06/09/2014
reportagem do Portal G1
Brasil é o 8º país com mais
suicídios no mundo, aponta relatório da OMS - Estudo diz
que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo. País
com mais mortes é a Índia, segundo a agência das
Nações Unidas. Cercado de tabus, o suicídio mata
800 mil por ano
Novo relatório divulgado pela Organização Mundial
de Saúde, a OMS, chama a atenção de governos para
o suicídio, considerado “um grande problema de saúde
pública” que não é tratado e prevenido de
maneira eficaz.
Segundo o estudo, 804 mil pessoas cometem suicídio todos os
anos – taxa de 11,4 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes.
De acordo com a agência das Nações Unidas, 75% dos
casos envolvem pessoas de países onde a renda é considerada
baixa ou média.
O Brasil é o oitavo país em número de suicídios.
Em 2012, foram registradas 11.821 mortes, sendo 9.198 homens e 2.623
mulheres (taxa de 6,0 para cada grupo de 100 mil habitantes). Entre
2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes –
alta de 17,8% entre mulheres e 8,2% entre os homens. O país com
mais mortes é a Índia (258 mil óbitos), seguido
de China (120,7 mil), Estados Unidos (43 mil), Rússia (31 mil),
Japão (29 mil), Coreia do Sul (17 mil) e Paquistão (13
mil).
O levantamento diz ainda que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio
e apenas 28 países do mundo possuem planos estratégicos
de prevenção. A mortalidade de pessoas com idade entre
70 anos ou mais é maior, de acordo com a pesquisa.
Dificuldades
Para a OMS, o tabu em torno deste tipo de morte impede que famílias
e governos abordem a questão abertamente e de forma eficaz.
“Aumentar a conscientização e quebrar o tabu
é uma das chaves para alguns países progredirem na luta
contra esse tipo de morte”, diz o relatório.
O estudo da OMS aponta que os homens cometem mais suicídio que
as mulheres. Nos países ricos, a taxa de mortalidade de pessoas
do sexo masculino é três vezes maior que a de óbitos
envolvendo o sexo feminio.
Sobre as causas, o relatório afirma que em países desenvolvidos
a prática tem relação com desordens mentais provocadas
especialmente por abuso de álcool e depressão. Já
nos países mais pobres, as principais causas das mortes são
a pressão e o estresse por problemas socioeconômicos.
Muitos casos envolvem ainda pessoas que tentam superar traumas vividos
durante conflitos bélicos, desastres naturais, violência
física ou mental, abuso ou isolamento.
Resposta nacional
De acordo com a OMS, uma maneira de dar uma resposta nacional a este
tipo de morte é estabelecer uma estratégia de prevenção,
como a restrição de acesso a meios utilizados para o suicídio
(armas de fogo, pesticidas e medicamentos), redução do
estigma e conscientização do público. Também
é preciso fomentar a capacitação de profissionais
da saúde, educadores e forças de segurança, segundo
o estudo.
Para a agência, os serviços de saúde têm que
incorporar a prevenção como componente central.
“Os transtornos mentais e consumo nocivo de álcool
contribuem para mais casos em todo o mundo.
A identificação precoce e eficaz são fundamentais
para conseguir que as pessoas recebam a atenção que
necessitam”.
O suicídio do ator Robin Williams, ocorrido há
menos de um mês, reacendeu o debate sobre o tema. O histórico
de depressão e de dependência de álcool, características
apresentadas pelo ator Robin Williams, são dois importantes fatores
de risco para o suicídio.
O ator de 63 anos morreu no dia 11, depois de se enforcar com um cinto,
de acordo com a polícia local. Segundo a agente do ator, Mara
Buxbaum, ele estava lutando contra uma depressão severa e já
tinha sido internado várias vezes em clínicas de reabilitação
por problemas com drogas e álcool. A última internação
foi em julho.
Segundo o psiquiatra Geraldo Possendoro, professor convidado de Medicina
Comportamental da Unifesp, em mais de 90% dos casos de suicídio,
a pessoa já tinha alguma doença psiquiátrica. Ele
acrescenta que não é incomum que pessoas com depressão
e que não são tratadas adequadamente recorram a drogas
e álcool para aliviar o sofrimento.
A psicóloga Karen Scavacini, cofundadora do Instituto Vita Alere
de Prevenção e Posvenção do Suicídio,
afirma que além dos sinais diretos que a pessoa emite quando
tem a intenção de se matar – falar explicitamente
que quer morrer, por exemplo – alguns sinais indiretos também
podem ser percebidos.
