20/10/2013
O filme "Lutero", sobre a vida
do reformador, estréia nos cinemas. Com grandes atores no elenco,
a produção co-financiada pela Igreja Protestante visa
apresentar a figura do religioso e sua mensagem às novas gerações.

Retrato de Lutero por Lucas Cranach, o Velho
O diretor canadense Eric Till colocou um elenco de primeira
grandeza a contar a história do monge alemão que se rebelou
contra o abuso de poder na Igreja Católica há 500 anos.
Lutero é representado pelo ator britânico Joseph Fiennes
(Shakespeare in Love); o grande ator suíço
Bruno Ganz faz o papel do superior dos agostinianos e sir Peter Ustinov
interpreta Frederico, o Sábio, príncipe eleitor da Saxônia
e protetor de Lutero.
História concentrada num personagem
Martinho Lutero, de fato, fez história e "mudou o mundo,
para sempre", como indica o cartaz anunciando sua exibição
nos cinemas. O filme, contudo, procurou comprimir muitos acontecimentos
em duas horas, falhando, segundo parte da crítica, por "sua
abordagem ahistórica, que os figurinos e os cenários luxuosos
não conseguem disfarçar", como observa o Stadt-Anzeiger
de Colônia.
No estilo de um filme de aventuras, o empreendimento
"procurou atender ao pretenso desejo de um amplo público
que quer ter seus heróis, mas acaba caindo num tipo de 'reflexo
católico': ligar a história a uma personalidade única,
que se destaca". "A lenda de um santo - contada à evangélica",
intitula-se a crítica do jornal.
Fiennes, o Lutero "certo"?
No altar cinematográfico, o reformador pareceria
mais um pálido intelectual do que o monge real de constituição
forte e mais para um rude camponês que foi o verdadeiro Lutero.
Pelo que o jovem Fiennes não seria o ator certo para representá-lo,
embora nada haja a objetar em sua atuação. Inadequada
os críticos também acharam a escolha de Uwe Ochsenknecht
para interpretar o papa Leo X. O ator alemão destacou-se em várias
comédias.
Ficará frustrado quem esperar uma interpretação
original dos agitados anos entre 1505 - quando Lutero entrou para o
monastério agostiniano de Erfurt - até 1530, ano da Confissão
de Augsburg, a proclamação da fé protestante pelo
Imperador Carlos V. A película foi rodada na Alemanha, Itália
e Republica Tcheca.
O papel da Igreja Protestante
Co-financiado pela milionária organização
assistencial americana Thrivent Financial for Lutherans, que contribuiu
com quase 10 milhões de dólares, e contando com o auxílio
da Igreja Evangélica da Alemanha (EKD) para a divulgação,
o filme tem uma intenção pedagógica: contar a vida
do reformador para crianças, jovens e quem não tem noção
de como se deu a cisão das igrejas católica e evangélica.
"Talvez o filme seja uma maneira de levar a mensagem protestante
a um novo grupo de pessoas", declarou Christof Vetter, porta-voz
da EKD.
Nos Estados Unidos, onde já está sendo
exibido, Lutero está em 16º lugar na lista de bilheteria,
o que não passa de um sonho para a maioria das produções
alemãs. Críticas intelectuais à parte, o filme
tem tudo para agradar ao grande público, a começar pela
encenação de uma Idade Média obscura, que poucos
conseguem imaginar em pleno século 21: o povo vivendo na miséria
e morrendo de medo do demônio e de ser assado no fogo eterno do
inferno.
Teses contra a venda de indulgências
O papa e os cardeais atiçam o medo para encher
os cofres eclesiásticos e "vendem" o perdão
divino através do tráfico de indulgências. Quem
comprar as cartas de indulgência, tem seus pecados perdoados e
escapa do inferno. A luta de Lutero contra esse tráfico é
um dos temas centrais do filme. Ela leva-o a elaborar suas famosas 95
teses contra o abuso da autoridade papal, que teriam sido afixadas na
Igreja de Winttenberg.
O príncipe Frederico da Saxônia manteve
o monge escondido durante um ano, para salvá-lo da perseguição.
