22/04/2013
por FABIANO MAISONNAVE
FOLHA DE SÃO PAULO
Preocupada com a renovação das paróquias,
a assembleia dos bispos, que terminou na última sexta, incluiu
as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) entre as iniciativas para recuperar
a presença da Igreja Católica nas áreas mais pobres,
onde perde fiéis para evangélicos.
"É um jeito de fazer com que os leigos
lá na base comecem novamente a se articular", disse d.
Severino Clasen, presidente para comissão para o laicato da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ao defender
uma CEB menos ideológica.
Surgidas após o Concílio Vaticano 2º
(1962-65), as CEBs foram impulsionadas pelo Documento de Medellín
(1968) e pela Teologia da Libertação. Ligadas ao PT e
movimentos sociais, seu auge foi nos anos 1980, em regiões pobres,
com uma crítica que unia princípios cristãos a
uma ótica de esquerda.
Em meio à oposição dos papas João Paulo
2º e Bento 16, que nomearam bispos contrários à aproximação
com a esquerda, perderam força.
Para o padre Benedito Ferraro, assessor da Ampliada Nacional das CEBs,
a volta da discussão é um reconhecimento de parte dos
bispos de que a retração abriu espaço para as evangélicas,
como a Assembleia de Deus.
Hoje, diz, as CEBs são minoria entre os grupos eclesiais na
periferia. Ferraro diz que não há números precisos
sobre as CEBs, mas que elas estão presentes em todo o país.
O início da retomada das CEBs foi em 2007, na Conferência
do Episcopado Latino-Americano, onde foi aprovado um documento cujo
relator foi o bispo argentino Jorge Mario Bergoglio, futuro papa Francisco,
com trechos bastante favoráveis às CEBs.
Os elogios, porém, foram diluídos quando o Documento
de Aparecida passou por uma revisão da Cúria Romana do
papa Bento 16.
"O modo como aconteceu repercutiu negativamente", disse
o bispo italiano de Adriano Vasino. "Isso é um dos problemas
que a Igreja está tentando resolver, ter maior transparência
em tudo."
Vasino diz que o tema continua a dividir a CNBB entre "bispos
que acreditam claramente nesse modelo" e "outros que, por
experiências negativas, resquícios, consideram as comunidades
ligadas só ao social ou a ideias descritas como comunistas".
Defensores das CEBs esperam mais apoio do papa Francisco. Tanto por
ter participado do Documento de Aparecida quanto pela defesa de uma
"igreja para os pobres" --embora sem viés esquerdista.
A retomada, porém, não deverá ter a mesma força
de antes, avalia o ex-arcebispo do ABC, cardeal d. Cláudio Hummes.
"[As CEBs] talvez representem uma época, da ditadura militar,
e foi aí que o povo conseguiu ter voz", disse. "Em
30 anos, se faz um longo caminho. Então eu não posso simplesmente
repetir o discurso de 1980 nem a prática de 1980 ao pé
da letra."
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/04/1266505-cnbb-quer-recuperar-as-comunidades-eclesiais-de-base.shtml
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