03/12/2013
Hanrrikson de Andrade
Do UOL, no Rio
Dados do censo sobre a população de rua
do Rio de Janeiro, realizado pela Defensoria Pública do Estado,
mostram que 62% dos entrevistados (778 pessoas) afirmaram não
usar drogas e 68% (842 pessoas) disseram não consumir bebidas
alcoólicas.
A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira (17) pelo Nudedh (Núcleo
de Defesa dos Direitos Humanos), e ouviu 1.247 pessoas atendidas em
32 abrigos públicos e privados situados na capital fluminense,
em Niterói e São Gonçalo, na região metropolitana.
"Com dados concretos sobre o perfil dessa população,
é possível questionar as políticas públicas
que estejam sendo implementadas em desalinho com as demandas daquela
população.
Demandas baseadas nessa ideia generalizada de que todos que estão
nas ruas são usuários de drogas. (..)
Nós defendemos uma política de recuperação,
uma política individualizada. Esse é o momento para
debater isso", afirmou a responsável pelo projeto, a defensora
Juliana Moreira.
O levantamento teve início em dezembro do ano passado. Do total
de entrevistados, há predominância masculina (824 pessoas,
o que representa 66%) e de negros (427) e pardos (402). O perfil da
população de rua fluminense mostra ainda que apenas 13%
das pessoas ouvidas (168) eram analfabetas e 40% não completaram
o ensino fundamental (496). Todos os entrevistados foram cadastrados
em um programa de assistência social desenvolvido pela Defensoria
Pública.
Para Juliana, a pesquisa tem três etapas: a elaboração
do perfil da população de rua, a identificação
das principais necessidades e a uniformização das políticas
de atendimento.
"Não se tem notícia no Rio de Janeiro da existência
de um programa semelhante com tal finalidade. Em tempos em que a cidade
do Rio de Janeiro será palco de grandes eventos esportivos,
aqueles que estão em situação de rua ganham maior
visibilidade. (...) O mapeamento nos dará os subsídios
necessários para identificar as políticas públicas
e questioná-las", disse Juliana.
As estatísticas indicam também que os motivos mais frequentes
que levaram os entrevistados a viver nas ruas são conflitos familiares
(181 pessoas) e desemprego (174 pessoas). Além disso, 472 entrevistados
afirmaram possuir algum tipo de doença, dos quais 366 fazem algum
tipo de tratamento médico. Apenas 198 das 1.247 pessoas que participaram
do estudo possuem algum tipo de benefício assistencial, segundo
a Defensoria.
Juliana Amorim afirma que não há informações
precisas quanto ao número total de pessoas vivendo nas ruas do
Rio, e que os órgãos de direitos humanos trabalhavam,
até então, com uma estimativa de 1.500 pessoas (número
absoluto de cadastrados em programas de assistências sociais)
A segunda edição do censo, prevista para o ano que vem,
deve mostrar que este número seria muito maior.
"A população de rua é um público
muito volante, e é muito difícil elaborar um mapeamento
sólido. (...)
Essa população sequer consta nos dados do IBGE [Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística], justamente por conta
da sua instabilidade", afirmou.
De acordo com o defensor-geral do Rio, Nilson Bruno Filho, o mapeamento
da população de rua será encaminhado para representantes
dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O órgão
tem o objetivo de contribuir para a definição de políticas
de atendimento, segundo Filho. "A Defensoria Pública do
Rio de Janeiro não está preocupada apenas e tão
somente com os movimentos sociais e a sociedade civil organizada. Estamos
preocupados também com aqueles desorganizados, que muitas vezes
precisam muito mais de um olhar crítico e parcimonioso da administração
pública", disse o defensor.
Fonte:
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/05/17/censo-da-populacao-de-rua-no-rio-aponta-que-62-nao-se-drogam-e-68-nao-bebem.htm
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