27/05/2013
“Busquemos falar com o
jovem e a criança na linguagem entendida por eles”
Fátima Moura
A conhecida escritora disserta sobre a importância da literatura
espírita voltada para a criança e o jovem.

Nascida em berço espírita,
Fátima Moura (foto)
participa desde 1991 das atividades do Centro Espírita Léon
Denis, localizado no Rio de Janeiro-RJ. Escritora e palestrante espírita,
ela fala sobre sua experiência como autora de livros espíritas
voltados para a infância e a juventude.
Fale-nos um pouco da sua relação
com a Doutrina espírita e das atividades que realiza atualmente
na seara espírita.
Fátima Moura - Tive a chance de nascer em um lar espírita
e creio ter sido essa a minha grande oportunidade. Além de escritora,
sou oradora, palestrante espírita e passista, e trabalhei muito
tempo em departamentos de psicografia e desobsessão. Fui há
mais de vinte anos evangelizadora de pré-mocidade em várias
casas espíritas e no Centro Espírita de Jacarepaguá/Casa
de Agostinho. Desde 1991 estou no CELD e frequento também o MAP
- Movimento de Amor ao Próximo, onde sou voluntária em
várias atividades materiais e espirituais.
Como se deu o início das suas tarefas como escritora de livros
espíritas infantis e juvenis?
Fátima Moura - Sempre
gostei muito de escrever. Desde os nove anos de idade já rabiscava
histórias e peças teatrais que eu ainda nem sabia que
seriam editadas no futuro. No ano de 1989, participando de um curso
de formação de evangelizadores, conheci a escritora Cléo
Mello e mostrei-lhe minhas histórias. Ela gostou tanto que me
apresentou ao Altivo Pamphiro, presidente do Centro Espírita
Léon Denis (CELD) e foi aí que tudo começou de
verdade. Além de escrever para o Léon Denis, coordenei
seu Departamento Editorial Gráfico de 1991 a 2000 e produzi junto
com o CELD 24 obras, algumas apostilas sobre música e teatro
e uma fita K7 que depois se transformou em um CD chamado “Cantando
eu Conto”. Toda essa história está relatada num
livro chamado “Altivo Pamphiro, Um Homem do Futuro”, no
qual, além de prestar uma homenagem ao querido amigo, conto como
se deu o início desse meu trabalho literário.
Como surgem, no seu caso, as ideias para a elaboração
de novos livros?
Fátima Moura -
Sou extremamente observadora e curiosa e sempre tiro de fatos à
minha volta alguma inspiração, mas a maior parte dos temas
e histórias que me chegam de seus reais autores já vem
com assunto estudado previamente, segundo eles mesmos nos dizem e destinados
a um determinado grupo de pessoas, que serão os primeiros disseminadores
dessas ideias, ou seja, eles nos intuem e nos ajudam a criar as condições
necessárias para a divulgação dos temas abordados,
de acordo com a necessidade do momento.
Em sua opinião, o que diferencia um livro espírita
infantil/juvenil de um outro livro qualquer voltado para esse mesmo
público?
Fátima Moura -
Em uma página recebida pelo médium Francisco Cândido
Xavier de autoria de Emmanuel, publicada na revista “Reformador”,
da Federação Espírita Brasileira, de abril de 1963,
denominada “O Livro Espírita”, está registrado:
“Cada livro edificante é porta libertadora. O livro espírita,
entretanto, emancipa a alma, nos fundamentos da vida”. Estudando
a Doutrina, temos observado exatamente isso. Um traz conhecimento e
beleza, mas o outro transforma vidas e planta sementes.
Você pensa que os livros espíritas para o público
infantil/juvenil devam abordar pontos basilares da doutrina espírita,
como a temática da mediunidade e reencarnação?
Fátima Moura -
Sim, claro que sim! Crianças há que desde bem pequenas
já apresentam mediunidade ostensiva e precisam aprender a entender
o que se passa com elas, assim como os próprios pais. Muita vez
pecamos em nossas evangelizações não orientando
adequadamente os pais nem as crianças que já apresentam
maior sensibilidade mediúnica. A fluidoterapia acoplada ao processo
de evangelização também é extremamente oportuna.
Tenho publicado pela Editora EME o livro “Criança quer
Saber”, em que abordo as 15 perguntas que as crianças mais
nos fazem e onde os temas Mediunidade e Reencarnação são
nele trabalhados de forma lúdica e envolvente. As crianças
me mandam e-mails e dizem estar gostando muito.
Qual a importância para o movimento espírita, na
sua opinião, de termos livros espíritas sendo vendidos
hoje em livrarias de Shopping Centers, com acesso ao grande público?
Fátima Moura -
Ter livros espíritas vendidos ou divulgados em locais públicos
contribui para que a informação espírita esteja
à disposição de pessoas que ainda não se
sentiram estimuladas a procurar uma Casa Espírita. Muitos romances
com embasamento doutrinário podem contribuir para instigar pessoas
a buscar o estudo doutrinário. Sem nenhum proselitismo, essa
se torna realmente uma grande oportunidade de atingir um maior número
de pessoas necessitadas das verdades espíritas.
