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18/11/2025
Joyspan: conheça a nova medida da longevidade que valoriza
o prazer de estar vivo
Mais do que viver muito e com saúde, a gerontóloga americana
Kerry Burnight propõe uma revolução na forma
como envelhecemos - com propósito, conexões e alegria
genuína
por Por Isabella Abreu
Reportagem do Estadão
Depois do lifespan
(expectativa de vida) e do healthspan (anos vividos com saúde),
um novo termo começa a ganhar espaço nas discussões
sobre longevidade: joyspan. Criado pela
especialista em envelhecimento Kerry Burnight, ele propõe que
o tempo realmente bem vivido não se mede apenas em anos, mas
em alegria. “Medimos quanto tempo vivemos e quão bem
funcionamos, mas não quanta alegria e significado experimentamos
ao longo do caminho”, analisa.

Para médica gerontóloga, melhor
do que viver muito é ter prazer com a vida ao longo do processo
de envelhecimento
Foto: qunica.com/Adobe Stock
Kerry, que lecionou medicina geriátrica
e gerontologia por quase duas décadas na Universidade da Califórnia,
nos Estados Unidos, teve a oportunidade de observar de perto pessoas
e suas famílias lidando com a velhice. O que mais a impressionou
foram as diferenças radicais na forma como os indivíduos
vivenciavam seu próprio processo de envelhecimento. “Para
alguns, é uma trajetória frustrante, degradante e dolorosa
de declínio cada vez maior. Para outros, há um deleite
visível, espiritualidade e alegria em viver suas oitava, nona
e décima décadas”, conta.
A partir dessas observações, ela concluiu que “uma
vida longa — mesmo com saúde — não significa
muito se você não sente prazer em vivê-la”.
É aí que entra o joyspan.
“O conceito reúne a ciência do envelhecimento com
a arte de viver plenamente. Trata-se de acordar com curiosidade, amor
e propósito, mesmo diante das mudanças”, explica.
E, vale ressaltar que alegria não é simplesmente sentir-se
feliz. “É a experiência de contentamento, gratidão
e significado, independentemente das circunstâncias externas”.
Os quatro pilares fundamentais
No livro Joyspan: The Art and
Science of Thriving in Life’s Second Half (Joyspan: A arte
e a ciência de prosperar na segunda metade da vida, em tradução
livre), recém-lançado nos Estados Unidos, a autora identifica
quatro pilares essenciais que sustentam uma vida longa e plena: crescer,
adaptar, doar e conectar. “Cada um desses elementos é
inegociável para o bem-estar na longevidade, e qualquer pessoa
pode se aprimorar em todos eles”, diz.
Confira o que cada um contempla, segundo Kerry:
- Crescer significa manter
viva a curiosidade, o desejo de continuar aprendendo e se desenvolvendo
como pessoa.
- Adaptar costuma ser o mais desafiador.
“À medida que envelhecemos, a vida nos traz perdas e
transições - problemas de saúde, aposentadoria,
pessoas queridas que se vão. Pode ser tentador nos apegarmos
ao que foi”, reconhece. “Mas a capacidade de se curvar
sem quebrar é o que nos permite seguir em frente”.
- Doar envolve oferecer tempo, atenção
ou paciência. “Quando trocamos o pensamento ‘como
podem me ajudar?’ por ‘como posso ajudar?’, abrimos
espaço para propósito e conexão. E todos têm
algo a oferecer”.
- Conectar é considerado o
antídoto contra o isolamento. É a dedicação
para construir novos relacionamentos e fortalecer os laços
aos já existentes.
Duas mentalidades
Independentemente da idade, a especialista
acredita que cada pessoa tende encarar o envelhecimento de uma das
seguintes formas: como declínio ou como crescimento contínuo.
Segundo Karry, “a primeira acredita
que tudo piora à medida que envelhecemos e depois morremos”.
Infelizmente, essa é a mais prevalente. Por outro lado, a segunda
perspectiva “vê o envelhecimento como um período
de progresso contínuo em se tornar quem você é”,
reconhecendo não apenas os desafios e perdas, mas também
as oportunidades e os pontos fortes que surgem com o tempo.
Em seu livro, ela relata a história de duas vizinhas que simbolizam
essas diferentes mentalidades. Dee, de 81 anos, vê a vida como
uma sequência de perdas. “Eu a vi na varanda enquanto
passeava com os cachorros, e ela me chamou para me contar sobre suas
mãos doloridas, as ‘bobagens’ que passam na TV
e como o calor a faz se sentir mal. Como vê sua vida como uma
queda livre em direção ao abismo, Dee parou de participar
ativamente dela: não busca mais se dedicar aos seus antigos
interesses, entrar em contato com amigos ou se desafiar. As longas
horas passadas em sua poltrona enfraqueceram seriamente suas pernas,
o que ela atribui à maldição da velhice”,
conta.
Já Joan, 82, é o oposto. Caminha todos os dias, se interessa
por novas plantas, livros, exposições. Quando a filha
de Kerry foi diagnosticada com um tumor cerebral, Joan percebeu de
imediato a sua tristeza, ofereceu escuta, acolhimento e ideias de
como lidar com o “novo normal”. “Certa vez, disse
a Joan o quanto admiro sua atitude, e ela riu, dizendo: “Acho
a vida fascinante. Ainda estou crescendo agora, assim como em todas
as outras fases”, conta.
Um exemplo de sucesso
Betty, mãe de Kerry, também
é uma fonte de inspiração e tornou-se uma espécie
de “case vivo” do conceito de joyspan. Aos 96 anos, é
presença ativa nas redes sociais da especialista e inspira
seguidores com postagens sobre sua rotina e reflexões. “Ela
é vibrante, ri com facilidade e ama profundamente. Mantém
a curiosidade pelo mundo, se dedica aos outros, se conecta com as
pessoas diariamente e encara o envelhecimento como um aprofundamento
da vida”, ressalta.
Mas nem sempre foi assim. A transformação
começou quando, no início dos seus 80 anos, decidiu
aplicar os princípios que a própria filha estudava.
“O que ela ensina às gerações mais jovens
é que a alegria não é uma questão de sorte
ou genética; é uma prática para a vida toda que
exige esforço”, destaca Karry. “Sua vida demonstra
que, quando investimos em relacionamentos, generosidade e gratidão,
não apenas vivemos mais e com mais saúde, mas também
podemos desfrutar plenamente de uma vida longa. Existem milhões
de pessoas ao redor do mundo que estão prosperando em termos
de longevidade, e é isso que eu desejo para todos”, conclui.
Fonte:
https://www.estadao.com.br/saude/joyspan-conheca-a-nova-medida-da-longevidade-que-valoriza-o-prazer-de-estar-vivo/
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