É quando Martinho Lutero traduz a Bíblia para o alemão.
A cena da entrega do Novo Testamento a Frederico deveria ser cortada
do filme, por recomendação dos consultores. Mas acabou
ficando, por insistência do ator Peter Ustinov. A cena "é
bonita demais para não ser verdadeira", observou com certa
ironia o diário Süddeutsche.
Fonte:
http://www.dw.de/igreja-protestante-leva-lutero-%C3%A0-tela/a-1016586
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Martinho Lutero provocou cisão no
cristianismo com suas 95 teses
O que Martinho Lutero pretendia com suas 95 teses era
promover uma reforma da Igreja Romana, mas isso o tornou fundador de
uma nova confissão cristã.
Martinho Lutero (1483-1546) era pregador da igreja
de Wittenberg desde 1514. Esse homem benquisto, com talentos retóricos,
contava com a estima de sua paróquia. Não era raro ele
se fechar em seu escritório para imergir na leitura da Bíblia.
Lutero queria encontrar na Sagrada Escritura
a chave para decifrar a relação de Deus com os seres humanos
– uma relação que já estava esclarecida há
muito para a Igreja Romana: Deus se comunicava com os homens através
do papa em Roma e através dos padres e bispos apontados por este
como seus substitutos. Com isso, a Igreja em Roma reivindicava para
si o monopólio sobre a exegese da Bíblia, impondo sanções
em caso de eventuais infrações das normas bíblicas.
Novo Testamento na tradução de Martinho
Lutero
95 teses contra desmandos eclesiásticos
O Novo Testamento de Martinho Lutero consistia numa reinterpretação
dos Evangelhos, da qual derivou um outro paradigma cristão. Para
ele, não existia nenhuma "estação apostólica
intermediária" na relação entre Deus e o homem.
As únicas coisas que contavam eram a Sagrada Escritura ("primado
da Escritura"), Jesus Cristo ("primado de Cristo") e
a misericórdia divina ("primado da misericórdia e
da fé").
O que desencadeou a Reforma foi o comércio de
indulgências, cuja arrecadação era voltada para
a reconstrução da Basílica de São Pedro
em Roma. Além disso, o dinheiro angariado também deveria
financiar a luxuosa vida do papa Leão 10º (1475-1521), sabidamente
ameaçado de falência.
Quando Martinho Lutero escreveu as famosas 95 teses em sua residência
sacerdotal em Wittenberg, sua intenção era apenas combater
os desmandos na Igreja de Roma (secularização, desrespeito
ao celibato). Não pretendia nem brigar com o papa, nem fundar
uma Igreja própria. Sendo assim, ele não chegou a pregá-las
na porta da igreja de Wittenberg naquele dia memorável de 31
de outubro de 1517; Lutero simplesmente as enviou a amigos "para
fins de disputa".
Naquele dia, ele não atuou como um revolucionário, mas
somente como um monge indignado e preocupado com a salvação
das almas de sua paróquia. Foi a reação às
teses rapidamente propagadas que transformou o monge indignado em um
revolucionário, responsável por uma confusão duradoura
no mundo medieval e por um impacto ímpar na história.
"Fora da lei" – Lutero não
desmentiu suas teses
O papa Leão 10º tentou colocar na linha
o monge de Wittenberg através de excomunhão, anátemas
e um julgamento realizado em frente à Dieta de Worms, em abril
de 1521. Tudo isso sem êxito. Marinho Lutero não abjurou
suas teses em Worms. Ele foi banido por decreto imperial e declarado
"fora da lei" a partir de então.
Em sua fuga dos perseguidores da Inquisição, pôde
contar com a ajuda de uma grande parte da população e
do príncipe saxão Frederico 3º, o Sábio (1463-1525).
O príncipe eleitor o escondeu no castelo de Wartburg, onde Lutero
– sob a identidade de "fidalgo Jörg" – traduziu
o Novo Testamento para o alemão. Suas doutrinas se propagaram
rapidamente pelo continente europeu.
