17/10/2014
Europeus 'surgiram a partir de três tribos'
O europeu moderno teve origem a partir da mistura, ao
longo dos últimos 7 mil anos, de apenas três tribos da
antiguidade, segundo um estudo publicado na revista Nature.

Desenho feito por artista mostra como era o caçador
de pele morena e olhos azuis
A principal miscigenação partiu do encontro
de uma tribo de caçadores de pele morena e olhos azuis com outra
vinda do Oriente e formada por fazendeiros de pele clara e olhos castanhos.
Uma terceira tribo de características siberianas também
contribuiu para a formação da genética europeia
moderna.
A pesquisa foi feita a partir da análise do genoma dos restos
de nove europeus que viveram na antiguidade.
Caçadores
A agricultura surgiu no Oriente, em território hoje formado pela
Síria, o Iraque e Israel, antes de se expandir para a Europa
há cerca de 7,5 mil anos.
Evidências apontavam que este novo estilo de vida havia se espalhado
pelo continente com a chegada de imigrantes, que tiveram filhos com
integrantes de tribos europeias de caçadores com os quais encontraram
em seu caminho migratório.
Mas as crenças sobre a origem europeia tinham como base os padrões
genéticos de pessoas vivas. A análise do DNA de ossos
antigos testou estas teorias e trouxe algumas surpresas.
O DNA contém instruções bioquímicas para
a construção do organismo humano e se encontra no núcleo
de nossas células.
No novo estudo, David Reich e seus colegas da Escola de Medicina de
Harvard estudaram o genoma de sete caçadores da Escandinávia,
de um outro caçador cujos restos mortais foram encontrados em
uma caverna em Luxemburgo e de um fazendeiro de Stuttgart, na Alemanha.
Os caçadores chegaram à Europa milhares de anos antes
do surgimento da agricultura, se abrigaram no sul do continente durante
a Era do Gelo e se espalharam no período conhecido como Mesolítico,
depois que as camadas de gelo derreteram no norte e no centro da Europa.
O genoma do grupo não corresponde ao de nenhuma população
moderna, o que indica que ele se perdeu com a evolução
humana, na transição para uma sociedade baseada na agricultura.
No entanto, seus genes sobrevivem no DNA de europeus modernos, principalmente
naqueles que vivem no norte e no leste do continente.
O genoma do fazendeiro de Stuttgart tinha um padrão completamente
diferente, compatível com o da população atual
da ilha da Sardenha, na Itália, e era bem diferente do genoma
dos caçadores antigos.
Mas, apesar dos fazendeiros da antiguidade compartilharem algumas similaridades
genéticas com populações atuais do Oriente, também
há diferenças significativas.
Reich sugere que migrações mais recentes à "terra
natal" dos fazendeiros podem ter diluído seu material genético
nesta região.
Os genes responsáveis pela pigmentação dos olhos
e da pele de caçadores e fazendeiros mostra que, enquanto o cabelo
escuro, os olhos castanhos e a pele alva dos fazendeiros antigos não
seria algo estranho nos dias de hoje, os caçadores se destacariam
na multidão.
"Eles tinham uma combinação de
pele escura e olhos azuis que não existe mais nos dias de hoje",
disse Reich à BBC.
Carles Lalueza-Fox, do Instituto de Biologia Evolucionária
em Barcelona, na Espanha, disse que a pesquisa contraria as noções
atuais destas populações antigas.
"As reconstruções das populações
mesolíticas sempre as mostraram com pele alva. E os fazendeiros
às vezes aperecem com pele escura. Esse estudo mostra que era
o contrário."
Pele clara
Então, de onde veio a pigmentação mais clara dos
europeus de hoje? Provavelmente os fazendeiros tinham um gene de pele
mais clara que persiste até hoje.
"Existe um argumento que diz que a pele clara
é mais vantajosa para quem realiza agricultura, porque estas
pessoas precisam produzir vitamina D, enquanto os caçadores
conseguem esta vitamina de sua comida", diz Reich.
"Uma vez que o caçador se torna agricultor, ele não
tem mais tanto acesso a esse tipo de vitamina, então, existe
uma seleção natural que 'clareia' a pele da população."
Quando os pesquisadores analisaram o DNA de 2.345 pessoas
dos dias de hoje, eles descobriram que uma terceira população
influenciou na complexidade genética dos europeus modernos.
Essa tribo "adicional" é a mais enigmática e,
de forma surpreendente, tem relações com os nativos da
América.
Pistas deste grupo surgiram na análise do genoma europeu há
dois anos. Chamados de "eurasianos do norte", este grupo permaneceu
como uma "população fantasma" até 2013,
quando cientistas publicaram o genoma de um garoto que viveu há
24 mil anos na Sibéria.
Esse indivíduo tinha similaridades genéticas tanto com
europeus quanto com nativos americanos, o que sugere que ele fazia parte
de uma população que havia contribuído para a migração
rumo ao Novo Mundo há 15 mil anos e depois para a Europa.
O caçador antigo de Luxemburgo e o fazendeiro da Alemanha não
exibem sinais de miscigenação com esta população,
implicando que este terceiro ancestral foi adicionado à mistura
continental depois que a agricultura já havia se estabelecido
na Europa.
O estudo também revelou que os primeiros fazendeiros e seus descendentes
europeus têm como ancestrais uma linhagem antiga conhecida "eurasianos
basais". Este grupo representa a primeira separação
ocorrida entre os humanos que deixaram a África há 60
mil anos.
Fonte: http://www.bbc.co.uk
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