04/07/2014
1801: Surge o judaísmo reformado
No dia 3 de julho de 1801, o negociante Israel
Jacobson fundou uma escola religiosa na região alemã do
Harz, dando início ao judaísmo reformado.
Quatro placas cimentadas no calçamento marcam a área do
templo e um obelisco rememora a sua destruição: a sinagoga
de Seesen foi incendiada na noite do pogrom de 9 de novembro de 1938.
Muito antes, na sua inauguração há 200 anos, o
templo fora palco de um fato histórico: o surgimento do judaísmo
reformado.
No dia 3 de julho de 1801, o negociante Israel Jacobson recebeu do duque
Wilhelm Ferdinand, de Braunschweig, a permissão de construir
a Escola Religiosa e Industrial na cidadezinha de Seesen, na região
do Harz. O objetivo principal dessa escola era propiciar às crianças
judias a formação geral e a educação dentro
dos parâmetros morais burgueses, ao lado também de um treinamento
profissional.
Israel Jacobson
Aproximação entre judeus e cristãos
Elas não deveriam mais ficar presas apenas à
profissão tipicamente judaica de comerciante. Além dessa
emancipação de cunho prático, Jacobson desejava
fomentar o convívio entre judeus e cristãos, já
a partir da infância. Assim, apenas um ano após a sua criação,
a escola de Jacobson começou a ser frequentada também
por crianças cristãs.
Essa aproximação do judaísmo com o seu ambiente
cristão era uma consequência dos escritos iluministas de
Moses Mendelssohn – e foi adotada por Israel Jacobson também
na configuração formal do culto religioso da sinagoga.
No templo da sua escola, foram celebrados os primeiros cultos judeus
reformados.
A denominação inicial de templo, em vez de sinagoga, já
demonstrava a diferença em relação às igrejas
judaicas tradicionais. Jacobson introduziu a música de órgão,
bem como o canto coral. A prédica não era mais feita em
hebraico e sim no idioma nacional, o alemão. Foi eliminada a
tradicional separação dos assentos de homens e de mulheres.
Posteriormente, Jacobson substituiu até mesmo a tradicional cerimônia
de Bar Mitzwah por uma cerimônia de confirmação
da fé para meninos e meninas.
A cultura protestante do norte da Alemanha lhe serviu de modelo. Os
judeus não queriam mais viver à parte, mas sim mais integradas
na sociedade e na religião. Isto era manifestado também
pela inscrição sobre a porta de entrada do templo de Seesen:
"Não temos todos nós um único pai? Não
nos criou um único Deus?".
Expansão do movimento
O modelo de Seesen logo foi seguido pelas comunidades
de Wolfenbüttel, Dessau e Frankfurt. A partir de 1817, surgiu em
Hamburgo até mesmo o chamado Movimento do Templo. Em meados do
século 19, após querelas entre as comunidades judaicas,
uma grande parte dos reformistas mais resolutos emigrou para os EUA.
Nos Estados Unidos, o movimento reformista ganhou um novo impulso. Sob
a égide do rabino Isaac Mayer Wise, os paradigmas centrais de
reforma do judaísmo norte-americano foram formulados em fóruns
públicos em Filadélfia e Pittsburgh.
Foi criado um breviário de grande aceitação, assim
como o Hebrew Union College, um centro de formação de
rabinos. A maior parte dos judeus reformados encontra-se, ainda hoje,
nos EUA. Lá, perfazem 35% de todas as comunidades sinagogais.
Em Israel, os reformistas são ativos, mas não reconhecidos
oficialmente. Isto é uma consequência do posicionamento
antissionista dos judeus reformados. Dos 13 milhões de judeus
em todo o mundo, cerca de 1,5 milhão praticam hoje a doutrina
reformista.
Antes do Holocausto, o judaísmo reformado era dominante também
nas comunidades judaicas alemãs. As comunidades fundadas depois
de 1945 tiveram então uma orientação ortodoxa,
pelo fato de a maioria dos seus integrantes ser de origem europeia oriental.
Ressurgimento na Alemanha
Somente nos últimos anos é que ressurgiu um pequeno movimento
reformista, organizado a partir de 1997, através da União
dos Judeus Progressistas. Sua meta é fomentar "o estudo
da tradição judaica, em harmonia com o moderno".
Em primeiro plano, está o objetivo de "despertar o interesse
ativo pelo judaísmo progressista naqueles que até agora
ficaram afastados da vida religiosa".
Isso abrange sobretudo os judeus russos, que emigraram ultimamente para
a Alemanha. Os rabinos progressistas, tanto homens como mulheres, recebem
a sua formação no Colégio Abraham Geiger, em Potsdam,
fundado em inícios do século 21.
Desta maneira, o judaísmo reformado retornou à Alemanha
– mais de 60 anos após a destruição do templo
de Jacobson, o berço do movimento. Em Seesen, já não
há comunidade judaica. Mas a antiga Escola Religiosa e Industrial,
com a qual tudo começou, ainda existe e traz hoje o nome do seu
fundador: Ginásio Jacobson.
Fonte:
http://dw.de/p/1L7s
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