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Casa de David - "Samba para Todos" inclui jovens e adultos
com deficiência intelectual em São Paulo
06/03/2014
A batucada começa na quadra. Todos estão uniformizados.
Camisetas pretas com nome da organização, calças
e sapatos brancos. Primeiro os tambores maiores começam a fazer
barulho, que são seguidos pelos menores e chocalhos. E os músicos
são internos da Casa de David, uma instituição
filantrópica sem fins lucrativos, que atende crianças
e adultos com deficiência intelectual e autistas com atendimento
médico especializado. São integrantes do projeto Samba
para Todos.
Atualmente a entidade atende 330 pessoas, sendo 300 pessoas com deficiência
intelectual e 30 autistas. Realiza atendimento asilar, com assistidos
internos. Possui um departamento médico com atendimento 24 horas
por 365 dias por ano, com enfermagem, odontologia, psicologia, fisioterapia,
ludoterapia, entre outros tratamentos.
Segundo André Carvalho Rodriguez, dentista, especialista em
cirurgia bocumaxilofacial e um dos voluntários da organização,
foi convidado por Roberto Coelho Atihé, empresário do
ensino de idiomas e de shows, para ensinar aos atendidos da organização
a tocarem. Após dois meses de ensaio e atividades recreativas
com os instrumentos, a dupla decidiu dividir em dois grupos, segundo
as habilidades: um seria mais voltado para recreação sambística,
aos pacientes mais comprometidos, e Bateria Superação,
aos que apresentaram maior habilidade rítmica.
Atualmente são cerca de 15 pessoas integrantes da bateria, em
que a idade varia entre 23 e 48 anos de idade. Todos possuem uma deficiência
intelectual leve e moderada, apenas duas pessoas têm deficiência
auditiva e baixa visão.
Os batuqueiros
Fabiana de Souza, 48 anos, está desde o início do projeto.
“Fico arrepiada quando toco na bateria e me emociona”, afirmou.
Ela confessa ainda que gosta da ideia de tocar samba na caixinha e no
tambor. É fã da Gaviões da Fiel e dos desfiles
das escolas de samba. Costuma até levantar mais tarde para acompanhar
toda a programação e acompanhar todos os desfiles na televisão.
Também participa do grupo de dança com aulas de tango
e samba. Às quintas participa da aula de yoga.
Já o jovem Fernando Amaral, 23 anos, sempre tocou chocalho desde
o começo. “Eu me sinto refletido na bateria”, comentou.
Também gosta do carnaval e das escolas de samba. Participa das
aulas de yoga e já se apresentou no festival de dança
da entidade. “Quando toco, penso muito na fanfarra”.
Outra integrante da parte do chocalho, Gilmara Alves de Oliveira, 24
anos, também está desde o início do grupo e disse
que começou no grupo de recreação até dominar
bem o instrumento e conseguir ingressar no mais avançado. Antes
eu tocava surdo na fanfarra. “Gosto muito daqui, me distrai e
é um exercício para meu braço”.
Gil, como é conhecida pelos assistidos da organização,
também fazia ballet e yoga. Trabalha na lavanderia e ajuda na
separação de roupas, atender os telefonemas e até
na confecção de fraldas. A entidade possui um espaço
destinado para a produção de fraldas dos próprios
assistidos que usam isso no dia a dia.
Trabalho voluntário
Desde jovem André sempre foi fã de samba e participava
de bloquinhos. Desde o final de 2012, está trabalhando voluntariamente
no projeto Samba para todos.
Os instrumentos foram doados e inicialmente foram distribuídos
aos integrantes para terem familiaridade com cada um deles. “Mesmo
com dificuldade na coordenação motora, muitos participaram
no começo, era uma bagunça geral e aos poucos fomos observando
aqueles que possuíam mais facilidade em segurar o instrumento.
Isso foi um processo natural, de aproximadamente dois meses, quando
decidimos dividir o grupo para os ensaios técnicos”, lembra-se.
Atualmente o ensaio técnico ocorre no auditório da organização
com os 15 integrantes e 50 estão na atividade de recreação,
todos os sábados na parte da manhã.
André comentou que os próprios educadorese enfermeiros
elogiam o projeto por influenciar no comportamento dos assistidos, no
desenvolvimento de habilidades e até na parte psicomotora, já
que ficam mais calmos e até mais concentrados nas atividades
diárias.
O grupo já se apresentou a outras organizações.
“Não há um plano traçado para o desenvolvimento
dessa bateria. Fizemos duas grandes apresentações: festival
de dança e uma feira internacional do terceiro setor, a ONGBrasil
2013. Mas outras organizações estão gostando do
nosso trabalho e pedindo nossas apresentações em outros
espaços. Para isso, precisamos buscar patrocínio”.
Acostumado com atendimento odontológico no dia a dia, André
revela que esse trabalho voluntário é importante para
ele. Fica emocionado com a superação de cada um do grupo.
