuariam na função de “controles” ou “guias” dos médiuns — uma espécie de coordenador de trabalhos e protetor pessoal — se identificarem como indígenas, às vezes reproduzindo os estereótipos de linguagem associados a esses povos. Essa presença, inclusive, levaria alguns adeptos do movimento a se mobilizarem na defesa dos nativos, frequentemente massacrados por civis e militares sob as bênçãos do governo americano ao longo de todo o século XIX (Troy, 2017).

Apesar dessa variedade no plano mais propriamente religioso, há uma característica dos espiritualistas que merece destaque e se reflete no próprio vocabulário de seus membros. Religiões geralmente têm fiéis; o Espiritualismo tinha investigadores. O espiritualista que participava de sessões e presenciava os fenômenos, ou pelo menos procurava se informar a respeito, não se via como um mero crente, mas como um pesquisador, um cientista (ainda que amador). A ênfase na demonstração empírica da existência e ação dos espíritos provinha da convicção de que a razão humana tinha um papel no terreno em que, até aquele momento, a fé havia tido a última palavra. Ver mesas flutuando, ouvir pancadas inexplicáveis, receber revelações e previsões que se confirmavam — tudo isso eram provas de uma realidade espiritual, muito mais convincentes, aos olhos dos adeptos, que a teologia das igrejas tradicionais. Não é de espantar, portanto, que um dos desdobramentos mais consequentes do Espiritualismo tenha sido a pesquisa psíquica, precursora da Parapsicologia. Predominava a visão de que caberia à ciência moderna o papel de examinar e, esperava-se, confirmar a realidade dos fenômenos mediúnicos e dos princípios que eles revelavam.

Aliás, o próprio estudo desses fenômenos, segundo os espiritualistas, permitia uma releitura mais “científica” ou “racional” dos relatos sobrenaturais da Bíblia ou de outros registros religiosos. Em vez de interpretá-los como metáforas, mitos ou a intervenção de um Deus pessoal e caprichoso na ordem da criação, o entendimento era que tantos os eventos mundanos quanto os espirituais eram parte da natureza, a expressão de um universo regido por leis. O conhecimento humano destas é que seria limitado, e agora podia ser expandido graças às investigações sobre a realidade espiritual e sua influência sobre o mundo visível.

Como está claro, essa linha de pensamento punha o Espiritualismo em rota de colisão com o Cristianismo tradicional. Embora muitos dos propagadores do movimento se considerassem bons cristãos e fossem até membros do clero, há uma abundância de textos ortodoxos denunciando as suas práticas, tratando-as como fraudes ou como fruto de influência demoníaca.
(8) A eficácia desses ataques é incerta, mas é possível que eles tenham contribuído para reforçar a ala anticlerical do movimento. Andrew Jackson Davis, desde sua primeira obra, já culpava o clero pelas injustiças sociais; mais tarde, parte dos espiritualistas herdou essa tendência crítica, vendo nos religiosos mais ortodoxos inimigos da nova revelação ou, como preferiam alguns, da nova ciência. Não precisavam ser originais ao criticar essa ortodoxia, pois os cristãos liberais, como os unitários, os quacres e os universalistas, já o faziam com bastante veemência desde antes, com seus argumentos sobre a valor da razão no exercício da fé, a historicidade dos textos sagrados e a ênfase no aspecto ético da religião, depois utilizados pelos espiritualistas. Aliás, muitos destes vinham justamente dessas denominações liberais, nas quais, inclusive, alguns podiam continuar congregando sem medo de exclusão por conta de suas crenças adicionais (Braude, 2001, p. 43-45).

8- Várias dessas obras podem ser encontradas online, em especial no Google Books.

Outro elemento importante é a convicção do progresso. A cosmologia espiritualista é essencialmente otimista e nela a possibilidade de autoaperfeiçoamento e felicidade não tem limites. Embora a maneira como cada um viveu na Terra possa afetar a experiência nas esferas espirituais, fazendo com que uns se deparem na chegada com situações mais ou menos felizes, ninguém está fadado a sofrer eternamente. Mesmo os espíritos mais viciosos, ainda presos à Terra (earthbound), podiam se libertar dessa condição e seguir adiante em sua jornada de crescimento pessoal. A Inteligência Infinita (Deus)
(9) criara, afinal, um universo regido por leis benevolentes e perfeitas.

