18/01/2026
Reportagem do The Washington Post
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por Richard Sima
Fazer o bem é bom para a sua saúde,
segundo pesquisas
A ciência tem mostrado que o altruísmo melhora a felicidade
e o bem-estar, e pode ser fundamental para o ser humano
Quer aumentar sua felicidade e seu bem-estar? Gaste
dinheiro, tempo ou energia com outras pessoas.
As pesquisas constatam de forma consistente que atos de altruísmo,
como doar dinheiro, fazer trabalho voluntário ou doar sangue,
beneficiam tanto quem recebe quanto quem doa – mesmo quando
quem doa não espera nada em troca.
“Encontrar alegria em ajudar os outros é fundamental
para quem somos como espécie”, diz Elizabeth Dunn, professora
de psicologia da Universidade da Colúmbia Britânica.
Ajudar os outros pode criar um ciclo de feedback positivo: como fazer
o bem dá uma sensação boa, o altruísmo
pode gerar mais altruísmo e mais bem-estar.
“Quando as coisas estão difíceis, muitas vezes
você não sente vontade de sair da sua rotina para fazer
algo que ajude outras pessoas ao seu redor”, comenta Abigail
Marsh, professora de psicologia e do programa interdisciplinar de
neurociência da Universidade de Georgetown. “Mas, na verdade,
talvez seja uma das melhores coisas que você possa fazer”.
Atos de altruísmo beneficiam tanto quem
recebe quanto quem doa.
Foto: Bro Vector/Adobe Stock
Ajudar os outros ajuda nosso bem-estar
Em um influente estudo de 2008, Elizabeth e seus colegas
deram a 46 participantes uma pequena quantia de dinheiro (US$ 5 ou
US$ 20, o equivalente a R$ 30 ou R$ 120, na cotação
atual) e disseram a eles para gastarem consigo mesmos ou com outra
pessoa. As pessoas que gastaram o dinheiro com os outros relataram
ser mais felizes do que aquelas que gastaram consigo mesmas, independentemente
da quantia.
O estudo inicial era pequeno, mas pesquisas posteriores confirmaram
os benefícios de bem-estar dos gastos pró-sociais, entre
elas um estudo de 2020 com quase 8 mil participantes.
Outras formas de fazer o bem, como voluntariado e doação
de sangue, também podem ser benéficas e melhorar o humor
e o bem-estar, segundo pesquisas. O trabalho voluntário, em
particular, pode proporcionar “um pouco mais daquele brilho
caloroso que você sente ao ver como suas ações
beneficiaram outras pessoas”, descreve Abigail.
Doar parece
literalmente eliminar nossa dor
Um estudo de
2019 relatou que as pessoas que fizeram atos altruístas, como
doar dinheiro para órfãos, sentiram menos dor física
quando receberam um choque elétrico ou o aperto de um torniquete,
em comparação com aquelas que ganharam o dinheiro para
si mesmas. Pacientes com câncer até mesmo sentiram um
alívio da dor crônica.
Depois de um ato altruísta, neuroimagens por ressonância
magnética mostraram que a atividade neural diminuiu no córtex
cingulado anterior e na ínsula, que são áreas
do cérebro relacionadas à dor. Ao mesmo tempo, a atividade
aumentou no córtex pré-frontal, que é importante
para dar significado ao ato altruísta.
Ser altruísta também
traz dividendos de longo prazo para a saúde. As pessoas que
ajudaram outras relataram que estavam mais satisfeitas com a vida
e o trabalho e tiveram menos sintomas de depressão até
dois meses depois, segundo um estudo de 2018.
Até pequenos atos de bondade
podem ser surpreendentemente benéficos para nosso bem-estar.
Abigail diz: “Eles mudam a forma como você pensa sobre
si mesmo enquanto pessoa. De certa forma, promove sua crença
em um mundo de pessoas que tentam ajudar umas às outras”.
A alegria de ajudar os outros pode
ser fundamental
“Somos uma espécie
tão social que fazer coisas que ajudam os outros é
algo muito enraizado na nossa essência”, resume Abigail.
