29/09/2013
ESDE - 35 anos depois
O CCEPA Opinião, orgão do Centro Cultural Espírita
de Porto Alegre, publicou notícia relativa aos 35 anos do ESDE
(Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita)
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Salomão Benchaya, 35 anos depois:
“O ESDE socializou o estudo das obras básicas”
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A partir de entrevista com Salomão Jacob Benchaya, CCEPA Opinião
resgata fatos alusivos ao lançamento da Campanha de Estudo Sistematizado
da Doutrina Espírita, há 35 anos. Juntamente com Maurice
Herbert Jones, então presidente da FERG, Salomão conduziu
o histórico processo que inaugurou nova fase para o espiritismo
no Brasil.

Em 1978, Maurice Herbert Jones
(na foto com Salomão) era presidente da Federação
Espírita do Rio Grande do Sul e Salomão Jacob Benchaya,
diretor do Departamento Doutrinário. No dia 26 de junho daquele
ano, em uma reunião do Conselho Executivo da FERGS, o espírito
Angel Aguarod, através da médium Cecília Rocha,
reiterou recomendação já dada em 28.04.76, de “uma
grande campanha em torno da importância do estudo das obras básicas
da Doutrina Espírita”. A proposta de Aguarod, segundo Benchaya,
“desta feita repercutiu imediatamente, pois Jones e eu já
havíamos constatado a existência de uma lacuna no movimento
espírita no tocante ao estudo da obra de Kardec”.
Aproveitando a experiência pioneira da FERGS na elaboração
e remessa de programas e planos de aula da então chamada “evangelização
infantil”, Benchaya propôs que fosse utilizado aquele modelo
para preparar na FERGS material orientador a fim de ser enviado aos
centros espíritas como apoio à formação
e funcionamento dos grupos de estudos metódicos das obras de
Kardec. Nascia, assim, a Campanha de Estudo Sistematizado da
Doutrina Espírita, lançada em reunião
do Conselho Deliberativo da FERGS, há exatos 35 anos, no dia
22.07.78. Começava ali um intenso trabalho, coordenado pelo Departamento
Doutrinário, com cursos na Capital e interior, visando à
preparação de coordenadores de grupos de estudo, já
que, segundo nosso entrevistado, “essa atividade era praticamente
inexistente nas casas espíritas”.
A “surda
resistência” do Conselho Federativo da FEB
Animado pelo sucesso da campanha no Rio Grande do Sul, o presidente
Jones levou a ideia ao Conselho Federativo Nacional da FEB, onde, segundo
Salomão, enfrentou uma “surda resistência”
às suas repetidas propostas para que a FEB expandisse a campanha
a todo o território nacional: “Diante do manifesto desinteresse
dos representantes das federativas estaduais” – acrescenta
Benchaya – “Jones exigiu que o presidente da FEB, Francisco
Thiesen, na reunião de 06.07.80, colocasse a proposta em votação
aberta, estratégia que surtiu efeito, sendo aprovada a proposta
da FERGS”. O efetivo lançamento da campanha, entretanto,
pela FEB, só se daria mais de três anos após, em
27.11.83.
Antiga SELC
– hoje CCEPA – serviu de laboratório
Com esse relato, Salomão ressalta que o marco inicial
do ESDE é seu lançamento pela FERGS há 35 anos.
Tudo começou a partir da metodologia de grupos desenvolvida na
Sociedade Espírita Luz e Caridade – atual Centro Cultural
Espírita de Porto Alegre – que lhe serviu de laboratório.
Para Salomão,
“o ESDE socializou o conhecimento
das obras básicas do espiritismo, e a cultura do estudo sistematizado
propiciou o surgimento de uma nova geração de líderes
espíritas. Hoje, através da FEB e do CEI, o ESDE é
conhecido e aplicado em vários países”.
Ontem, Hoje e Amanhã
O ESDE, nascido a partir de metodologia
desenvolvida nesta mesma casa, hoje Centro Cultural Espírita
de Porto Alegre, significou notável avanço para a época.
Era preciso fazer os espíritas conhecerem a obra de Allan Kardec,
até então o grande desconhecido.
Em outro trecho da entrevista com Salomão Benchaya (foto) que
reservamos para comentar neste espaço, assim se manifesta o atual
Diretor Doutrinário do Centro Cultural Espírita de Porto
Alegre
:
“Curiosamente, no CCEPA, não
empregamos mais o ESDE tal como ainda é aplicado no movimento
espírita. De um modo geral, o método de estudo adotado
é professoral e mero reprodutor dos conteúdos codificados,
sendo quase nula a apreciação crítica da obra
de Kardec.”.
E acrescenta:
“No CCEPA, preferimos o método que pode ser chamado de
‘estudo problematizador’ que estimula a pesquisa, o questionamento,
a discussão crítica dos conteúdos, propiciando
a atualização permanente da doutrina”.
Assim, o mesmo grupo que, ontem, insistia na necessidade do conhecimento
das obras básicas, hoje integra um movimento maior que pugna
por sua atualização, adotando postura crítica diante
do próprio espiritismo e do movimento eespírita. Com isso,
continuamos fieis a Kardec. A obra espírita, segundo recomendava
seu preclaro fundador, tem um caráter progressivo e progressista.
Seus estudiosos devem ser livre-pensadores, abertos às mudanças
sugeridas pelo avanço do conhecimento.
Se ontem o imperativo maior era conhecer Kardec e o espiritismo, hoje
se requer do espírita justamente a capacitação
para fazer avançar o conhecimento espírita. É o
que, modestamente, procuramos fazer nesta Casa. O ESDE, aqui concebido,
foi apenas um capítulo da história que queremos continuar
escrevendo. Mesmo diante das resistências.
Fonte:
A Redação - CCEPA Opinião.
http://ccepa-opiniao.blogspot.com.br/2013/07/opiniao-ano-xix-n-209-julho-2013.html
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