9- A linguagem de certos textos espiritualistas lembra muito a das propostas de religião natural, em voga nos séculos XVII e XVIII. Neste caso, o termo aparece na lista de princípios de uma das poucas organizações espiritualistas de alcance nacional que perduraram, a Associação Nacional de Igrejas Espiritualistas, fundada em 1893, portanto já depois do auge do movimento nos EUA, no período pré-Guerra Civil. A primeira versão do documento, que inclui a menção à “Inteligência Infinita”, é de 1899. Cf. NATIONAL ASSOCIATION OF SPIRITUALIST CHURCHES, s/d.

Convém ressaltar, contudo, que a crença na reencarnação como instrumento de progresso, tão importante entre os espíritas franceses, está ausente entre os espiritualistas anglófonos de meados do século XIX. Para estes, a vida terrena é única, e o que quer que não tenha sido feito ou alcançado aqui poderá sê-lo mais tarde, nas esferas espirituais. Mas não se trabalha com a ideia de um renascimento físico. No círculo do médium Joseph Barthet, em Nova Orléans, onde se teve contato com O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, a reencarnação era considerada o único ponto de divergência (Sousa & Pimentel, 2021, p. 126). Já na década de 1920, Arthur Conan Doyle, em sua monumental História do Espiritualismo, cita diversos autores espiritualistas — todos ingleses, incluindo Emma Hardinge Britten, autora da maior obra sobre as duas primeiras décadas do movimento, nos EUA e alhures — que rejeitavam o reencarnacionismo. Ele considera representativa a opinião de Thomas Brevior, editor da revista inglesa The Spiritual Magazine, que já em 1876 considerava a reencarnação apenas como hipótese não confirmada e sugeria, por enquanto, deixar “que os arquitetos de especulações se divirtam, construindo castelos no ar” (Doyle, 2013, p. 434). Embora não tenhamos conhecimento de nenhuma pesquisa metódica sobre opiniões especificamente americanas acerca da reencarnação nos grupos espiritualistas do século XIX, parece seguro afirmar que, se a ideia chegou a ser aceita nos Estados Unidos, permaneceu muito discreta e fora do horizonte do conjunto dos adeptos.

CONCLUSÃO

O movimento que começou com os apuros do Sr. Bell teve o auge de sua influência nas décadas de 1850 e 60, porém, mesmo ao começar a declinar no último quarte do século, manteve uma influência indireta na cultura popular. Até hoje, a indústria cultural — quadrinhos, filmes, ficção de vários gêneros, séries — faz largo uso de conceitos como mediunidade, vida no além-túmulo, clarividência, manifestações espirituais ao estilo poltergeist, pesquisa psíquica (agora sob o rótulo de Parapsicologia). Isso para não mencionar os elementos que o século XX acrescentaria a esse imaginário, com suas experiências de quase morte e pesquisas sobre reencarnação. Ainda que o sonho dos espiritualistas de desenvolver uma “religião científica” não se tenha realizado, e o movimento não tenha sobrepujado as diversas ortodoxias cristãs americanas (esperança que sua contraparte francesa, amiúde considerada “o futuro das religiões” pelos seus seguidores, parece ainda manter), seu impacto cultural é inegável. Os espiritualistas abriram o caminho para as doutrinas de cura mental e pensamento positivo que, mais tarde e combinando-se com elementos religiosos orientais e doses generosas de hermetismo, ajudariam a compor o movimento “Nova Era” do século XX. Isso para não citar o impacto da pesquisa psíquica, iniciada com as investigações dos médiuns, sobre a Psicologia e, depois, de suas derivadas, a Metapsíquica e a Parapsicologia (Sharp, 2006).