“A pessoa começa a se despedir de parentes e amigos,
pode apresentar muita irritabilidade, sentimento de culpa, choros
frequentes.
Também pode começar a colocar as coisas em ordem e ter
uma aparente melhora de um quadro depressivo grave, de uma hora para
outra. Muitas vezes, isso significa que já se decidiu pelo
suicídio, por isso fica mais tranquila. É a falsa calmaria”,
diz.
Comportamentos de risco desnecessários podem ser observados
nesse período.
Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/09/brasil-e-o-8-pais-com-mais-suicidios-no-mundo-aponta-relatorio-da-oms.html
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Uma pessoa se mata a cada 40 segundos,
diz OMS em relatório inédito
reportagem do portal da BBC Brasil

Cercado de tabus, o suicídio mata 800 mil
por ano
Um relatório inédito divulgado nesta quinta-feira pela
OMS (Organização Mundial da Saúde) indica que uma
pessoa se mata no mundo a cada 40 segundos.
O documento, que reúne
dados compilados em dez anos de pesquisas sobre o suicidio ao redor
do mundo, descreve a questão como um grave problema de saúde
pública, frequentemente cercado de tabus, que precisa ser enfrentado
pelas autoridades.
A OMS estima que 800 mil pessoas
se suicidam por ano em todo o planeta. Essa é a segunda maior
causa de morte em pessoas entre 15 e 29 anos, enquanto que os mais de
70 anos são aqueles que mais frequentemente se tornam suicidas.
Apesar disso, apenas 28 países têm uma estratégia
nacional de prevenção de suicídios.
Por meio de nota, o Governo Federal informou à BBC Brasil que
é o Brasil dos países que conta com uma política
nacional nesse sentido, oferecendo "acompanhamento psicológico
e psicoterápico, incluindo terapia ocupacional, bem como assistência
psiquiátrica hospitalar".
Nas escolas
A organização diz o estigma social associado a desordens
mentais impede pessoas de buscar ajuda e, em último caso, acaba
levando muitas pessoas a atentar contra a própria vida.
Por isso, a OMS está pedindo que os diferentes países
ofereçam mais apoio às pessoas que já tentaram
alguma vez se matar e que, por isso, fazem parte de um grupo de maior
risco. A meta estabelecida pela organização é reduzir,
em 10%, a taxa de suicídio mundial até 2020.
No relatório, a OMS também ataca
a mídia, dizendo que publicar notícias com detalhes sobre
suicídios estimula outras pessoas a também tentar se matar.
Isso teria acontecido recentemente com a cobertura do suicídio
do ator hollywoodiano Robin Williams.
Outro ponto levantado pela organização é a necessidade
de limitar o acesso das pessoas a armas de fogo e produtos químicos
letais.
“Não importa qual
é a política adotada pelo país em termos de prevenção
ao suicídio, medidas efetivas podem ser tomadas, mesmo que
seja em nível local e em pequena escala”, diz Alexandra
Fleischmann, cientista do departamento de saúde mental de abuso
de substâncias da OMS.
Ativistas ressaltam também a necessidade de
falar mais sobre o assunto nas escolas.
“Eu acho que é necessário haver
mais conscientização pública sobre o suicídio
e sobre como abordar as pessoas que podem estar tendo pensamentos
e sensações suicidas”, diz Jonny Benjamim, um
ativista britânico que participa de campanhas contra o suicídio
na Grã-Bretanha.
“Muito poucos de nós sabe como reagir quando se depara
com uma pessoa que pode estar em risco.”
“Eu acho que é preciso haver muito mais conscientização
pública e muito mais educação nas escolas também,
já que as estatísticas mostram que os jovens estão
sujeitos a um risco particulamente alto de acabar com suas próprias
vidas”, completou.
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/09/140904_suicidio_omsrg.shtml
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OMS: Brasil é 4º em crescimento de
suicídios na América Latina

Apenas quatro países latino-americanos tiveram
mais aumento de suicídiso que o Brasil em 12 anos
O Brasil é o quarto país latino-americano com o maior
crescimento no número de suicídios entre 2000 e 2012,
segundo um relatório inédito divulgado nesta quinta-feira
pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
O documento, que reúne
dados compilados em dez anos de pesquisas sobre o suicidio ao redor
do planeta, descreve a questão como um grave problema mundial
de saúde pública, frequentemente cercado de tabus, que
precisa ser enfrentado pelas autoridades.