Podemos dizer que hoje temos uma carência de obras espíritas
voltadas para o público juvenil?
Fátima Moura -
Temos no momento uma carência muito grande de bons livros para
esse público. Acabei de lançar também pela Editora
EME “O Jovem quer Respostas”, no qual respondemos sob a
ótica espírita as 15 perguntas que os jovens mais nos
fazem. Tenho investido nos jovens e nos temas timidez, namoro, sexualidade,
e sei que muitos bons autores também estão se direcionando
a esse público. Se conseguirmos cultivar em nossas crianças
e jovens o gosto pela boa literatura, Harry Potter e seus amigos da
Escola de bruxos, assim como o reality show “Jogos vorazes”,
vão ficar reduzidos ao seu lugar de origem, ou seja, ao mundo
da fantasia. Os pais precisam ter tempo disponível para examinar
o tipo de material que seus filhos estão lendo. Observemos a
qualidade de nosso tempo.
Em sua visão, quais os elementos necessários em
um livro espírita para o público infantil e juvenil que
o levem a ter a adesão desse mesmo público?
Fátima Moura -
Independente de ser espírita ou não, um bom livro não
pode fugir à verdade. A escritora Cecília Meireles, que
não era espírita, mas dedicou toda sua vida às
crianças, depois de seu passamento, por meio da psicografia de
Rita Folker, trouxe à tona uma colocação que julgo
extremamente importante para a nossa reflexão. Disse ela:
“Perguntam-me qual seria a principal característica
de toda produção artística oferecida às
crianças. Hoje, entendo que é a sinceridade. Seja a
sinceridade no dilema dos reis entre o poder e o servir, das prisioneiras
ou dos sapos transmutados em príncipes, que nunca falte, em
nossas palavras e ações dirigidas à criança,
a verdade. Ainda que seja a verdade dos nossos temores e dúvidas,
não há como dissimular sabedoria e mentir amor. Então,
quando buscardes a alma infantil para semear flores, escolhei somente
as melhores sementes”.
Fico com a Cecília.
Foi lançado o livro “Paulo e Estêvão
para Jovens”, uma adaptação do clássico em
uma linguagem e formato adaptados a esse público, como tem sido
feito por editoras laicas para outras obras de nossa literatura, como
“Dom Casmurro”. O que você acha dessa iniciativa?
Fátima Moura -
Extremamente oportuno. Para atingirmos o ser humano em suas variadas
formas de aprendizado, temos que usar a linguagem acessível a
cada faixa etária. O mercado editorial tem-se inovado a cada
dia. Busquemos falar com o jovem e a criança na linguagem entendida
por eles e os resultados sempre serão satisfatórios.
Na construção de suas aulas, quais os benefícios
de os evangelizadores usarem livros espíritas voltados para crianças
e jovens? E no culto no lar, isso também é importante?
Fátima Moura -
Os livros, segundo o pensador Charles Eliot, são os mais silenciosos
e constantes amigos, os mais acessíveis e sábios conselheiros,
e os mais pacientes professores. Em se tratando das crianças,
ouvir e vivenciar emoções através das histórias
que lhe são contadas a ajudam a amadurecer mediante as diversas
situações, e com o jovem não é diferente.
Os heróis que criamos internamente sempre buscam um aprendizado
e essa é uma resposta aos nossos apelos emocionais. Nos livros
espíritas, onde esse aprendizado se dá através
das virtudes morais, melhor se torna seu entendimento.
Que pensar da ideia “a questão da evangelização,
como discussão pedagógica, como área de estudo
espírita, e aí se insere a questão da literatura
infantil e juvenil espírita, carece de produção
de textos e eventos que discutam mais essa temática”?
Fátima Moura -
Todo trabalho bem planejado requer técnicas adequadas e no caso
do trabalho de evangelização espírita não
é diferente. Manuais de auxílio ao evangelizador, seminários
e cursos de preparo destinados ao tema precisam ser elaborados com frequência,
observando-se a realidade dos envolvidos. O mundo evolui a cada dia,
o advento da alta tecnologia se manifesta e precisamos nos servir de
todos os recursos disponíveis para realizar novas áreas
de estudo e sua aplicabilidade dentro do estudo espírita.
Que conselho você nos deixa para aqueles que pretendem
escrever livros para o público infantil e juvenil?
Fátima Moura -
Estudem bastante. Aprofundem-se no universo infantil e juvenil, pesquisem,
trabalhem e, sobretudo, orem com o coração, colocando
essa disponibilidade nas mãos do Pai. Muitas vezes o trabalhador
de boa vontade se depara com muitas dificuldades criadas por seu próprio
despreparo, o que reforça em nós a necessidade de estarmos
sempre aptos a novos conhecimentos que melhor nos permitam realizar
as tarefas que nos foram determinadas. Paz e bem a todos!
Fonte:
http://www.oconsolador.com.br/ano7/313/entrevista.html
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