27/10/2014
Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke
18 de outubro de 2014
Divaldo Franco,
uma legenda do Movimento Espírita nacional e internacional, seguindo
uma disciplina rígida, cumpre seus compromissos de forma magistral,
sacrificando horas de repouso para estar antecipadamente nos eventos,
atendendo as pessoas que o procuram para um cumprimento, uma palavra
de estímulo, e mesmo concedendo autógrafos.
O moderno e confortável
Teatro da Universidade FEEVALE recebeu a presença de mil e oitocentas
pessoas que assistiram o minisseminário Psicologia do Perdão.
Compuseram a mesa diretiva, juntamente com Divaldo Franco, o Presidente
do Centro Espírita À Caminho da Luz, JoãoBatista
Ribeiro, e o representante do Centro Espírita Fé, Luz
e Caridade, Jorge Machado.
Baseado no livro
Sun Flower, de Simon Wiesenthal, sobrevivente de vários
campos de concentração nazistas, notadamente no de Mauthausen
durante a Segunda Guerra Mundial, e de onde foi libertado, Divaldo narra
um episódio emocionante. O soldado das tropas SS, Karl Silberbauer,
em seu leito de morte, após ferimentos recebidos, solicita a
presença de um judeu. Simon Wiesenthal foi o escolhido. Na presença
de Karl, Simon recebe dele, após indagar se realmente era Judeu,
um pedido de perdão pelos crimes e atrocidades cometidos.
A família de Simon havia sido destroçada pelos nazistas.
Ele escutou o pedido de perdão, e sem responder deixou o local.
Visando uma reflexão de cada presente, Divaldo perguntou: Você
perdoaria? Se o fato tivesse acontecido com você, perdoaria? Com
essa introdução, o Embaixador da Paz no Mundo,
passou a discorrer sobre o perdão, seus benefícios e características
alinhadas por diversos pensadores e filósofos. O medo, a ira
e o amor, três emoções básicas experimentadas
pelo ser humano, foram abordadas nos seus aspectos fisiológicos
e psicológicos.
O perdão, disse o orador por excelência, exige o não
ressentimento e para se alcança-lo é necessário
realizar um treinamento para perdoar. Todo o crime merece repúdio,
porém, não se deve ser contra o criminoso, esse merece
compaixão. Paralelo à Primeira Guerra Mundial, aconteceu
a guerra entre turcos e armênios, no período de 1915 a
1917. Como em toda a guerra a barbárie é soberana. A Armênia
invadida pelos turcos viu seu povo ser dizimado.
Não foi diferente para uma família modesta. Invadida a
casa, os soldados turcos mataram, de imediato, os pais de duas jovens.
A mais moça, quase uma criança, foi entregue aos soldados
que a estupraram até a morte, a outra, um pouco mais velha, foi
transformada em escrava sexual do comandante daquela tropa.
Terminada a guerra, e tendo conseguido se evadir, a agora ex-escrava
diplomou-se em enfermagem na Turquia. Por volta dos anos de 1926/1927,
um homem hospitalizado, coberto de úlceras putrefatas e agonizante
necessitava de cuidados especiais, estava morrendo. A enfermeira armênia
foi solicitada a cuidar daquele enfermo terminal. Dedicou-se inteiramente,
devotadamente, devolvendo-lhe a saúde. Quando recebeu alta, agradeceu
ao diretor médico pelos cuidados que tivera recebido. No entanto
o diretor disse-lhe que os méritos eram daquela dedicada enfermeira.
Agradeceu-a, e por que notara um sotaque, indagou de que país
ela procedia. Informou que era da Armênia. Ela deu-se a conhecer
e ele admirado sobre o gesto extremado de amor, indagou se o havia reconhecido
como seu algoz e por que deixou-o viver. A resposta foi positiva e que
havia razões para cuidar dele. Era cristã, assim não
poderia prejudicar ninguém, nem mesmo um bárbaro algoz,
como ele fora. Ela o havia perdoado, apertaram-se as mãos. Você
seria capaz de perdoar? Indagou o professor Divaldo Franco.
Apresentando estudos realizados por neurocientistas e pesquisadores
diversos, Divaldo expos os benefícios do perdão e do autoperdão.
É necessário, frisou, conjugar o verbo amar. Todos os
que se encontram na Terra precisam desenvolver o sentimento, a emoção
amor. Ao exercer o perdão, a criatura humana está desenvolvendo
a generosidade. A beleza salvará o mundo, nas palavras de Dostoievski.
O erro é uma metodologia que ensina o que não se deve
fazer. Dê-se o direito de errar, porém, não se permita
permanecer no erro. Reabilite-se! Ensinou o arauto do evangelho e da
paz. A reabilitação, se possível, deve ser com
a pessoa ofendida. Se não for possível, reabilite-se fazendo
o bem a outrem.
Os grupos musicais do Centro Espírita Fé, Luz e Caridade
e o Ciranda, Cirandinha abrilhantaram o evento, arrancando calorosos
aplausos. No final, todos juntos cantaram a canção Paz
pela Paz, de Nando Cordel. O público sempre muito atento e participativo
agradeceu o trabalho apresentado pelo nobre orador com um forte aplauso,
quando então todos se posicionaram de pé.





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