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André Marouço, diretor de Causa e Efeito
09/07/2014
Agenda Espírita Brasil entrevista André
Marouço, diretor de Causa e Efeito
A equipe da Agenda Espírita Brasil teve a honra
de entrevistar André Marouço, diretor do filme Causa e
Efeito, que estreou no último dia 03 de julho nos cinemas de
todo o Brasil.
Confira a entrevista:
Agenda Espírita Brasil:Qual
sua relação com o Espiritismo? Você frequenta alguma
casa, faz leituras, desenvolve algum trabalho?
André Marouço: Sou espírita
desde os 19 anos de idade, tenho estudado essa maravilhosa doutrina
e isso tem sido essencial nesta minha existência. Sou expositor
do Curso de Doutrina do Centro Espírita Nosso Lar Casas André
Luiz, e trabalho como médium em reunião mediúnica.
Agenda Espírita Brasil: Conte-nos um pouco sobre a experiência
de dirigir um filme de temática espírita, pela segunda
vez, e como isso se diferencia da direção de filmes de
outra natureza.
André Marouço: Sou profissional de audiovisual
mesmo antes de me tornar espírita, porém, o cinema é
uma área nova em minha vida, tenho me dedicado a esta arte, desde
O Filme dos Espíritos, e não tenho interesse algum em
fazer cinema que não esteja associado com a doutrina dos espíritos,
entendo que essa é uma excelente oportunidade de acelerarmos
a divulgação do Consolador Prometido. Em relação
às diferenças, eu diria que a principal diferença
é na captação de recursos, as empresas não
aportam recursos para obras espíritas por temerem sofrer antipatia
aos seus pro-dutos, marcas e serviços por parte de outros grupos
religiosos, assim geralmente as empresas que patrocinam os filmes espíritas
quase sempre são aquelas cujos donos são espíritas.
No mais, entendo eu que a forma como se faz é a mesma que como
é feito com o cinema em geral, com a vantagem que percebemos
o apoio da espiritualidade maior o tempo todo.
Agenda Espírita Brasil: Você poderia nos contar
quais foram as motivações iniciais que levaram ao desenvolvimento
desta obra cinematográfica?
André Marouço: Essencialmente o amor
que tenho pela doutrina espírita e pelo cinema, o SET de filmagem
de um filme espírita, embora seja um ambiente turbulento, afinal
é sempre pouco dinheiro e muitos desafios, mas ainda assim, para
mim é o melhor lugar do mundo e é ali que me sinto mais
vivo e produtivo.
Agenda Espírita Brasil: Você mescla cotidiano,
temas atuais e a doutrina espírita, no enlaçamento de
causas e efeitos, em uma grande rede, na lógica da reencarnação.
Esse formato permite inovações de roteiro e direção?
André Marouço: Sim, sempre, especialmente
de roteiro, quanto à questão direção entendo
que como quase sempre os recursos ainda são contados, não
podemos inovar muito, aliás, quando o filme é lançado
a crítica especializada em cinema não poupa ataques as
nossas obras, exatamente por não podermos contar com os melhores
recursos técnicos, dessa forma, ficamos com a história
(roteiro) e com a atuação e entendo que assim será
até que o mundo empresarial acorde para a necessidade de patrocinar
obras como estas que não tem qualquer interesse de conversão
de fiéis, mas sim de iluminação de mentes e corações.
Agenda Espírita Brasil: “Causa e efeito”
é um filme de espíritas, para espíritas ou sobre
espíritas?
André Marouço: Causa e Efeito é
um filme espírita para espíritos, antes de tudo trata-se
de uma obra de entretenimento, as pessoas vão assistir Homem
Aranha e ninguém acredita que pode sair jogando teias e escalando
edifícios, com nosso filme se dá o mesmo, se os espectadores
não acreditarem na comunicabilidade com espíritos, na
reencarnação. Ainda assim se emocionarão com a
trama, mas o diferencial é que, além disso, deixamos uma
reflexão acerca dos grandes ensinamentos que a doutrina deixa
para os espíritos que assistirem a obra.
Agenda Espírita Brasil: O ecumenismo é uma das
tônicas do filme. A mensagem da comunhão e do diálogo
entre as crenças aparece de que forma na película?