“Colaboro com quem precisa. Para mim, isso é um pequeno
esforço e para eles é uma grande busca. É muito
bom ter o reconhecimento deles, ganhar uma abraço e poder ajudá-los”.
Serviço:
Casa de David Rodovia Fernão Dias, km 82, São Paulo –
SP
tel. (11) 2453-6600
E-mail: doacao@casadedavid.org.br
Site: www.casadedavid.org.br
Fonte: http://www.setor3.com.br/
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"SAMBA PARA TODOS": PROJETO
FORMA BATERIA DE ESCOLA DE SAMBA COM DEFICIENTES INTELECTUAIS
do site da própria Casa de David / Casa de David
- RP
A música está presente em diversas situações
da vida humana, sendo uma das formas de linguagem que mais expressam
sentimentos, sensações e pensamentos. Quando a música
é levada a pacientes com deficiência intelectual gera resultados
importantes como estimulação psicomotora, qualidade de
vida, autoestima e recreação. Pensando nos benefícios
que a música proporciona, dois voluntários da instituição
Casa de David criaram um desafio: montar uma bateria de escola de samba
formada exclusivamente por pacientes com deficiência intelectual
e com deficiência física associada.
Roberto Atihé, empresário do ensino de idiomas e de shows
e André Rodriguez, dentista, ambos amantes e atuantes no carnaval
de São Paulo, buscaram com amigos do samba doações
de instrumentos usados e começaram a ensinar um grupo pequeno
de pacientes. No mesmo dia o grupo aumentou e decidiram dividi-los de
acordo com as habilidades em 2 grupos: Recreação Sambística
para os pacientes mais comprometidos e Bateria Superação
para os que apresentaram maior habilidade rítmica.
Convidado por Roberto, o Músico e Diretor de Bateria Raphael
Moreira assumiu o comando do segundo grupo e em apenas 10 aulas os pacientes
da Bateria Superação foram convidados para diversas apresentações,
dentre elas um Festival de Dança e uma feira internacional de
terceiro setor, a OngBrasil. Nesta ultima estavam presentes representantes
da escola de samba Gaviões da Fiel que ficaram impressionados.
Outro nome do mundo do samba que conheceu o projeto foi a cantora Leci
Brandão e também ficou impressionada e fez questão
de cantar junto com os assistidos.
Dra Cleize Bellotto, coordenadora da Casa de David, afirma que o projeto
já é um sucesso pois, os assistidos apresentam melhoras
consideráveis em aspectos da saúde mental, corporal e
social: “ Apesar de todas as dificuldades, eles conseguem se superar
a cada dia. O projeto melhorou a concentração, o espírito
de equipe e até mesmo diminuiu surtos e estereotipias. A assistida
Angélica, por exemplo, que continuamente tinha surtos e depressão,
teve a autoestima elevada, passou a se relacionar melhor com os colegas
e raramente tem surtos.”
Roberto ressalta que a grande mudança, na verdade, ocorre em
quem assiste “em todas as apresentações vimos que
o que essa turma consegue extrair de sorrisos e emoção,
me faz ter a certeza de que estamos no caminho certo”. Ele também
diz que o desafio hoje é captar patrocinadores para melhorar
os instrumentos e o figurino e assim realizarem mais apresentações
incluindo mais assistidos. Já a assistida Fabiana de Souza sonha
alto “quero uma escola de samba toda da Casa de David para tocar
lá no Sambodromo. Todo mundo vai saber que a gente também
consegue fazer samba.”
As aulas do projeto acontecem todos os sábados, na instituição
que fica localizada na Rodovia Fernão Dias, km 82 São
Paulo/SP.
Para mais informações acesse: www.casadedavid.org.br
ou ligue 2453-6600.
"Leci Brandão e projeto Samba
para Todos Casa de David"
Nesta segunda-feira, 09/12/2013, a Deputada Estadual
e Cantora Leci Brandão visitou a Casa de David e foi homenageada
pela indicação de emenda parlamentar que garantirá
a construção de parte de uma academia adaptada na instituição.
Leci também conheceu o projeto "Samba para Todos"
que proporciona aulas de instrumentos de percussão de Bateria
de Escola de Samba para os assistidos. Coordenado pelos voluntários
Roberto Atihé, André Rodriguez e pelo Mestre de Bateria
Raphael Moreira, o projeto vem conquistando resultados expressivos e
arrancou aplausos da sambista "estou extremamente emocionada. Todas
as pessoas deveriam assistir esse espetáculo. Quero dizer que
em um mundo onde qualquer pessoa pode ser chamada de celebridade por
coisas tão fúteis, eu venho aqui dizer que vocês
são verdadeiras celebridades."
Em retribuição ao carinho, ela pediu que a bateria a
acompanhasse e cantou seu sucesso "Zé do Caroço",
fazendo com que todos os presentes dançassem e se emocionassem
ainda mais.