27/10/2014
Hospital com asas - Avião oftalmológico
leva clínica, salas de cirurgia e centro de treinamento a países
pobres
por Cláudia Collucci
Ao subir as escadinhas do avião, nada de comissários
dando as boas vindas. No espaço reservado à primeira classe,
há uma sala de aula em que grupo de jovens médicos assiste
a uma cirurgia nos olhos em tempo real.
Poucos passos à frente, um senhor com catarata avançada
passa pela última avaliação médica. Ao seu
lado, duas estudantes treinam a cirurgia em um simulador.
Mais adiante, numa sala asséptica escura, com médicos
e enfermeiros paramentados, o menino Rodrigo, 4, é operado de
estrabismo.
"Fiquei assustada no começo quando soube que a cirurgia
seria em um avião, mas só foi pisar aqui que me convenci
que não poderia existir lugar melhor para o meu filho estar",
conta Giovana Rodrigues, mãe de Rodrigo.
Trata-se de um avião modelo DC-10, doado pela FedEx, totalmente
adaptado para se transformar em um hospital oftalmológico. Neste
ano, já esteve em El Salvador, na Colômbia, no Panamá
e, por último, no Peru.
A iniciativa é da Orbis, uma ONG internacional integrada por
uma equipe de 22 pessoas, entre médicos, enfermeiras, pilotos,
mecânicos e especialistas em logística, a maioria voluntários.
A FedEx e a Omega Watches estão entre as empresas patrocinadoras.
Segundo Jean-Pascal Perret, vice-presidente de comunicação
da Omega Watches, neste ano foram investidos US$ 2 milhões no
projeto.
A Folha acompanhou a missão médica em Trujillo, norte
do Peru, onde o avião esteve pousado nas duas primeiras semanas
de setembro.
No período, 85 cirurgias foram feitas e 172 profissionais de
saúde, treinados.
Segundo Joan McLeod-Omawale, diretora regional da Orbis para a América
Latina e Caribe, a ideia é atender na aeronave casos mais complexos,
que não são atendidos ou têm muita fila de espera
nos serviços de saúde. Das cirurgias feitas, 12 foram
transplantes de córneas.
"Há muitos casos de catarata, glaucoma e inflamações.
São situações em que cegueira é curável",
afirma Joan McLeod-Omawale, diretora regional da Orbis para a América
Latina e Caribe.
No mundo, há 45 milhões de pessoas cegas, 80% delas poderiam
recuperar a visão se recebesse tratamento médico adequado,
segundo Joan. A maioria (90%) vive em países em desenvolvimento,
como o Brasil, que tem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência
visual, sendo 582 mil cegas, segundo dados do IBGE.
Outro objetivo da missão médica é treinar profissionais
locais para que eles possam desenvolver as mesmas técnicas oftalmológicas
no futuro. O avião possui uma sala de aula com 48 lugares.
"O avião chega e vai. É só uma parte. O
principal propósito é multiplicar o conhecimento",
afirma. No Peru, a Orbis é parceira do Instituto Regional de
Oftalmologia.
Segundo o diretor-executivo do instituto, Jaime Pereira, o grande foco
agora é o treinamento para diagnóstico e tratamento de
doenças oftalmológicas em crianças.
"Elas são curáveis em 50% dos casos. Você
muda o curso da vida de uma criança com intervenções
muito simples, na maioria das vezes."
Uma das doenças que preocupa a equipe é a retinopatia
da prematuridade, que aumentado em razão da alta incidência
de bebês nascidos antes de 36 semanas.
A doença leva ao crescimento desorganizado dos vasos sanguíneos
que suprem a retina. Esses vasos podem sangrar e, em alguns casos, a
retina pode descolar e fazer a criança perder a visão.
Desde 1982, a Orbis já realizou programas em 92 países.
Mais de 23 milhões de tratamentos ópticos foram realizados,
com 250 mil profissionais treinados.
O avião-hospital nunca pousou no Brasil. Segundo Joan McLeod-Omawale,
diretorda da ONG, por falta de convite "Só vamos aonde somos
convidados."
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/191445-hospital-com-asas.shtml
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