André Marouço: Vivemos em um mundo que
após séculos e mais séculos tem vivenciado as guerras
em “nome de Deus”. No Brasil, embora convivamos com uma
apa-rente convivência pacífica entre religiosos, sabemos
que o sectarismo faz ainda hoje seus estragos, assim desejamos inserir
na trama estes três religiosos, com crenças distintas,
mas que se unem para mitigar a dor humana. Acho eu que aquilo que une
os religiosos é muito maior daquilo que os separa, eu posso não
acreditar nos dogmas católicos, ou no juízo final dos
evangélicos e eles, por sua vez, podem não acreditar na
reencarnação, mas todos nós cremos e respeitamos
uma força que aprendemos a chamar de Deus e todos cremos que
o caminho da religião é o do amor, dessa forma, o filme
traz essa proposta de reunião entre os filhos do Altíssimo.
Agenda Espírita Brasil: A justiça com as próprias
mãos, tema que está em alta por conta dos linchamentos
recentes, figura nas temáticas do filme. Você acha que
o filme trará uma reflexão nesse sentido?
André Marouço: Sim, acredito e esse
foi o intuito, a justiça dos homens, em seus tribunais dirigidos
por leis bem fundamentadas e por homens e mulheres altamente conhecedores
dos meandros jurídicos muitas vezes acabam por cometer erros
em julgamentos cercados de cuidados, imaginem quando se decide pelo
julgamento sumário e passional? De outro lado, o filme mostra
o lado psicológico obscuro do personagem que afundou no desejo
de vingança entendendo ser isso uma justiça, da forma
como apresentamos a trama, deixamos bem claro a importância dos
tribunais humanos e, além disso, a perfeição da
lei divina que não deixa nada nem ninguém impune.
Agenda Espírita Brasil: Você é uma pessoa
de causas ou de efeitos?
André Marouço: Todos somos seres de
Causa e Efeito, a nossa Causa é o criador que nos fez simples
e ignorantes e tem nos dado o suporte para evoluirmos através
das sucessivas encarnações e o efeito somos nós,
seres a caminho da luz. No meu dia a dia, tento lutar uma guerra santa,
uma guerra contra as minhas más inclinações, às
vezes venço e o efeito é o amor, às vezes perco
e experimento a dor educativa, assim é com toda a humanidade.
Agenda Espírita Brasil: A temática espírita
obteve boas bilheterias do público nos cinemas e isso tem atraído
a atenção das pessoas às casas espíritas,
aos livros da dou-trina etc. Que possibilidades você vê
nessa nova forma de divulgação da doutrina e que excessos
você pensa que devemos nos preocupar?
André Marouço: Enquanto os filmes estiverem
sendo produzidos por instituições e pessoas sérias
a temática vai adiante, mas para que isso aconteça é
necessário que o público espírita compareça
massivamente nas salas de cinema já na estreia desses filmes.
Quanto às preocupações em relação
às obras, entendo que elas devem ocorrer, especialmente através
da chancela da casa máter do Espiritismo no Brasil. Se a FEB
apoia um filme, entendo que aos espíritas cabem seguir esse apoio,
se ela não o fizer, apoiemos com ressalvas, ou seja, assistimos
antes e então decidimos se cabe ou não o nosso apoio.
Agenda Espírita Brasil: Quais são seus próximos
projetos no cinema?
André Marouço: Estamos trabalhando no
primeiro documentário espírita sobre a vida e obra de
Jesus, o título é “Nos Passos do Mestre” e
esperamos lançá-lo no ano que vem.
Agenda Espírita Brasil: Deixe uma mensagem final para
quem ainda não assistiu ao filme.
André Marouço: Há três
anos nós temos trabalhado neste filme e acreditamos que um filme
espírita se faz através de um tripé:
1) Os espíritos superiores nos inspiram a história,
nos ajudam na busca de recursos, encaminham os profissionais que farão
o filme ir adiante;
2) Os encarnados técnicos e artistas arregaçam as mangas
e lutam anos a fio para fazer com que a obra chegue aos cinemas;
3) Os espíritas recebem o filme e levam-no adiante, lotando
as salas, organizando caravanas.
As duas primeiras partes desse tripé fizeram a sua parte, acreditamos
que a terceira parte também fará.
Confira o trailer do filme:
Paulo é um ex-policial que perdeu a esposa e o filho em um acidente
de carro causado por um motorista alcoolizado. Agora, Paulo é
um matador de aluguel em busca de justiça. Porém, quando
recebe a proposta para matar uma garota de programa, importantes mudanças
acontecem em sua vida.
Elenco:
Matheus Prestes, Naruna Costa, Maurycio Madruga, Luiz Serra, Henrique
Lisboa, Haroldo Serra, Felipe de Mônaco, Maritta Cury, Henri Pagnoncelli
Rosi Campos