Cairbar de Souza Schutel (1868 - 1938) foi um divulgador espírita
brasileiro.
(...) Com a morte da mãe, (...) foi viver com o avô paterno,
Dr. Henrique Schutel, no Rio de Janeiro. Cairbar começa a freqüentar
o Colégio Pedro II, onde cursou até ao segundo ano.
Em 1880 abandonou o colégio e empregou-se em uma farmácia
da Rua 1 de Março (Casa Granado, a confirmar - teve clientes
como o Imperador Pedro II, Rui Barbosa e José do Patrocínio),
como aprendiz. Ali se especializou como farmacêutico prático
(...), adquirindo conhecimentos da manipulação de xaropes,
poções e essências, e na nomenclatura dos medicamentos.
Mudou-se para Piracicaba e depois para Araraquara, onde, em 1891, empregou-se
Farmácia Moura. (...)
Insatisfeito com as explicações do padre local para os
seus constantes sonhos com os falecidos pais, em 1904 passou a frequentar
sessões de tiptologia (forma de comunicação obtida
pela sucessão de pancadas ou batidas curtas feitas em algum material
rígido, usualmente madeira, produzindo ruídos) com a trípode
(pequena mesa com três pés).
Nessas sessões espíritas, concluiu que a vida continuava
além-túmulo, passando a estudar e vindo a abraçar
a Doutrina Espírita, dela se tornando um dos maiores propagandistas.
(...)
(...) na mesma noite em que faleceu (30.Jan.1938), através do
médium Urbano de Assis Xavier, comunicou-se e sugeriu a seguinte
frase para a lápide em seu túmulo:
"Vivi, vivo e viverei porque sou imortal".
Doutrina espírita, Espiritismo, (...) é uma ciência
que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como
de suas relações com o mundo corporal. (...)
Durante o Século XIX houve uma grande onda de manifestações
mediúnicas nos Estados Unidos e na Europa. Essas manifestações
consistiam principalmente de ruídos estranhos, pancadas em móveis
e objetos que se moviam ou flutuavam sem nenhuma causa aparente. Entre
eles destacou-se o caso das Irmãs Fox, nos EUA.
Inicialmente cético, chegou a afirmar: "Eu crerei quando
vir e quando conseguirem provar-me que uma mesa dispõe de cérebro
e nervos, e que pode se tornar sonâmbula; até que isso
se dê, dêem-me a permissão de não enxergar
nisso mais que um conto para dormir em pé". (...)
A robusta formação humanística por que passara,
bebendo diretamente de Pestalozzi, discípulo dileto de Rousseau,
não poderia limitá-lo a uma pesquisa meramente naturalista.
A necessidade de dar algum suporte à espiritualidade humana numa
época em que a ciência avançava a passos largos
e as religiões perdiam cada vez mais adeptos despertou em Kardec
a idéia de um novo modo de pensar o real, que unisse, de forma
ponderada, a ascendente Ciência e a decadente Religião,
mediadas pela racionalidade filosófica. (...)