No Brasil, naturalmente, não se pode esquecer que os espíritas representam a terceira religião do país em número de adeptos. E embora o Espiritismo tenha algumas diferenças em relação ao Espiritualismo, estudá-lo à luz de sua matriz americana ajuda a lançar luz sobre o horizonte de possibilidades e pressões dos inovadores religiosos do século XIX. Até o presente, ambos os movimentos contam com uma historiografia escassa, na qual as abordagens transnacionais ou comparativas são muito raras. No Brasil, essa escassez é ainda maior, daí optarmos pelo caráter introdutório deste artigo. Que ele possa contribuir, mesmo que modestamente, para instigar o interesse por um tema tão rico quanto pouco explorado da história religiosa moderna.

 

 

REFERÊNCIAS

ALBANESE, Catherine L. Metaphysical movements. In: STEIN, Stephen J. (ed.). The Cambridge history of religions in America. Vol. II: 1790 to 1945. Cambridge University Press, 2012, pp. 435-456.

BRAUDE, Ann. Radical spirits: Spiritualism and women’s rights in nineteenth-century America. 2nd ed. Indiana University Press, 2001.   

CAPRON, Eliab Wilkinson; BARRON, Henry D. Singular revelations: explanation and history of the mysterious communion with spirits: comprehending the rise and progress of the mysterious noises in Western New-York, generally received as spiritual communications. Disponível em: https://books.google.com.br. Acesso em 14/3/2024.

DOYLE, Arthur Conan. A história do Espiritualismo: de Swedenborg ao início do século XX. Brasília: FEB, 2013.

FERGUSON, Christine. Determined spirits: eugenics, heredity and racial regeneration in Anglo-American spiritualist writing, 1848-1930. Edinburgh University Press, 2012. (Edinburgh Critical Studies in Victorian Culture.)

HOLIFIELD, E. Brooks. Theology in America: Christian thought from the age of Puritans to the Civil War. New Haven and London: Yale University Press, 2003.

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos – 1867. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Brasília: FEB, 2008. Disponível em: https://www.febnet.org.br/ba/?le/Downlivros/revistaespirita/Revista1867.pdf. Acesso em 14/3/2024.

LAUSE, Mark. Free spirits. Spiritualism, republicanism, and radicalism in the Civil War era. University of Illinois Press, 2016.

LEWIS, E. E. A Report of the mysterious noises heard in the house of Mr. John D. Fox, in Hydesville, Arcadia, Wayne County, N.Y. authenticated by the certificates, and confirmed by the statements of the citizens of that place and vicinity. Canandaigua, N.Y., 1848. Disponível em: https://books.google.com.br. Acesso em: 14/3/2024.

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MOORE, R. Laurence. In search of white crows. Spiritualism, Parapsychology and American culture. Oxford University Press, 1977.

NATIONAL ASSOCIATION OF SPIRITUALIST CHURCHES. Declaration of Principles. Disponível em: https://nsac.org/what-we-believe/principles. Acesso em: 16/3/2024.

SHARP, Lynn L. Secular spirituality: reincarnation and Spiritism in nineteenth-century France. 2nd ed. Lexington Books, 2006.

SOUSA, Rodrigo Farias de; PIMENTEL, Marcelo Gulão. Raça e reencarnação no Espiritualismo norte-americano: uma visão a partir da crítica de Allan Kardec (1857-1869). Diálogos, Maringá-PR, Brasil, v. 25, n. 3, p. 111-137, set./dez. 2021.

TROY, Kathryn. The spectre of the Indian: race, gender, and ghosts in American séances, 1848-1890. SUNY Press, 2017.

UNDERHILL, A. Leah. The missing link of Modern Spiritualism. The Library of Alexandria, 2009. [Kindle Edition.]

WEISBERG, Barbara. Falando com os mortos. As irmãs americanas e o surgimento do Espiritismo. Rio de Janeiro: Agir, 2011

 

 

 

Fonte: https://www.editorafi.org/ebook/c029-historia-religiosidade

 

 

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