23/06/2013
Editora L&PM Pocket lança "Psicologia das Massas e Análise
do Eu" de Freud

Em "Psicologia das Massas e Análise do Eu", Sigmund
Freud (1856-1939) apresenta suas considerações sobre o
fenômeno psicológico que mantém coesa uma massa
de pessoas.
O ensaio foi publicado originalmente em 1921. A análise está
inserida no contexto do período entreguerras, quando ideais nazistas
e fascistas começam a ganhar força na Europa devastada
pela Primeira Guerra (1914-18).
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da Livraria da Folha
Dentre os fenômenos da mente examinados por Sigmund
Freud (1856-1939), "o que mantém coesa uma massa de pessoas?"
intrigou o pai da psicanálise por muito tempo. "Psicologia
das Massas e Análise do Eu" apresenta as considerações
de Freud sobre este tema.
"A psicologia das massas trata do indivíduo
como membro de uma tribo, um povo, uma casta, uma classe, uma instituição
ou como elemento de um grupo de pessoas que, em certo momento e com
uma finalidade determinada, se organiza numa massa", escreve
Freud na introdução da obra.
Publicado originalmente em 1921, o ensaio é
fruto de anos de pesquisas e observações. O título
está inserido no contexto do período entreguerras, quando
ideais nazistas e fascistas começam a ganhar força na
Europa devastada pela Primeira Guerra (1914-18).
"O diálogo com a filosofia também
se faz presente buscando pontos de articulação com alguns
pensamentos de Platão, Kierkegaard e Nietzsche", escreve
o psicanalista e professor Edson Sousa no prefácio
à edição.
Freud se detém no funcionamento e nos mecanismos
inconscientes que fazem uma multidão obedecer e idolatrar a um
líder. Segundo Sousa, o livro "traz elementos que nos permitem
abordar fenômenos sociais como o racismo, a intolerância
religiosa e o fanatismo político".
"Psicologia das Massas..."
Conhecido como um de seus textos sociais, a "Psicologia
das Massas e Análise do Eu" debate as ideias de
Gustave Le Bon (1841-1931) e usa conceitos como identificação,
regressão, idealização, libido e recalque na investigação.
Nascido em 1856, na região da Morávia,
Freud estudou medicina na Universidade de Viena e se demonstrava especialmente
intrigado com a neurofisiologia. Já graduado, trabalhou no hospital
da mesma cidade, quando conheceu Jean-Martin Charcot (1825-93) e o uso
da hipnose.
Anos mais tarde, em 1895, publica "Estudo sobre
Histeria" em parceria com o médico Joseph Breuer. "A
Interpretação dos Sonhos", considerada sua obra mais
importante, chega quatro anos depois.
A edição de "Psicologia das Massas
e Análise do Eu" publicada pela L&PM traz revisão
técnica e prefácio de Edson Sousa e ensaio biobibliográfico
de Paulo Endo e Edson Sousa.
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"Psicologia das Massas e Análise do Eu"
Autor: Sigmund Freud
Editora: L&PM Pocket
Páginas: 176
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Sinopse:
Em "Psicologia das Massas e
Análise do Eu", Sigmund Freud investiga uma questão
que sempre o inquietou: o que mantém coesa uma massa de pessoas?
Este que é um dos chamados "textos sociais" do autor
foi construído à luz dos então mais recentes
estudos sobre antropologia e psicologia dos povos. Utilizando conceitos
como identificação, regressão, idealização,
libido e recalque, Freud esmiúça o funcionamento dos
grandes grupos e os mecanismos inconscientes que propiciam que uma
multidão de seres pensantes se submeta cegamente a um líder.
Gestada durante anos, mas publicada
apenas em 1921, a obra traz, inerentes, ecos do momento histórico
em que foi elaborada - em uma Europa devastada pela barbárie
da guerra, ganhava força o movimento nazifascista.
Porém, hoje, num mundo superpopuloso
em que a individualidade muitas vezes é aniquilada pela força
das multidões e em que a intolerância religiosa está
na ordem do dia, fica ainda mais evidente a genialidade de Freud ao
aplicar a psicanálise a outros campos do conhecimento, bem
como o amplo alcance e a atualidade de seu pensamento.
Detalhes do Produto:
Coleção: L&PM Pocket
Título: Psicologia das Massas e Análise do Eu
Autor: Sigmund Freud
Editora: L&PM Pocket
Edição: 1
Ano: 2013
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 176 páginas
FICHA TÉCNICA
ISBN: 978-85-2542-712-0
Peso: 501g
Dimensões: 178mm x 107mm
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Abaixo, leia um trecho do prefácio à edição
de "Psicologia das Massas e Análise do Eu" escrito
pelo psicanalista e professor Edson Sousa.
PREFÁCIO
Psicologia das massas: Uma reflexão em contrafluxo
Quando o caminhante canta na escuridão.
recusa seu estado de angústia, mas nem por
isso pode ver mais claramente.
SIGMUND FREUD
Inibição, sintoma e angústia
Psicologia das massas e análise do eu surge de uma inquietação
de Freud, a qual esteve presente em toda a sua vida e que pode ser resumida
em uma tese explicitada logo na abertura do texto:
"Na vida psíquica do
indivíduo, o outro entra em consideração de maneira
bem regular como modelo, objeto, ajudante e adversário, e por
isso, desde o princípio, a psicologia individual também
é ao mesmo tempo psicologia social".
