Notícias: 'Holocausto Brasileiro' resgata história
de 60 mil mortos em hospício mineiro
23/06/2013
'Holocausto Brasileiro' resgata história de 60 mil mortos em
hospício mineiro
O hospício conhecido por Colônia, em Barbacena (MG), foi
palco de uma das maiores atrocidades contra a humanidade no Brasil.
Lá, com a conivência de médicos e funcionários,
o Estado violou, matou e mutilou dezenas de milhares de internos.
Epilépticos, alcoólatras, homossexuais,
prostitutas, tímidos e meninas que engravidaram antes do casamento
engrossavam o número de "pacientes". Aproximadamente
70% deles não tinham doença mental.
No hospício, perdiam seus nomes e suas roupas.
Viviam nus, comiam ratos, bebiam água do esgoto, dormiam ao relento,
eram espancados. Nas noites geladas, cobertos por trapos, morriam pelo
frio, pela fome ou pela doença. Em alguns períodos, 16
pessoas morriam por dia nesse manicômio.
Os cadáveres eram vendidos para faculdades de
medicina. Quando não havia comprador, os corpos eram banhados
em ácido no pátio, diante dos internos.
Em "Holocausto Brasileiro: Vida, Genocídio
e 60 Mil Mortes no Maior Hospício do Brasil", a
jornalista Daniela Arbex conta a história entre
os muros da Colônia para evitar que atrocidades assim voltem a
acontecer.
Mais abaixo, veja o vídeo de divulgação do livro.
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Sinopse
Neste livro-reportagem fundamental, a premiada jornalista Daniela Arbex
resgata do esquecimento um dos capítulos mais macabros da nossa
história: a barbárie e a desumanidade praticadas, durante
a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil,
conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena.
Ao fazê-lo, a autora traz à luz um genocídio cometido,
sistematicamente, pelo Estado brasileiro, com a conivência de
médicos, funcionários e também da população,
pois nenhuma violação dos direitos humanos mais básicos
se sustenta por tanto tempo sem a omissão da sociedade.
Pelo menos 60 mil pessoas morreram
entre os muros da Colônia. Em sua maioria, haviam sido internadas
à força. Cerca de 70% não tinham diagnóstico
de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras,
homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava ou que se tornara incômoda
para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas violentadas
por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse
morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade
antes do casamento, homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos.
Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33 eram crianças.
Quando chegavam ao hospício,
suas cabeças eram raspadas, suas roupas arrancadas e seus nomes
descartados pelos funcionários, que os rebatizavam. Daniela Arbex
devolve nome, história e identidade aos pacientes, verdadeiros
sobreviventes de um holocausto, como Maria de Jesus, internada porque
se sentia triste, ou Antônio Gomes da Silva, sem diagnóstico,
que, dos 34 anos de internação, ficou mudo durante 21
anos porque ninguém se lembrou de perguntar se ele falava. Os
pacientes da Colônia às vezes comiam ratos, bebiam água
do esgoto ou urina, dormiam sobre capim, eram espancados e violados.
Nas noites geladas da Serra da Mantiqueira, eram deixados ao relento,
nus ou cobertos apenas por trapos. Pelo menos 30 bebês foram roubados
de suas mães. As pacientes conseguiam proteger sua gravidez passando
fezes sobre a barriga para não serem tocadas. Mas, logo depois
do parto, os bebês eram tirados de seus braços e doados.
Alguns morriam de frio, fome e doença. Morriam também
de choque. Às vezes os eletrochoques eram tantos e tão
fortes, que a sobrecarga derrubava a rede do município. Nos períodos
de maior lotação, 16 pessoas morriam a cada dia. Ao morrer,
davam lucro. Entre 1969 e 1980, 1.853 corpos de pacientes do manicômio
foram vendidos para 17 faculdades de medicina do país, sem que
ninguém questionasse. Quando houve excesso de cadáveres
e o mercado encolheu, os corpos foram decompostos em ácido, no
pátio da Colônia, diante dos pacientes, para que as ossadas
pudessem ser comercializadas. Nada se perdia, exceto a vida.
No início dos anos 60, depois
de conhecer a Colônia, o fotógrafo Luiz Alfredo, da revista
O Cruzeiro, desabafou com o chefe: "Aquilo é um assassinato
em massa". Em 1979, o psiquiatra italiano Franco Basaglia, pioneiro
da luta pelo fim dos manicômios que também visitou a Colônia,
declarou numa coletiva de imprensa: "Estive hoje num campo de concentração
nazista. Em lugar nenhum do mundo, presenciei uma tragédia como
essa".
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Detalhes do Produto
Título: Holocausto Brasileiro
Subtítulo: Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes no Maior Hospício
do Brasil
Autor: Daniela Arbex
Prefácio: Eliane Brum
Editora: Geração Editorial
Edição: 1
Ano: 2013
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 272 páginas
FICHA TÉCNICA
ISBN: 978-85-8130-157-0
Peso: 490g
Dimensões: 230mm x 160mm
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Abaixo, veja o vídeo de divulgação do livro.
Holocausto Brasileiro, book trailer
do livro de Daniela Arbex