09/03/2014
Estudo traça perfil do atendimentos em centros espíritas
por Valéria Dias
Um levantamento realizado em 55 centros espíritas da cidade de
São Paulo aponta que, juntos, os atendimentos espirituais chegam
a cerca de 15 mil por semana (60 mil ao mês).
“Este número é muito superior
ao atendimento mensal de hospitais como a Santa Casa, que atende cerca
de 30 mil pessoas, ou do Hospital das Clínicas, com cerca de
20 mil atendimentos”, destaca o médico psiquiatra Homero
Pinto Vallada Filho, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade
de Medicina da USP (FMUSP).
A média relatada de atendimentos semanais em
cada instituição foi de 261 pessoas.
Um dos atendimentos da Federação
Espírita:
palestras sobre o Evangelho
“Sabemos, por meio de vários estudos, que a abordagem
do tema religiosidade ou espiritualidade exerce um efeito bastante
positivo na saúde de muitos pacientes. Por isso, podemos considerar
a terapia complementar religiosa ou espiritual como uma aliada dos
serviços de saúde”, revela, lembrando que, geralmente,
o paciente não tem o hábito de falar sobre suas crenças
religiosas e muito menos de contar que realiza tratamentos espirituais
em centros espíritas.
Vallada Filho foi o orientador da dissertação
de mestrado Descrição da terapia complementar
religiosa em centros espíritas da cidade de São Paulo
com ênfase na abordagem sobre problemas de saúde mental,
de autoria da médica Alessandra Lamas Granero Lucchetti,
apresentada ao Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas
(HC) da FMUSP em dezembro.
A ideia foi mostrar a dimensão do trabalho realizado pelos centros,
o grande número de atendimentos prestados e os diferentes serviços
oferecidos. Observou-se também que apenas uma pequena minoria
realiza cirurgias espirituais, sendo todas sem cortes.
Na segunda parte da dissertação, a pesquisadora descreve
passo a passo uma terapia complementar espiritual para pacientes com
depressão realizada na Federação Espírita
do Estado de São Paulo (FEESP).
Centros espíritas
Alessandra realizou um levantamento inicial de todos os centros espíritas
da capital paulista que possuíam site na internet contendo endereço
de contato. A médica chegou ao número de 504 instituições.
Neste levantamento, foram considerados apenas centros espíritas
“kardecistas”, ou seja, aqueles que seguem a doutrina codificada
pelo pedagogo francês Hippolyte Leon Denizad Rivail, sob o pseudônimo
de Allan Kardec, e que tem como base as obras O Livro dos Espíritos
(publicado na França em 1857), O Livro dos Médiuns (1861),
O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865)
e A Gênese (1868).
A médica enviou, via Correios, uma carta registrada a cada um
dos 504 centros. Destas cartas, 139 voltaram devido a problemas como
mudança ou erro no endereço. Das 370 que restaram, apenas
55 foram respondidas.
“Se considerarmos que
essa média de 60 mil atendimentos mensais representa menos
de 15% da totalidade dos centros existentes na cidade, chegaremos
a um número total de atendimentos muito superior aos dos 55
que participaram do estudo”, destaca Vallada.
Um questionário foi respondido
apenas pelo dirigente ou pessoa responsável do centro. O material
era bastante extenso e continha perguntas ligadas à identificação
e funcionamento do centro, o número de voluntários e de
atendimentos, as atividades realizadas e os tipos de tratamentos, quais
os motivos levavam as pessoas a buscar ajuda, e como é feita
a diferenciação entre mediunidade, obsessão e transtorno
psicótico e quais orientações para estes casos,
entre outras questões.
Resultados
Entre os resultados, foi observado que a maioria são centros
já estabelecidos e que têm mais de 25 anos de existência,
sendo o mais velho funcionando há 94 anos e o mais jovem com
2 anos. Em praticamente quase todos, os usuários são orientados
a continuar com o tratamento médico convencional, caso estejam
fazendo algum, ou mesmo com as medicações indicadas pelos
médicos.
Os principais motivos para a procura pelo centro foram os problemas
de saúde: depressão (45,1%), câncer (43,1%) e doenças
em geral (33,3%). Também foram relatados dependência química,
abuso de substâncias, problemas de relacionamento. Entre os tratamentos
realizados, a prática mais presente foi a desobsessão
(92,7%) e a menos frequente foi a cirurgia espiritual, (5,5%), sendo
todas sem uso de cortes.
Quanto à diferenciação entre experiência
espiritual e doença mental, realizada com base em nove critérios
propostos pelos pesquisadores Alexander Moreira Almeida e Adair de Menezes
Júnior, da Universidade Federal de Juiz de Fora, a média
de acertos foi de 12,4 entre 18 acertos possíveis. Apenas quatro
entrevistados (8,3%) tiveram 100% de acertos. Entre esses critérios,
estão a integridade do psiquismo; o fato de a mediunidade não
trazer prejuízos em nenhuma área da vida; a existência
da autocrítica; e a mediunidade sendo vivenciada dentro de uma
religião e cultura específicos, entre outros.
“Esse levantamento procurou
descrever as atividades realizadas nos centros espíritas e
salientar não só a grande importância social desempenhada
por eles, mas também a grande contribuição ao
sistema de saúde como coadjuvante na promoção
de saúde, algo que a grande maioria das pessoas desconhece”,
finaliza.
A pesquisa completa pode ser consultada
neste
link - clique aqui
Fonte:
http://www.usp.br/agen/?p=169612
Mais informações: email hvallada@usp.br,
com o professor Homero Vallada
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