Por outro lado, aumentou cada vez mais a violência no conflito
com a "Igreja Católica", conforme passou a se chamar
a Igreja do papa em Roma. Ambas as partes se armaram. Esse conflito
religioso acabou culminando na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), ao
fim da qual um acordo selou a liberdade religiosa na Alemanha e na Europa.
Fonte:
http://www.dw.de/martinho-lutero
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1521: Excomunhão de
Martinho Lutero
Em 3 de janeiro de 1521, o papa Leão
10 excomunga o teólogo alemão Martinho Lutero. É
o clímax do conflito entre duas visões da religião
cristã que acabará resultando numa das mais importantes
cisões do Cristianismo.
Em 1514, o padre Martinho Lutero assume, aos 31 anos,
a igreja de Wittenberg. Durante seu trabalho, ele constata que muitos
dos cidadãos preferem comprar cartas de indulgência a confessar-se
com ele. Essas indulgências são vendidas nas feiras livres,
e, negociando com o pecado, a Igreja arrecada o capital de que precisa
urgentemente. Conta-se que o monge dominicano Johann Tetzel anunciava:
"Quando o dinheiro cair na caixinha, o Céu estará
recebendo a sua alminha".
O jovem Lutero fica enojado com esse comércio. Ele crê
na confissão, e que todos devem poder confiar na graça
divina. Em outubro de 1517, envia 95 teses a seus superiores eclesiásticos.
Conta a lenda que Lutero pregou as teses com estrondosos golpes de martelo
na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. O documento é logo
impresso e distribuído entre a gente de Leipzig, Nurembergue
e da Basileia.
O rompimento com Roma
Em 1518, Roma abre um processo por heresia contra Lutero.
Dois anos mais tarde, o papa Leão 10 ameaça puni-lo caso
não revogue suas teses; em dezembro de 1520, o rebelde queima
a bula papal em protesto, além de um livro de leis católicas
e várias obras de seus opositores.
Agora Martinho Lutero rompera definitiva e irreversivelmente
com Roma. Quando Leão 10 fica sabendo do escandaloso espetáculo
de incineração, não hesita: em 3 de janeiro de
1521 lança sobre o reformador a maldição da excomunhão.
O pregador das indulgências, Tetzel, pede a fogueira para Lutero.
Entretanto, alguns príncipes colocam-se do lado
do líder protestante. Eles crêem que através dele
será possível limitar o poder de Roma. E convencem o imperador
a convidá-lo para ir à corte em Worms.
Em abril de 1521, Lutero põe-se a caminho e, ao contrário
do que desejaria a Igreja Católica, é recebido com entusiasmo
durante todo o trajeto. Ele prega em Erfurt, Gotha e Eisenach, antes
de ser celebrado pelos habitantes de Worms.
Na corte, o imperador insiste em que o teólogo
retire as suas críticas, porém este responde: "Através
das passagens das Escrituras estou preso às palavras de Deus.
Portanto, não voltarei atrás, pois agir contra a consciência
não é seguro nem saudável. Que Deus me ajude. Amém".
A guarida em Wartburg
Após deixar Worms, Martinho Lutero está
protegido por um salvo-conduto que o resguarda de ser imediatamente
preso. Porém, o imperador declara-o fora da lei e, portanto,
exposto ao cárcere e à destruição de seus
escritos.
Durante a viagem de volta, contudo, a firmeza de caráter
do reformador é recompensada: o príncipe-eleitor da Saxônia,
Frederico, o Sábio, manda seqüestrá-lo, conferindo-lhe
guarida no isolado castelo de Wartburg.
Lá o ex-padre católico começa
a traduzir a Bíblia para o alemão. A obra de Lutero não
pode mais ser detida. Embora nenhum dos príncipes em Worms saiba
disso, começa a Reforma, a Idade Média chega ao fim, desponta
a Idade Moderna. E, do protesto do reformador, nasce a Igreja Protestante.
Fonte:
http://www.dw.de/1521-excomunh%C3%A3o-de-martinho-lutero/a-294475?maca=bra-newsletter_br_Destaques-2362-html-newsletter
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