Assim, Freud responde, de forma contundente,
aos críticos de ontem e de hoje que veem na psicanálise
uma disciplina restrita aos conflitos individuais dos sujeitos, virando
as costas para o que acontece no mundo. Os inúmeros textos escritos
pelo pai da psicanálise sobre questões sociais, buscando
sempre dialogar com outras disciplinas no campo da história,
sociologia, antropologia, política, arte, arqueologia, biologia,
filosofia e religião, mostram um pensador engajado e atento aos
acontecimentos de seu tempo. Seus textos e sua extensa correspondência
com dezenas de intelectuais das mais diversas áreas dão
provas de seu posicionamento crítico sobre o que se passava no
mundo em que vivia.
Psicologia das massas, publicado em 1921, foi gestado lentamente
e não deixa de ser um esforço louvável de reflexão
diante da barbárie que representou para o mundo, e especialmente
para a Europa, a destruição provocada pela Primeira Grande
Guerra. Freud sentira na própria pele seus efeitos. Três
dos seus filhos estavam no front: Martin, Oliver e Ernst. Seu genro
Max, assim como alguns colegas e muitos pacientes, também. Era
uma época de incertezas e de muitas perguntas sobre o que levara
a humanidade a tal grau de barbárie, de destruição
e de violência. Escrevera na época:
"Parece-nos como se nunca antes
um acontecimento tivesse destruído tantos bens comuns preciosos
da humanidade, confundido tantos dos mais lúcidos intelectos,
degradado tão cabalmente os mais elevados".
Em algumas passagens de Psicologia
das massas, Freud faz menção à guerra e escolhe
o Exército como um dos fenômenos de massa que analisa.
O outro coletivo que lhe aponta um horizonte de reflexão se refere
aos grupos religiosos, entre os quais toma particularmente como objeto
de estudo a Igreja Católica.
A cautela de Freud nesse campo de estudo se devia ao fato de ter que
percorrer toda uma ampla bibliografia da nascente psicologia social
no final do século XIX e início do século XX. Seu
texto traz uma extensa análise crítica da obra de Gustave
Le Bon, autor âncora de seu estudo, dialogando com o clássico
livro do autor francês Psicologia das multidões,
publicado pela primeira vez em Paris em 1895. Convida também
para o debate William McDougall e seu livro The Group Mind [A mente
grupal], Wilfred Trotter com Os instintos do rebanho na paz
e na guerra e Gabriel Tarde com As leis da imitação.
Muitos outros autores que se dedicaram a estudar os fenômenos
de massa são evocados em um detalhe ou outro, de forma que Psicologia
das massas acabou se tornando uma espécie de guia do estado da
questão na época. O diálogo com a filosofia também
se faz presente buscando pontos de articulação com alguns
pensamentos de Platão, Kierkegaard e Nietzsche. Freud evoca também
em seu texto um série de outros escritos seus, procurando situar
o presente estudo em relação à sua obra. São
inúmeras as referências a Três ensaios de teoria
sexual, Totem e tabu, Luto e melancolia, Além
do princípio do prazer e Introdução ao
narcisismo.
Freud busca responder, em seu ensaio, a uma das perguntas que considerava
um divisor de águas nos diversos estudos com os quais teve contato:
o que mantém uma determinada massa coesa? A resposta terá
muitas derivações, as quais o leitor terá a oportunidade
de encontrar na leitura do presente texto. Ele responde a essa questão
resumindo-a em uma palavra: Eros. Freud não se contenta com análises
mais descritivas presentes nos textos nos quais se deteve, pois as considera
insuficientes para entender uma série de fenômenos grupais.
Falar em sugestão, hipnose, mecanismos de fascinação,
sede de poder não lhe parecia responder ao fenômeno que
liga os elementos de uma massa entre si e em relação a
um líder. Para compreender esses mecanismos psíquicos,
Freud ousou transferir alguns conceitos já clássicos em
sua obra para a compreensão do funcionamento psíquico
das massas, tais como identificação, regressão,
idealização, circuitos de investimento libidinal e a lógica
do recalque com suas derivações, manifestadas sobretudo
na formação dos sintomas.
Psicologia das massas nos abre alguns caminhos de reflexão.
Freud vinha concebendo esse texto há algum tempo, recolhendo
notas, lendo as obras disponíveis sobre o tema. Já havia
desenvolvido anos antes uma série de estudos sobre as razões
da posição masoquista do ser humano bem como sobre o conceito
de pulsão (ou impulso, conforme se preferiu na presente tradução)
de morte, crucial no entendimento de sua metapsicologia. Este último
foi amplamente desenvolvido em seu texto Além do princípio
do prazer (1920). Nesse mesmo ano, em uma viagem de férias
aos Alpes, preparava as primeiras notas de Psicologia das massas e parecia
muito cauteloso e sem pressa em finalizar seu estudo. Do alto das montanhas
e em meio às inúmeras anotações que vinha
recolhendo, escreve a seu biógrafo oficial, Ernst Jones: "Trouxe
comigo o material para a Psicologia das massas e análise do eu,
mas minha cabeça até agora se recusa obstinadamente a
se interessar por esses problemas profundos".
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2013/06/1298265-freud-examina-o-que-mantem-uma-multidao-coesa.shtml
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