03/12/2013
DÉBORA MISMETTI
Do UOL
Macacos controlam dois braços
virtuais com pensamentos
Experimento do brasileiro Miguel Nicolelis é parte de esforço
para construir 'esqueleto' guiado pela mente
Pacientes da AACD com diversos graus de lesão medular
vão começar a testar o controle de membros virtuais
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis publica hoje mais uma
etapa de seus estudos com o objetivo de desenvolver uma prótese
controlada pela mente que permita a pessoas paralisadas voltarem a andar.
Na última edição da revista científica
"Science Translational Medicine", Nicolelis
e seu grupo de pesquisa da Universidade Duke (EUA) e do Instituto Internacional
de Neurociências de Natal, relatam um experimento no qual dois
macacos resos conseguiram movimentar, por meio de comandos enviados
pelo cérebro, dois braços virtuais em um avatar no computador.
O controle de um só membro por meio de uma interface cérebro-máquina
já havia sido demonstrado pelo grupo de Nicolelis em 2011 e por
outros pesquisadores dessa área. O neurocientista destaca que
a movimentação de dois membros ao mesmo tempo é
essencial para tornar possível uma prótese com pernas
para paraplégicos.
O pesquisador tem como objetivo demonstrar o funcionamento de um exoesqueleto
controlado pelo cérebro na abertura da Copa de 2014, em 12 de
junho, em São Paulo. O plano é que um jovem com lesão
medular caminhe e dê o pontapé inicial.
500 NEURÔNIOS
No experimento publicado agora, microeletrodos captaram
a atividade elétrica dos neurônios dos macacos, nos dois
hemisférios cerebrais, em regiões ligadas aos movimentos
e à sensibilidade.
Um dos avanços do trabalho foi o número de neurônios
cuja atividade foi registrada: 500, o dobro do conseguido em estudos
anteriores.
Um algoritmo criado para fazer a interface entre o cérebro e
o computador traduziu essa atividade em comandos dados aos braços
virtuais.
"Não é só somar braço esquerdo e
direito. Há uma não linearidade que não se conseguia
solucionar", disse Nicolelis à Folha.
Os animais aprenderam a controlar os braços virtuais de duas
formas: treinando os movimentos em um par de joysticks ou observando
passivamente os avatares realizarem a tarefa, que consistia em pôr
as mãos sobre dois objetos (bolas ou quadrados) e manter a posição.
O fato de um dos macacos ter sido treinado sem o joystick é
mais uma boa notícia, segundo Nicolelis, porque é assim
que os pacientes paralisados vão aprender a usar a interface
cérebro-máquina.
Mas um dos problemas dessa abordagem é a forma de captação
da atividade neuronal: nos macacos, foi preciso inserir microeletrodos
por meio de cirurgia no cérebro, o que poderia dificultar a aprovação
desse tipo de técnica por órgãos reguladores, como
lembra um artigo publicado na mesma edição da "Science
Translational Medicine" por Nitish Thakor, diretor do Instituto
de Neurotecnologia de Cingapura.
Segundo Nicolelis, no entanto, os testes clínicos que vão
começar em breve na AACD (Associação de Assistência
à Criança Deficiente) do exoesqueleto controlado pela
mente vão usar uma tecnologia não invasiva.
João Octaviano, superintendente-geral da AACD, afirma que estão
sendo selecionados dez pacientes com diferentes graus de lesão
medular, que vão aprender a controlar o avatar e, depois, o exoesqueleto.
Eles vão usar um capacete que capta a atividade neuronal em
vez do implante cerebral. O treino será voltado para a primeira
tarefa dos usuários da neuroprótese: o pontapé
inicial na Copa de 2014.
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/137728-macacos-controlam-dois-bracos-virtuais-com-pensamentos.shtml
>>> clique aqui para acessar a página principal
de Notícias
>>>
clique aqui para voltar a página inicial do site
>>>
clique para ir direto para a primeira página de Artigos, Teses e Publicações