“É uma coisa que a maioria das pessoas foi criada para
querer fazer”.
O altruísmo provavelmente envolve regiões
do cérebro ligadas ao processamento de recompensas, bem como
o córtex pré-frontal medial, que parece ser “realmente
importante para codificar o valor do bem-estar das outras pessoas”,
afirma Shawn Rhoads, pesquisador de pós-doutorado em psiquiatria
computacional na Icahn School of Medicine do Mount Sinai.
Até mesmo crianças com
menos de 2 anos de idade parecem encontrar alegria em doar seus pertences,
relatam Elizabeth e seus colegas em um estudo de 2012. Quando pediram
a crianças pequenas que doassem seus biscoitos – “basicamente,
o ouro das crianças” – elas pareciam mais felizes
do que quando recebiam as guloseimas, conta Elizabeth, que também
é coautora de Happy Money: The Science of Happier Spending.
Outra linha de evidência de que o altruísmo
possa ter raízes evolutivas é o fato de que os benefícios
do altruísmo para o bem-estar são observados em diferentes
culturas do mundo todo.
Os estudos também mostram que o bem-estar e o altruísmo
provavelmente têm uma relação bidirecional: as
pessoas mais felizes tendem a se envolver em mais altruísmo,
e as pessoas mais altruístas se sentem mais felizes.
“O que é ótimo”,
comenta Abigail. “Isso significa que esses dois resultados benéficos
podem se reforçar mutuamente”.
Ajudar os outros não beneficia
apenas a pessoa que doa e a pessoa que recebe a ajuda, mas também
outras pessoas que simplesmente observam os atos de altruísmo.
“As pessoas que observam atos de altruísmo também
tendem a se sentir melhor e menos cínicas em relação
ao mundo em geral”, afirma Rhoads, que escreveu com Abigail
um capítulo sobre a relação entre altruísmo
e bem-estar no Relatório Mundial da Felicidade de 2023. É
um “ciclo de feedback de comportamento pró-social muito
interessante”.
Como retribuir
aos outros
Os pesquisadores praticam o que estudam.
Rhoads dirige um programa de verão que ensina psiquiatria computacional
a estudantes do ensino médio. Elizabeth leva seus amigos e
seu filho ao Plenty of Plates, em Vancouver, para preparar refeições
para pessoas carentes.
Abigail é voluntária em uma organização
sem fins lucrativos que ela co-fundou para ajudar pessoas e famílias
que enfrentam distúrbios de agressão. Ela também
leva uma sacola extra para o parque para recolher o lixo quando passeia
com seu goldendoodle, Doug, que recebeu o nome do cachorro do filme
Up - Altas Aventuras, da Pixar, cuja segunda frase –
“Acabei de te conhecer e te amo” – Abigail diz que
a faz lembrar de alguns dos altruístas que ela estuda.
Aqui está o que os especialistas aconselham.
- Comece agora: Faça sua pesquisa, mas não
deixe de ajudar só porque está esperando a oportunidade
perfeita, disse Dunn. “Mesmo pequenas doações
fazem diferença, tanto para as instituições beneficentes
que as recebem quanto para os benefícios emocionais que observamos
entre os doadores”, disse ela.
- Foque no local: Embora as pessoas geralmente pensem
em ajudar grandes instituições de caridade internacionais,
fazer doações ou fazer voluntariado em organizações
da vizinhança pode ajudar a “costurar o tecido da comunidade
local”, disse Marsh. Isso também ajuda você a fazer
amigos, ver seu efeito de perto e mudar as normas locais, acrescentou
ela.
- Pergunte às pessoas quais instituições
de caridade elas apoiam: Você pode não só conhecer
outras oportunidades, mas também criar conexões entre
você e elas, disse Dunn.
- Permita-se gostar de retribuir: Talvez você
sinta culpa por se sentir bem ao ajudar os outros. Mas “não
tem problema se sentir bem ao doar”, disse Dunn. “É
um jeito maravilhoso de se sentir feliz”.
Fonte:
https://www.estadao.com.br/saude/fazer-o-bem-e-bom-para-a-sua-saude-segundo-pesquisas/
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