De acordo com o relatório, na América
Latina, apenas cinco países tiveram um aumento percentual no
número de suicídios entre 2000 e 2012: Guatemala (20,6%),
México (16,6%), Chile (14,3%), Brasil (10,4%) e Equador (3,4%).
A OMS estima que 800 mil pessoas se suicidam por ano em todo o planeta,
uma pessoa a cada 40 segundos. Essa é a segunda maior causa de
morte em pessoas entre 15 e 29 anos, enquanto que os mais de 70 anos
são aqueles que mais frequentemente se tornam suicidas.
Apesar disso, apenas 28 países têm uma estratégia
nacional de prevenção de suicídios, de acordo com
a OMS, e o Brasil é um deles. Segundo o Ministério da
Saúde, "a rede pública oferece acompanhamento psicológico,
psicoterápico e assistência psiquiátrica hospitalar"
para prevenir suicídios.
Líder entre latinos
Em números absolutos, o Brasil é líder entre os
países latino-americanos, de acordo com o relatório. Foram
11.821 suicídios entre 2010 e 2012.
Apesar de terem apresentado um aumento maior de suicídios que
o Brasil, os outros três países que lideram o crescimento
de casos na América Latina têm quantidades bem inferiores
de casos.
A Guatemala, cuja cifra aumentou 20,6% desde 2000, teve 1.101 registros.
Já o México, segundo no ranking, teve 16,6% casos a mais
em 2012, mas o país soma 4.951, menos da metade dos casos brasileiros.
No Brasil, chama a atenção o fato de o número de
mulheres que tiraram a própria vida ter crescido mais (17, 80%)
do que o número de homens (8,20%) no período de 12 anos.
Números do suicídio
no Brasil |
| |
Suicídios em 2012 |
Taxa por 100 mil habitantes (2012) |
Taxa por 100 mil habitantes (2000) |
Aumento em 12 anos |
| Mulheres |
2.623 |
2,5 |
2,1 |
17,80% |
| Homens |
9.198 |
9,4 |
8,7 |
8,20% |
| Total |
11.821 |
5,8 |
5,3 |
10,40% |
Nas escolas
A OMS diz o estigma social associado a desordens mentais impede pessoas
de buscar ajuda e, em último caso, acaba levando muitas pessoas
a atentar contra a própria vida.
Por isso, a organização está pedindo que os diferentes
países ofereçam mais apoio às pessoas que já
tentaram alguma vez se matar e que, por isso, fazem parte de um grupo
de maior risco. A meta estabelecida pela organização é
reduzir, em 10%, a taxa de suicídio mundial até 2020.
No relatório, a OMS também ataca a mídia, dizendo
que publicar notícias com detalhes sobre suicídios estimula
outras pessoas a também tentar se matar. Isso teria acontecido
recentemente com a cobertura do suicídio do ator hollywoodiano
Robin Williams. Outro ponto levantado pela organização
é a necessidade de limitar o acesso das pessoas a armas de fogo
e produtos químicos letais.
Ministério da Saúde
A reportagem da BBC Brasil entrou em contato com o Ministério
da Saúde para saber se havia alguma ação específica
da pasta para tratar o problema crescente do suicídio no país.
Na resposta, o Ministério mencionou um plano de ação
chamado "Estratégia de Diretrizes Nacionais de Prevenção
do Suicídio", que inclui 2.128 Centros de Atenção
Psicossocial (CAPs) espalhados pelo Brasil para realizar assistência
especializada, com capacidade para 43 milhões de atendimentos
por ano.
Nesses centros, ainda de acordo com o governo, "o paciente recebe
atendimento próximo da família, assistência média
e cuidado terapêutico conforme o seu quadro de saúde. O
local também prevê a internação quando há
orientação médica."
O investimento total do Ministério da Saúde na prevenção
ao suicídio com a criação dos CAPs foi de R$ 2
bilhões nos últimos três anos.
A pasta ainda informou que a rede pública disponibiliza medicamentos
gratuitos (sob prescrição médica) para tratar doenças
psiquiátricas, como a depressão - uma das causas mais
comuns que levam ao suicídio.
Sobre o crescimento do número de suicídios no Brasil,
o Ministério disse que "a taxa média brasileira (5,8
por 100 mil habitantes) é praticamente a metade da média
mundial (11,4 por 100 mil) e está bem abaixo de outros países
da América do Sul, como Argentina (10,3), Bolívia (12,2),
Equador (9,2), Uruguai (12,1) e Chile (12,2)."
Fonte:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/09/140904_suicidios_brasilrg.shtml
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